CONCEITO MODERNO DE GEOGRAFIA
Todo espaço gênico,
natureza de primeira ordem, natureza primitiva, natureza primária, suporte
físico ou ainda paisagem natural, natureza inferior (relação sinônima) é
transformado, pela ação do homem, em espaço secundário, natureza antrópica,
natureza socializada, natureza humanizada, espaço cultural, espaço de segunda
ordem, paisagem artificial, natureza superior, (relação sinônima) ou
seja, em espaço geográfico. Numa prova de vestibular, jamais afirmativas do
tipo: o problema do Nordeste do Brasil é a seca, as condições naturais são
determinantes podem ser afirmativas, (Marque falso) pois se constituem em
determinismo ambiental.
O determinismo ambiental é uma escola alemã sintetizada por
Frederic Ratzel (Século XIX) que afirma ser o homem passivo diante do meio
natural. Portanto, nestes estudos, a natureza primária é determinante na relação
com o humano. Tais análises são extemporâneas, foram influenciadas pela
obra de Darwin, tanto quanto influenciaram Euclídes da Cunha em "Os Sertões".
Hoje o suporte físico, é no máximo, condicionante, nunca determinante, na
relação com o homem, ele é um condicionante condicionado.
A natureza antrópica é dinâmica, fruto dos processos
históricos que as criou, mudando de forma e de função à medida em que se
mudam as idéias. Os espaços geográficos sofrem metamorfoses com o
tempo histórico, porque são, em suma, fruto destas idéias. Um exemplo
recente é a reestruturação dos centros envelhecidos das nossas cidades. Este ano
uma equipe de urbanistas espanhóis realizou vários estudos para revitalização do
centro de Goiânia. Nossas cidades foram criadas no modelo Fordista
(concentradas espacialmente) e já não atendem as necessidades atuais,
precisando ser repensadas em sua espacialidade. Goiânia já precisava ter dois
turnos de trabalho, ou ainda uma rua 24 horas, para evitar problemas de tráfego
e de movimento pendular. As cidades precisam romper com seu modelo radiocêntrico
já que suas estruturas encontram-se envelhecidas e não atendem mais as
necessidades do grande capital. Este precisa de muito espaço para circulação
como os Hipermercados e os Grandes Shoppings que se localizam preferencialmente
ao longo de grandes rodovias ou vias expressas. A lógica das estruturas
modernas é a da desconcentração, ou seja, reinvenção de espaços nos
mais variados aspectos, acompanhando o que ditam as transnacionais, que promovem
uma acumulação flexível no intuito de produzir um produto mundial.
Há cidades que até se especializam em um só setor da economia como é o caso de
Cingapura (Cidade Global) uma cidade praticamente Quaternária,
produzindo, quase que somente, tecnologias e idéias. Sendo assim, os espaços
mundiais estão sendo divididos em pontos opacos e pontos luminosos.
Cingapura é um destes pontos luminosos.
A morte de MILTON SANTOS não deve ser esquecida. Ele foi
um filósofo do Espaço Geográfico. Devemos a ele nossa compreensão de Espaço
Geográfico enquanto vivo e dinâmico. Que falta ele já faz.... Ah!... que
saudade.
COMO LOCALIZAR FENÔMENOS

Centro geodésico
(medida a partir de um marco de referência como Tordesilhas ou Greenwich) não
corresponde, necessariamente, ao centro geográfico ( aquele transformado pelo
homem). Não se esqueça de que a noção de centro é sempre arbitrária, pois
depende de um referencial adotado por critérios econômicos, sociais e
políticos. A confecção de mapas é ideológica. Nosso mundi atual é
baseado no modelo eurocentrista. A Europa é o centro do mundo, sendo
periferia tudo o que a cerca. O Norte é grande, rico e do lado de cima.
Já o Sul, pequeno, pobre e embaixo. Isto se deve, ao tipo de projeções
utilizadas, como a de Mercator (Projeção cilíndrica) e a cônica. A
projeção de Mercator conserva os ângulos verdadeiros, por isso é muito utilizada
na navegação marítima e aérea (Países centrais). Na projeção Cônica o plano de
projeção é um cone envolvendo a esfera terrestre. Na projeção plana ou azimutal
(Brasilcentrismo) o plano de projeção é um plano tangente a esfera terrestre
sendo muito utilizada na época da Guerra Fria por Estados Unidos e URSS para
mostrar suas áreas de influência, tendo como ponto central estas potências. A
projeção de Peters conserva a proporcionalidade das áreas deformando os
contornos. Como nesta projeção os países do sul aparecem com suas áreas mais
próximas da realidade, ela foi chamada de Projeção terceiro mundista. A projeção
de Mercator e a Cônica somadas, deformam, valorizando, em muito, áreas
localizadas em médias e altas latitudes, conferindo áreas mais
reais aos países próximos ao Equador, porque a primeira foca o mundo numa
posição centro superior, e a segunda o focaliza do pólo. A feitura de um mapa, é
uma questão de geopolítica e geoestratégica. Nossa visão de mundo foi
fabricada e imposta. Não se esqueça : Norte, Setentrional ou Boreal /
Sul, Meridional ou Austral / Leste, Oriente ou "Sol Nascente" e Oeste, Ocidente
ou "Sol Poente".
DERIVA CONTINENTAL
Com relação ao
suporte físico, é bom lembrar que, Alfred Wegner (1910) propôs a
teoria da Deriva Continental, baseada na analogia, principalmente, das costas
Leste do Brasil com o Oeste Africano. Segundo os estudos, as placas tectônicas
formam um jogo de quebra cabeças que começou a se separar há 200
milhões de anos, a partir de um grande continente chamado de Pangéia,
subdividindo-se, depois, em Laurásia e Gonduwana, dois grandes continentes,
sendo, Pantalassa o grande mar. Deu origem aos dobramentos modernos,
cadeias de montanhas, tais como: o Himalaia, os Alpes, os Andes e as Rochosas.
Separou espécies animais, formando as bacias da Amazônia e do Pantanal.
Lembre-se de que terrenos Terciários, Cenozóicos, bacias sedimentares
são, em geral, depósitos de petróleo e carvão. Já terrenos
antigos, escudos cristalinos, Pré-cambrianos (anteriores a 570 milhões), são
depósitos de minérios economicamente viáveis. Este é o caso dos terrenos
de Goiás. Em suma, as placas tectônicas são extremamente dinâmicas ao
olho geológico ( milhões ou bilhões de anos). Recentemente tivemos um
tremor de Terra no Brasil. O Epicentro se deu na Cordilheira dos
Andes na zona de contato ( Ficção ) da placa de Nazca com a placa
Sul-americana. No ano passado houveram grandes terremotos em El Salvador,
Estados Unidos e na Índia com milhares de mortos. Este ano os abalos assolaram o
Peru. Todos estes países estão em zonas de contato de placas. E a onda que
chegaria ao litoral do Brasil?
TRANSLAÇÃO e ROTAÇÃO
A translação é
responsável pelas quatro estações do ano, equinócios (23 Setembro e
23 de Março) e Solstícios (21 de Dezembro e 21 de Junho) estes que
determinam verões em cada um dos hemisférios, promovendo as quatro estações do
ano e influenciando nas paisagens climatobotânicas do planeta ao longo do ano.
Por exemplo, as caducifólias ou vegetação decidual, plantas de climas com duas
estações bem definidas, se adaptam as condições climáticas. As estações do ano
são mal definidas próximas ao Equador (baixas latitudes, baixa pressão
atmosférica e altas temperaturas) e bem definidas nas regiões de média
latitude ou subtropicais (Média pressão atmosférica e grandes amplitudes
térmicas anuais pela variação do ângulo de incidência da luz solar, com
constante mudança do Equador térmico ao longo do ano. Associe as
estações do ano as inversões térmicas, que ocorrem nos meses mais secos e
frios do ano, em Cidades onde há grande concentração de poluentes, como São
Paulo ou Santiago, nesta última, agravada pela condição intramontana. Por que os
Estados do Nordeste do Brasil foram os primeiros a pedir para sair do horário de
verão? A causa está na pouca variação da luz solar ao longo do ano. Esta também
pode ser uma das causas dos apagões nas regiões mais ao sul do Brasil,
pois no inverno os dias ficam mais longos, assim como os banhos são mais
quentes. Dias e noites variam pouco em locais próximos ao Equador enquanto a
Terra realiza o movimento de Translação não sendo necessário adequar o dia
comercial ao período de insolação. A mesma explicação poderia ser dada para o
caso de Goiás que rejeita esta idéia.
A Rotação gera os fusos horários que são no geral
utilizados de forma prática tendo como determinante o fator econômico
para sua aplicação. Os fusos foram estabelecidos com base nos seguintes dados e
regras:
Como foram estabelecidos os fusos
360º : 24h = 15º - Assim, cada fuso horário são 15º de
deslocamento da terra na Rotação.40.000 Km (Perímetro aproximado da terra) : 24h
= 1666 Km/h = 15º = 1 fuso horário = 1 hora. Portanto a velocidade de giro da
terra em seu próprio eixo é realizada a 1666 km/h no Equador. Assim
sendo, duas localidades com fusos diferentes devem estar no mínimo a 1666
Km uma da outra em termos reais no Equador, que é o paralelo base, sendo o
mais extenso deles. Se uma hora são 60 minutos que são 15 graus, cada grau,
portanto, é igual a 4 minutos, para caso de cálculos de horas quebradas.
Regras para cálculo do horário de uma localidade
1)A terra gira de W para E. 2) As horas para W estão
atrasadas. 3) As horas para E estão adiantadas. 4) Se duas
localidades estão em hemisférios opostos, (W/E) soma-se os
graus das longitudes e divide-se por 15º, para achar as horas de diferenças. 5)
Em hemisférios iguais (W/W) ou (E/E) faz-se a diferença de Graus,
e procede-se da forma acima citada. 6) O Meridiano de Greenwich é o
meridiano base sendo zero hora e zero grau. Depois dos cálculos
observe bem de qual localidade foi dada a hora e sua posição em relação a
outra para somar ou subtrair as horas. Preste muita atenção nas datas e
se houver avião some os tempos das escalas e o vôo livre. As possíveis
respostas: Exemplo * 15h (DDS) do dia seguinte *15h (DDA) do dia
anterior * 15 (DMD) do mesmo dia. Cuidado com a linha internacional de
data localizada no Pacífico entre a As Américas, Oceania e Ásia. Para uma
localidade além desta linha, soma-se ou subtrai-se obrigatoriamente um dia
dependendo do sentido em que se passa por ela. lembre-se: os fusos são, em muita
das vezes, utilizados de forma prática e não exatamente onde passam os
meridianos. Por último, não troque Rotação por Translação.
Sobre população devemos nos ater as teorias de
Thomas
Robert Malthus (século XVIII), em contraposição as teorias dos anarquistas
ou dos socialistas e reformistas. Os primeiros são, em suma, controlistas, pessimistas,
antinatalistas, propondo um controle da população sem
que haja distribuição de renda. Este é o ponto fundamental de suas divergências
com os natalistas, representados pelo segundo grupo. Para os primeiros pobre é
pobre porque possui muitos filhos devendo ser controlada a natalidade à qualquer
custo. Já os reformistas dizem num discurso reverso que ter muitos filhos é uma
conseqüência da pobreza. Os neomalthusianistas surgiram no século XX, num
período de industrialização e urbanização dos países subdesenvolvidos. Cuidado
com o discurso dos ecomalthusianistas que dizem ser necessário eliminar
os pobres para que eles não acabem com as reservas naturais do globo. Um menino
Suíço gasta US$ 500,00, enquanto um africano Sudanês tem que viver com US$ 1,00.
O que você acha desta postura? Lembre-se da luta controlista da China. Contudo,
a Índia será o país mais populoso do globo em 2050. Mas em contrapartida a
Itália passará, segundo as estatísticas, de 59.000.000 para 40.000.000 no mesmo
período. O governo alemão começou uma campanha para combater os neonazistas. A
Europa em quase sua totalidade com população envelhecida vive o dilema: abrir ou
não abrir para receber imigrantes. A verdade é que com xenofobia ou não o mundo
entra lentamente num processo de transição demográfica. Hoje, não se passa
fome por falta de alimentos, já que há superprodução de comida. O fato é
que alimento é uma mercadoria essencial, sendo, portanto, uma fonte
importante de lucro. Chegamos ao bebê 6 bilhões, e o desafio do
terceiro milênio é o de distribuir melhor a renda do globo. Os muros erguidos hoje, são entre
ricos e pobres, como os erguidos no norte da África para barrar a invasão dos migrantes para a Europa.
Produzimos mais alimentos por pessoa do que nos anos 50, mas o número de
pessoas que vivem abaixo da linha de pobreza absoluta aumenta em muito. O conflito atual mudou se eixo que era L/W e hoje é
N/S. E china e
os Estados Unidos?
Superpopulação é sempre relativo. Sendo assim, nunca se
pode dizer que a área determina, pela quantidade de indivíduos que a habita, o
grau de desenvolvimento de uma comunidade. Fatores externos como o colonialismo,
ou ainda, culturais, sociais, políticos e econômicos, são os critérios a serem
levados em conta na análise. Superpopulação é sempre relativo à capacidade da
população de prover do meio sem exauri-lo. Sentido da migração internacional
que era Norte-Sul, hoje é Sul-Norte. Há em todos os países aversão a
estrangeiros. Um exemplo típico do nível de xenofobismo, é que, até os
tigrinhos asiáticos estão se defendendo da invasão de estrangeiros.
Houveram vários atritos entre Brasileiros e Paraguaios na ponte da "amizade"
este ano. Os Brasileiros são acusados de serem informais e retirarem trabalho
dos Paraguaios. Esta é uma forma de migração pendular e internacional ao mesmo
tempo. Por esta razão estes brasileiros são denominados de Brasiguaios. As
cidades no Brasil estão retornando os indigentes para suas regiões
de origem, promovendo uma desova dos indesejáveis. Muitas prefeituras
utilizam-se deste expediente para livrarem-se de encargos sociais. No Brasil,
por exemplo, há uma tendência à bipartições de Estados, onde a parte mais
rica se vê livre de áreas mais pobres. Há uma, bem palpável, tendência a desmetropolização reforçada, nos dias atuais, pela
migração de
retorno. Migração não pode ser vista do ponto de vista quantitativo, mas
sim qualitativo. Crescem proporcionalmente, hoje no Brasil, as médias cidades.
As fronteiras agrícolas são atratoras, com um intenso
crescimento de núcleos urbanos, gerando por outro lado um caos social. A grilagem de terra, (recentemente houve grilagem de terras dos índios
Caiapós) a presença de jagunços, os gatos, a escravidão de menores e adultos
(escravidão de armazém), a fome, o desemprego tecnológico, as lutas do MST (armadas e acompanhadas de protestos como o que comemorou o massacre
de dezenove sem terra em El Dourado do Carajás - Pará) por reforma agrária, são
problemas sociais sérios e de premência para resolução. Há uma reforma agrária
para o governo e outra para o MST, com a qual todos parecem concordar mas que
são coisas opostas para os lados. Quais são as diferenças básicas? Para o MST a
proposta do governo é um ajuste as condições da globalização. O MST quer terra
para trabalho e não terra de negócio como propõe o governo. Para o MST a terra
não e fonte de lucro, mas sim um meio de vida dos camponeses, instrumento de
revolução e uma forma de abastecer o mercado interno. O Sudeste, Sul e
Nordeste do Brasil, são os principais responsáveis por este contrafluxo migratório. São pessoas que buscam "uma melhor
qualidade de vida", fugindo da vida agitada dos grandes centros
urbanos, ou ainda, por outro lado, há o fascínio exercido pelas cidades
sobre as populações rurais. Goiânia já é cosmopolita por atrair gente de
todos os lugares. Sem uma resposta satisfatória em termos de infra-estrutura e
empregos, começa a apresentar problemas típicos de grandes centros. Dê
uma analisada neste aspecto. A criminalidade, o aumento do comércio informal,
são os resultados palpáveis desta má distribuição de renda.
A mão-de-obra está cada dia mais nômade. Assim, surgem
as formas de se complementar renda. O trabalho zero hora, sem vínculo
empregatício com as empresas, os part-times (parte de tempo) estão cada
vez mais presentes. O Estado está retirando todo tipo de estabilidade dos
trabalhadores, votando reformas na previdência social e instituindo o
contrato temporário de trabalho. Num contexto de economia globalizada, com um
desemprego estrutural, agravado pelo desemprego tecnológico, onde em
vários países centrais ele já ultrapassa a casa dos dois dígitos, o
trabalhador tem que se qualificar ao máximo, (trabalhador multifuncional)
pois a revolução técnico-científica elimina o trabalhador especializado.
As empresas estão requerendo além do Q.I o Q.E, (quociente emocional do
trabalhador) critério básico para as admissões no mercado de trabalho. Hoje
requer-se sempre disposição para aprender constantemente. Busca-se o
trabalhador Bombril (mil e uma utilidades). Em todo o mundo fala-se em redução
de cargas horárias. Enquanto na China e tigrinhos asiáticos há
superexploração de mão-de-obra.
O processo de globalização é o grande norteador das
questões dos vestibulares atuais. Parece que o mundo vai virar um Shopping
Center Global e para tal insistem em modificar nossos hábitos e valores para que
consumamos esse produto global. Contudo, não nos servem as receitas do FMI num
mundo com tantas alternativas. Não precisamos assim, cair na onda de
Ecomalthusianistas histéricos que prevêem numa visão fatalista que a periferia será sempre periférica.
E mais, o que é periférico, não
necessariamente é periferia. Haverá sempre outra alternativa. Destarte, a
globalização e, antes de tudo, a velocidade de inserção nela deve ser bem
analisada por todos os países e povos do globo, especialmente os
"periféricos".
O que os apagões tem haver com isso? As populações passam a estar em "mal estar social.
Vivemos no Brasil
um claro processo de sucateamento de estatais. O discurso ecológico serve
para jogar a empresa contra a opinião pública, justificando, desta forma, sua
privatização. Uma tendência nos tempos atuais é o crescimento das associações de bairros e das ONGs, que tentam preencher as lacunas
deixadas pelo Estado de mal estar social.
O liberalismo promove o financiamento, por parte do Estados
e prefeituras, das empresas para se instalarem em áreas doadas, tendo como
atrativos as isenções de impostos e financiamentos. Vide as recentes
instalações de empresas em Goiás, e construção de apoio logístico tais como:
Serra da mesa, Cana Brava e a Usina de Corumbá, ou ainda, a Norte-Sul, o
oleoduto e o gaseoduto que virá da Bolívia. Preste atenção na chamada guerra
fiscal e a falência do pacto federativo. Mário Covas que morreu há pouco foi
um dos principais críticos da guerra fiscal.
Preste uma especial atenção ao processo de deslocamento das
indústrias pelo mundo. As indústrias de ponta, próprias da terceira
revolução industrial, tais como a cibernética, a robótica, as telecomunicações,
indústrias com grande valores agregados, ficam nos países centrais,
enquanto as indústrias de menor valor agregado espalham-se pelo
terceiro mundo. No Brasil, as empresas estão fugindo das áreas
congestionadas do sudeste, num processo de descentralização (Detroitização). Saiba diferenciar os setores da economia.:
Primário,
secundário, terciário, terciário-moderno ou quaternário. Saiba como estes
setores estão sendo reestruturados pelo mundo na Nova Ordem Mundial (NOM)
baseada na Revolução Tecnocientífica (RTC). Há uma tendência
evidente de derrocada do modelo Fordista, sendo bem visível a
"Toytização", baseada na acumulação flexível, capital intagível e na
reestruturação da força de trabalho. As empresas fazem atualmente
enxugamentos e terceirizações, promovendo uma reengenharia em seus setores.
Assim, os produtos, hoje, são multinacionais. Os países investidores
estão tomando o maior cuidado ao investirem em países emergentes
devido a grande quantidade de capital volátil, contudo, crescem
economicamente (Paraísos fiscais).
Globalização não é oposta a regionalização. Na América,
a ALCA em sua reunião na cúpula das América em Santiago do Chile, cogitou
a adesão de Cuba. No Mercosul, as divergências entre Brasil e
Argentina, pautam-se nas taxações brasileiras aos produtos agropecuários
argentinos e no câmbio desfavorável a estes. O Mercosul é a pedra no caminho da
ALCA. Mais do que ser uma crise no câmbio e de flutuações de juros, a crise da
Argentina desestabiliza o Mercosul e abre caminho para a ALCA. A Argentina está
entre a cruz e a espada: ou dolariza ou desvaloriza a moeda. Lembre-se de que
países da América já dolarizaram suas economias, este é o caso do Equador e Peru
e que outros falam em dolarizar, como são Argentina e México reforçando, assim,
a Alca. No projeto da Alca o Brasil tenta dar uma "refreada". Realizou duas
Cimeiras (reuniões de Mercosul com a União Européia) sem lograr êxito. A Europa
continua fechada e protecionista. Os americanos estão levando o processo a sério
e vão começar a Alca pelo Chile que saiu do Pacto Andino para ingressar na
APEC.
Na verdade há uma desconfiança dos Hermanos pela postura de xerife assumida pelo
Brasil que veladamente polariza os países da América do Sul, assentando o
governo antidemocrático do Peru, intervindo na guerra Peru e Equador,
conversando com o governo antineoliberal da Venezuela, aproveitando-se de sua
liderança dentro da OEA. Vide o gaseoduto da Bolívia, as hidrovias e as estradas
arquitetadas pelo Brasil na América do Sul, tentando polarização da economia
Sulamericana. Será que vamos combater os "narcotraficantes" da Colômbia? Na
verdade o Brasil tenta Fazer um bloco subregional, par entregar o pacote para a
Alca (EUA). Os últimos acontecimentos como a crise entre Canadá e Brasil
envolvendo a carne de vaca louca e os aviões canadenses e brasileiros só
esvaziaram a pauta da reunião do Canadá em Abril. Esta tratou de ajustar a área
de livre comércio. O governo FHC num jogo duro, ou eleitoreiro, nega a adesão
antes de 2005. E de olho em seu sucessor, elevou o salário, sem aumentar o seu
poder de compra, baixando o preço do petróleo no mesmo mês.