Biocombustíveis
São fontes de
energia renováveis produzidas a partir da cana-de-açúcar, plantas
oleaginosas, biomassa florestal e resíduos agropecuários. Os
biocombustíveis são alternativas mais baratas e eficientes no
combate ao efeito estufa. A alternativa mais correta é substituir
os combustíveis fósseis por biocombustíveis. Veja abaixo os
mais usados:
• Álcool ou
Etanol: Desenvolvido a partir da cana-de-açúcar, passou a
ser usado em grande escala em 1983. Sua maior produção está
na cidade de São Paulo onde terras que cultivavam produtos
alimentícios foram ocupadas pelos canaviais. Para o cultivo
destes produtos podem ser utilizadas áreas não aproveitadas
e de baixo valor.
• Alcool
Absoluto: Como é obtido e suas diferenças do álcool normal.
•
Biodiesel: Desenvolvido a partir de fontes renováveis de
energia livre de enxofre. É produzido pelas sementes da
mamona, dendê, girassol, babaçu, amendoim, soja e pela
beterraba. Pode ser utilizado puro ou misturado ao diesel.
•
Bio-etanol: A obtenção, vantagens e polêmicas a respeito do
Bio-etanol.
• Biogás:
É um gás inflamável produzido por microorganismos presentes
na matéria orgânica em decomposição como no esterco, bagaço
vegetal, palha e lixo. É aproveitado e retirado por um
aparelho chamado biodigestor instalado em sítios e fazendas.
• Biomassa:
O que é biomassa e sua aplicação nos biocombustíveis.
• Bio-óleo:
Como é obtido o bio-óleo e suas vantagens.
• BTL:
Definição, o processo de obtenção e suas vantagens.
• E85: A
composição e sua aplicação atualmente.
• Etanol
Celulósico: O processo de obtenção e as suas vantagens.
• Metanol:
Definição, composição e o contexto do metanol atualmente.
• Óleo
Vegetal: As vantagens do óleo vegetal e sua utilização.
Biocombustíveis
Os biocombustíveis são fontes de energias renováveis,
derivados de produtos agrícolas como a cana-de-açúcar,
plantas oleaginosas, biomassa florestal e outras fontes de matéria
orgânica. Em alguns casos, os biocombustíveis podem ser
usados tanto isoladamente, como adicionados aos combustíveis
convencionais. Como exemplos, podemos citar o biodiesel, o
etanol, o metanol, o metano e o carvão vegetal.
Biodiesel
No que tange
ao biodiesel, apenas recentemente esse biocombustível entrou
na agenda do governo brasileiro. Apesar da primeira patente do
biodiesel no mundo ter sido registrada em 1980, por um
professor da Universidade Federal do Ceará, somente em
Dezembro de 2004 é que foi lançado, oficialmente, pelo
governo brasileiro o Programa Nacional de Produção e Uso do
Biodiesel.
A introdução
do biodiesel na matriz energética brasileira foi estabelecida
pela Lei 11.097 de janeiro de 2005, que determina a adição
voluntária de 2% de biodiesel ao óleo diesel comercializado
ao consumidor final até 2007; já a partir de 2008, essa adição
de 2% será obrigatória. A mistura de 5% de biodiesel ao óleo
diesel será voluntária no período de 2008 até 2012,
passando a ser compulsória a partir de 2013.
O uso do
biodiesel traz uma série de benefícios associados à redução
dos gases de efeito estufa, e de outros poluentes atmosféricos,
tais como o enxofre, além da redução do consumo de combustíveis
fósseis. Porém, no processo de fabricação, uma série de
resíduos e subprodutos industriais é gerada, os quais podem,
quando adequadamente geridos, contribuir para a viabilidade
econômica da produção de biodiesel. Esses resíduos de
natureza líquida e sólida possuem potencial para uso na indústria
de alimentos e para a nutrição animal, bem como na indústria
químico-farmacêutica, mas há uma grande carência de
estudos de análises de viabilidade técnica e financeira, que
possam apontar as melhores alternativas de custo-benefício
para o processamento e tratamento desses resíduos, os quais
podem agregar valor e reduzir os custos de produção de
biodiesel, com o aproveitamento e venda destes produtos e seus
derivados.
O que é
Biodiesel ?
Autor: Wendel
Martins da Silva
Bacharelando em Química pela Universidade de Guarulhos – SP
(UNG).
“Biodiesel
é um combustível biodegradável alternativo ao diesel de
petróleo, criado a partir de fontes renováveis de energia,
livre de enxofre em sua composição. Pode ser utilizado em
motores diesel sem a necessidade de qualquer tipo de adaptação
(caso o biodiesel esteja de acordo com as normas de qualidade
da Agência Nacional do Petróleo - ANP), sem perda de
desempenho e contribui para o aumento da vida útil do motor
(pelo fato de ser um lubrificante melhor que o diesel de petróleo).
Por ser originado de matérias-primas renováveis (basicamente
álcool e óleo vegetal ou gordura animal) e possuir queima
limpa, a combustão do biodiesel gera menos poluentes do quê
a combustão do diesel de petróleo. Quimicamente, podemos
dizer que se trata de uma composição de ésteres etílicos
ou metílicos de ácidos graxos de cadeia longa.
Por ser
extremamente miscível, mesmo não contendo petróleo, pode
ser misturado ao diesel convencional em qualquer proporção,
sem que isso gere qualquer tipo de prejuízo ou perda de
desempenho ao motor. Convencionou-se mundialmente uma
nomenclatura para identificar a proporção da mistura de
biodiesel ao diesel de petróleo. Quando temos uma mistura de
2% de biodiesel e 98% de diesel, esta recebe o nome de B2. Uma
mistura com 5% de biodiesel e o resto de diesel de petróleo
é chamada de B5, e assim por diante. Quando temos apenas
biodiesel, atribuímos o nome de B100. As misturas entre 2% e
20% são as mais utilizadas no mercado mundial.
O processo
mais comum da produção de biodiesel se faz através da reação
de óleo vegetal ou gordura animal com um álcool (no Brasil,
prefere-se o etanol; já na Europa, a preferência recai sobre
o metanol), reação essa incentivada pela presença de um
catalisador (que pode ser um ácido, uma base ou uma enzima).
Como produtos dessa reação, temos biodiesel e glicerina.
Esse processo é conhecido na indústria por transesterificação.
Ele pode ser feito com o óleo de diversas oleaginosas, como
por exemplo, a soja, o pinhão-manso, o amendoim, o nabo
forrageiro, o milho, o girassol e a canola.
É importante
ressaltar que apenas o óleo puro das oleaginosas não pode
ser considerado como biodiesel, mesmo que misturado ao diesel
de petróleo. Este é um engano bastante comum. A mesma coisa
ocorre com a mistura de álcool anidro com o diesel
convencional, não podendo ser considerado o resultado dessa
mistura como biodiesel. Mesmo assim, todos os exemplos citados
são capazes de movimentar motores diesel, mas com perda de
desempenho ou acarretamento de outros danos ao motor.
• O
biodiesel e o meio-ambiente
A utilização
de combustíveis fósseis influencia negativamente a qualidade
e o equilíbrio do meio-ambiente. Dois exemplos corriqueiros
desse problema são os altos índices de poluição dos
grandes centros urbanos e o derramamento de petróleo no mar.
Ambos causam um grande impacto negativo no eco-sistema
regional.
As altas
emissões de monóxido de carbono (CO), óxidos de nitrogênio
(NOX) e dióxido de enxofre (SO2) são apontadas como
principais causadoras das chuvas ácidas, extremamente
prejudiciais às florestas, lavouras e animais. Além disso,
esses combustíveis fósseis possuem uma taxa de emissão de
CO2 muito alta, fator diretamente relacionado com o problema
do efeito estufa e suas conseqüências (aumento da
temperatura global, derretimento das calotas polares, desequilíbrio
ecológico, entre outros).
Conforme foi
dito anteriormente, o biodiesel é um combustível menos
poluente que o diesel tradicional. Apesar de também haver
emissão de CO2 (e nenhum outro resíduo nocivo ao
meio-ambiente), estudos apontam índices de emissão de CO2 até
80% menores em relação ao diesel de petróleo. Devido a essa
característica, ele se torna uma opção não agressiva ao
meio-ambiente. O que faz do biodiesel um combustível renovável
é o fato de que todo o CO2, emitido na queima no motor,
consegue ser capturado pelas plantas e utilizado por estas
durante o seu crescimento e existência. Estas mesmas plantas
serão utilizadas mais tarde como fonte para a produção de
novos biocombustíveis, por esse motivo, chamados de energias
renováveis.”
Etanol
Autora: Thereza
Christina Pippa Rochelle
Engenheira Agrônoma, Doutora em Economia Aplicada pela
ESALQ/USP.
O Brasil é
reconhecido mundialmente pelo pioneirismo na introdução do
etanol em sua matriz energética. Inicialmente, o álcool etílico
anidro foi adicionado à gasolina como oxigenante, tornando-se
a mistura compulsória a partir de 1938.
Em 1975, com
o lançamento do Programa Nacional do Álcool (Proálcool), o
percentual de álcool anidro misturado à gasolina aumentou
significativamente e o álcool etílico hidratado passou a ser
utilizado em veículos cujos motores foram especialmente
desenvolvidos para esse combustível.
Desde o lançamento
do Proálcool, há 30 anos, a produção de álcool no país
aumentou de 700 milhões de litros em 1975 para 15 bilhões de
litros na safra de 2004 / 2005. Durante esse período, como no
ano de 1985, os veículos movidos a álcool chegaram a atingir
85% das vendas totais no país. Porém, devido à crise de
abastecimento ocorrida em 1989, esse percentual reduziu-se em
curto espaço de tempo para cerca de 2% e manteve-se nesse
patamar até o início de 2003.
Em março
daquele ano, os veículos bicombustíveis (Flex Fuel) foram
lançados no mercado brasileiro e depois de dois anos de existência,
chegaram a representar aproximadamente 53% das vendas de veículos
novos em 2005, de acordo com dados da ANFAVEA. Desde então,
nota-se um aumento na demanda por etanol no mercado interno, o
qual responde por quase a totalidade do consumo do produto
fabricado no país. Tal aumento decorre principalmente do
menor custo do álcool ao consumidor, quando comparado à
gasolina, cujo preço está sujeito à instabilidade da oferta
de petróleo no mercado internacional.
No contexto
mundial, os biocombustíveis deverão suprir uma importante
parte da demanda mundial num futuro próximo, motivada
principalmente por considerações de ordem ambiental, pela
elevação dos preços do petróleo no mercado internacional e
pela incerteza na oferta de combustíveis fósseis no médio e
longo prazo.
Por essas razões,
a demanda por etanol no mercado internacional tem sido
crescente nos últimos anos. O Brasil, além de maior produtor
e consumidor de etanol, é também o maior exportador no cenário
global. Até meados de 2002 as exportações brasileiras de álcool
eram insignificantes, mas com o crescimento da demanda por
esse biocombustível no mercado internacional, o volume
exportado cresceu de 565 milhões de litros em 2003, para 2,1
bilhões de litros no período de janeiro a novembro de 2005
(Secex, 2005).
Aliado ao
crescimento das exportações brasileiras de açúcar, o cenário
acima explica boa parte da significativa expansão do setor
sucroalcooleiro nacional nos últimos anos e as perspectivas
promissoras do mercado interno e externo para esse biocombustível
num futuro bastante próximo. Sem dúvida, a necessidade de
fornecer etanol para o mercado interno em expansão e para o
mercado internacional, que anseia por fontes renováveis de
energia, traz excelentes oportunidades para incrementos ainda
maiores no crescimento do setor. Nos anos recentes, nota-se o
aumento da produção de cana-de-açúcar e de seus produtos
derivados, açúcar e etanol, tanto nas tradicionais regiões
produtoras como em estados que representam novas fronteiras
agrícolas para a cultura canavieira no Brasil.
Utilização
Do Etanol Na Produção Do Biodiesel
Autor: Wendel
Martins da Silva
Bacharelando em Química pela Universidade de Guarulhos – SP
(UNG).
“O etanol
é hoje um produto de diversas aplicações no mercado,
largamente utilizado como combustível automotivo na forma
hidratada ou misturado à gasolina. Também tem aplicações
em produtos como perfumes, desodorantes, medicamentos,
produtos de limpeza doméstica e bebidas alcoólicas. Merece
destaque como uma das principais fontes energéticas do
Brasil, além de ser renovável e pouco poluente.
Como já
mencionado anteriormente, o Brasil é hoje o maior produtor
mundial de etanol, que quando utilizado como combustível em
automóveis, representa uma alternativa à gasolina de petróleo.
Destacam-se na produção do etanol os estados de São Paulo e
Paraná, respondendo juntos por quase 90% da safra total
produzida. Além disso, o Brasil lidera a produção mundial
de cana-de-açúcar (principal matéria-prima do etanol),
sendo essa uma indústria que movimenta vários bilhões de dólares
por ano. O fato de tanto a cana-de-açúcar quanto o etanol
serem produzidos dentro do Brasil, representa uma menor dependência
de petróleo externo, diminuindo substancialmente os gastos
com importações.
O etanol é,
numa definição simples, um álcool incolor, volátil, inflamável
e totalmente solúvel em água, derivado da cana-de-açúcar,
do milho, da uva, da beterraba ou de outros cereais, produzido
através da fermentação da sacarose. Comercialmente, é
conhecido como álcool etílico, e sua fórmula molecular
C2H5OH ou C5H6O.
O etanol contém
aproximadamente 35% de oxigênio em sua composição e possui
combustão limpa, ou seja, sua queima resulta somente em
calor, sem presença de fuligem. Devido a isso, a emissão de
CO2 na queima é baixíssima.
O teor de
etanol presente em uma determinada mistura é expressa em ºGL.
Essa escala, chamada de “graus Gay-Lussac”, diz qual a
porcentagem de etanol existente na solução. Por exemplo, em
uma garrafa de vinho, existem 11% de etanol, ou seja, 11 ºGL.
Já o álcool utilizado para limpeza doméstica possui 96 ºGL.
No caso do uso do etanol hidratado como combustível, por lei,
o mesmo deve estar entre 93,2 ºGL e 93,8 ºGL. Já o álcool
100 ºGL é chamado de álcool absoluto ou álcool anidro
(anidro = totalmente seco).
A utilização
do etanol para a produção de biodiesel ocorre por um
processo chamado transesterificação. Basicamente, este
processo se dá através de reações químicas entre o etanol
(ou metanol, que também pode ser usado) e os óleos vegetais
ou gorduras animais, estimuladas pela presença de um
catalisador (hidróxido de sódio, por exemplo). Este processo
resulta em dois subprodutos: o biodiesel propriamente e o
glicerol (glicerina), de grande aproveitamento na indústria
química. O biodiesel e a glicerina geralmente são separados
por gravidade, ou utilizando-se centrífugas para encurtar o
tempo do processo. Depois disso, o biodiesel ainda precisa ser
purificado, para que seja retirado o excesso de etanol, resíduos
do catalisador utilizado e sabão que pode eventualmente se
formar. O etanol retirado em excesso é reaproveitado em um
novo processo de produção.
A
transesterificação do etanol para a produção do biodiesel
é um pouco mais trabalhosa do que a do metanol, devido ao
tamanho da molécula do primeiro ser maior. Mesmo assim,
devido à experiência do país em produzir e utilizar este álcool,
a grande capacidade de produção hoje em atividade, um
mercado consumidor bastante atraente e por ser menos agressivo
ambientalmente, o etanol desperta muito interesse entre os
produtores brasileiros”.
Biomassa
Autor: Wendel
Martins da Silva
Bacharelando em Química pela Universidade de Guarulhos – SP
(UNG).
“Biomassa
pode ser definido, de forma simples, como uma fonte de energia
limpa (não poluente) e renovável, disponível em grande
abundância e derivada de materiais orgânicos. Todos os
organismos existentes capazes de realizar fotossíntese – ou
derivados destes – podem ser utilizados como biomassa. Como
exemplos de fontes de biomassa, que podem se encaixar nessa
definição, citamos a cana-de-açúcar, restos de madeira,
estrume de gado, óleo vegetal ou até mesmo o lixo urbano.
Apesar de
ser, atualmente, o centro de atenção de alguns setores, a
biomassa já é conhecida e utilizada pela humanidade há
muito tempo. Durante milhares de anos foi a única fonte de
energia disponível à população, uma vez que não havia
conhecimento científico para a exploração de outros
recursos. Em um fogão à lenha ou em uma fogueira, a madeira
queimada é um combustível de biomassa.
Estando a
poucos passos de uma crise energética, com a previsão do fim
das reservas de petróleo e carvão mineral, a energia elétrica
também cada vez mais escassa e a energia nuclear um tanto
perigosa, torna-se uma questão vital a busca por fontes
alternativas de energia e inúmeros esforços estão sendo
feitos para que seja possível obter o máximo de energia da
biomassa.
Outro fator
importante é o volume cada vez maior de lixo produzido no
mundo. Uma vez que até este lixo pode ser aproveitado para
geração de energia e a sua utilização contribui para
amenizar vários problemas ao mesmo tempo: diminuição do nível
de poluição ambiental, contenção do volume de lixo das
cidades e aumento da produção de energia. Exemplos práticos
disso são as sobras de casca de arroz, que geram energia para
a indústria gaúcha, a queima do bagaço da cana-de-açúcar
para a geração de vapor para produção de energia elétrica.
Também é fato que algumas cidades do mundo já utilizam
parte de seu lixo urbano para produzir energia elétrica.
Vantagens
da biomassa na produção de energia
Como
principais vantagens que a biomassa possui, em relação aos
combustíveis fósseis, na produção de energia, podemos
listar as seguintes:
- Ser fonte de energia limpa e renovável;
- Causar menor corrosão de equipamentos;
- Os resíduos emitidos pela sua queima não interferem no
efeito estufa. Ao contrário, partindo do ponto extremo da
erradicação das emissões, por exemplo, de SO2 (dióxido de
enxofre), torna-se mais fácil reparar a situação;
- Ser uma fonte de energia, descentralizadora de renda –
qualquer pessoa dona de um pouco de terra pode plantar
vegetais que servem como fonte de biomassa;
- Reduzir a dependência de petróleo por parte de países
subdesenvolvidos, servindo também, dessa forma, como
descentralizadora de poder;
- Diminuir o lixo industrial. Pequenos produtores que
utilizariam restos de produção, como fonte de biomassa, para
geração própria de energia. Por exemplo, madeireiras que
passariam a utilizar resíduos (serragem e restos de madeira),
que antes virariam lixo;
- Ter baixo custo de implantação e manutenção.
Processo
de transformação da energia
Através da
fotossíntese, as plantas transformam a energia proveniente da
luz do sol em energia química, que mais tarde pode ser
convertida em calor, combustível ou eletricidade.
Quimicamente, a fotossíntese é representada de acordo com o
esquema abaixo:
6H2O + 6CO2 +
energia solar = C6H12O6 + 6O2
Se o processo
de transformação da biomassa em energia for executado de
maneira eficiente e controlada, a queima resultará em água
(H2O) e dióxido de carbono (CO2), além da própria energia.
Devido a este motivo, a biomassa é considerada uma fonte
totalmente renovável e, se empregada da forma correta, não-poluente.
Produzida eficientemente, a biomassa também pode representar
uma parcela significativa da energia total gerada em um país.
Atualmente, utilizam-se principalmente quatro formas de
conversão da biomassa em energia:
- Pirólise:
através desta técnica, a biomassa é exposta a altíssimas
temperaturas sem a presença de oxigênio, visando acelerar a
decomposição da mesma. O que sobra da decomposição é uma
mistura de gases (CH4, CO e CO2 – respectivamente, metano,
monóxido de carbono e dióxido de carbono), líquidos (óleos
vegetais) e sólidos (basicamente carvão vegetal).
- Gaseificação: assim como na pirólise, aqui a biomassa
também é aquecida na ausência do oxigênio, gerando como
produto final um gás inflamável. Este gás ainda pode ser
filtrado, visando a remoção de alguns componentes químicos
residuais. A diferença básica em relação à pirólise é o
fato da gaseificação exigir menor temperatura e resultar
apenas em gás.
- Combustão: aqui a queima da biomassa é realizada a altas
temperaturas na presença abundante de oxigênio, produzindo
vapor a alta pressão. Este vapor geralmente é utilizado em
caldeiras ou para movimentar turbinas. É uma das formas mais
comuns hoje em dia, e sua potência situa-se na faixa de 20 a
25%.
- Co-combustão: esta prática propõe a substituição de
parte do carvão mineral utilizado em uma termoelétrica por
biomassa. Desta forma, reduz-se significativamente a emissão
de poluentes (principalmente dióxido de enxofre e óxidos de
nitrogênio, responsáveis pela chuva ácida). A faixa de
desempenho da biomassa encontra-se entre 30 e 37%, sendo por
isso uma opção bem atrativa e econômica atualmente”.
Entenda
por que os biocombustíveis estão em alta no mundo
José Carlos
Mattedi
Repórter da Agência Brasil
Brasília
- Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e dos
Estados Unidos, George W. Bush, reúnem-se na próxima
sexta-feira (9) em São Paulo, e no dia 31, em Washington. Na
mesa de conversações, um produto em cujo desenvolvimento o
Brasil é pioneiro, o etanol, ou álcool combustível.
A expectativa
é que as conversas entre os dois presidentes representem um
avanço para o comércio internacional de etanol, bem como
para a indústria e a agricultura brasileiras.
Os dois países
ainda irão tratar de uma futura cooperação tecnológica na
produção de biocombustíveis, de forma geral. Pressionados
pelo fato de serem, hoje, os maiores poluidores do planeta, os
norte-americanos buscam alternativas para aumentar a parcela
de biocombustíveis em sua matriz energética. O Brasil poderá
se tornar um parceiro estratégico, tanto na exportação de
etanol, como na transferência de tecnologia para os EUA e
para outros países em desenvolvimento que poderão se tornar
fornecedores internacionais do produto.
Atualmente,
Brasil e Estados Unidos respondem por 70% da produção
mundial de etanol, somando cerca de 35 bilhões de litros por
ano. A produção mundial não passa dos 50 bilhões de
litros. O consumo mundial de combustíveis de origem agrícola
(cana-de-açúcar, milho, dendê, mamona, soja etc.) responde
hoje por 1% do mercado global, dominado pelos combustíveis fósseis
(petróleo, gás e carvão): 99%.
Dos 3,5 bilhões
de litros de álcool combustível exportados pelo Brasil no
ano passado, 2 bilhões foram para os Estados Unidos. A nossa
produção anual é de 18 bilhões de litros. A previsão dos
usineiros brasileiros é de aumentar a fabricação de álcool
combustível, em seis anos, para 30 bilhões de litros anuais.
Os usineiros
brasileiros querem a redução das taxas cobradas pelos
Estados Unidos para nosso etanol - os produtores têm que
pagar US$ 0,54 por galão, o equivalente a R$ 0,30 por litro,
e mais imposto de 2,5%. Para os empresários, a visita de Bush
é a oportunidade para o governo brasileiro negociar “passos
concretos para abertura do mercado norte-americano”.
No mês
passado, Bush anunciou a meta de substituir 15% da gasolina da
frota de veículos daquele país por combustíveis renováveis
e alternativos. Isso vai representar um consumo de 132 bilhões
de litros nos próximos anos – 160% maior que a atual produção
mundial. Já a União Européia pretende consumir, até 2010,
cerca de 10 bilhões de biodiesel.
Três fatores
estão levando a essa ascensão da agroenergia: segurança
energética (haveria uma redução maior da dependência
em relação ao petróleo, cada vez mais caro e escasso);
preocupações ambientais (a queima de combustíveis fósseis,
derivados do petróleo, emite gases de efeito-estufa, causando
o aquecimento global); inclusão social (o plantio de safras
que geram renda aos produtores rurais).
Enquanto a
produção de petróleo se concentra em 15 países, estima-se
que existem mais de 120 países com potencial para produzir
biocombustíveis. E as plantas mais indicadas para produzir
essa nova matriz energética são características das regiões
tropicais.
Nos Estados
Unidos, a produção de etanol é essencialmente feita a
partir do milho. O cultivo da planta para a fabricação de
combustível está causando impacto no preço do produto para
consumo e exportação. Além disso, o espaço para o plantio
já está escasso, e o milho tem um rendimento muito inferior
ao da cana na produção de álcool. Daí a necessidade
norte-americana de buscar produtos economicamente mais viáveis.
O primeiro
passo para a criação de um mercado internacional para
biocombustíveis foi dado na semana passada. Brasil, África
do Sul, China, Estados Unidos, Índia e a União Européia
anunciaram a criação do Fórum Internacional de Biocombustíveis.
O objetivo é aumentar a eficiência na produção, na
distribuição e no consumo em escala mundial.
Durante um
ano, os integrantes do fórum vão discutir medidas para
ampliar a produção dos biocombustíveis sem destruir o meio
ambiente nem comprometer a produção de alimentos. Além
disso, os países vão trabalhar em conjunto para que os
combustíveis feitos a partir de vegetais sejam cada vez mais
utilizados em todo o planeta. No ano que vem, o Brasil vai
organizar a Conferência Internacional de Biocombustíveis.
Segundo o
Balanço Energético do Ministério de Minas e Energia de
2006, 44,7% da energia produzida no Brasil provém de fontes
renováveis, que incluem, além do etanol e do biodiesel, as
usinas hidrelétricas. A média mundial, conforme o mesmo
balanço, está em torno de 15%.
Fontes: Banco de Dados da Radiobrás; Ministério
de Minas e Energia; Ministério das Relações Exteriores; União da Indústria
de Cana-de-Açúcar (Única).