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Pelas mãos da ignorância
Famílias vivem brigando
Não imaginam o mal
Que aos filhos tão causando.
Em um clima de pendenga
Viviam Albuquerques e Botelhos
Eles não se entendiam
Nem aceitavam conselhos.
Na família Botelho
Tinha o jovem Simão
Sua índole explosiva
Punha-o sempre em confusão
Seu pai mandou-lhe a Coimbra
Com o intuito de estudar
Porém o jovem Simão
Não sabendo aproveitar
Retornou para Viseu
Pois só para variar
Em confusão se meteu.
Retornando a Viseu
Em seu quarto se trancou
Conheceu então Teresa
Por quem se apaixonou
A partir de então Simão
Em outro se transformou.
Os dois se conheceram
Da sacada da janela
Para ele, ela era um anjo
E ele era o anjo dela.
Teresa era uma Albuquerque
Imaginem a confusão
Que ela e o jovem Simão
Arrumaram ao coração
O que os seus pais diriam
Desta singela união?
Nosso ingênuo casal
Continuaram se amando
Sonhavam casar-se um dia
E o futuro iam planejando
Durou somente três meses
Este amor às escondidas
Até que um dia Teresa
Pelo pai foi surpreendida
Ele ficou furioso
Ameaçou então Teresa
Que a mandaria ao convento
Onde iria ficar presa
Através de um bilhete
Simão fica então sabendo
Que mandá-la ao convento
O pai dela está querendo
Depois deste episódio
Simão pra Coimbra vai
Não porque ele queria
Foi imposto por seu pai.
Sua irmãzinha Rita
De Teresa torna-se amiga
Conversam secretamente
Para evitar intriga
Porém Domingos Botelho
O pai do jovem Simão
Flagra as duas conversando
Ela então delata o irmão
Fica muito chateada
Mas não pode fazer nada.
O pai de nossa heroína
Planeja a filha casar
Chama então a Viseu
Seu sobrinho Baltasar
Teresa renega o primo
E diz-lhe a outro amar
Sentindo-se ofendido
Jura opor-se a relação
Substituindo seu tio
Nesta ditosa função
O tio também ofendido
Em seu direito de pai
Decide então que Teresa
Para o convento vai.
Tadeu de Albuquerque insiste
Que sua filha vai casar
Trama a cerimônia em segredo
Com o garboso Baltasar
Novamente Teresa se nega
E mandando uma carta a Simão
Conta-lhe a situação.
Simão aluga um cavalo
E volta então a Viseu
Hospedando-se na casa
De um grande amigo seu
João da Cruz é esse amigo
Homem simples, ferrador
Tem uma filha, Mariana
Criada com muito amor.
Uma solene festa
Albuquerque estava dando
E pra toda sociedade
Ia Teresa apresentando
Baltasar estava cuidando
Daquela menina-criança
Porém Simão foi à festa
Ainda cheio de esperança
Simão e nossa Teresa
Foram ao jardim se encontrar
Apareceu então Baltasar
E pôs-se a ameaçar.
Simão retirou-se então
Foi pra casa de João.
Na casa do ferrador
João diz ao nosso herói
Que Baltasar é perigoso
E que a vingança o corrói
Simão sai pra ver Teresa
Está com saudades demais
João vai junto com ele
Pra tentar manter a paz
Porém Baltasar Coutinho
Que era uma lacraia
Esperava-os no caminho
E os pegou numa tocaia
Começaram a brigar
Simão ferido ficou
E seu amigo João
A dois homens matou.
Para a casa de João
Simão então foi levado
Por Mariana, sua filha
Ele seria cuidado
E aos poucos pela menina
Simão foi sendo amado.
Enquanto isso Teresa
Ficou num convento em Viseu
Muitas cartas pra Simão
A heroína escreveu
Com uma freira bondosa
Amizade ela criou
E suas cartas a Simão
Essa freira entregou
Simão escreveu em resposta
Às súplicas de seu grande amor
Quem entregou suas cartas
Foi o amigo ferrador
Teresa foi enviada
Pra cumprir sua triste sina
Para Monchique escoltada
Levaram nossa menina
Tão logo a comitiva
Colocou-se na estrada
Simão os interrompeu
Queria ver sua amada
Baltasar postou-se à frente
E logo o ofendeu
Simão com sua pistola
Nele um tiro deu
E caindo ao chão
Baltasar logo morreu.
Simão não fugiu não
Foi preso em flagrante
Mariana que o amava
Tentou lhe ser confortante
Alimentava-o todo dia
Mandou mobília à sua cela
Fez tudo o que ela podia
Pelo amor da vida dela
Saiu a triste sentença:
Pela mulher que amava
A morrer numa forca
Simão condenado estava
Ao receber a notícia
Mariana que o adorava
Teve um ataque de loucura
Muito mal ela estava.
O pai de nosso herói
Tendo muita influência
Conseguiu junto à justiça
Mudar a sua sentença
Dez anos lá na Índia
Simão então passaria
Mariana já curada
O acompanharia.
No convento de Monchique
Tereza permanecia
Escreveu carta a Simão
Disse que também morria
Ao saber que mudaram a sentença
Melhorou sua doença
Mas não foi suficiente
Pra deixar de estar doente
Relendo todas as cartas
Que ambos tinham trocado
Juntou-as uma a uma
Num pacote amarrado
Pediu à criada Constança
Que entregasse ao amado.
Para a cidade da Índia
Simão então foi embarcado
Teresa lá do mirante
Acenou ao seu amado
Dava o adeus derradeiro
Ao seu amor primeiro
Sabendo da morte dela
Simão teve febre e delírio
Depois de nove dias
Findou então seu martírio
Ele morreu por amar
E seu corpo jogariam ao mar
Mariana que estava ali
Ao lado do amado seu
Abraçou-se ao corpo dele
E com ele então morreu.
De tudo que há no mundo
Nada nos causa mais ânsia
Que o fim de um grande amor
Pelas mãos da ignorância
Três pessoas morreram
Por terem grande afeição
Por amarem em exagero
Foi um AMOR DE PERDIÇÃO
Autora: Edmeura Maria Alves
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