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Um novo curso está disponível nos manuais de inscrição para o vestibular. O
Ministério da Educação acolheu uma antiga reivindicação e reconheceu o
estudo da Teologia, incentivando instituições a abrir turmas, aumentar o número
de vagas em cursos já existentes e fazer adaptações para atrair o público
leigo. "A Teologia já era reconhecida oficialmente em todo o mundo, menos
no Brasil, onde o diploma só tinha valor para as igrejas", afirma Lothar
Hoch, reitor da Escola Superior de Teologia da Igreja Evangélica de Confissão
Luterana no Brasil, em São Leopoldo, Rio Grande do Sul, a primeira a conseguir
a autorização oficial.
Com a homologação pelo MEC de um parecer do Conselho Nacional de Educação,
em julho, qualquer instituição pode pedir o registro. Como a profissão de teólogo
não é regulamentada, as faculdades têm liberdade para compor os currículos,
atendendo às diferentes tradições religiosas, do catolicismo ao budismo. A
carga horária mínima, a qualificação do corpo docente e a infra-estrutura
passam a ser fiscalizadas pelo MEC. Formado, o bacharel em Teologia pode dar
aulas, prestar consultoria, trabalhar em ONGs e entidades religiosas.
A Universidade Mackenzie, de São Paulo, lançou o curso para o ano 2000.
"Eliminamos disciplinas dogmáticas ou pastorais porque não queremos
atrair o candidato a pastor", diz o coordenador, Antônio Maspoli. A
Universidade Metodista de São Paulo reformulou o curso existente incluindo
seminários de Bioética e Ecologia para arejar o currículo (algumas
disciplinas do curso: Ética e Cidadania, Sociologia da Religião, Filosofia
Contemporânea e Religiosidade na Cultura Brasileira). "Adaptamos a seleção
para o vestibular normal", explica o diretor Clóvis Pinto de Castro.
O padre José Benedito Simão, da paulistana Pontifícia Faculdade de Teologia
Nossa Senhora da Assunção, acredita que o mundo atual, por abrir mais espaço
para a religião, está despertando o interesse pela teologia em um novo perfil
de aluno. Como o gerente financeiro Edgar Gomes, que, após desistir de duas
faculdades, cursa o primeiro ano na Assunção. "Vim em busca de bagagem
cultural", afirma.
A PUC de São Paulo e a Universidade Metodista de Piracicaba pediram ao MEC a
oficialização da graduação em Ciências da Religião. Enquanto na Teologia
Deus é o principal objeto de estudo, em Ciências da Religião se analisa a
religiosidade social. O curso já atraiu a secretária Maria Paula Godoi.
"Interesso-me pelo controle do discurso religioso sobre a população",
diz.
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