
Subdesenvolvimento, Terceiro Mundo
As nações capitalistas
subdesenvolvidas abrangem atualmente pouco mais da metade da
população mundial. Se somarmos a elas os países de "Economias
de Transição" mais pobres – como a Mongólia, a
China ou o Vietnã -, teremos o conjunto denominado Sul, que
compreende pouco mais de ¾ da população mundial.
O Conceito de Subdesenvolvimento
O termo
subdesenvolvimento surgiu após a Segunda Guerra Mundial, nos
documentos dos organismos internacionais, como a ONU e a
UNESCO, principalmente. A "descoberta" do
subdesenvolvimento deu-se com a descolonização e com a
publicação pelos organismos internacionais de dados estatísticos
dos diversos países do mundo (índice de mortalidade, salário,
formas de alimentação, habitação, consumo, distribuição
de renda, etc.). Esses dados revelaram um verdadeiro
"abismo" entre o conjunto dos países desenvolvidos
e o dos subdesenvolvidos.
Tal realidade é mais
antiga que o seu conceito, pois os países subdesenvolvidos a
partir do momento em que deixaram de ser col6onias e se
constituíram em Estados-Nações politicamente independentes,
se viram inseridos dentro deste contexto. Na América Latina
isso ocorreu desde o início do século XX. Na Ásia e na África
tal processo se deu tardiamente, acontecendo neste século XX.
Terceiro Mundo
A expressão
"Terceiro Mundo", apesar de ser geralmente usada
como sinônimo do conjunto de países subdesenvolvidos, surgiu
apenas em 1952, quando o estudioso francês Alfred Sauvy a
forjou com base numa comparação entre os países pobres e o Terceiro
Estado da França nas vésperas da revolução de 1789.
Naquela época, a expressão refletia o estado de miséria do
povo em geral e o da burguesia, que não participava do poder
político, ficando este sob domínio da nobreza e do clero,
primeiro e segundo estado, respectivamente.
A Idéia de Sul
A idéia de Sul é mais
recente que as outras. Ela passou a ser mais empregada a
partir dos anos 80, como forma de evitar as polêmicas que
cercam os conceitos de subdesenvolvimento e terceiro
mundo. Mais suave, a noção de Sul não traz a carga de
atraso contida na palavra subdesenvolvimento, nem a idéia
de dois mundos sugerida na expressão terceiro mundo.
Sabemos que neste hemisfério
também existem alguns países desenvolvidos como a Austrália
e a Nova Zelândia e que no Norte existem alguns bolsões de
pobreza como na Mongólia, por exemplo. Daí, devemos
entender o conceito de Sul como uma metáfora.
As Origens Históricas dos Países
Subdesenvolvidos
Quase todas as nações
do Sul foram colônias antes de se constituírem em países
independentes.
Inversamente, nenhum dos
atuais países desenvolvidos foi de fato colônia. Mesmo os
EUA, o Canadá, a Austrália e a Nova Zelândia, que teriam
sido colônias da Inglaterra durante alguns séculos, na
realidade não o foram.
Durante a época moderna,
do século XVI ao XVIII, os europeus unificaram a superfície
terrestre, estabelecendo relações de troca entre quase todos
os povos e regiões. Nesse período existiram dois tipos
principais de colonização: de exploração e de povoamento.
As "Colônias de
Exploração", como México, Brasil, Peru e Bolívia,
localizadas em áreas tropicais, serviram como fonte de
enriquecimento de suas metrópoles. Existindo apenas para
suprir as necessidades da metrópole, essas foram as
verdadeiras colônias típicas, usurpadas e
vilipendiadas.
Diferentemente, nas colônias
de povoamento, como os EUA, Canadá, Austrália e Nova Zelândia,
não verificamos este processo de exploração predatória de
riquezas. Sendo territórios situados na zona temperada,
com condições naturais semelhantes à Europa, não serviam
para a produção de gêneros agrícolas tropicais que
eram reclamados pelo mercado europeu de então. O ouro e a
prata só foram encontrados nos EUA e Canadá após a independência,
para sorte desses países. Os europeus que emigraram para
essas áreas temperadas tinham, em geral, objetivos bastante
diferentes daqueles que vieram para as regiões tropicais:
queriam reconstruir o modo de vida que tinham na Europa, longe
dos seus conflitos religiosos e de outra natureza qualquer.
Adotaram uma nova pátria.
A Argentina também
possui uma natureza de área temperada, no entanto, os espanhóis
encontraram prata nesse território (argentum vem do
latim e quer dizer prata). Isso acabou atraindo espoliadores
aventureiros sem interesse em construir uma pátria mas sim o
de explorar e usufruir, apenas, para depois regressarem ricos
e poderosos à Europa.
Sociedade e Estado no
Subdesenvolvimento
Os países
subdesenvolvidos resultaram da expansão do capitalismo a
partir da Europa Ocidental, desde os séculos XV e XVI. O
capitalismo, que nasceu na Europa, expandiu-se por toda a
superfície do globo e produziu um mundo interligado, dividido
em áreas centrais ou desenvolvidas e áreas periféricas ou
subdesenvolvidas.
Nos países desenvolvidos
o capitalismo resultou de um processo endógeno(interno),
ou seja, desenvolveu-se a partir da própria sociedade. No Terceiro
Mundo o capitalismo foi imposto de fora, isto é, resultou
de um processo exógeno(externo).
As sociedades que
existiam nos países colonizados – por exemplo as sociedades
indígenas ou a milenar sociedade indiana – acabaram sendo
destruídas ou submetidas a um novo modelo social, colonial.
A exploração colonial
visava a expansão do comércio e a produção de minérios ou
gêneros agrícolas baratos para suprir o mercado mundial.
No início havia mão-de-obra
escrava em grande parte dos atuais países subdesenvolvidos. A
partir de meados do século XIX, a escravidão começou a
atrapalhar o desenvolvimento da economia de mercado, pois o
escravo não era comprador e consumidor. Extinto o regime
servil, uma massa de trabalhadores com baixíssimos salários
substituiu os escravos. Dessa forma, a intensa exploração da
força de trabalho constitui uma das características
essenciais do subdesenvolvimento.
Em alguns lugares, como a
América Latina, os europeus desprezaram as sociedades
preexistentes e estabeleceram outra, trazendo trabalhadores
escravos da África e a elite dominante da própria Europa. Em
outras áreas, onde havia populações muito numerosas –
como foi o caso da Ásia -, os dominadores europeus
corromperam algumas elites locais: provocaram rivalidades e
conflitos entre grupos sociais, conseguindo que certas camadas
dominantes já existentes fossem coniventes com a economia
colonial, e recrutaram trabalhadores mal remunerados no próprio
local.
Particularmente na Índia,
os colonizadores ingleses encontraram uma sociedade
extremamente complexa, que tinha um desenvolvimento econômico
avançado para a época, com produção manufatureira superior
à da própria Inglaterra. Como o que interessava era uma Índia
submissa, compradora de bens manufaturados ingleses e
produtora somente de matérias-primas a serem vendidas a preços
baixos, os ingleses acabaram destruindo essas oficinas
manufatureiras indianas, provocando o atraso em que hoje se
encontra aquele país.
O Estado - Repressor e Ilegítimo
Nos países
subdesenvolvidos, o Estado foi montado pelos colonizadores com
o objetivo de defender os interesses mercantis, baseando-se
menos na coesão (nas leis, na tradição, na
cultura), como ocorre nos países desenvolvidos, e mais na coerção,
isto é, na força física, impositiva. Juntando-se a isso, a
enorme disparidade entre a minoria dominante e a maioria
explorada provocou um estado de violência quase que endêmico,
baseado na pressão militar ou policial sobre as populações
de baixa renda.
É por isso que a democracia
dificilmente consegue se firmar no Sul: mantém-se por
curtos períodos ou existe apenas na teoria, salvo raras exceções,
como parece ser o caso do Brasil de hoje, onde a democracia se
consolida cada vez mais.
Uma efetiva democratização
só ocorrerá nesses países através da organização e da
iniciativa das próprias classes populares. Não é a partir
do Estado que se alcançará a democracia, mas contra o
Estado, com alterações radicais nas bases desse poder político
instituído.
Algumas Idéias Equivocadas
A realidade dos países
subdesenvolvidos tem suscitado uma série de mal-entendidos,
de4 idéias equivocadas. Talvez a mais absurda seja a de que o
subdesenvolvimento seria uma situação de atraso, como se
essas nações fossem semelhantes a crianças ou adolescentes,
que um dia serão adultos. Ë como se no passado toda a
humanidade tivesse sido subdesenvolvida – desde uma tribo
indígena até a Inglaterra do século XVII – e o
desenvolvimento ou "progresso" fosse uma coisa
normal, que acontece naturalmente com o passar do tempo.
Para mostrar como tal idéia
é duvidosa, vamos expor a seguir algumas teses fundamentais
para entender o subdesenvolvimento.
Os países
desenvolvidos nunca foram subdesenvolvidos no passado.
Quando se estuda a Inglaterra antes da revolução industrial,
verifica-se que havia um grande atraso em comparação com a
tecnologia atual. Mas o termo país subdesenvolvido não
é apropriado para esse caso, pois não havia dependência
econômica, que é fundamental para definir o
subdesenvolvimento.
Foi apenas a partir do
nascimento e desenvolvimento do capitalismo na Europa
Ocidental e de sua posterior propagação pelo restante do
mundo, que surgiu essa situação de subdesenvolvimento,
caracterizada pela dependência, pela subordinação das nações
periféricas com relação a outras, as centrais.
Subdesenvolvimento
não significa apenas atraso econômico ou social. Em
alguns países subdesenvolvidos existem indústrias modernas
e, em certos casos, uma taxa de crescimento bastante razoável.
O que os difere dos desenvolvidos é que continuam a ser países
com minorias privilegiadas, concentradoras de renda. Podemos
citar como exemplos a África do Sul e o Brasil, que são
bastante industrializados, bem como o Kuwait e os Emirados Árabes
Unidos, exportadores de petróleo que já possuíram, nos anos
70 e 80 duas das maiores rendas per capita do mundo.
O alto índice de
pobreza, portanto, também define o subdesenvolvimento,
evidenciando o problema distributivo.
Não há uma oposição
simétrica entre a realidade do Norte e a do Sul. O país
subdesenvolvido não é exatamente o oposto do desenvolvido:
um seria agrícola e rural, o outro industrializado e urbano.
Existem subdesenvolvidos que são industrializados e têm
população predominantemente urbana. Na realidade, esses dois
"mundos" são interdependentes: um deles não
existiria sem o outro. Não é possível que todos os países
do mundo sejam desenvolvidos: não há desenvolvidos sem
subdesenvolvidos e vice-versa, ou seja, o capitalismo parece
se alimentar de desigualdades.
É extremamente difícil
imaginar um mundo em que todos os países sejam desenvolvidos
de acordo com as "sociedades de consumo" dos dias
atuais.
Os Grandes Contrastes nos Países
do
O Terceiro Mundo é um
conjunto bastante heterogêneo, isto é, possui áreas e
sociedades extremamente diferentes umas das outras.
Essas culturas e
sociedades pluralistas foram unidas muitas vezes pelo uso da
força, pela imposição de uma economia de mundial. ACABARAM
SUBMETIDAS A FORMAS DE PENSAMENTO E DE PRÁTICA ORIUNDOS DA
Europa, mas sobreviveram, às vezes sofrendo alterações
profundas e se misturando com outras, tendo ainda hoje uma
grande influência sobre os povos do Terceiro Mundo.
Examinaremos dois exemplos: o Oriente Médio e a Ásia.
O Oriente Médio
Até o final do século
passado havia nessa região dois impérios principais: o Império
Otomano e a Pérsia. O Império Otomano, dominado
pelos turcos mas incluindo povos árabes, ia da porção européia
da atual Turquia, a oeste, até o atual Iraque, incluindo o
Kuwait, a leste; no século XVII tinha sido ainda maior. A Pérsia
(atual Irã) incluía parte do atual território do Iraque e
era habitada por povos persas e árabes. O elemento agregador
desses dois impérios era a religião islâmica ou muçulmana
(baseada no Corão, livro que contém ensinamentos do
profeta Maomé).
Nos séculos anteriores,
houve fases de guerra e fases de comércio (às vezes os dois
juntos) entre a Europa e essas regiões. Mas no final do século
passado as pot6encias capitalistas, especificamente a
Inglaterra, iniciaram a colonização dessa área. Esse
processo provocou a redefinição das fronteiras, que se
acentuou após a primeira guerra mundial (1914 – 1918).
Muitas colônias – que
mais tarde se tornariam países independentes – foram
artificialmente criadas, para lotear essa região entre potências
européias ou até mesmo para beneficiar algum membro da
classe dominante local, que tinha auxiliado os colonizadores
nas suas conquistas. Inicialmente surgiram a Síria e o Líbano,
que ficaram com a França e o Iraque, a Transjordânia
e a Palestina, que ficaram com a Inglaterra. Mais tarde
foram criadas nações artificiais como o Kuwait, Iêmen,
Catar, Omã e Arábia Saudita. Esses países
têm até hoje uma unidade precária, e o sentimento nacional
é quase inexistente.
Mas as populações de
todos esses países têm em comum a fé religiosa, uma vaga
esperança de unificação de todos os povos árabes para
construírem uma grande nação e um sentimento ANTIOCIDENTAL,
especialmente antinorte-americano, pois os EUA se
constituíram na grande potência capitalista deste século.
A África
O exemplo da África é
diferente. A partir do século passado, as potências européias
começaram a dividir entre si as terras desse continente, e a
demarcação de fronteiras não levou em conta os interesses
dos povos africanos. Famílias ou povos com a mesma língua
foram separados por fronteiras, e povos de idiomas e costumes
diferentes, às vezes até inimigos tradicionais, acabaram
ficando no mesmo território, sujeito a leis comuns impostas
pelo colonizador.
Raramente uma nação
africana apresenta uma unidade de povo com idiomas e costumes
em comum. A regra geral é haver uma língua oficial de origem
européia (inglês, francês, português, etc.), mas que é
falada por menos da metade da população nativa, embora os
governos tentem impor esse idioma oficial pela força militar
ou através de precárias escolas.
Uma característica
marcante da África é que, em pleno século XX, ainda está
mergulhada em lutas tribais devido à criação artificial de
fronteiras por parte dos europeus. Quase todas as guerras e
conflitos sangrentos ocorridos nesse continente nos últimos
anos, tiveram origem em lutas entre etnias ou nacionalidades
com rivalidades seculares e que convivem no mesmo território,
dentro das mesmas fronteiras criadas pela colonização européia.
Os Diversos Patamares ou Grupo
de Países do Sul
Levando-se em conta tanto
o grau de riqueza (principalmente industrialização) de cada
país ou grupo de países, como também suas perspectivas para
o século XXI, podemos dividir o Sul em três principais
conjuntos ou patamares: a PERIFERIA PRIVILEGIADA, a PERIFERIA
INTERMEDIÁRIA e a PERIFERIA MAIS PERIFÉRICA.
A periferia privilegiada
é formada pelos países mais industrializados do Sul, que
possuem ainda um razoável mercado de consumo interno. É um
seleto grupo de países subdesenvolvidos que já conseguiram
grandes avanços na produção industrial e possui maior
viabilidade para se desenvolver (ou, pelo menos, crescer igual
ou mais que a média dos países ricos). Desse conjunto,
podemos distinguir tr6es subgrupos: a China, os "Tigres
Asiáticos" e os países industrializados da América
Latina.
A China é um caso à
parte, pois poderá se tornar uma das grandes potências do século
XXI (junto com os EUA, Japão e Europa Ocidental), desde que
continue evoluindo no ritmo acelerado dos últimos anos. É a
economia que mais vem crescendo desde o final dos anos
80, em todo o mundo. A China poderá se tornar um dos mercados
de consumo mais disputados do planeta, evidentemente se
conseguir distribuir bem a sua renda nacional, que ainda é
muito baixa (renda per capita de 480 dólares). Juntando-se a
esses fatores, possuem a mesma tradição histórica de um dos
maiores impérios mundiais do passado e de terem contribuído
de forma significativa para o progresso da humanidade com a
invenção da pólvora e da bússola, por exemplo. Isso faz
com que haja um forte desejo (tanto das elites como do povo)
de voltar a ser uma grande potência, sem dependência dos
grandes centros mundiais de poder.
Os chamados "Tigres
Asiáticos" – Coréia do Sul, Taiwan ou Formosa, Hong
Kong e Cingapura – são economias dinâmicas, que cresceram
enormemente nas últimas décadas, bem mais que o resto do
mundo em conjunto. O nível médio salarial de suas populações
já é bem maior que os de todos os demais países
subdesenvolvidos. A renda per capita em Cingapura, por
exemplo, já é de cerca de 16.000 dólares, semelhante à do
Japão quinze anos atrás e maior4 que a de muitos países
desenvolvidos hoje. Os "Tigres Asiáticos" exportam
nos dias atuais produtos de tecnologia intermediária,
inclusive microcomputadores, e possuem ótimos sistemas
educacionais (os melhores do Sul) para a maioria de suas
populações.
Quanto aos países
industrializados da América Latina – principalmente o
BRASIL, o MÉXICO e a ARGENTINA, e secundariamente o Chile –
também estão num outro patamar ou degrau, acima da maioria
dos países do sul. São bastante industrializados, com rendas
per capita intermediárias (2.800 dólares no Brasil e 3.500
no México) e mercados de consumo razoáveis, que só não são
maiores devido às grandes desigualdades sociais. Esses países
conheceram uma época muito ruim (década de 80), onde a produção
cresceu menos que a população, a dívida externa aumentou
assustadoramente, os ricos ficaram mais ricos e os pobres mais
pobres. Todavia, parece que encontraram novamente o caminho do
desenvolvimento (alguns deles) nestes anos 90, quando
conseguiram derrubar a inflação, que era a maior do mundo
nessa região.
Da periferia intermediária
podemos dizer que sã0 0s países do Sul com produção
industrial e rendimentos em geral médios. Incluem-se nesse
grupo a África do Sul, Egito, Turquia, Índia, Venezuela, Colômbia,
Peru, Indonésia, Filipinas, Tailândia, Arábia Saudita,
Kuwait, Argélia, Marrocos e alguns poucos outros. São
economias com características que as colocam bem acima dos países
mais pobres (Haiti, Sudão, Uganda, etc.), mas por outro lado,
não possuem a viabilidade que existe no grupo do Sul dos países
periféricos privilegiados. Alguns desses países têm
renda per capita baixíssima, em especial a Índia (360 dólares),
mas sua produção industrial é considerável, havendo
setores modernos convivendo com outros atrasados.
Infelizmente, ainda se
debatem com gravíssimos problemas internos como crises políticas,
econômicas, étnico-nacionais, religiosas, separatistas, etc.
A África do Sul, por exemplo, o país mais industrializado do
continente africano, precisa urgentemente resolver seus
conflitos etnico-tribais, evitando que estes atrapalhem o
processo de democratização multiracial do país.
Os países exportadores
de petróleo, por sua vez, precisam encontrar outras
alternativas econômicas, além de resolver problemas internos
graves como o radicalismo religioso, pois o petróleo não
durará para sempre e o radicalismo religioso é fator de
atraso social e científico.
Por fim, temos a periferia
mais periférica, ou seja, os países paupérrimos e menos
industrializados do planeta, o chamado "Quarto
Mundo" por alguns autores. Nesse grupo estão a imensa
maioria das nações do Sul, como as da África subsaariana,
da América Central a da Ásia (excluindo-se os
"Tigres Asiáticos" e a periferia intermediária). São
economias com pouquíssimas chances de viabilidade de
crescimento real nos anos 90 e início do século XXI.
Provavelmente irão ficar mais pobres ainda devido ao grande
crescimento demográfico, o maior do mundo, agravando a
escassez de alimentos, empregos, escolas, moradias decentes,
etc. Apenas possuem mão-de-obra e matérias primas baratas
para oferecer, elementos esses cada vez mais desvalorizados na
nova ordem mundial.