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Ética
Em filosofia, é a área
que estuda os valores morais. Reflete sobre o bem e
o mal, o que é certo ou errado e procura responder,
por exemplo, se os fins justificam os meios ou os
meios justificam os fins.
A partir de Sócrates (470 a.C-399 a.C.), a filosofia
passa a se ocupar de problemas relativos ao valor da
vida, ou seja, das virtudes.
O primeiro a organizar
essas questões é Aristóteles. Em sua obra
destacam-se os estudos da relação entre a ética
individual e a social e entre a vida teórica e a
prática.
Ele também classifica
as virtudes. A justiça, a amizade e os valores
morais derivam dos costumes e servem para promover a
ordem política. A sabedoria e a prudência estão
vinculadas à inteligência ou à razão.
Ética cristã – Na Idade Média predomina a
ética cristã, impregnada de valores religiosos e
baseada no amor ao próximo, que incorpora as noções
gregas de que a felicidade é um objetivo do homem e
a prática do bem, um meio de atingi-la.
Para os filósofos
cristãos, a natureza humana tem destino
predeterminado e Deus é o princípio da felicidade e
da virtude. Os critérios de bem e mal estão
vinculados à fé e à esperança de vida após a morte.
Ética iluminista – Entre a Idade Média e a
Moderna, o italiano Nicolau Maquiavel rompe com a
moral cristã, que impõe os valores espirituais como
superiores aos políticos.
Defende a adoção de
uma moral própria em relação ao Estado. O que
importa são os resultados, e não a ação política em
si. Por isso, considera legítimo o uso da violência
contra os que se opõem aos interesses estatais.
Maquiavel influencia o
inglês Thomas Hobbes (1588-1679) e o holandês
Benedito Spinoza (1632-1677), pensadores modernos
extremamente realistas no que se refere à ética.
Nos séculos XVIII e XIX, o francês Jean-Jacques
Rousseau e os alemães Immanuel Kant e Friedrich
Hegel (1770-1831) são os principais filósofos a
discutir a ética.
Segundo Rousseau, o
homem é bom por natureza e seu espírito pode sofrer
aprimoramento quase ilimitado.
Para Kant, ética é a
obrigação de agir segundo regras universais, comuns
a todos os seres humanos por ser derivadas da razão.
O fundamento da moral
é dado pela própria razão humana: a noção de dever.
O reconhecimento dos outros homens, como fim em si e
não como meio para alcançar algo, é o principal
motivador da conduta individual.
Hegel divide a ética em subjetiva ou pessoal e
objetiva ou social. A primeira é uma consciência de
dever; a segunda, formada por costumes, leis e
normas de uma sociedade.
O Estado reúne esses
dois aspectos em uma "totalidade ética".
Nietzsche critica a moral tradicional, derivada da
religião judaico-cristã, pelo fato de subjugar os
instintos e as paixões à razão.
Essa é a "moral dos
escravos", que nega os valores vitais e promove a
passividade e o conformismo, resultando no
ressentimento.
Em oposição a ela,
propõe a "transvaloração de todos os valores", que
funda a "moral dos senhores", preconizando a
capacidade de criação, de invenção, de potência.
O ser humano que assim
consegue superar-se é o super-homem, o que transpõe
os limites do humano.
Ética contemporânea – A valorização da
autonomia do sujeito moral leva à busca de valores
subjetivos e ao reconhecimento do valor das paixões,
o que acarreta o individualismo exacerbado e a
anarquia dos valores.
Resulta ainda na
descoberta de várias situações particulares com suas
respectivas morais: dos jovens, de grupos
religiosos, de movimentos ecológicos, de
homossexuais, de feministas, e assim por diante.
Essa divisão leva ao relativismo moral, que, sem
fundamentos mais profundos e universais, baseia a
ação sobre o interesse imediato.
É dentro dessa
perspectiva que o filósofo inglês Bertrand Russell
(1872-1970) afirma que a ética é subjetiva, não
contendo afirmações verdadeiras ou falsas.
Defende, porém, que o
ser humano deve reprimir certos desejos e reforçar
outros se pretende atingir a felicidade ou o
equilíbrio.
Como reação a essas posições, o novo iluminismo,
representado por Jürgen Habermas (1929-), desenvolve
a Teoria da Ação Comunicativa, dentro da qual
fundamenta a ética discursiva, baseada em diálogo,
por sujeitos capazes de se posicionar criticamente
diante de normas.
É pelo uso de
argumentos racionais que um grupo pode chegar ao
consenso, à solidariedade e à cooperação.
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