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IRACEMA
No interior do Ceará, vivia Iracema
A virgem índia dos lábios de mel e
com longos cabelos pretos
tinha uma beleza suprema.
Com o pai Araquém, o irmão Caubi,
E com sua ave amiga Ará
viviam numa modesta cabana
Eram muito felizes por lá.
No rio estava um dia a banhar,
ouviu um ruído, olhou ligeiro
começou a procurar
deparou-se com um estrangeiro.
Era Martin, o guerreiro branco.
Estava lá porque perdeu de seu amigo.
Pensando que era o enviado de Tupã,
lhe deram comida e abrigo.
Um segredo tinha Iracema
então não podia ser serva do guerreiro
guardava o segredo de jurema
o rapaz quis partir ligeiro.
Ela disse-lhe para não se preocupar
outras índias viriam lhe ajudar
e o seu irmão iria lhe acompanhar
à taba dos Pitiguaras, iria lhe levar.
O rapaz então ali ficou
no outro dia ela o levou
ao bosque de jurema
onde havia o segredo que guardava Iracema.
Lá a virgem fez Martin sonhar
surgiu ali um outro índio
seus passos eram rápidos, um triscar
que correu, para a Irapuã chegar.
Irapuã, chefe dos Tabajaras
inimigo dos Pitiguaras
descobriu que Iracema os traiu
levando ao bosque um homem tão vil.
Guerra foi decretada.
A índia pediu ajuda
ao seu pai Araquém
que muito lhe queria bem
Escondida com o estrangeiro
serviu novamente o licor
a ele ficou os sonhos.
Sonhos de uma noite de amor.
Iracema então planejou
dali seu amor retirar
deu ao seu povo, o licor
que a tantos fazia sonhar.
Na floresta, os dois caminhavam
Martin encontrou Poti, seu amigo
muito feliz eles ficaram,
dali partiram em perigo.
Poti preveniu seu amigo
pediu que mandasse Iracema voltar
o estrangeiro ficou inibido
mas falou, sem nela olhar
Iracema negou seu pedido
já não podia voltar
Martin tornara seu marido
na noite em que o fez sonhar.
Como as andorinhas, voaram
Foram viver em outro ninho
escolheram então Porangaba
onde alguns sóis se amaram.
Certo dia Iracema falou:
__No meu corpo teu sangue corre
darei a luz a um filho seu
fruto de nossa prole.
O tempo passou naquela praia
a tristeza chegou no porvir
Iracema sozinha ficava
só, tão só ganhou Moacir
Chegando com muita frieza
Martin, seu filho conheceu
mas Iracema com tanta tristeza
não agüentou, enfim, morreu.
Martim junto a poti, seu amigo;
seu cachorro japi e a ave ará
chorou segurando seu filho
no lugar que veio a chamar Ceará.
Maria José de Assis
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