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Lógica
Entendida popularmente como o estudo do raciocínio
correto, a lógica surge no Ocidente com o filósofo
grego Aristóteles. Para mostrar que os sofistas
(mestres da retórica e da oratória) podem enganar os
cidadãos utilizando argumentos incorretos,
Aristóteles estuda a estrutura lógica da
argumentação.
Revela, assim, que
alguns argumentos podem ser convincentes, embora não
sejam corretos.
A lógica, segundo
Aristóteles, é um instrumento para atingir o
conhecimento científico. Só se pode chamar de
ciência aquilo que é metódico e sistemático, ou
seja, lógico.
Na obra Organon, Aristóteles define a lógica como um
método do discurso demonstrativo, que utiliza três
operações da inteligência: o conceito, o juízo e o
raciocínio.
O conceito é a
representação mental dos objetos. O juízo é a
afirmação ou negação da relação entre o sujeito
(neste caso, o próprio objeto) e seu predicado.
E o raciocínio é o que
leva à conclusão sobre os vários juízos contidos no
discurso. Os raciocínios podem ser analisados como
silogismos, nos quais uma conclusão decorre de duas
premissas.
"Todo homem é mortal. Sócrates é homem, logo,
Sócrates é mortal", diz ele, para exemplificar.
"Sócrates", "homem" e "mortal" são conceitos.
"Sócrates é mortal" e "Sócrates é homem" são juízos.
O raciocínio é a
progressão do pensamento que se dá entre as
premissas "Todo homem é mortal", "Sócrates é homem"
e, a conclusão, "Sócrates é mortal".
O matemático e filósofo alemão G.W. Leibniz
(1646-1716) critica a lógica aristotélica por
demonstrar verdades conhecidas, mas não revelar
novas verdades.
Além disso, a lógica
tradicional sistematiza apenas juízos do tipo
sujeito e predicado, como "Sócrates é mortal".
Já os modernos sentem
necessidade de um método capaz de estudar também
relações entre objetos, como "A Terra é maior do que
a Lua".
No final do século XIX, o alemão Gottlob Frege
(1848-1925) cria uma lógica baseada em símbolos
matemáticos e na análise formal do discurso,
lançando as bases da lógica moderna, que formaliza
os raciocínios, organizando-os numa espécie de
gramática, que pode ser empregada em diversas
linguagens, como a proposicional, que estuda a
relação dos juízos entre si, e a de predicados, que
analisa a estrutura interna das sentenças.
Como a matemática,
ambas se utilizam de símbolos lógicos (de negação,
conjunção e implicação, por exemplo) e não-lógicos
(que representam proposições, funções, relações
etc.) para criar cálculos ou sistemas de dedução.
A validade de um argumento depende exclusivamente de
sua fórmula lógica e não do conteúdo das afirmações.
Então, se no exemplo aristotélico o conceito
"mortal" for substituído pelo conceito "verde"
("Todo homem é verde.
Sócrates é homem,
logo, Sócrates é verde."), o argumento permanece
válido, ou correto, embora não existam homens
verdes. Válido, porém, não quer dizer verdadeiro.
Para que a conclusão
de um argumento válido seja verdadeira, as premissas
têm de ser verdadeiras.
Ao estudar a estrutura e a natureza do raciocínio
humano e reproduzi-las em fórmulas matemáticas,
torna-se possível, por exemplo, a criação de uma
linguagem binária, que é a base de funcionamento dos
softwares para computadores.
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