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Há
algum tempo o aluno ia à escola, terminava o curso e depois levava um tempão
para achar um trabalho. Agora é muito diferente; mal terminou a graduação e já
tem patrão na porta da sala de aula querendo levar aluno para o trabalho.
Parece exagero, mas cenas como estas são cada vez mais comuns nos corredores de
escolas de engenharia naval no Rio e em São Paulo.
Segundo
o coordenador do curso de graduação em engenharia e oceanografia da Escola
Politécnica da UFRJ, Eduardo Serra, o boom do setor do Petróleo está
fazendo com que as instituições de ensino sejam assediadas por armadores e
donos de estaleiros atrás de formandos.
Segundo
o professor, que é também pesquisador do Programa de Engenharia Oceânica da
COPPE/RJ, eles fazem consultas, enviam convites e se aproximam do recém-formado
sem qualquer cerimônia. Eduardo Serra conta que recentemente, a Petrobrás fez
um concurso apenas para engenheiros navais e que muitos alunos do Instituto
foram aprovados.
Ele
conta também que engenharia naval é a segunda categoria de engenheiros que a
Embraer mais contrata, depois do aeronáutico. Outras empresas preferem o
contato por currículo, indicação ou pela internet. As últimas oportunidades
foram as vagas abertas pelo Departamento de Engenharia Naval da Marinha e a
empresa Brás Fels-Mauá , antigo Verolme, em Angra dos Reis.
O
coordenador do Centro de Tecnologia de Solda do Senai, Wladimir Gonçalves Jr.,
reconhece que o setor naval está aquecido e que as empresas estão procurando
as escolas, desde quando a Petrobrás fez aos estaleiros brasileiros as
primeiras encomendas de pequenos reparos em suas plataformas.
Gonçalvez revela, entretanto, que a estatal já vinha há
algum tempo querendo deixar de fazer o trabalho de manutenção das plataformas
na Ásia porque a qualidade do serviço não era boa, o que fez a empresa
decidir que o conserto e a até a construção de navios seriam feitas
gradativamente no Brasil. Hoje várias empresas estrangeiras, principalmente
coreanas, estão se associando a armadores e a estaleiros brasileiros para
atender as necessidades da Petrobrás em alto mar e, por tabela, gerar novas
redes de negócios.
O
diretor de recursos humanos da Fels Setal, empresa coreana associada ao
estaleiro Verolme, José Carlos de Menezes concorda com o professor Eduardo
Serra, da UFRJ, e com o coordenador do Centro de Soldagem do SENAI, Wladimir Gonçalves
Jr., que o Brasil tem mão de obra preparada, mas acha que é preciso alguns
reajustes no ensino.
Segundo
ele, durante os anos em que a Indústria Naval estava em baixa, o curso de
engenharia se esvaziou. Ele conta que houve uma verdadeira fuga também de
engenheiros dos demais cursos tradicionais para trabalhar nas áreas bancaria,
financeira e informática.”É preciso resgatar a engenharia tradicional”,
reclama Gonçalvez. Por isso ele diz que encontra dificuldades para encontrar
pessoal de nível superior.
Entre
a população de renda mais baixa o problema é o contrário: o sindicato dos
trabalhadores portuários de Angra dos Reis tem uma lista de 140 mil pessoas das
mais diversas funções, ávidas para voltar ao trabalho. “Quem fica ansiosos
são eles quando chegamos na sede do sindicato”, diz Wladimir Gonçalves. Ele
explica que é só levar um trabalhador destreinado para o estaleiro e ensiná-lo
as técnicas enquanto trabalha. A Brasfels está fazendo contatos com instituições
como Senai, com a Faetec e com a Escola Técnica Naval da Marinha para a realização
de programas de capacitação.
ONDE
APRENDER AS PROFISSÕES DO MAR
No Brasil existem apenas duas universidades federais que oferecem o curso de
engenharia naval (bacharelado): a do Rio de Janeiro e a de São Paulo. O curso
de engenharia naval tem duração de cinco anos e é uma habilitação do curso
de engenharia oferecido pelas universidades. No Rio, a Pós-Graduação
(mestrado e/ou doutorado) é feita no Programa de Engenharia Oceânica da
Coordenação de Pós-Graduação em Engenharia (COPPE/RJ).
Em relação ao ensino técnico, a Firjan está investindo no Centro de
Tecnologia de Solda, na Tijuca, para manter cursos de formação de mão-de-obra
para serem ministrados na sede do centro na Tijuca. Veja a lista completa dos
diversos tipos de processos de soldagens, ensaios não destrutivos e cursos nas
áreas de materiais.
Há
também as aulas da Escola Técnica Henrique Lage, do Centro de Educação
Tecnológica e Profissionalizante do Barreto, ligada à Fundação de Apoio à
Escola Técnica (Faetec) da Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia do Rio
de Janeiro. Os cursos ministrados periodicamente são: Técnico em Estruturas
Navais; Técnico em Informática, Técnico em Máquinas Navais e Técnico em Mecânica.
A Escola Técnica Henrique Lage fica na Rua Guimarães Junior, 183, Barreto,
Niterói/RJ, tels. (0xx21) 2624 1167 e (0xx21) 2628 0200.
Veja
também um e-mail recebido: Li o artigo sobre aquecimento da indústria naval no Brasil e a procura por Eng. Navais.
Tenho a comentar que a Faculdade de Tecnologia Fluvial de Jahu, interior do Est. de São Paulo, forma Tecnólogos Fluviais em dois dos seus cursos superiores, sendo para a Construção e a Administração de Embarcações. Reconhecido pelos armadores e estaleiros, os seus egressos já estão trabalhando em todos os estados brasileiros suprindo a carência de mão de obra especializada do setor.
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