
Origens da globalização
Hoje, globalização
é uma palavra constante nos meios de comunicação. Para muitos historiadores,
esse processo de interligação do mundo começou com a expansão comercial marítima
européia dos séculos 15, 16, a chamada Era das Grandes Navegações. Que
fatores permitiram ao homem europeu romper com os laços do mundo medieval e lançar-se
na conquista dos "mares nunca dantes navegados"?
O
primeiro foi a crise de crescimento do século 15. A produção agrícola não
atendia às necessidades dos centros urbanos; a produção artesanal desses
centros não encontrava mercados suficientes no campo; o comércio
internacional, além de escoar os poucos metais preciosos que a Europa possuía,
tinha preços altos em função dos intermediários existentes entre o produtor
e o comprador final. A solução era alargar a Europa por meio do comércio e da
expansão marítima.
O
segundo fator foi a aliança entre burguesia e reis nas monarquias nacionais. Um
empreendimento da grandeza das grandes navegações só seria possível com um
Estado centralizado, aliado ao capital da burguesia. O terceiro fator foi o avanço
técnico e científico (caravelas, bússola, sextante, astrolábio,
desenvolvimento da cartografia e da astronomia), possibilitando as condições
tecnológicas para as navegações. O quarto fator estava no campo das
mentalidades. Renascimento e grandes navegações fizeram parte da mesma
aventura humana.
Atualmente,
muito se fala sobre esse estágio do Capitalismo que é a
Globalização, se ele traz benefícios ou malefícios à
maioria da população mundial.
Para começarmos a tirar essa dúvida, vamos colocar em análise
o recente acontecimento da proibição da importação de
carne bovina brasileira, por parte dos países componentes do
Nafta (acordo econômico que envolve Canadá, Estados Unidos e
México).
O Brasil apesar de ser apenas o 74º colocado junto ao rank da
ONU em termos de desenvolvimento pela grande desigualdade
social existente, é o 4º maior produtor de aeronaves, posição
que incomoda os demais países produtores desse tipo de
produto, principalmente o país mais desenvolvido do mundo que
é justamente o Canadá. Sua empresa Bombardier, produz
aeronaves que concorrem com as nossas produzidas pela Embraer.
De ambos os lados há denúncias de subsídios governamentais
que baixam os preços e conseqüentemente a concorrência
desleal quando das concorrências internacionais para venda
das mesmas.
É de se estranhar que com o embate travado por ambos países
(Canadá e Brasil), o Canadá tenha liderado o Nafta e
bloqueado as importações de carne baseado apenas em
suspeitas de que poderia haver contaminação do gado
com a doença da vaca louca, sem que um único caso
tivesse sido registrado em nosso país.
Todo esse quadro é preocupante e mostra que a Globalização
está nas mãos das nações desenvolvidas (principalmente as
do G-7) e pode ser manipulada contra os interesses das nações
subdesenvolvidas que são a grande maioria (a exemplo do
Brasil).
Como se não bastasse, há também denúncias de empresas
"globalizadas" que instalam suas indústrias nos países
com piores condições de salários, trabalhistas, sindicais,
trabalho infantil, onde os terrenos são mais baratos,
governos oferecem subsídios que muitas vezes prejudicam o
desenvolvimento regional, tudo isso para se beneficiarem desse
quadro. Sem contar que na maioria das vezes, os empregos
diretos gerados pela presença dessas empresas é
insignificante e que grande parte do capital gerado nas
atividades dessas empresa é recambiado para a nação onde
localiza-se a holding do grupo.
Precisamos ficar atentos ao
desenrolar dos acontecimentos.