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Geografia e História dos Estados
Estado do MARANHÃO

 

 



 

 - Estado do Maranhão

Localizado no litoral norte do Brasil, o Estado do Maranhão ocupa área de 333.365,6 km2, limitado ao norte com o oceano Atlântico, numa extensão litorânea de 640 km, a leste com o Piauí, ao sul e sudoeste com o Tocantins e a oeste com o Pará. O clima predominante é tropical e seu relevo apresenta duas regiões distintas, que incluem a planície litorânea e o planalto tabular. A planície litorânea é formada por baixadas alagadiças, tabuleiros com extensas praias e as grandes extensões de dunas de areia e o litoral recortado em alguns trechos da costa, especialmente onde se formam as baías de São Marcos e São José. As demais regiões compõem-se de planaltos, que formam chapadas com escarpas, denominadas serras. Ao noroeste do Estado situa-se a chamada Amazônia Maranhense, caracterizada pela vegetação de floresta e clima equatorial.
Os rios que banham o Estado do Maranhão pertencem, em sua maioria, à bacia do Norte e Nordeste, que ocupa área de 981.661,6 km2. Dela faz parte o rio Parnaíba, o maior entre os que banham o Estado do Maranhão, localizado na fronteira com o Estado do Piauí, e os rios Gurupi e Grajaú. O rio Tocantins corre ao sul, delimitando grande parte da fronteira do Maranhão com o Estado do Tocantins. Destacam-se ainda os rios Mearim, Itapecuru, Pindaré e Turiaçu, como os mais importantes do Estado.
A população do Estado do Maranhão é de 5.300.000 habitantes, distribuídos entre 136 municípios. Entre as cidades mais populosas encontram-se São Luiz, a capital do Estado, Imperatriz, e Caxias. A densidade populacional do Estado é de 15,2 habitantes por km2. A população na faixa etária de 0 a 14 anos representa 44,1%, entre 15 e 59 anos corresponde a 49,9% e acima de 60 anos corresponde a 6%. Nas áreas urbanas vivem 40% da população, enquanto 60% encontra-se na zona rural. A proporção entre o número de homens e mulheres no Estado é equilibrada.
O extrativismo constitui-se uma das atividades econômicas mais importantes, também conhecido como "terra das palmeiras". Entre as espécies de palmeiras nativas existentes no Estado, as mais significativas do ponto de vista econômico, são o babaçu e a carnaúba. Mas também são importantes localmente o buriti, a juçara e a bacaba. Na composição da economia do Estado também se destacam as atividades agropecuárias e as indústrias de transformação de alumínio e alumina, alimentícia e madeireira. Entre os principais produtos agrícolas cultivados encontram-se a mandioca, o arroz, o milho, a soja e o feijão. A pecuária desenvolvida no Estado do Maranhão incluí, cabeças de gado bovino; suínos;  caprinos; eqüinos e aves. Existem ainda reservas de calcário, que corresponderam a uma produção de 330,7 mil toneladas no Estado.

Babaçu - Palmeira oleaginosa (Orbignya martiana) de grande valor industrial e comercial, o babaçu é encontrado em extensas formações naturais nos Estados do Maranhão e Piauí, responsáveis por mais de 90% da produção do País. Uma das mais valiosas palmeiras do Brasil, o babaçu chega a alcançar 20 metros de altura e possui um conjunto de folhas longas, com mais de seis metros de comprimento. Os frutos têm a forma de amêndoas e podem chegar a 15 cm de diâmetro em sua parte mais larga. Do babaçu se extrai a matéria-prima utilizada na fabricação de margarinas, banha de coco, sabões e cosméticos. O resíduo da extração, chamado "torta de babaçu", é útil como forragem para o gado. O broto fornece palmito de boa qualidade e o fruto, enquanto verde, serve aos seringueiros para defumar a borracha. Ao amadurecerem, suas partes externas são utilizadas como alimentos. O caule se emprega em construções rurais e das folhas se fazem coberturas para casas ou cestos fabricados no âmbito da indústria doméstica. Podem também ser utilizadas na fabricação de celulose e papel. Como acontece com outros tipos de palmeiras, do pedúnculo cortado pode ser extraído um líquido que, fermentado, produz bebida alcoólica muito apreciada por indígenas da região.

São Luiz - A capital do Estado do Maranhão foi fundada em 1812, na ilha de São Luiz, às margens da baía de São Marcos, do oceano Atlântico e do estreito dos Mosquitos. Povoada originariamente pelos franceses no século XVII, atualmente sua população compõe-se de aproximadamente 53% de mulheres e 47% de homens. A economia local baseia-se primordialmente na indústria de transformação de minérios e no comércio. As principais atrações turísticas da cidade encontram-se na chamada Praia Grande, onde antigos casarios cobertos de azulejos evidenciam a influência portuguesa na arquitetura local. O bairro, restaurado quase por inteiro pelo Projeto Reviver, é ponto cultural de destaque na cidade. Dispõe de teatro, cinema, bares, lanchonetes, restaurantes e serviços para turistas. O Reviver recuperou cerca de 107 mil m2, mais de 200 prédios, substituiu toda a rede elétrica e proibiu o tráfego de veículos. A obra, estimada em US$ 100 milhões, devolveu a Praia Grande o antigo cenário de centro comercial e cultural da cidade do século XIX, quando São Luís era chamada de Atenas Brasileira. Entre os principais locais turísticos, encontram-se o Largo do Palácio; o Cais da Sagração, onde costumavam ancorar os navios antigos, que levavam carregamento de açúcar; o Palácio dos Leões, local onde até 1615 funcionou o forte que protegia a capital da França Equinocial e até 1993 era a sede do Governo estadual; a Catedral da Sé, construída pelos Jesuítas em 1726; a igreja do Carmo, construída em 1627, uma das mais antigas da cidade; o Museu de Artes Visuais, com trabalhos de artistas maranhenses e azulejos europeus dos séculos XIX e XX; o Museu de Arte Popular, que funciona também como centro de cultura popular; o Teatro Arthur Azevedo, construído entre 1815 e 1817, e a Fonte do Ribeirão (1796), que possui três portões de ferro dando acesso a passagens subterrâneas que servem para escoamento de águas pluviais; a Feira da Praia Grande, que funciona em um prédio do século XIX, exibindo em um de seus portões as armas do Império em relevo. Trata-se do único exemplar em São Luís, que escapou da depredação depois de instituído o regime republicano. Hoje, são comercializados víveres, frutas regionais, artesanato, mariscos e peixes no local.
Existem várias praias cobertas de dunas de areia nas redondezas de São Luiz. Algumas delas apresentam certo perigo a banhistas, devido às ondas que quebram a 7 km de altura. Entre as mais populares encontram-se a praia do Calhau; a de Ponte da Areia, onde se encontram as ruínas do Forte Santo Antonio (1691); de São Marcos, com as ruínas do Forte de São Marcos, do século XVIII; e a praia de Aracaji, uma das mais bonitas dessa faixa litorânea. O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, localizado em Primeira Cruz, possui infra-estrutura para visitantes, com pousada, restaurantes e bares.

Formação Histórica - Os primeiros europeus a chegarem, em 1500, à região onde hoje se encontra o Estado do Maranhão foram os espanhóis. Em 1535, aconteceu a primeira tentativa fracassada, por parte dos portugueses, de ocupação do território. Os franceses realizaram a ocupação efetiva iniciada em 1612, quando 500 deles chegaram em três navios e fundaram a França Equinocial. Seguiram-se lutas e tréguas entre portugueses e franceses até 1615, quando os primeiros retomaram definitivamente a colônia. Em 1621, foi instituído o Estado do Maranhão e Grão-Pará, com o objetivo de melhorar as defesas da costa e os contatos com a metrópole, uma vez que as relações com a capital da colônia, Salvador, localizada na costa leste do oceano Atlântico eram dificultadas, devido às correntes marítimas. Em 1641, os holandeses invadiram a região e ocuparam a ilha de São Luiz, nomeando o povoado em homenagem a o rei Luiz XIII. Três anos depois, foram expulsos pelos portugueses. Com a consolidação do domínio português na região, ocorreu a separação do Maranhão e Pará em 1774. A forte influência portuguesa no Maranhão fez com que o Estado só aceitasse em 1823, após intervenção armada, a independência do Brasil de Portugal, ocorrida em 7 de setembro de 1822.
No século XVII, a base da economia do Estado encontrava-se na produção do açúcar, cravo, canela e pimenta; no século XVIII, surgiram o arroz e o algodão, que vieram a se somar ao açúcar, constituindo-se estes três produtos a base da economia escravocrata do século XIX. Com a abolição da escravatura, a 13 de maio de 1888, o Estado enfrentou um período decadência econômica, do qual viria a se recuperar no final da primeira década do século XX, quando teve início o processo de industrialização, a partir da produção têxtil.
O Estado do Maranhão recebeu duas importantes correntes migratórias ao longo do século XX. Nos primeiros anos chegaram sírio-libaneses, que se dedicaram inicialmente ao comércio modesto, passando em seguida a empreendimentos maiores e a dar origem a profissionais liberais e políticos. Entre as décadas de 40 e 60 chegou grande número de migrantes originários do Estado do Ceará, em busca de melhores condições de vida na agricultura. Dedicaram-se principalmente à lavoura de arroz, o que fez crescer consideravelmente a produção do Estado.

Alcântara - Situada no continente, a 22 km da cidade de São Luiz, no lado oposto da baía de São Marcos, a pequena cidade de Alcântara foi tombada como patrimônio histórico nacional pela riqueza de sua arquitetura, reflexo dos anos de prosperidade que ali prevaleceram até meados do século XIX. A partir dessa época teve início a fase de decadência, agravada pela abolição da escravatura. Antiga aldeia de índios tupinambás, já foi também presídio militar (1617), passando a chamar-se Santo Antonio de Alcântara, quando foi elevada à categoria de vila, em 1648. Por sua posição geográfica estratégica, foi escolhida para abrigar a mais moderna base de lançamentos de satélite da América Latina.

Literatura - O Estado do Maranhão foi berço de grandes nomes da intelectualidade brasileira. Entre eles destacam-se os poetas Gonçalves Dias (1823-1864), um dos primeiros românticos, e Raimundo Correia (1860-1911), um dos expoentes da escola parnasiana; o escritor Aloísio Azevedo (1857-1913), romancista típico do naturalismo brasileiro; Coelho Neto (1864-1934), jornalista e lutador da causa abolicionista e republicana; Humberto de Campos (1886-1934), eleito em concurso público o "Príncipe dos Prosadores Brasileiros"; e Graça Aranha (1868-1931), membro fundador da Academia Brasileira de Letras e uma das lideranças do Movimento Modernista de 1922; e o dramaturgo e homem de teatro Arthur Azevedo (1855-1908), irmão de Aloísio Azevedo, que se tornou popular entre o público por sua inspiração espontânea e capacidade de improvisação.

Indígenas - A população indígena do Estado do Maranhão soma aproximadamente 13 mil habitantes, distribuídos entre 16 grupos que vivem numa área total de 1.908.89 hectares. Desse total, aproximadamente 86%, que representam 14 áreas, já se encontram demarcadas pela Fundação Nacional do Índio (FUNAI), órgão do Governo Federal. Cerca de 14%, incluem apenas duas áreas (Awá e Krikati) ainda estão em processo de demarcação, embora sejam ocupadas pelos índios. O grupo mais numeroso é o dos Araribóia, com população de 3.292 habitantes, que ocupa área de 413.288 hectares, já demarcada pela FUNAI, no município de Amarante do Maranhão. O Cana Brava Guajajara é o segundo grupo em tamanho da população, com índios que ocupam 137.329 hectares nos municípios de Barra do Corda e Grajaú.

Bumba-meu-boi - O Estado do Maranhão é conhecido pela riqueza de suas festas populares e tradicionais. Entre as mais conhecidas destacam-se o bumba-meu-boi, as folias-do-Divino, os reisados e as lapinhas. O bumba-meu-boi é o mais importante evento folclórico do Estado. Trata-se de uma combinação de música, dança e teatro, que mistura elementos da cultura indígena, africana e luso-brasileira. Existem cerca de 60 grupos de bumba-meu-boi na cidade de São Luiz, com músicos que tocam vários instrumentos como as zabumbas e matracas. No dia 22 de junho, dois dias antes da comemoração do dia de São João, "nasce" a figura principal do evento, o Boi, que é batizado no dia seguinte, de acordo com o ritual do grupo. Assim tem início um festival que se prolonga até o dia 30 de julho, ou mesmo até o final de setembro, em certos casos, quando o Boi, uma estrutura de madeira e palhas de palmas de buriti, coberta com uma capa de veludo bordado com miçangas e artigos brilhosos, finalmente "morre". O bumba-meu-boi foi originalmente criado pelos grupos mais oprimidos da população, como uma paródia dirigida contra a sociedade de proprietários de escravos, tendo sido, por esta razão, reprimido ocasionalmente, pelas autoridades oficiais.

 


 
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