A Idade Média, ou Idade
Medieval, foi um período que durou aproximadamente 1000 anos.
Inicia-se em 476 (ano da queda do Império Romano do ocidente) e
estende-se até 1453 (queda do Império Romano do oriente pela
tomada de Constantinopla pelos turcos). Esse período costuma
ser dividido em dois: a Alta Idade Média (cinco primeiros séculos)
e Baixa Idade Média (os outros cinco séculos).
A maioria da população era
camponesa e vivia em condições de grande pobreza, dominada
pelos proprietários de terra. A economia agrária produzia
poucos excedentes. As cidades tiveram pouca importância nesse
período, já que com a crise econômica e as invasões bárbaras
(causas do fim do Império Romano do ocidente) muitos senhores
romanos abandonaram as cidades e foram morar em suas
propriedades nos campos. Essas propriedades, conhecidas como
vilas, deram origem aos feudos medievais.
Um fato importante que marcou
esse período foi a mudança na forma de trabalho: na Antigüidade
era a escravidão, passando a ser substituída pela servidão.
Neste caso, o servo não é propriedade do senhor. O servo tem
inúmeras obrigações e impostos a pagar a seu senhor, porém
este lhe deve dar proteção.
A Idade Média compreende o
período que vai da queda do Império Romano até o
descobrimento da América (1492). Denominam-se de Idade Obscura
os primeiros 600 anos dessa época.
Depois da queda de Roma, os
francos tornaram-se a raça mais poderosa da Europa Ocidental e,
por volta do ano 800, Carlos Magno reinava sobre o Sacro Império
Romano Germânico. Com sua morte, surgiram vários reinos
independentes, mas o ideal de uma Europa unificada não
desapareceu.
Nos séculos X e XI os nórdicos
apoderaram-se de parte da França e Inglaterra; então começou
a época das Cruzadas, das lutas entre os governantes e a
Igreja, assim como a Guerra dos Cem anos. Surgiu o feudalismo:
em redor dos castelos dos nobres agrupavam-se as choças dos
vassalos, formando uma espécie de vila chamada feudo. Os
vassalos serviam os senhores feudais em troca de moradia,
alimento, ajuda e proteção.
Na Idade Média os mercadores
dos portos do Mar Báltico desenvolveram o comércio, ao passo
que em Flandres e cidades-estados da Itália florescia a arte e
a literatura.
Nessa época não existia
ainda um povo essencialmente francês ou italiano, que só
apareceu com a formação dos estados-nações. O Renascimento
marcou o fim da Idade Média.
A Idade Média teve início na
Europa com as invasões germânicas (bárbaras ), no século V,
sobre o Império Romano do Ocidente. Essa época estende-se até
o século XV, com a retomada comercial e o renascimento urbano.
A Idade Média caracteriza-se pela economia ruralizada,
enfraquecimento comercial, supremacia da Igreja Católica,
sistema de produção feudal e sociedade hierarquizada.
Estrutura Política
Prevaleceu na Idade Média as relações de vassalagem e
suserania. O suserano era quem dava um lote de terra ao vassalo,
sendo que este último deveria prestar fidelidade e ajuda ao seu
suserano. O vassalo oferecia ao senhor, ou suserano, fidelidade
e trabalho, em troca de proteção e um lugar no sistema de
produção. As redes de vassalagem se estendiam por várias regiões,
sendo o rei o suserano mais poderoso.
Todo os poderes jurídico, econômico e político
concentravam-se nas mãos dos senhores feudais, donos de lotes
de terras (feudos).
Sociedade Medieval
A sociedade era estática (com pouca mobilidade social) e
hierarquizada. A nobreza feudal (senhores feudais, cavaleiros,
condes, duques, viscondes) era detentora de terras e arrecadava
impostos dos camponeses. O clero (membros da Igreja Católica)
tinha um grande poder, pois era responsável pela proteção
espiritual da sociedade. Era isento de impostos e arrecadava o dízimo.
A terceira camada da sociedade era formada pelos servos
(camponeses) e pequenos artesãos. Os servos deviam pagar várias
taxas e tributos aos senhores feudais, tais como: corvéia
(trabalho de 3 a 4 dias nas terras do senhor feudal), talha
(metade da produção), banalidades (taxas pagas pela utilização
do moinho e forno do senhor feudal).
Economia Medieval
A economia feudal baseava-se principalmente na agricultura.
Existiam moedas na Idade Média, porém eram pouco utilizadas.
As trocas de produtos e mercadorias eram comuns na economia
feudal. O feudo era a base econômica deste período, pois quem
tinha a terra possuía mais poder. O artesanato também era
praticado na Idade Média. A produção era baixa, pois as técnicas
de trabalho agrícola eram extremamente rudimentares. O arado
puxado por bois era muito utilizado na agricultura.
Religião na Idade Média
Na Idade Média, a Igreja Católica dominava o cenário
religioso. Detentora do poder espiritual, a Igreja influenciava
o modo de pensar, a psicologia e as formas de comportamento na
Idade Média. A igreja também tinha grande poder econômico,
pois possuía terras em grande quantidade e até mesmo servos
trabalhando. Os monges viviam em mosteiros e eram responsáveis
pela proteção espiritual da sociedade. Passavam grande parte
do tempo rezando e copiando livros e a bíblia.
As Guerras Medievais
A guerra na Idade Média era uma das principais formas de obter
poder. Os senhores feudais envolviam-se em guerras para aumentar
suas terras e o poder. Os cavaleiros formavam a base dos exércitos
medievais. Corajosos, leais e equipados com escudos, elmos e
espadas, representavam o que havia de mais nobre no período
medieval.
Educação, artes e
cultura
A educação era para poucos, pois só os filhos dos nobres
estudavam. Esta era marcada pela influência da Igreja,
ensinando o latim, doutrinas religiosas e táticas de guerras.
Grande parte da população medieval era analfabeta e não tinha
acesso aos livros.
A arte medieval também era
fortemente marcada pela religiosidade da época. As pinturas
retratavam passagens da Bíblia e ensinamentos religiosos. As
pinturas medievais e os vitrais das igrejas eram formas de
ensinar à população um pouco mais sobre a religião. Podemos
dizer que, no geral, a cultura medieval foi fortemente
influenciada pela religião. Na arquitetura destacou-se a
construção de castelos, igrejas e catedrais.
As Cruzadas
No século XI, dentro do contexto histórico da expansão árabe,
os muçulmanos conquistaram a cidade sagrada de Jerusalém.
Diante dessa situação, o papa Urbano II convocou a Primeira
Cruzada (1096), com o objetivo de expulsar os "infiéis"
(árabes) da Terra Santa. Essas batalhas, entre católicos
e muçulmanos, duraram cerca de dois séculos, deixando milhares
de mortos e um grande rastro de destruição. Ao mesmo tempo em
que eram guerras marcadas por diferenças religiosas, também
possuíam um forte caráter econômico. Muitos cavaleiros
cruzados, ao retornarem para a Europa, saqueavam cidades árabes
e vendiam produtos nas estradas, nas chamadas feiras e rotas de
comércio. De certa forma, as Cruzadas contribuíram para o
renascimento urbano e comercial a partir do século XIII. Após
as Cruzadas, o Mar Mediterrâneo foi aberto para os contatos
comerciais.
Peste Negra ou Peste
Bubônica
Em meados do século XIV, uma doença devastou a população
européia. Historiadores calculam que aproximadamente um terço
dos habitantes morreram desta doença. A Peste Negra era
transmitida através da picada de pulgas de ratos doentes. Estes
ratos chegavam à Europa nos porões dos navios vindos do
Oriente. Como as cidades medievais não tinham condições higiênicas
adequadas, os ratos se espalharam facilmente. Após o contato
com a doença, a pessoa tinha poucos dias de vida. Febre,
mal-estar e bulbos (bolhas) de sangue e pus espalhavam-se pelo
corpo do doente, principalmente nas axilas e virilhas. Como os
conhecimentos médicos eram pouco desenvolvidos, a morte era
certa. Para complicar ainda mais a situação, muitos atribuíam
a doença a fatores comportamentais, ambientais ou religiosos.
Revoltas Camponesas :
as Jacqueries
Após a Peste Negra, a população européia diminuiu muito.
Muitos senhores feudais resolveram aumentar os impostos, taxas e
obrigações de trabalho dos servos sobreviventes. Muitos
tiveram que trabalhar dobrado para compensar o trabalho daqueles
que tinham morrido na epidemia. Em muitas regiões da Inglaterra
e da França estouraram revoltas camponesas contra o aumento da
exploração dos senhores feudais. Combatidas com violência por
partes dos nobres, muitas foram sufocadas e outras conseguiram
conquistar seus objetivos, diminuindo a exploração e trazendo
conquistas para os camponeses.
O
sistema feudal
No sistema feudal, o rei
concedia terras a grandes senhores. Estes, por sua vez, davam
terras a outros senhores menos poderosos, chamados cavaleiros,
que, em troca, lutavam a seu favor. Quem concedia a terra era um
suserano, e quem recebia era um vassalo. O
vassalo, ao receber a terra, jurava fidelidade a seu senhor.
A sociedade feudal era
dividida em estamentos. Nos estamentos, a posição social do
indivíduo é determinada pelo seu nascimento. Ou seja, se
nascesse camponês, continuaria sendo camponês pelo resto da
vida, não havendo possibilidade alguma de ascenção social.
Asssim, seus filhos e netos também seriam camponeses. Havia
basicamente dois estamentos: o dos senhores e o dos servos.
O senhor tinha a posse legal
da terra, o poder político, militar, jurídico e religioso
(quando era um padre, bispo ou abade). Os servos não tinham
propriedade da terra e estavam presos a ela. Não podiam ser
vendidos como se faziam com os escravos, nem tinham liberdade
para abandonar a terra onde nasceram.
Essa organização da
sociedade estamental era justificada pelo clero da seguinte
maneira:
"O próprio Deus quis que
entre os homens alguns fossem senhores e outros servos, de modo
que os senhores venerem e amem a Deus, e que os servos amem e
venerem o seu senhor, seguindo a palavra do apóstolo: 'Servos,
obedecei a vossos senhores temporais com temor e apreensão;
senhores, tratai vossos servos de acordo com a justiça e a eqüidade'
".
O
feudo
O feudo era o domínio do
senhor feudal. Cada feudo compreendia uma ou mais aldeias, as
terras cultivadas pelos camponeses, as florestas e as pastagens
comuns, a terra pertencente à igreja paroquial e a casa
senhorial, que ficava na melhor terra cultivável. Pastos,
prados e bosques eram usados em comum. A terra arável era
dividida em duas: uma, em geral a terça parte do todo,
pertencia ao senhor; a outra parte ficava em poder dos
camponeses. Nos campos dos feudos plantavam-se principalmente
cereais (cevada, trigo, centeio e aveia). Cultivavam-se também
favas, ervilhas e videiras. Os utensílios da lavoura eram
rudimentares. Eram usados arado ou charrua, enxada, a pá, a
foice, a grade e o podão. Nos feudos criavam-se carneiros, que
forneciam lã; bovinos que forneciam leite; e cavalos, para a
guerra e para o transporte.
O declínio
do sistema feudal
O fator que mais contribuiu
para o declínio do feudalismo foi o ressurgimento das cidades e
do comércio. Assim, os camponeses passaram a vender mais
produtos e conseguir mais dinheiro. Com esse dinheiro, alguns
puderam comprar sua liberdade. Outros simplesmente fugiram para
as cidades em busca de melhores condições de vida. O
aparecimento das monarquias nacionais, principalmente na França
e Inglaterra foi outro fator decisivo, pois os reis desses países
conseguiram diminuir cada vez mais o poder dos nobres.