Novas
Regras Ortográficas
Os médicos e militares fizeram um lobby, gastaram
uma nota preta pra manter o tracinho. Alegaram que
sairia mais caro mudar os receituários e refazer
as fardas: médico-cirurgião, tenente-coronel,
capitão-do-mar.
Uma pequena pausa para a cultura, ocasionada pelo
trauma de ler muitas pérolas do Enem e Vestibular.
Só por precaução...
Almirante Barroso não tem tracinho. Assim era
chamado Francisco Manuel Barroso da Silva. Sim, o
cara era militar da Marinha Imperial. Foi ele quem
conduziu a Armada Brasileira à vitória na Batalha
do Riachuelo, durante a Guerra da Tríplice
Aliança.
No centro do Rio de Janeiro há uma avenida com seu
nome (Av. Almirante Barroso). Na praia do
Flamengo, há um monumento, obra do escultor
Correia Lima, em cuja base se encontram os seus
restos mortais. Fim da pausa!
Acho que algumas regras pra este tracinho, até que
simpático, foram criadas por algum carioca
apaixonado. Será que Thiago Velloso e André
Delacerda tiveram alguma participação nas novas
regras?
O R no início das palavras vira RR na boca do
carioca. Não pronunciamos R (como em papiro,
aresta e arara), pronunciamos RR (como em ferro,
arraso e arremate).
Falamos rroldana e não roldana, rrodopio e não
rodopio, rrebola e não rebola.
Pois bem, numa das tombada do hífen, o R dobra e
deixa algumas palavras com jeito carioca de ser:
autorretrato, antirreligioso, suprarrenal. Será
fácil lembrar desta regra. Se a palavra antes do
tracinho (nem vou falar em prefixo) terminar com
vogal e a palavra seguinte começar com R é só
lembrar dos simpáticos e adoráveis cariocas.
Mais uma coisinha: a regra também vale para o S.
Fico até sem graça de comentar isso, pois todos
sabemos que o S é um invejoso que gosta de imitar
o R em tudo. Ante-sala vira antessala, extra-seco
vira extrasseco e por aí vai...
Quem segurou mesmo o hífen, sem deixá-lo cair,
foram os sufixos terminados em R, que acompanham
outra palavra iniciada com R, como em
inter-regional e hiper-realista. Estes tracinhos
continuarão a infernizar os cariocas.
O pré-natal esteve tão feliz, rindo o tempo todo
com o pós-parto de uma camela pré-histórica que
ninguém teve coragem de tocar no tracinho deles.
Já o pró - um chato por natureza, foi
completamente ignorado. Só assim manteve o
tracinho:
pró-labore, pró-desmatamento. A vogal e o h não
chegaram a nenhum acordo, mesmo com
anos de terapia. Permanecem de cara virada um pro
outro: anti-higiênico, anti-herói, anti-horário.
Estou começando a achar que as vogais são
semi-hostis com as consoantes...
O interessante é que as vogais quando estão
próximas umas das outras, não tem essa de
arquiinimigas. Fizeram lipo juntas e conquistaram
uma silhueta antiinflacionária de microorganismo.
Sumiram todos os tracinhos, notaram? Vogal-vogal,
com as novas regras ficam magrinhas: microondas,
antiibérico, antiinflamatório, extraescolar...
Uma inovação interessante:
- Podem esquecer o mixto , ele foi sumariamente
despedido. Puseram o misto no lugar dele.
Fiquei bolada com essa exceção: o prefixo co não
usa mais hífen. Seguiu os exemplos de cooperação e
coordenado, que sempre estiveram juntas.
Não estou me lembrando no momento, de nenhuma
palavra que use co com tracinho.
Será que sempre escrevi errado?
Quem diria que o créu suplantaria a ideia!?
Teremos que nos acostumar com as ideias heroicas
sem o acento agudo. Rasparam também o acento da
pobre coitada da jiboia.
O acento do créu continua porque tem o U logo
depois. Pelo menos a assembleia perdeu alguma
coisa...
Resta o consolo em saber que continuamos vivendo
tendo um belíssimo céu como chapéu.”
Trabalho apresentado pelos alunos da 7ª série,
turma 703:
Renata, Marcela, William, Yasmine e Jeffrei
Professora: Cecília
Semana da Língua Portuguesa
Colégio Bom Pastor
junho/2008
Crônica “Como será daqui pra frente?”
De: Elida Kronig
Aplicada pelas professoras Maria Helena e Cecília
com sucesso aos alunos das turmas do
- Centro Comunitário Meninos de Deus
- Jardim Escola João Vicente
- Colégio Bom Pastor
- Colégio Prof. Francisco Barros
- Centro Educacional Bom Saber
e tem sido um valioso auxiliar nas palestras e
seminários de atualização da Língua Portuguesa.
Esta foi a maneira que encontramos de homenagear a
escritora Elida Kronig, por ter tornado a matéria
mais fácil pra gente.