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Lógica
Lógica é arte que nos faz proceder, com ordem,
facilmente e sem erro, no ato próprio da razão.
Distinguem-se três operações do espírito:
- a simples apreensão
(formação do conceito);
- o juízo (composição
e divisão) e
- o raciocínio.
No raciocínio, é
necessário distinguir a matéria, ou, dito de outra
forma, os materiais inteligíveis propriamente ditos
com os quais o raciocínio é construído, e a forma,
quer dizer, a disposição segundo a qual esses
materiais são reunidos.
A simples apreensão é o ato pelo qual nós atingimos,
sem nada afirmar ou negar, um objeto inteligível
(natureza ou essência). Se pensamos, por exemplo,
"homem", "animal racional", "inteligente" etc.,
fazemos um simples ato de apreensão.
O objeto material deste ato é a coisa, qualquer que
ele seja, que apreendemos pelo pensamento. Seu
objeto formal é aquilo que é diretamente atingido
por ele, é o que chamamos de essência ou natureza, é
antes de tudo e por si apresentado à inteligência.
Esse objeto
inteligível é incomplexo ou complexo. Quando o
objeto da simples apreensão é uma única essência,
ex: homem, ele é chamado incomplexo. Porém, se há
várias essências unidas, ex.:um homem vestido de
roupas suntuosas, ele é chamado complexo.
Ao examinarmos um conceito, em termos lógicos,
devemos considerar a sua extensão e a sua
compreensão.
Por exemplo, o conceito homem. A extensão desse
conceito refere-se a todo conjunto de indivíduos aos
quais se possa explicar a designação homem. Isto é,
você, eu, Pedro, Maria, enfim, toda a espécie
humana. Já a compreensão do conceito homem refere-se
ao conjunto de qualidades que um indivíduo deve
possuir para ser designado pelo termo homem.
O conceito homem supõe
a necessária existência de uma série de qualidades:
animal, vertebrado, mamífero, bípede, racional.
Assim, podemos fixar que a extensão de um conceito
refere-se à quantidade de seres por ele designados,
enquanto a compreensão diz respeito às qualidades
que esses seres possuem para pertencerem ao referido
conceito.
Considerando a extensão dos conceitos, o matemático
Euler elaborou diagramas que revelam a existência de
apenas cinco possibilidades de relacionarmos, em
termos lógicos, um par de conceitos. Vejamos:
1. completa igualdade entre X e Y ( todos os X são Y
e todos os Y são X)
2. X pertence a Y ( todos os X são Y; mas nem todos
os Y são X)
3. Y pertence a X ( todos os Y são X; mas nem todos
os X são Y)
4. Interação parcial entre X e Y ( alguns, mas não
todos, X são Y e alguns, mas não todos, Y são X)
5. Completa diferenciação entre X e Y ( nenhum X é Y
e nenhum Y é X)
Quanto a sua compreensão, os conceitos dividem-se em
duas classes: concretos e abstratos. O conceito
concreto apresenta ao espírito o que é isto ou
aquilo e são absolutos ("o homem") ou conotativos
("branco"). O conceito abstrato apresenta aquilo
pelo que uma coisa é isto ou aquilo e são sempre
absolutos, ex. "a humanidade".
Quanto à sua extensão, dividem-se em coletivos e
divisivos. Coletivos porque se realizam somente em
um grupo tomados em conjunto ou
coletivamente.("família"). Pelo contrário, os
conceitos divisivos se realizam nos próprios
indivíduos tomados cada um em particular. (
"soldado")
A distinção do sentido coletivo e do divisivo
interessa à teoria do raciocínio: é evidente que se
pode dizer, com o conceito "homem" tomado
distributivamente:
Os homens são mortais;
ora, Pedro é homem;
logo Pedro é mortal.
Mas o mesmo não podemos afirmar do conceito
"senador" tomado coletivamente:
Os senadores são um corpo eleito;
Ora, Pedro é senador;
Logo, Pedro é um corpo eleito.
A extensão de um conceito (comum) pode ser
restringida sem ser no entanto limitada a um só
sujeito individual determinado, como ao dizermos
"algum homem".
O conceito denomina-se particular. Pelo contrário,
quando a extensão do conceito é absolutamente
restringida como quando dizemos "todo homem", o
conceito é denominado distributivo ou universal.
Universal (distributivo)...........................
"Todo homem..."
Conceito comum Particular......................
"Algum homem..."
Conceito singular...................................
"Este homem..."
O termo é um conceito articulado que significa
convencionalmente um conceito. O termo, considerado
como parte da argumentação, divide-se em sujeito
(que recebe uma determinação por meio do verbo ser)
e predicado (que está apoiado no sujeito para
determiná-lo).
O termo, considerado
como parte da enunciação, divide-se em substantivo e
verbo. O verbo ser significa a existência atualmente
exercida (Pedro é), seja enquanto cópula, a relação
do predicado com o sujeito. Em razão da extensão, o
termo é singular, particular, universal ou
indefinido.
O juízo é o ato pelo qual o espírito compõe
afirmando ou divide negando. O ato de julgar
(assentimento) recai sobre uma proposição que tem
por matéria o sujeito e o predicado, e por forma a
cópula.
A cópula "é" ou "não
é" tem dupla função. Na medida em que exprime a
composição ou a divisão, e então liga simplesmente o
sujeito e o predicado, podemos dizer que tem uma
função puramente copulativa, ex. "um tesouro está
escondido aqui". Na medida em que exprime o ato
vital de assentimento ( afirmação ou negação),
interiormente realizado pelo espírito, podemos dizer
que tem uma função propriamente judicativa, ex.
"Pedro não é judeu".
Segundo o que seja a cópula a proposição divide-se
em simples( categórica) ou composta (hipotética). A
composta é ela própria aberta ou ocultamente
composta. A abertamente composta divide-se em
copulativa (cópula e), disjuntiva (cópula ou), e
condicional (cópula se). A ocultamente composta
divide-se em exclusiva (somente), exceptiva (salvo)
e reduplicativa
A oposição das proposições é a afirmação e a negação
do mesmo predicado em relação ao mesmo sujeito.
Existem três espécies de oposição: contradição (não
podem ser verdadeiras ao mesmo tempo nem falsas ao
mesmo tempo. Ex. "Algum homem é louro" é verdade:
logo é falso que "nenhum homem é louro"),
contrariedade (duas contrárias não podem ser
verdadeiras ao mesmo tempo, mas podem ser falsas ao
mesmo tempo.
Ex. "Todo homem é
justo" é falso, porém isto não prova que "nenhum
homem é justo" seja verdade), subcontrariedade (duas
contrárias não podem ser falsas ao mesmo tempo, mas
podem ser verdadeiras ao mesmo tempo.
O raciocínio como já sabemos é a terceira operação
do espírito. Podemos defini-lo como ato pelo qual o
espírito, por meio do que já conhece, adquire um
conhecimento novo.
Quando raciocina, o
espírito está movido por duas proposições percebidas
como verdadeiras, colocando a verdade numa terceira
proposição. Chamamos argumentação o organismo lógico
formado por antecedente e o conseqüente, ou seja, um
grupamento de proposições das quais uma é
significada como inferida pelas outras.
Vejamos um exemplo típico de raciocínio:
1ª premissa – O ser humano é racional
2ª premissa – Você é ser humano
Conclusão – Logo, você é racional.
O enunciado de um raciocínio através da linguagem é
chamado argumento.
As questões de validade referem-se às relações
lógicas entre as proposições que formam um
argumento, ou seja, se o argumento é correto ou
incorreto do ponto de vista da forma.
Podemos indicar a forma lógica válida de acordo com
o seguinte raciocínio:
Se todo X faz parte de Y
Se em todas as partes do dia observamos o sol
E se Y faz parte de Z
E se a noite é uma das partes do dia
Logo, X faz parte de Z
Logo, à noite, observamos o sol.
Em termos lógicos, esse argumento é considerado
válido, embora a hipótese expressa em uma de suas
premissas seja falsa, bem como falsa é a sua
conclusão.
Num argumento inválido quanto à lógica, as premissas
são inadequadas, para sustentar a conclusão. Esse
tipo de argumento é chamado de falácia. Vejamos um
exemplo de argumento falacioso: Todos os gatos
perfeitos possuem quatro patas
( premissa verdadeira) Miau possui quatro patas
(premissa verdadeira) Logo, Miau é um gato perfeito.
(conclusão verdadeira)
Independentemente de serem verdadeiras as premissas
desse argumento, trata-se de um argumento falacioso,
pois, da 1ª premissa, não é válido concluir que Miau
é um gato perfeito pelo fato de Miau possuir quatro
patas. Em outras palavras, as premissas desse
argumento não oferecem justificativas lógicas para
validar sua conclusão.
As falácias construídas de má-fé, com a intenção de
enganar, costumam ser chamadas de sofismas.
Podemos perceber que a lógica é um instrumento muito
utilizado nos dias atuais, pois, a mídia, os
políticos, ou até mesmo nossa família, utilizam-se
desses meios argumentativos, verdadeiros ou não,
para alcançar o que desejam, isto é, para convencer
um outro ser ( você, eu, qualquer um) de suas
premissas e conclusões.
Hoje a lógica tradicional encontra-se dividida,
devido a explosão da matematização (época moderna),
o que gerou o ramo da lógica simbólica ou
matemática...
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