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O Crime do Padre Amaro
Em Leiria, Padre José Miguéis morria
Outro chegara para ocupar o seu lugar
Então, de Padre Amaro o povo chamaria
Seria do clero por amor?
Na casa de S. Joaneira hospedara
Lugar freqüentado pelo clero
Cheio de amigos para muita fala
Tem até uma moça, que desejo!
Amélia, moça meiga, porém sensual
Desperta em Amaro pura emoção
Será o destino do padre
Amá-la com perdição?
O celibato lhe é imposto,
Mas no seu coração não manda
Por seu destino tomado por outro
Se entrega à paixão que emana.
O romance se concretiza
Os dois estão na mais pura magia
De um amor infame que escandaliza
E lhes invade de alegria.
Toda obra não passa
De uma crítica feita por Eça
Que ataca no clero a massa
E outras instituições que peça.
Num misticismo vicioso
Amaro e Amélia se encontram
Misturam sexo e religião
Faz desacreditar o cristão.
A devassidão continua
A moça com tanta regalia
Engravida na folia
E recebe do padre a covardia.
Tortuoso pensamento
Amaro prefere a morte
Daquele seu primogênito
Que considerava má sorte.
O fruto do amor nasce
Amaro arma uma cilada
A tecedeira de anjo é contratada
A criança, em suas mãos desfalece.
Amélia, que é a protagonista
Também morre após o parto
Amaro tão egoísta
Parte sem nenhum impacto.
Com 3 personagens, o final é descrito
Estão todos diante da estátua de Camões
Com seu pensamento, Eça dá o seu grito
Nega uma cultura ultrapassada,
Com essas expressões:
"Sob o frio olhar de bronze do velho poeta,
ereto e nobre, com os seus largos ombros
de cavaleiro forte, a epopéia sobre o coração,
a espada firme, cercado dos cronistas e dos
poetas heróicos da antiga pátria- pátria para
sempre passada, memória quase perdida."
Maria José de Assis
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