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Quais destes trabalhos podem ser realizador por alguém
formado em produção editorial: uma embalagem de biscoito, um
livro, uma animação de comercial para TV ou um CD-ROM? O
livro, não é? Nada disso. O editor, como é chamado quem segue
essa carreira, pode fazer tudo o que você leu aí em cima. Ele
torna possível a criação de um produto, seleciona as informações
que devem estar contidas nele, cuida de orçamentos e das revisões
para que tudo saia perfeito. "O editor tem condições
fazer inclusive um banco de dados muito fácil de acessar, pois
sabe hierarquizar as informações e apresentá-las de maneira
agradável", diz Gisela Marques, coordenadora editorial da
editora Companhia das Letras, em São Paulo.
Quando o editor se ocupa de livros, faz parte de sua
rotina calcular custos de papel, escolher o tipo de letra que
será usada e realizar uma última revisão do conjunto da obra
antes da impressão. "Sem um editor, falta unidade ao
conjunto. E isso vale tanto para um livro quanto para um CD de música",
observa Gisela, que ajudou a editar o livro Terra, de Sebastião
Salgado, e um CD com músicas de Chico Buarque. Com a informática
e a internet, abriu-se outro campo de trabalho, o da multimídia,
em que o editor se ocupa de web sites, CD-ROMs, produtos
interativos e até de jogos de computador. "Uma vez
montamos um quiosque promocional para vender um produto. Tivemos
de planejar tudo, do conteúdo aos botões a ser acionados, para
atrair os consumidores. É aí que entra a visão do
profissional de produção editoral", conta Ricardo Della
Rosa, sócio da produtora de multimídia Tenda Digital.
O mercado de trabalho para editores é bastante restrito.
Além de as vagas não serem muitas, profissionais de formações diversas se
candidatam a cada vaga. O mercado editorial como um todo depende do andamento da
economia. Na década de 1990, houve um crescimento significativo: mais de 80% em
títulos produzidos e mais de 100% no faturamento da indústria de livros em
relação à década anterior. Há períodos — como em época de feiras de
livro e bienais — em que a demanda por profissionais aumenta muito. As editoras lançam diversos títulos num espaço
curto de tempo e para isso contratam autônomos.
O mercado internacional olha para o Brasil com interesse, pois vê uma
perspectiva de crescimento grande do número de leitores se os incentivos
corretos forem dados. Se esta expectativa se realizar, grandes empresas
estrangeiras podem entrar no mercado, aumentando o mercado para profissionais da
área.
Atividades
São as seguintes as principais atividades do editor e de
sua equipe:
• estudo das condições do mercado editorial;
• levantamento e análise dos custos dos projetos;
• contato com escritores, redatores, clientes, patrocinadores;
• leitura e seleção de textos;
• acompanhamento do processo de redação, tradução, adaptação e revisão
da obra;
• acompanhamento do mercado editorial, incluindo viagens a feiras e congressos
mundiais;
• coordenação e supervisão de projetos gráficos, decidindo sobre apresentação,
capa, ilustrações, tipo de letra, tipo e tamanho do papel;
• coordenação e supervisão do processo de distribuição;
• coordenação e supervisão do processo de propaganda e marketing.
Profissionais de editoras trabalham normalmente no horário
comercial em ambientes confortáveis, cercados de estantes e livros. Para
iniciantes ou trabalhadores de editoras pequenas, tanto horário quanto ambiente
podem ser menos favoráveis. Há momentos de pressão, quando prazos de
fechamento de edições estão estourando ou quando as condições de mercado
favorecem o lançamento de uma determinada obra em prazo curto.
Existe a formação universitária em editoração ou
produção editorial, mas ela ainda não é fundamental: há profissionais
atuando neste campo formados em letras, jornalismo, filosofia. Editoras
especializadas podem ainda requerer formação em áreas científicas. Para ser
um bom editor ou produtor editorial é preciso ter conhecimentos gerais amplos e
atualizados e noções de administração e finanças. O profissional deve estar
bem informado sobre as perspectivas do mercado editorial. A atividade exige
ainda o conhecimento de outros idiomas.
Muitos profissionais começam suas carreiras através de
estágios, oferecidos aos estudantes a partir do quarto período. Há editoras
que fazem provas de recrutamento para avaliar o nível de conhecimento geral do
candidato e outras que recebem currículos e selecionam candidatos para
entrevistas. As universidades que têm o curso de editoração mantêm contatos
com as empresas e encaminham seus alunos ao mercado.
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