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- Estado do Amazonas
O nome Amazonas é de origem indígena, da palavra
amassunu, que quer dizer ruído de águas, água que
retumba". Foi originalmente dado ao rio que banha o
Estado, pelo capitão espanhol Francisco Orelhana,
quando, ao descê-lo em todo o comprimento em 1541, a
certa altura encontrou uma tribo de índias
guerreiras, com a qual lutou. Associando-se às
Amazonas do Termodonte, deu-lhes o mesmo nome.
Localizado no coração da floresta Amazônica, centro
da região Norte do Brasil, ocupa uma área de 1.577.820,2 km2, limitando-se ao norte
com a Venezuela e Roraima; a noroeste
com a Colômbia; a leste com o Pará; a
sudeste com o Mato Grosso; ao sul com Rondônia; e a sudoeste com o Peru e o Acre. É o maior Estado do Brasil, ocupando
mais de 18% da superfície do País e seu território
está distribuído pelo Planalto das Guianas, ao
norte, e pelas encostas do Planalto Brasileiro, ao
sul)
Com baixa densidade demográfica, que corresponde a
1,4 habitantes por km2, a população do Estado do
Amazonas é de 2.217.163 habitantes, dos quais 71,4
se encontram nas áreas urbanas e 28,6 vivem na
zona rural. A população entre 0 e 14 anos de idade
representa 43,8%, entre 15 e 59 anos
responde por 52%, e acima de 60 anos
de idade representam 4,2% da população do Estado. As
mulheres representam 49,6% e os homens 50,4% da
população.
Formação Histórica - A região Amazônica pertencia à
Espanha, pelo Tratado de Tordesilhas,
assinado entre Espanha e Portugal em 1494. No início do
século XVII, passou a ser alvo de
incursões portuguesas. As disputas com a Espanha
terminaram com a assinatura do Tratado de Madri, em
1750, que deu a Portugal a posse definitiva da
região. Em 1850, D. Pedro II criou a província do
Amazonas.
No século XX, a exploração da borracha
levou grande riqueza para a região Amazônica. Com a
decadência econômica que se sucedeu, em decorrência
da exploração intensiva daquele produto nas colônias
inglesas e holandesas do oriente, notadamente na
Malásia, o Estado passou por longo período de
estagnação econômica. A partir de 1950, começou
gradativamente a retomar o crescimento por meio de
incentivos do Governo Federal. Esse processo
culminou com a criação da Zona Franca de Manaus, em
1967, que introduziu a industrialização na região
Amazônica.
Manaus - A capital do Estado é a cidade de Manaus,
situada às margens do rio Negro, com população de
1.078.277 habitantes. É um
importante centro industrial de fabricação de
materiais elétricos e eletrônicos e conheceu grande surto de desenvolvimento a
partir de 1967, com a criação pelo Governo Federal,
da Zona Franca de comércio e indústria em seu
território. Desde então, a capital do Estado do
Amazonas vem sofrendo grandes transformações, que se
refletem em todos os aspectos da vida dos habitantes
locais.
Nos primeiros anos do século XX, a cidade de Manaus
vivia em grande opulência, constituindo-se
importante centro cultural. Os antigos senhores da
borracha, que pretendiam edificar uma cidade em
estilo europeu, tornaram-na conhecida como a "Paris
dos Trópicos". A paisagem arquitetônica local
contribuía para confirmar o luxo e a ostentação em
que viviam seus habitantes. Reflexo desse período de
prosperidade encontra-se em alguns monumentos
arquitetônicos de Manaus, como o Teatro Amazonas,
inaugurado em 1896 e declarado patrimônio nacional
em 1965. Construído nos estilos eclético e
neo-clássico, com materiais e artistas trazidos da
Europa, sua nave central, em formato de harpa, tem
capacidade para 640 pessoas na platéia. Existem
ainda na cidade, construções que refletem os traços
da engenharia inglesa, como o dique flutuante do
porto e seus edifícios adjacentes; e o Palácio da
Justiça, que possui traços da arquitetura francesa.
Muitas das construções da cidade sofreram influência
do estilo art nouveau, como são os casos de alguns
edifícios e do Mercado Municipal.
Um dos mais procurados pontos turísticos da cidade
de Manaus é a Praia de Ponta Negra, situada nas
margens do Rio Negro, a 13 km do centro da cidade.
No período de vazante do rio, as areias avançam
sobre o seu leito, formando um belo contraste com as
águas escuras.
Destaca-se ainda na cidade de Manaus o extenso
bosque existente na sede do Instituto Nacional de
Pesquisas da Amazônia (INPA), onde também se
encontra um Jardim Botânico, rico em espécies da
flora da região amazônica, além de um Jardim
Zoológico onde existem diversos animais cujas
espécies se encontram em extinção.
São também importantes os museus encontrados na
cidade de Manaus, que revelam informações diversas
sobre a história e o estilo de vida do homem da
floresta. Entre os principais destacam-se o Museu do
Índio, com grande acervo de objetos das nações
indígenas do alto Rio Negro; o Museu de Ciências
Naturais da Amazônia, onde pode ser encontrada
grande variedade de insetos e animais embalsamados;
o Museu do Homem do Norte, com coleções de objetos
que traduzem o modo de vida, os costumes e a cultura
do habitante local; e o Museu do Porto, que possui acervo de peças históricas, documentos, planos e instrumentos
dos ingleses que construíram o porto, em 1904.
Economia - A economia do Estado baseia-se
principalmente nas atividades de extrativismo,
mineração, indústria e pesca. Os principais produtos
agrícolas cultivados no estado incluem a laranja, a
mandioca, o arroz e a banana. Entre os minerais
existentes, destacam-se o calcário, a gipsita e o
estanho. A produção industrial recebeu significativo
impulso a partir de 1967, quando foi criada a Zona
Franca comercial e industrial de Manaus, com o
objetivo de promover o desenvolvimento da região.
Destacam-se no parque industrial do Estado, a
produção de materiais elétricos e de comunicação; a
indústria metalúrgica e de extração mineral; a
fabricação de relógios; e a indústria alimentícia e
de bebidas.
A pesca é uma das principais atividades econômicas
da população amazônica e o alimento básico para o
seu sustento. Existem várias espécies de peixes nos
inúmeros rios da região, entre os quais se destacam
o tucunaré, o dourado amazônico, o gamitana e a
pescada. As piranhas, cuja carne é muito apreciada
por pescadores, habitam quase todos os rios da
Amazônia. No entanto, raramente encontram-se em
concentrações suficientes para causar o perigo que a
elas é freqüentemente atribuído. O pirarucu, um dos
maiores peixes de água doce do mundo, é encontrado
em abundância nos rios amazônicos. Podendo atingir
dois metros de comprimento e pesar até 150 kg, suas
escamas são utilizadas como lixas e sua carne é
muito apreciada pelos habitantes da região. O
peixe-boi, uma das espécies mais exóticas da
Amazônia, encontra-se em risco de extinção, por ser
presa fácil de caçadores. Trata-se de um mamífero
que pode alcançar até três metros de comprimento e
400 kg de peso.
Aspectos Geográficos - O relevo do Estado do
Amazonas apresenta três patamares de altitude -
igapós, várzeas e baixos platôs ou terra firme -
definidos pelo volume de água dos rios, em função
das chuvas. Os igapós são áreas permanentemente
inundadas, com vegetação adaptada a permanecer com
as raízes sempre debaixo d’água. As várzeas
encontram-se em terreno mais elevado e são inundadas
apenas na época das cheias dos rios. A seringueira é
um exemplo do tipo de árvores existentes nessa área.
Os baixos platôs ou terra firme estão localizados
nas partes mais elevadas e fora do alcance das
cheias dos rios.
Na região norte do Estado, encontra-se o ponto mais
alto do território brasileiro, o pico da Neblina,
com 3.014 metros de altitude, localizado na serra de
Imeri, próximo à Venezuela.
A linha do Equador atravessa o Estado, fazendo
predominar o clima equatorial, caracterizado por
temperaturas médias entre 24º e 26º e chuvas
abundantes durante todo o ano. A vegetação típica
dessa região é a floresta equatorial
Flora e fauna - A vegetação típica do Estado é a
floresta equatorial, que se divide em três tipos:
matas de terra firme, matas de igapó e matas de
várzea. Nas matas
de terra firme encontram-se as grandes árvores de madeira de lei da Amazônia. Em
alguns locais as copas das árvores são tão grandes
que impedem a passagem de até 95% da luz do sol,
tornando o interior da floresta escuro, mal
ventilado e úmido. Entre as principais espécies
existentes nessa região encontram-se as castanheiras-do-pará, a seringueira, o guaraná e o
timbó, árvore utilizada pelos índios para envenenar
os peixes.
As matas de igapó localizam-se nos terrenos mais
baixos, próximos aos rios, mantendo-se
permanentemente alagadas. Durante o período de
cheia, as águas inundam as margens dos rios, avançam
pela floresta e chegam quase a alcançar as copas das
árvores, formando os "igapós". Quando esse fenômeno
acontece nos pequenos rios e afluentes, são
denominados "igarapés". As árvores encontradas nesse
tipo de matas podem atingir 20 metros de altura, mas
é comum encontrar-se árvores de dois a três metros,
com ramificação baixa e densa, de difícil
penetração. Sua espécie mais famosa é a
vitória-régia, conhecida como a "rainha dos lagos".
A folha da vitória-régia pode chegar a medir um
metro e oitenta centímetros de diâmetro. As bordas
de suas folhas são levantadas e espinhosas, para
evitar a ação destruidora dos peixes, e as raízes se
fixam no fundo da água, formando um bulbo com um
cordão fibroso revestido de espinhos. A flor também
se abre protegida por espinhos e muda de cor, do
branco para o rosa, com o passar do tempo. O bulbo
da vitória-régia é muito apreciado pelos índios e as
sementes se assemelham às do milho. No período de
seca as vitórias-régias desaparecem, voltando suas
sementes a germinar na estação das cheias.
As matas de várzea localizam-se entre a terra firme
e os igapós, variando de acordo com a proximidade
dos rios. Nelas podem ser encontradas árvores de
grande porte como a seringueira, as palmeiras e o
jatobá.
A Floresta Amazônica concentra grande diversidade de
espécies de plantas medicinais, comestíveis,
oleaginosas e colorantes, muitas das quais ainda não
foram investigadas em profundidade. Suas
propriedades continuam sendo estudadas em
laboratórios. Acredita-se que 25% de todas as
essências farmacêuticas utilizadas atualmente pela
medicina tenham sido extraídas das florestas
tropicais. A variedade da flora amazônica tem como
seu principal habitat as matas de igapó e terra
firme. Dentre as espécies mais conhecidas de plantas
medicinais extraídas da Amazônia encontram-se o
guaraná, que apresenta propriedades vitalizantes,
rejuvenescedoras e afrodisíacas, atuando como tônico
do coração e ativando as funções cerebrais e a
circulação periférica; a copaíba, que contém um
azeite anti-inflamatório e cicatrizante, utilizada em
casos de úlceras e faringites; e o urucu, que possui
sementes com propriedades capazes de aumentar a
pigmentação de tecidos adiposos, tornando a pele
resistente e com coloração natural. Contém
betacaroteno (vitamina A) e pode ser ingerido em
cápsulas ou utilizado na culinária, como corante
natural.
A fauna da região Amazônica também é rica e variada,
incluindo felinos, roedores, aves, quelônios e
primatas. Algumas espécies encontram-se em perigo de
extinção
e passam a ser protegidas pelos órgãos especializados do Governo, para terem
garantida a sua sobrevivência. Este é o caso do
macaco uacari branco e do pequeno sagüi, que apenas
podem ser encontrados atualmente nos arredores da
cidade de Manaus.
Rede hidrográfica - A bacia Amazônica estende-se por
3.889.489,6 km2, representando um quinto de toda a
reserva de água doce do planeta. Seus rios estão
condicionados ao regime das chuvas e se constituem
praticamente as únicas vias de transporte dos
habitantes locais. Existem mais de 20 mil km de vias
fluviais navegáveis, ligando comunidades distantes
na região. O rio Amazonas é o segundo mais extenso
do planeta e o primeiro em volume de água (100.000
m3). Nasce no planalto de La Raya, no Peru, com o
nome de Vilcanota, passando a se chamar Solimões
quando entra em território brasileiro. A partir da
confluência com o rio Negro, nas proximidades da
cidade de Manaus, recebe o nome de Amazonas. Dos
seus 6.515 km de extensão, 3.600 correm em
território brasileiro a uma velocidade de 2,5 km;
hora, levando em seu leito toneladas de sedimentos
arrancados das margens, o que torna a sua coloração
amarelada. Sua largura varia de quatro a cinco km,
chegando a alcançar 10 km em certos locais. A
profundidade média do rio Amazonas chega a quase 100
metros. Entre seus mais de sete mil afluentes, os
principais são os rios Madeira — que percorre uma
extensão de 3.200 km —, o Xingu e o Tapajós, na
margem direita; e os rios Negro, Trombetas e Jari,
na margem esquerda.
Encontro das águas - A aproximadamente 10 km de
Manaus, as águas escuras do rio Negro se encontram
com as águas barrentas do rio Solimões, correndo
lado a lado, sem se misturarem, por uma extensão de
cerca de seis km, quando passam então a formar o rio
Amazonas, até chegar ao oceano Atlântico. Trata-se
de um fenômeno muito apreciado por turistas, que
decorre das diferenças de densidade, temperatura e
velocidade de ambos os rios.
Pororoca - É o fenômeno do encontro das correntes de
maré do oceano com a corrente fluvial, que ocorre na
foz do rio Amazonas, onde as marés se manifestam com
grande amplitude e impetuosidade.
Anavilhanas - Situado no rio Negro, o arquipélago de
Anavilhanas é formado por 400 ilhas que abrigam
complexo ecossistema da Amazônia. A região está
protegida por legislação federal que criou a Estação
Ecológica de Anavilhanas, com área de 350 mil
hectares. No período das cheias do rio Negro, metade
das ilhas ficam submersas e os animais têm que se
refugiar nas partes mais elevadas. Quando as águas
começam a baixar, as ilhas deixam à mostra praias e
canais que entrecortam toda a região como uma rede,
num percurso de aproximadamente 90 km. A região de
Anavilhanas encontra-se próxima ao Parque Nacional
de Jaú, a maior reserva florestal da América do Sul,
com 2,27 milhões de hectares, também banhada pelo
rio Negro.
Parques ecológicos - Em todo o Estado do Amazonas
existem vários parques nacionais ecológicos, entre os quais se destaca o Parque do Pico da Neblina, que
abriga um conjunto de montanhas ocupando 2,20
milhões de hectares. Próximo à cidade de Manaus
encontra-se o Parque Ecológico de Janauary,
localizado na região do rio Negro, com área de 9 mil
hectares. Possui matas de terra firme, igapós e de
várzea, onde os turistas podem passear de canoa,
apreciando a vegetação típica dos igarapés. Contém
ainda um lago, onde se encontra grande quantidade de vitórias-régia que podem ser admiradas de uma
passarela rústica, construída para esse fim. O
Parque de Janauary é administrado por um consórcio
turístico formado por empresas do setor, com a
cessão do Governo do Estado.
Turismo ecológico - É o grande atrativo dos roteiros
de viagens pela Amazônia, proporcionando ao turista
a oportunidade de conhecer e aprender a respeito da
floresta tropical e de seus habitantes. Seu objetivo
principal é promover a interação do homem com a
natureza e a valorização da rica diversidade
biológica da região. O turismo ecológico no Estado
inclui programas de viagens de barco, pernoites em
hotéis de selva e passeios pela floresta. Podem ter
a duração de horas ou de dias, em função do
interesse e disponibilidade de tempo do visitante.
Os programas são sempre realizados na companhia de
guias especializados em sobrevivência na selva, que
são profissionais formados em cursos administrados
pelo Exército Brasileiro.
Hotéis de selva - O Estado do Amazonas foi o
pioneiro nesse tipo de hospedagem. Os alojamentos,
conhecidos como "lodges" ou hotéis de selva, são
empreendimentos construídos na margem de rios, em
plena selva, flutuando sobre as águas tranqüilas de
um lago amazônico. Nesses lugares os visitantes
podem sentir-se completamente integrados ao tipo de
natureza que constitui o universo da floresta. Os
hotéis de selva são classificados de acordo com o
nível de integração com o meio ambiente e as
comodidades oferecidas aos hóspedes. Existem
alojamentos com infraestrutura mais completa e
outros mais rústicos. Entre os hotéis de selva mais
procurados por turistas que visitam a Amazônia
encontram-se o Ariaú Jungle Tower e o Acajatuba
Jungle Lodge, a 60 km da cidade de Manaus; o Amazon
Village e o Amazon Lodge, distantes,
respectivamente, 70 e 80 km de Manaus; e o Salvador
Lake, situado a 18 km da cidade de Manaus.
O homem que habita o Estado do Amazonas é, sem
dúvida, o maior responsável pela conservação do meio
ambiente da região. Ele convive em perfeita harmonia
com a selva, utilizando racionalmente a natureza
para sua subsistência. Por essa razão, o Estado do
Amazonas registra, até o presente, o menor índice de
interferência humana na floresta nativa. A extensa
vegetação que cobre o Estado pode ser apreciada pelo
viajante que percorre seus rios ou sobrevoa, durante
horas, a região, sem que a paisagem verde se
modifique. A necessidade de promover o
desenvolvimento, com a conservação do meio ambiente,
induziu o Governo do Estado a estimular
progressivamente o ecoturismo, importante gerador de
emprego e renda, como também instrumento de
conscientização da necessidade da proteção
ambiental.
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