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Dialética
Originalmente, é a
arte do diálogo, da contraposição de idéias que leva
a outras idéias.
O conceito de
dialética, porém, é utilizado por diferentes
doutrinas filosóficas e, de acordo com cada uma,
assume um significado distinto.
Para Platão, a dialética é sinônimo de filosofia, o
método mais eficaz de aproximação entre as idéias
particulares e as idéias universais ou puras.
É a técnica de
perguntar, responder e refutar que ele teria
aprendido com Sócrates (470 a.C.-399 a.C.).
Platão considera que
apenas através do diálogo o filósofo deve procurar
atingir o verdadeiro conhecimento, partindo do mundo
sensível e chegando ao mundo das idéias.
Pela decomposição e
investigação racional de um conceito, chega-se a uma
síntese, que também deve ser examinada, num processo
infinito que busca a verdade.
Aristóteles define a dialética como a lógica do
provável, do processo racional que não pode ser
demonstrado. "Provável é o que parece aceitável a
todos, ou à maioria, ou aos mais conhecidos e
ilustres", diz o filósofo.
O alemão Immanuel Kant retoma a noção aristotélica
quando define a dialética como a "lógica da
aparência". Para ele, a dialética é uma ilusão, pois
baseia-se em princípios que, na verdade, são
subjetivos.
Dialética e história – No início do século XIX Georg
Wilhelm Hegel (1770-1831), desejando solucionar o
problema das transformações às quais a realidade
está submetida, apresenta a dialética como um
movimento racional que permite transpor uma
contradição.
Uma tese inicial
contradiz-se e é ultrapassada por sua antítese. Essa
antítese, que conserva elementos da tese, é superada
pela síntese, que combina elementos das duas
primeiras, num progressivo enriquecimento.
A dialética hegeliana
não é um método, mas um movimento conjunto do
pensamento e da realidade.
Segundo Hegel, a história da humanidade cumpre uma
trajetória dialética marcada por três momentos:
tese, antítese e síntese.
O primeiro vai das
civilizações orientais antigas até o surgimento da
filosofia na Grécia. Hegel o classifica como
objetivo, porque considera que o espírito está
imerso na natureza.
O segundo é
influenciado pelos gregos, mas começa efetivamente
com o cristianismo e termina com Descartes. É um
momento subjetivo, no qual o espírito toma
consciência de sua existência e surge o desejo de
liberdade.
O terceiro, ou a
síntese absoluta, acontece a partir da Revolução
Francesa, quando o espírito consciente controla a
natureza e o desejo de liberdade concretiza-se na
concepção do Estado moderno.
Dialética marxista – Karl Marx e Friedrich Engels
(1820-1895) reformam o conceito hegeliano de
dialética: utilizam a mesma forma, mas introduzem um
novo conteúdo.
Chamam essa nova
dialética de materialista, porque o movimento
histórico, para eles, é derivado das condições
materiais da vida.
A dialética materialista analisa a história do ponto
de vista dos processos econômicos e sociais e a
divide em quatro momentos: Antiguidade, feudalismo,
capitalismo e socialismo.
Cada um dos três
primeiros é superado por uma contradição interna,
chamada "germe da destruição".
A contradição da
Antiguidade é a escravidão; do feudalismo, os
servos; e do capitalismo, o proletariado. O
socialismo seria a síntese final, em que a história
cumpre seu desenvolvimento dialético.
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