| A Revolução Francesa
O processo
revolucionário
francês sem dúvida é o mais importante, dentro
do agitado panorama político do século XVIII. Muitos
são os fatores que se aglutinaram a esta obsessão
pelo tema.
A monarquia
absolutista francesa chegou com Luiz XIV a sua
máxima expressão de grandeza e centralização. O seu
sucessor, Luís XV (1725 - 1774), teve, entretanto
menos êxito. Apesar do esplendor de sua corte não
ter diminuído em relação à época do Rei Sol e
ninguém ter questionado o seu absolutismo, a maioria
de suas iniciativas em política exterior fracassou.
A infrutífera participação da França na Guerra dos
sete anos e na contenda pela sucessão Austríaca
significou ao país mais poderoso da Europa perder
seus territórios na Índia e na América do Norte.
A humilhação destas derrotas foi parcialmente
compensada pelo bem-sucedido apoio da França à
revolução das colônias inglesas entre 1776 a 1783,
embora a sua independência nada tenha servido para
recuperar o que tenham perdido em 1763. Pelo
contrário investiu-se uma quantidade de dinheiro
considerável, proveniente do dinheiro do Estado. A
França encontrava-se em meio de uma crise financeira
de grandes proporções, acentuada pelo crescimento
populacional e pela subida de preços, especialmente
dos alimentos. Das tentativas foram inúteis e não
foi possível equilibrar o orçamento. Finalmente o
governo tentou uma nova saída: Cobrar impostos dos
setores que estavam isentos: a nobreza e o clero.
Os dois grupos estavam dispostos a não perder este
importante privilégio. Tão profunda era a crise de
Luís XVI que decidiu convocar os Estados Gerais, a
antiga assembléia administrativa, que a França não
reunia desde 1614.
Esta importante convocação tornou-se real em maio de
1789, dentro de uma atmosfera de desespero geral. A
coroa perdeu o controle quase imediatamente. Durante
três semanas houve disputas entre os três estados a
respeito da forma de votar: a nobreza e o clero era
defensores do voto classe social; o terceiro estado
do voto por cabeça. O terceiro estado constituiu-se
em junho na “Assembléia Nacional”, exigindo
garantias efetivas para os direitos básicos dos
Franceses, uma monarquia constitucional com uma
assembléia representativa e outras formas que
aboliram os privilégios dos nobres e dos sacerdotes.
Estes conceitos ganharam força entre os intelectuais
no transcurso do século XVIII e eram perfeitamente
conhecidos entre os franceses alfabetizados.
Entretanto Luís XVI relutou em aceitar estas
reformas. No princípio de julho decidiu dissolver a
Assembléia Nacional pela força. Assim no dia 14 de
julho de 1789, chegou-se num dos acontecimentos mais
simbólicos da revolução francesa: A queda da
Bastilha, uma fortaleza que representava para os
parisienses, o bularte do Absolutismo. De alguma
maneira, este fato marcou o fim da antiga ordem.
Durante o mês de
agosto a Assembléia aprovou uma série de decretos
fundamentais que aboliram:
• a inserção de impostos
• o recebimento do dízimo
• o monopólio aristocrático sobre os cargos públicos
• o antigo
sistema feudal
• Promulgou a declaração dos direitos dos homens e
do cidadão:
Proclamava:
• liberdade
• respeito pela vida
• respeito sobre as propriedades
Estabeleceu a igualdade de perante a lei e o
imposto, a liberdade de expressão e os cargos
abertos ao talento
A secularização da Igreja foi outra das obras da
Assembléia. A constituição civil dos cleros era que
todos os bispos e sacerdotes fossem eleitos pelo
povo, e submetidos à autoridade do Estado. O tesouro
público pagaria seus salários e seria exigido que
jurassem fidelidade à nova constituição.
Em setembro de 1791, a Assembléia foi encerrada ao
ser proclamada a constituição. Este documento
convertia a França em uma monarquia constitucional.
O ano de 1791 foi marcado por violentos distúrbios,
produto do rumo que tomavam os acontecimentos.
Muitos Franceses fugiram do país e começaram a
organizar uma contra-revolução. A ameaça estrangeira
foi um fator fundamental para o posterior
desenvolvimento da revolução.
O período do terror iniciou-se em meio a um ambiente
viciado, produto da guerra, que era então
continental, e das fortes disputas internas entre os
mesmos revolucionários.
O líder do governo jacobino foi Maximiliano
Robespierre, um advogado de Arrás que quis fazer da
França um estado moralista onde a razão tomaria
lugar da religião. O governo republicano deixou nas
mãos do comitê da salvação pública os destinos da
França, suspendendo, além disto, a vigência da
constituição. Assim a França era governada por um
pequeno grupo de Jacobinos que radicalizaram ainda
mais o processo, ao apoiar-se na “Lei dos
suspeitos”, para desbaratar qualquer tentativa de
complô, e na guilhotina. Inclusive assim, fizeram
com que a França adotasse um calendário próprio,
marcando seu início com o começo da república.
As tensões entre os jacobinos não se fizeram
esperar, finalmente foi o próprio Robespierre que
perdeu a vida na Guilhotina. Com sua morte em julho
de 1794, o governo do comitê de salvação Pública e
do Terror jacobino chegou ao seu fim.
A reação ao governo de Robespierre não tardou a
chegar: o chamado “Terror Branco” fez estragos no
sul da França e os girondinos voltaram ao poder
instaurando o governo do diretório, em 1795.
O diretório governou os destinos da França, até
1799, em meio a uma corrupção generalizada. Este
período, marcado por campanhas militares no
estrangeiro, viu nascer para a vida um homem que
estaria destinado a desempenhar um papel destacado
na França pós-revolucionária: O corso Napoleão
Bonaparte.
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