REGIÕES DO BRASIL
O IBGE classifica o país em cinco blocos territoriais buscando
juntar traços físicos, humanos, econômicos e sociais comuns . Essa divisão
facilita o agrupamento de dados estatísticos e ajuda no planejamento de
políticas voltadas 'parai áreas com necessidades semelhantes. Como as fronteiras
das regiões coincidem com os limites dos estados, algumas áreas apresentam maior
afinidade com parte da região vizinha. É o caso do norte de Minas Gerais, que,
apesar de estar na Região Sudeste, é semelhante ao semi-árido nordestino; e do
oeste do Maranhão, que, mesmo estando na Região Nordeste, -tem características
próprias da Região Norte. A última mudança na área das regiões ocorre em 1988,
quando o Tocantins é desmembrado de Goiás, estado da Região Centro-Oeste, e
incorporado à Região Norte.
REGIÃO NORTE - Formada pelos
estados do Acre , do Amapá , do Amazonas , do Pará , de Rondônia, de Roraima e
do Tocantins.
A maior parte da região está sob o domínio do clima equatorial
e o oeste sofre a ação de frentes frias durante o inverno. No norte do Pará e em
Rondônia há clima tropical. A floresta Amazônica é a vegetação predominante.
Dela se extraem látex , açaí e castanhas, essenciais à economia regional. Além
dos produtos vegetais, a' região é rica em minérios. Lá estão a serra de Carajás
(PA), a mais importante área de mineração do país, e a serra do Navio (AP),
farta em manganês. A extração mineral é praticada muitas vezes sem os cuidados
adequados, contribuindo para a destruição ambiental por meio do desflorestamento
e da contaminação dos rios pelo mercúrio usado na mineração de ouro.
Apesar de a região ter a maior área do pais, a população é a
menor, tanto em termos relativos quanto absolutos. Mesmo assim é a de maior
crescimento demográfico por causa da migração da Região Nordeste . Esse
movimento existe desde o século passado, quando os nordestinos foram atraídos
pelo ciclo da borracha . Parte dos habitantes é descendente desses migrantes.
Possui também grande' população indígena, cujas terras são com freqüência
invadidas para extração de madeira e garimpo dê ouro. A influência desses povos
nativos está presente na culinária rica em peixes e no Bumba-Meu-Boi de
Parintins (AM), que é, junto com o Círio de Nazaré , que acontece em Belém (PA)
, a festa regional mais conhecida em todo o território.
Há falta de infra-estrutura energética: a única grande usina é
a de Tucuruí , no rio Tocantins (PA). São comuns racionamentos de energia
elétrica como o que afetou Manaus em 1997. Outra grave deficiência é de
estradas. Apesar do grande movimento fluvial e de enorme parte da população
viver à beira rio , ainda há produtos que dependem das rodovias e chegam ao
mercado regional de forma inconstante e com preços elevados.
REGIÃO NORDESTE- Formada pelos
estados do Maranhão, do Piauí , do Ceará; do Rio' Grande do Norte , de
Pernambuco , de Alagoas , de Sergipe , da Paraíba e da Bahia .
A maior parte da região está sob mínio do clima tropical. Nas
depressões entre planaltos do sertão e no vale do rio São Francisco , n Bahia,
há clima semi-árido, marcado pela vegetação a caatinga . É o chamado agreste
nordestino. A partir o período colonial, a mata atlântica, que recobria o
litoral entre a Bahia e o Rio Grande do Norte, foi quase inteiramente destruída
para dar lugar às extensas plantações de cana-de-açúcar. Apesar da destruição,
esse trecho continua a ser conhecido como Zona da Mata.
A grande concentração populacional junto da costa, aliada 'à
beleza natural, contribui para o crescimento do turismo, mesmo havendo
deficiências na infra-estrutura de atendimento. Esse crescimento favorece a
especulação imobiliária, que, em muitos casos, ameaça a preservação de
importantes ecossistemas, especialmente áreas de mangue e dunas. A concentração
populacional e econômica na costa propicia uma culinária à base de peixe,
camarão, lagosta e marisco. No interior é mais comum o consumo de
carne-seca.
Ainda hoje a economia da região depende muito da agroindústria
do açúcar e do cacau exercida em latifúndios, muitas vezes com métodos
primitivos. Mas há uma significativa extração de petróleo na Bahia, processado
na refinaria Landulfo Alves e no pólo petroquímico de Camaçari. Muitas empresas
têm aproveitado os incentivos fiscais concedidos pelos governos’ estaduais, e os
salários tradicionalmente mais baixos, para se instalar na região. O Ceará, que
consegue atrair algumas importantes indústrias de calçados, é um exemplo desse
movimento.
Algumas formas de artesanato são tradicionais na região. Entre
elas estão a renda de bilros e a cerâmica
As festas juninas de cidades como Caruaru (PE) e Campina Grande
(PB) são as mais populares do país. E o Carnaval de Salvador (BA), de Olinda e
do Recife (PE) estão entre os que mais atraem turistas em todo o
Brasil.
A região ainda tem altos índices de pobreza, que se refletem
nos índices de mortalidade infantil e de analfabetismo. A má distribuição da
propriedade da terra, a seca e as dificuldades de obtenção de crédito agrícola
dificultam a permanência do homem no campo. Há também pouco acesso a métodos
eficientes de uso da terra, o que, aliado à atração de novos empregos, alimenta
a migração em direção às cidades. Entre os principais destinos estão cidades da
Região Sudeste e as capitais dos próprios estados nordestinos. De todo o
movimento migratório que acontece de 1991 a 1996 entre regiões, 46, I% é de
nordestinos.
REGIÃO SUDESTE - Formada pelos estados do Espírito Santo , do Rio de Janeiro
, de Minas Gerais e de São Paulo.
Os climas predominantes são o tropical atlântico, no litoral, e
o tropical de altitude, nos planaltos. A cobertura vegetal original, a mata
atlântica , foi quase inteiramente devastada durante a ocupação, em especial
pela expansão do café. Na serra do Mar , no entanto, a dificuldade de acesso e
de cultivo contribuiu para a preservação de parte dessa mata.
A expansão cafeeira foi uma das razões para que a região
recebesse grande quantidade de imigrantes europeus e japoneses no fim do século
passado e no começo deste. Eles se concentraram nos estados de São Paulo e do
Espírito Santo, deixando grande influência cultural em setores que vão da
política às artes plásticas, passando pela culinária. Pratos à base de massa, de
origem italiana, tornam-se comuns na mesa brasileira.
Com a maior população do país, a região contribui para mais de
60% do PIB . A economia é fortemente desenvolvida e industrializada, produzindo
de aço e cimento a automóveis e aviões. O- setor industrial, no entanto, vem
perdendo força com a diminuição do número de empregos e o aumento do setor de
serviços. Há também uma significativa atividade agropecuária, com bom padrão
técnico e boa produtividade, que garantem grande rebanhos bovinos e uma
destacada produção de 1 cana-de-açúcar e café. Minas Gerais extra numerosa
variedade de minérios, e da bacia de Caril )os (RJ) sai a maior parte do
petróleo brasileiro . Essa riqueza ajuda a fazer do Sudeste a região que mais
atrai migração inter-regional em números absolutos. Existe também um movimento
contrário causa pela crise na indústria e pela exigência cada vez maior de
melhores empregos. Entre 1991 e 1996 cerca de 250 mil pessoas voltam para o Nordeste. O desenvolvimento econômico permite ainda que o' Sudeste tenha índices
sociais entre os melhores do país.
Existem ainda grandes testas populares na região.
Destacam-se o Carnaval no Rio de Janeiro e as testas religiosas
e procissões em algumas cidade s de Minas Gerais. Essas cidades mineiras, algumas
com riquíssimos conjuntos arquitetônicos barrocos barracos , são um dos destinos
preferidos do turismo barrocos junto com o litoral.
REGIÃO SUL - Formada pelos estados do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do
Sul .
O clima subtropical, com as temperaturas mais baixas do país,
predomina na região. Além de resquícios de matas de araucárias , o sul é coberto
por vegetação rasteira, favorável à pecuária 'a, o que transforma a criação de
animais em um das mais importantes atividades econômicas. à grandes rebanhos
bovinos nos pampas gaúchos e criação de suínos em Santa Catarina e no Paraná .
Isso impulsiona a instalação de grandes Frigoríficos, especialmente no oeste
catarinense. A agricultura é praticada em larga escala, com o uso de técnica
modernas que permitem larga produti vidade às culturas de trigo, soja, milho,
arroz, feijão tabaco. A transição para esse tipo de agricultura, o entanto,
causou grande expulsão de trabalhadores do campo, levando a um intenso movimento
migratório tório para novas fronteiras agrícolas, especialmente para o
Centro-Oeste. Entre 1991 e 1996 a rui ação para outras regiões se reduz e
aumenta o fluxo o interno. Curitiba torna-se a capital com o maior crescimento
demográfico do período.
A vasta produção agropecuária permite a concentração de
capital, que leva à íris instalação de parques industriais nas áreas
metropolitanas s de Porto Alegre (RS) e Curitiba (PR). Existe ainda exploração
de madeira de pinho, no Paraná, e de caro o mineral, Ao sul de Santa Catarina. A
região tem o melhores indicadores sociais do país, com o mais b aixo índice de
analfabetismo e de mortalidade infantil.
As características climáticas, que possibilitam ocasionais
nevadas, contribuem para atrair, -entre o fim do século XIX e o começo do XX, u
na grande migração européia, que se instalou nas regiões Alas ., onde
desenvolveu a agricultura e a de vinhos. Hoje o clima e a produção vinícola
favorecem o turismo durante o inverno. No catarinense e paranaense há intenso
movimento turístico no verão.
REGIÃO CENTRO-OESTE - formada
da pelos estados de Goiás , de Mato Grosso, de Mato Grosso do sul e Distrito
Federal .
O clima é tropical com chuva de verão. A a i tia cerrado nos
planaltos e mu to variada no Pantanal . Na década de 60, o povoamento foi
acelerado pela transferência da capital federal para Brasília e pela construção
de rodovias. Vêm migrantes do sul e do sudeste do país, que contribuem para o
crescimento de uma importante área agrícola. A economia da região, que havia
regredido para a agropecuária de subsistência depois do declínio dos garimpos de
ouro e diamante, é substituída pela pecuária extensiva e pelo cultivo de soja,
milho, algodão e arroz, praticado em vastos latifúndios. A grande concentração
de terra faz com que haja também inúmeros conflitos pela posse da terra, que
chegam a terminar em morte. A industrialização, no entanto, ainda é pequena, e
os índices de analfabetismo e mortalidade infantil estão em um patamar
ligeiramente superior aos das regiões Sudeste e Sul. Brasília , a capital
federal é uma cidade atípica pela grande concentração de políticos e funcionários
públicos, além de abrigar as embaixadas dos países com os quais o Brasil mantém
ligações diplomáticas. Paralelamente a essa importância terrena, atrai místicos
de diversas seitas. Esse misticismo é forte em outras áreas do Centro-Oeste,
como na Chapada dos Guimarães , uma das principais atrações turísticas da
região, ao lado do Pantanal. Com enorme biodiversidade, o Pantanal é a maior
planície alagada do inundo, trazendo a cada ano mais turistas interessados em
passeios ecológicos e em pescaria.
Relevo do Brasil
São três as grandes unidades encontradas no relevo brasileiro :
os planaltos , as planícies e as depressões . Essas unidades têm formação antiga
e resultam principalmente da ação das forças internas da Terra e da sucessão de
ciclos climáticos, cuja alternância de climas quentes e úmidos com climas áridos
ou semi-áridos favoreceu o processo de erosão.
Estrutura geológica - As forças internas do interior da terra,
como a movimentação de placas tectônicas, as falhas e o vulcanismo, determinam
três tipos de formação geológica. As plataformas (ou crátons) são as mais
antigas, por isso sofreram enormes períodos de erosão e se tornaram mais
estáveis sob o ponto de vista da movimentação tectônica. Os cinturões orogênicos
ou cadeias orogênicas são terrenos muito elevados da superfície terrestre,
caracterizados por grande instabilidade. Estão associados às maiores cadeias
montanhosas do planeta ou aos chamados dobramentos, como os Andes, na América do
Sul, ou o Himalaia, na Ásia. As bacias sedimentares são constituídas em grande
parte por rochas sedimentares, provenientes da desagregação de outras rochas ou
de outros materiais, que recobrem áreas de plataforma. É a formação geológica
mais recente e está presente em 64% do território brasileiro.
Planaltos - São formas de relevo mais altas que ofereceram
maior dificuldade à erosão. Podem ser encontrados em qualquer tipo de estrutura
geológica.
Nas bacias sedimentares, os planaltos se caracterizam pela
formação de escarpas em áreas de fronteira com as depressões. Formam também as
chapadas , extensas superfícies planas de grande altitude. No território
brasileiro , alguns exemplos de planalto em bacias sedimentares são o planalto
da Amazônia oriental, que, com altitude máxima de 400 ._ m, se constitui em
parte de tabuleiros, ou seja, morros de topo plano. Já os planaltos e as
chapadas da bacia.
São exemplos de planalto em áreas de plataforma os planaltos
residuais Norte-amazônicos, onde, apesar de a altitude média se encontrar entre
600m e 1.000m, não existem regiões bem elevadas, como o pico da Neblina. Ou
ainda os planaltos residuais Sul-Amazônicos, em que se percebem formações
planas, como a chapada do Cachimbo, mas também estruturas como a serra de
Carajás. Com grande variação de altitude, existem ainda o planalto e a chapada
dos Parecis, com média de elevação entre 400m e, nas regiões como a chapada,
800m. Há também os planaltos correspondentes aos cinturões orogênicos do
Atlântico, de Brasília e do Paraguai-Araguaia. São eles: os planaltos e as
serras do Atlântico Leste-Sudeste, com dominância de morros de topos convexos,
canais e vales profundos, como se verifica nas regiões das serras da
Mantiqueira, do Mar e do Espinhaço. Existe ainda o planalto de Borborema, na
Região Nordeste, e o planalto Sul-Rio-Grandense, que não ultrapassa os 450m. Os
planaltos e as serras de Goiás-Minas, no cinturão orogênico de Brasília, com as
serras da Canastra, da Bocaína, Dourada e Geral do Paraná, regiões
caracterizadas pela incidência de topos planos em forma de chapadas, como as
chapadas de Brasília, de Cristalina e dos Veadeiros. E as serras residuais do
Alto Paraguai, que, estando ao Sul e ao Norte do Pantanal Mato-Grossense (serra
da Bodoquena e Província Serrana), atingem níveis de até 800m de altitude.
Depressões
– São áreas rebaixadas formadas pela
atividade erosiva entre bacias sedimentares e as estruturas geológicas mais
antigas. Nessas unidades de relevo as marcas dos climas do passado e a
alternância das diversas fases de erosão são mais facilmente notadas. Algumas
das depressões localizadas às margens de bacias sedimentares são chamadas de
depressões marginais e periféricas. Elas são em grande número e de variados
tipos no território brasileiro: a depressão da Amazônia ocidental (terrenos em
torno de 200m de altitude); depressões marginais Amazônicas (que margeiam as
bordas norte e sul da bacia Amazônica); marginal Sul-Amazônica (entre 100m e
400m); do Araguaia (entre 200m e 350m); depressão Cuiabana (de 150m a 400m; do
Alto Paraguai e Guaporé (ligadas entre as bacias do rio Jauru e Guaporé); do
Miranda (entre 100m e 150m); do Tocantins; depressão sertaneja e do São
Francisco (começa no litoral nordestino com altitudes inferiores a 100m e
alonga-se na direção do médio vale do São Francisco); da borda leste da bacia do
Paraná (que chega a atingir em São Paulo altitudes entre 600 e 700m); e
Periférica Central ou Sul-Rio-Grandense (localizada na borda da bacia do Paraná,
com altitude média de 200m).
Planícies – São unidades de relevo geologicamente muito
recentes. Sua formação ocorre por causa da sucessiva deposição de material de
origem marinha, lacustre ou fluvial em áreas planas. Estão em geral associadas a
bacias hidrográficas, como a planície do rio Amazonas, que margeia o leito do
rio e seus afluentes, tendo sua maior extensão na ilha de Marajó. Por sua vez, a
planície do rio Araguaia, na altura da ilha do Bananal, é extremamente plana,
com altura de 200m e vegetação de cerrados e campos limpos. A planície do rio
Guaporé, um terreno plano de 220m, também se caracteriza por um pantanal que se
liga, inclusive, ao Pantanal Mato-Grossense. E este Pantanal ou planície
Mato-Grossense, que avança em direção à Bolívia e ao Paraguai, é uma área de
sedimentação aluvial recente, com oscilação de altitude entre 100 e 150m. No
litoral do Rio Grande do Sul podem se destacar as planícies das lagoas dos Patos
e Mirim. E há ainda as planícies e os tabuleiros litorâneos que percorrem a
costa brasileira do Nordeste ao Sudeste em torno de rio de menor porte.
Clima do Brasil
A maior parte do território brasileiro (92%) está
localizada na zona intertropical, com relevo dominado por baixas e médias
altitudes. Por isso predominam os climas quentes e úmidos, com média de
temperatura na faixa de 20°C. A amplitude térmica – diferença entre as médias
anuais de temperaturas máximas e mínimas – é baixa. Os tipos de clima presentes
no Brasil são:
Equatorial –
Ocorre na região Amazônica, ao Norte de Mato
Grosso e a oeste do Maranhão e está sob ação da massa de ar equatorial
continental – de ar quente e geralmente úmido. Suas principais características
são temperaturas médias elevadas (25°C a 27°C); chuvas abundantes, com índices
próximos de 2.000 mn/ano, e bem distribuídas ao longo do ano; e reduzida
amplitude térmica, não ultrapassando 3°C. No inverno, essa região pode sofrer
influência da massa polar atlântica, que atinge a Amazônia ocidental ocasionando
um fenômeno denominado "friagem", ou seja, súbito rebaixamento da temperatura em
uma região normalmente muito quente.
Tropical –
Abrange todo Brasil central, a porção
ocidental do Maranhão, grande parte do Piauí e a porção ocidental da Bahia e de
Minas Gerais. Também é encontrado no extremo norte do país, em Roraima.
Caracteriza-se por temperatura elevada (de 18°C a 28°C), com amplitude térmica
de 5°C a 7°C, e estações bem definidas – uma chuvosa e outra seca. Apresenta
alto índice pluviométrico, em torno de 1.500 mm/ano. A estação de chuva é o
verão, quando a massa equatorial continental está sobre a região. No inverno,
com o deslocamento dessa massa diminui a umidade e então ocorre a estação
seca.
Tropical de altitude – É encontrado nas partes mais elevadas,
entre 800m e 1.000m, do planalto Atlântico do Sudeste. Abrange trechos dos
estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Norte do
Paraná. Sofre a influência da massa de ar tropical atlântica, que provoca chuvas
no período do verão. Apresenta temperatura amena, entre 18°C e 22°C, e amplitude
térmica anual entre 7°C e 9°C. N o inverno, as geadas acontecem com certa
freqüência em virtude da ação das frentes frias originadas da massa polar
atlântica.
Tropical atlântico ou tropical úmido – Estende-se pela
faixa litorânea do Rio Grande do Norte ao Paraná. Sofre a ação direta da massa
tropical atlântica, que, por ser quente e úmida, provoca chuvas intensas. O
clima é quente com variação de temperatura entre 18°C e 26°C e amplitude térmica
maior à medida que se avança em direção ao Sul -, úmido e chuvoso durante todo o
ano. No Nordeste, a maior concentração de chuva ocorre no inverno . No Sudeste,
no verão. O índice pluviométrico médio é de 2000 mm/ano.
Subtropical –
Acontece nas latitudes abaixo do trópico
de Capricórnio: abrange o sul do Estado de São Paulo, a maior parte do Paraná,
Santa Catarina e Rio Grande do Sul. É influenciado pela massa polar atlântica,
que determina temperatura média de 18°C e amplitude térmica elevada (10°C). As
chuvas são pouco intensas, 1000mn/ano, mas bem distribuídas durante o ano. Há
geadas com freqüência e eventuais nevadas. Apresenta estações do ano bem
marcadas. O verão é muito quente, podendo ultrapassar os 30°C de temperatura. O
inverno é muito frio, com temperatura inferior a 0°C. Primavera e outono têm
temperatura média entre 12°C e 18°C.
Semi-árido –
Típico do interior do Nordeste, região
conhecida como o Polígono das Secas, que corresponde a quase todo o sertão
nordestino e aos vales médio e inferior do RIO São Francisco. Sofre a influência
da massa tropical atlântica que, ao chegar à região, já se apresenta com pouca
umidade. Caracteriza-se por elevadas temperaturas (média de 270C) e
chuvas escassas (em torno de 750 mm/ano), irregulares e mal distribuídas durante
o ano. Há períodos em que a massa equatorial atlântica (superúmida) chega no
litoral norte de Região Nordeste e atinge o sertão, causando chuva intensa nos
meses de fevereiro, março e abril.
Vegetação no Brasil
Associada aos diversos climas, relevos e solos existentes no
Brasil há uma variedade de formações vegetais. Muito explorada desde o período
colonial, a vegetação original brasileira é a primeira fonte de riqueza do país.
Mas a extração do pau-brasil representa também o início de um processo
desordenado de utilização da cobertura vegetal, que praticamente levou à
extinção da mata atlântica. Essa ação devastadora é marcante sobretudo nas
regiões Sul, Sudeste, Nordeste e parte do Centro-Oeste. Atualmente o
desmatamento atinge sobretudo a Amazônia. Segundo o IBGE, 67,1% ainda é coberto
por vegetação primitiva. Podemos classificar a vegetação brasileira, em escala
regional, em floresta Amazônica mata atlântica (florestas costeiras), cerrado,
pantanal, caatinga, matas de araucária, matas de cocais, campos, restingas e
mangues.
FLORESTA AMAZÔNICA –
é uma floresta latifoliada (do latim,
lati, que significa "largo"), ou seja, com predominância de espécies vegetais de
folhas largas. Com características próprias de clima equatorial, tipicamente
quente e superúmido, é também conhecida como Hiléia. Ocupa 38,5% do território
brasileiro – em uma área que abrange a totalidade da Região Norte, o norte de
Mato Grosso e oeste do Maranhão – estendendo-se ainda pelos países vizinhos.
Apresenta grande heterogeneidade de espécies e caracteriza-se, de acordo com os
três níveis topográficos da Amazônia, por três diferentes matas: de igapó,
várzea e terra firme. A mata de igapó corresponde à parte da floresta onde o
solo se encontra inundado. Extremamente intricada, reúne espécies como liana,
cipó, epífita, parasita e vitória-régia, ocorrendo principalmente no baixo
Amazonas. A mata de várzea é própria das regiões que são periodicamente
inundadas, denominadas terraços fluviais. Intermediárias entre igápos e a terra
firme, as espécies da mata de várzea atingem certa altura, com formações
variadas, como seringueira, palmeira, jatobá e maçaranduba, de acordo com a
proximidade dos rios. As matas de terra firme correspondem à parte mais elevada
do relevo. Com solo seco, livre de inundação, as árvores chegam a atingir 65m de
altura. O entrelaçamento de suas copas, em algumas regiões, impede quase
totalmente a passagem de luz, o que torna seu interior muito úmido, escuro e
pouco ventilado. Em terra firme encontram-se espécies como o castanheiro, o
caucho e o guaraná. A exploração de produtos tradicionais como o guaraná, o látex e a castanha-do-pará pode ocorrer de forma a não interferir no equilíbrio
ecológico e a garantir a sobrevivência de comunidades da floresta. A devastação
resultante da grande extração de madeira, feita sem preocupação com a
preservação ambiental, tem início na década de 60, atingindo o pico entre o
final da década de 70 e o começo da de 80. Outros problemas são o extrativismo
mineral e as queimadas, prática realizada muitas vezes com o fim de adequar
áreas da floresta à pecuária.
MATA ATLÂNTICA -
Predominando na costa brasileira, onde
planaltos e serras impedem a passagem da massa de ar, provocando chuva, a mata
atlântica é uma floresta de clima tropical quente e úmido. Entre as florestas
tropicais é a que apresenta a maior biodiversidade por hectare do mundo,
contando em sua formação com espécies como ipê, quaresmeira, cedro,
palmiteiro,
canela e imbaúba. É a mais devastada das florestas brasileiras. No passado
estendia-se do litoral do Rio Grande do Norte ao de Santa Catarina. No período
colonial foi intensamente destruída para dar lugar à cultura canavieira no
Nordeste, e, posteriormente, no Sudeste, à cultura cafeeira. Entretanto, é nas
regiões Sul e Sudeste que se encontram os cerca de 8% restantes da mata
original, preservados graças á presença da serra do Mar, obstáculo à ação
humana. Atualmente, mesmo essa área se encontra em situação de risco,
especialmente para a exploração de espécies como jacarandá, cedro e palmito.
Contribuem, ainda, o turismo predatório e o elevado índice de poluição da costa
brasileira.
CAATINGA -
Ocupa aproximadamente a décima parte do
território brasileiro, ou seja, a região do sertão nordestino, de clima
semi-árido. É composta de plantas xerófilas, próprias de clima seco, adaptadas á
pouca quantidade de água: os espinhos das cactáceas, por exemplo, têm a função
de diminuir sua transpiração. O solo da caatinga é fértil quando intrigado. Mas,
por causa do baixo índice pluviométrico da região sertaneja, as plantas que
produzem cera, fibra, óleo vegetal e, principalmente, frutas dependem de
irrigação artificial, possibilitada pela construção de canais e açudes.
PANTANAL MATO-GROSSENSE –
A maior planície inundável do
mundo ocupa uma área de 150.000 Km2 , englobando do sudoeste de Mato
Grosso ao oeste de Mato Grosso do Sul até o Paraguai. Nessa formação podem ser
identificadas três diferentes áreas: as alagadas, as periodicamente alagadas e
as que não sofrem inundações. Nas áreas alagadas, a vegetação de gramíneas
desenvolve-se no inverno e é usada para o gado bovino. Nas de eventuais
alagamentos, encontram-se, além de vegetação rasteira, arbustos e palmeiras como
o buriti e o carandá. E nas que não sofrem inundações encontram-se os cerrados
e, em pontos mais úmidos, espécies arbóreas da floresta tropical. Em razão da
alternância de períodos de cheia e de seca, existe grande variedade de espécies
animais e vegetais.
A principio, a criação de gado não causou danos ambientais,
mas, recentemente, com o investimento de grandes capitais e a desmedida
proliferação do gado (mais de 30 milhões somando os rebanhos de Mato Grosso e de
Mato Grosso do Sul), o equilíbrio vem sendo ameaçado. Há também contaminação por
causa de agrotóxicos utilizados na agricultura, nos garimpos irregulares, na
caça e na pesca predatórias. Tudo isso interfere na qualidade da água,
elemento-base de todo o ecossistema.
CERRADO-
Formação típica de área tropical com duas
estações marcadas, um inverno seco e um verão chuvoso. Sua área de ocorrência é
o Brasil Central. O solo, deficiente em nutrientes e com alta concentração de
alumínio dá à mata uma aparência seca. Apesar de não haver falta de água, as
plantas têm raízes capazes de retirar água do solo a mais de 15m de
profundidade. A vegetação se caracteriza principalmente pela presença de
pequenos arbustos e árvores retorcidas, com cortiça grossa e folhas recobertas
por pêlos. Encontram-se ainda gramíneas e cerradão, um tipo mais denso de
cerrado, já misturado com formações florestais. Embora tradicionalmente esteja
associado à pecuária, vem sendo ocupado pela monocultura de soja, responsável
pela descaracterização dessa cobertura, já que ocupou originalmente cerca de 25%
do território brasileiro.
CAMPOS-
Formado por herbáceas, gramíneas e pequenos
arbustos, existem em diversas áreas descontínuas do país, onde aparecem com
características bastante diversas. Se há ocorrência "campos limpos". Se
encontram misturados gramíneas e arbustos, são denominados "campos sujos". Além
dessas existem outras classificações de formação campestre. Os chamados campos
de atitude são aqueles encontrados em alturas superiores a 100m, por exemplo, na
serra da Mantiqueira e no planalto das Guianas. Os campos da Hiléia são
formações rasteiras existentes na Amazônia. E os campos meridionais, como a
Campanha Gaúcha, no Rio Grande do Sul, são ocupados principalmente pela
pecuária.
MATA DE ARAUCÁRIA-
É uma floresta aciculifoliada (folhas em
forma de agulha, finas e alongadas), própria do clima subtropical, existente na
Região Sul e em trechos do estado de São Paulo. Tem na Araucária angustifolia,
ou pinheiro- do - paraná, a espécie dominante, cujo fruto é o pinhão. Como
atingem altura de mais de 30m e possuem formação aberta, as araucárias oferecem
certas facilidade à circulação. Isso, associado ao grande número de pinheiros
existentes, fez com que as florestas dessa formação se tornassem a principal
fonte produtora de madeira do país, o que levou ao seu desaparecimento quase
total. Seu principal produto, o pinho, tem ampla a variada aplicação econômica
na indústria de móveis, na construção civil e na indústria de papel e celulose
se voltam principalmente para os pinos e os eucaliptos, menos nobres, porém mais
exploráveis em curto intervalo de tempo.
MATA DE COCAIS-
Situada entre a floresta Amazônica e a
caatinga, a mata de cocais está presente nos estados do Maranhão e do Piauí e
norte do Tocantins. No lado oeste, onde a proximidade com o clima equatorial da
Amazônia torna-a mais úmida ,é freqüente o babaçu: palmeiras que atingem de 15 a
20m de altura. Dos cocos de babaçu se extrai o óleo, muito utilizado pelas
indústrias alimentícia e de cosméticos. No lado mais seco, a leste, domina a
carnaúba, que pode atingir até 20m de altura, sendo totalmente utilizável,
embora a cera seja o produto mais procurado pelo mercado. Assim, a mata de
cocais garante a sobrevivência de comunidades extrativistas que exercem suas
atividades sem prejudicar essa formação vegetal. A destruição, no entanto,
acontece com a criação de áreas de pasto para a pecuária, principalmente no
Maranhão e norte do Tocantins.
MANGUE-
É uma formação vegetal composta de arbustos e
espécies arbóreas em que predominam troncos finos e raízes aéreas e
respiratórias (ou raízes escora) adaptadas à salinidade e a solos pouco
oxigenados, em áreas de lagunas e restingas do litoral. Pode ser rico em matéria
orgânica, tem papel muito importante na reprodução e no abrigo de espécies da
fauna marinha. Tradicionalmente, no mangue se realiza, como atividade econômica,
a pesca de caranguejo. Sofre a ação destrutiva do turismo predatório, da
ocupação imobiliária e da poluição provocada por esgotos.
RESTINGA-
É um tipo de vegetação próprio de terrenos
salinos formada por ervas, arbustos e árvores. Os destaques são a aroeira -de-
praia e o cajueiro. Sente os efeitos da mesma ação destrutiva a que está exposto
o mangue.
Demografia do Brasil
A população do brasileira é de 157.079.573 em 1996 segundo
realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Seu
crescimento anual é de 1,38% entre 1991 e 1996, contra os 1,39% observados na
década anterior. O número de filhos por mulher- a taxa de fecundidade- está em
quedas constante, o que leva a uma diminuição do número de crianças e a um
crescimento da população de adultos e idosos. Hoje, quase 80% dos brasileiros
vivem em zona urbanas e que a migração entre regiões diminuiu em comparação com
o período 1986-1991. Taxa de fecundidade- A década de 50 marca a mudança no
ritmo de crescimento da população. Cai a taxa de mortalidade e função do maior
acesso ao saneamento básico, à água potável e a vacinação, e do desenvolvimento
de medicamentos como sulfas e antibióticos. Essas conquistas, aliadas a alta
taxa de fecundidade, causam uma aceleração do crescimento de população
brasileira. A partir da década de 60 as mulheres começam a poder planejar melhor
o número de filhos. A taxa de fecundidade cai de 5,7 em 1965 para 2,4 em 1996.
Isso deve-se à disseminação dos métodos anticoncepcionais: segundo a Pesquisa
Nacional sobre Demografia e Saúde (PNDS 1996), realizada em 1996 pela Sociedade
Civil Bem-Estar Familiar no Brasil (Bemfam), 99,6% das mulheres conhecem algum
método moderno para evitar a gravidez indesejada. Quando esse conhecimento
alia-se a uma maior escolaridade, o número de filhos é ainda menor. Entre as
mulheres sem instrução formal a taxa de fecundidade está em torno de 5,0. Entre
as com mais de 12 anos de estudo cai para 1,5. As diferenças regionais também
são acentuadas. Enquanto na região Sul a fecundidade é estimada em 2,3 no início
dos anos 90, no Norte e Nordeste essa taxa é de 4,0.
Outra mudança é o crescimento da gravidez na adolescência.
Segundo a PNDS, 16% das mulheres que tinham entre 20-24 anos no momento da
pesquisa haviam tido seu primeiro filho antes dos 17 anos. No grupo de mulheres
entre 45-49 anos essa porcentagem cai para 10,6%. As alterações nos padrões de
comportamento sexual, em que valores como virgindade e casamento perdem a força
contribuem para esse aumento. Além disso a melhoria do padrão de vida faz baixar
a idade da primeira menstruação e as meninas torna-se férteis mais cedo.
Faixas etárias-
As crianças e adolescentes até 14 anos, que
representam 31,62% da população, era 4,83% em 1991. Esse envelhecimento
da população também pode ser mostrado pelo índice que compara a população idosa,
com 65 anos ou mais, com a população de crianças menores de 15 anos. Para cada
100 crianças o Brasil tem aproximadamente 17 idosos (16,97%). Esse
número estava em torno de 14 (13,9%) em 1991.
A diminuição no número de crianças permite que os investimentos
em educação sejam concentrados na melhoria da qualidade de ensino e não mais no
aumento no número de escolas e salas de aula. Já o crescente número de idosos
aumenta as exigências sobre o sistema de saúde- as doenças da terceira idade
exigem maior acompanhamento e internações mais prolongadas e sobre o sistema previdenciário. Um dos desafios é garantir e melhorar aposentadorias ao mesmo
tempo em que aumentam os beneficiários e diminuem os contribuintes. Essa
diminuição, no entanto, ainda não se deve ao envelhecimento da população e sim
ao crescimento do desemprego e do emprego no mercado informal.
Estrutura por sexo- O número de homens em relação a cada grupo
de mulheres- é de 97,26. Esse índice é chamado de razão de sexo e quando é
superior a 100 significa que há mais homens que mulheres na população. Quando é
inferior a 100 é porque há mais mulheres. Em 1996 o número de mulheres supera o
de homens por 2.184.491 mas a diferença é proporcionalmente menor do que em
1991. Há , no entanto, grandes diferenças regionais. Na área urbana a razão de
sexo é de 94,25%, mas na zona rural os homens são maioria: a razão de sexo é de
108,97%. O número de homens também supera o de mulheres nas regiões Norte e
Centro- Oeste. Nessas duas regiões ainda há uma grande migração motivada pela
expansão da fronteira agrícola e garimpo, tipo de trabalho que atrai
predominantemente os homens.
Família-
As mudanças registradas na estrutura familiar são:
o aumento das uniões informais e dos divórcios, a queda drástica no número de
famílias chefiadas por mulheres: mais de 1/4 de todas as famílias brasileiras.
Esse número passa de 14,65% em 1980, para 18,12% em 1991, e 20,81% em 1996. O
distrito Federal, com 26,7% e o Rio de Janeiro, com 26,1%, são as unidades da
federação com maior número de mulheres nessa situação. Entre elas predominam as
moradoras pobres da periferia das grandes cidades abandonadas por maridos e
companheiros. Um dos motivos desses índices serem considerados preocupantes é o
fato de, tradicionalmente, as mulheres receberam menores salários. Segundo a
Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 1995, os salários acima de
20 mínimos são recebidos por apenas 0,7% das mulheres e contra 2,8% dos homens.
O número de casamentos formais cai de 952.294 em 1985 para 763.129 em 1994, uma
queda de cerca de 29% em dez anos.
Cor ou raça-
As regiões brasileiras tem diferença na
distribuição de população segundo cor ou raça. Levantamento feito pela Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílios em 1996 (PNAD) mostra que as regiões Sul e
Sudeste têm maioria de população branca, enquanto no Nordeste e Norte predomina
a parda. Na região Centro- Oeste, o número de pessoas pardas é ligeiramente
superior ao de brancas. Em relação a 1991 diminui o número de pessoas pardas e
aumenta o número dos que se declaram brancos ou pretos.
Essa pesquisa é baseada nas declarações dos próprios
entrevistados que optam por uma de cinco categorias de INBGE. Os mulatos,
caboclos, cafuzos, mamelucos ou se declaram mestiços de negros com qualquer
outra cor ou raça são classificados como pardos.
Urbanização-
Com 78,36% da população em áreas urbanas em
1996, o Brasil continua a apresentar decréscimo em sua população rural. Mesmo o
Maranhão, único estado com a maioria de população rural segundo o Censo de 1991,
já tem maioria de população urbana. A mudança da população do campo para as
áreas urbanas começa na década de 50 e já na década de 70 a maior parte da
população brasileira (55,9%) está nas cidades. O nível de urbanização é
especialmente elevado nas regiões Sudeste (89,29%), Centro- Oeste (84,42%) e Sul
(77,21) e vem aumentando gradualmente nas regiões Nordeste (65,21%) e Norte
(62,35%) (ver tabela População Urbana). Esse crescimento acontece não só em
função da migração e do crescimento vegetativo da população das cidades mas
também pela incorporação de algumas áreas que eram consideradas rurais ao setor
urbano. O maior fator de atração das cidades é a possibilidade de melhor
qualidade de vida ligado a um emprego mais remunerado e a um maior acesso à
saúde e à educação.
Capitais-
Ao contrário do que ocorria na década passada a
população das capitais tem crescido mais lentamente do que a população do país e
é de hoje proporcionalmente menor. Passa de 24,98% do total em 1991 para 23,72%
em 1996. Palmas, a capital do Tocantins é uma das exceções. A cidade, fundada em
1990, cresce 29,31% ao ano entre 1991 e 1996. São Paulo (9.839.436) Rio de
Janeiro (5.551.538) e Salvador (2.211.539) são as capitais brasileiras:0,26% e
0,40% respectivamente (ver tabela Regiões metropolitanas e capitais). Em escala
nacional, a cidade de São Paulo torna-se o grande centro produtor de bens e
serviços. O Rio de Janeiro perde parte de sua importância regional para a cidade
de Belo Horizonte. As cidades de Fortaleza, Recife, Salvador, Curitiba, Porto
Alegre e Goiânia aumentam sua importância regional.
Regiões metropolitanas-
O país tem dez regiões
metropolitanas onde residem 47.298.604 pessoas, ou 30,11% da população total. Em
1991 esse número era de 29,90%. A taxa de crescimento anual é de 1,53%, pouco
superior a média nacional, o que indica que essas regiões deixaram de ser
lugares de grande crescimento populacional. As regiões metropolitanas de
Curitiba, com taxa de crescimento anual de 3,40%; Fortaleza, com 2,32%; e Belém,
com 2,23% são as que apresentam maior crescimento são as das regiões
metropolitanas do Rio de Janeiro, com 0,77%; Recife, 1,14% e São Paulo, com
1,46% (ver tabela Regiões metropolitanas e capitais).O crescimento das regiões
metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro é, ainda assim, superior
crescimento dos municípios dessas capitais, o que indica um maior aumento
populacional nos municípios periféricos e uma quase estagnação do município
central. Isso acontece porque o solo dessas capitais se tornou muito caro,
dificultando a sua utilização para a construção de moradias ou mesmo para a
instalação de indústrias. Essas cidades tendem a atrair cada vez mais o setor de
serviços, especialmente os setores comerciais e financeiros.
Migração-
Segundo a Contagem da População do IBGE 2,6
milhões de brasileiros deslocaram-se no país, entre 1991 e 1996, em busca de
melhores condições de vida. A origem e o destino das migrações inter- regionais
continuam basicamente os mesmos mas a quantidade de migrantes em números
absolutos tem diminuído. A maior redução dá-se na região Sul: 43,8%. A região
Nordeste ainda é responsável pela maior parte do movimento migratório: 46,1% do
total. E a região Sudeste, embora recebe menos gente, continua sendo o principal
destino dos migrantes. Ela recebe 1,2 milhão entre 1991 e 1996 contra 1,4
milhões de pessoas entre 1986 e 1991. Verifica-se também um movimento de retorno
à região Nordeste com um grande número de pessoas saindo da região Sudeste e
voltando a sua região de origem. As regiões Norte e Centro- Oeste, devem parte
de suas altas taxas de crescimento demográfico à migração. Há também grandes
movimentos migratórios dentro de uma mesma região ou estado. Embora a Contagem
Populacional 1996 não tenha pesquisado essa migração, ela pode ser observado
pelo crescimento de algumas cidades ou regiões metropolitanas que não são
explicadas só pelo fluxo inter - regional. Esse é o caso, por exemplo, do
crescimento de regiões metropolitanas como as de Fortaleza e Curitiba.
Mercosul-
A expansão do comércio com países vizinhos, a
partir de meados da década de 1980, contribuiu para mudar o perfil da pauta
brasileira de exportações, historicamente dominada por produtos primários. O
Mercosul se apresenta, assim, como alternativa para manter as exportações em
alta e consolidar o Brasil como vendedor de aço, veículos automotores, máquinas
e demais produtos manufaturados. Mercosul é a união aduaneira que entrou
em vigor 10 de Janeiro de 1995 entre o Brasil, Argentina, Paraguai,
Uruguai, pela qual se instituiu uma área de livre comércio, que engloba os
quatros membros, e uma política comum de relacionamento comercial com os demais
países do mundo. O primeiro passo para integração regional foi dado em Julho de
1996, quando o Brasil e Argentina, que tradicionalmente disputavam a hegemonia
econômica e política do Cone Sul, assinaram a Ata para a Integração Argentino-
Brasileira, pela qual se definiu um programa de cooperação econômica entre os
dois países. Em 1990, com a Ata de Buenos Aires, acertou-se a eliminação
gradativa das tarifas de comércio. E em março de 1991, o Tratado de Assunção,
constituiu o Mercado Comum do Cone Sul (Mercosul), já com adesão do Paraguai e
do Uruguai. Em 1996, Chile e Bolívia firmaram com o grupo um acordo de parceria
comercial sem direito a voto.
A solidariedade aduaneira no Mercosul, no entanto, não era
plena à época de sua constituição: dos nove mil produtos que os quatro membros
comercializavam, cerca de 800 continuaram protegidos por barreiras alfandegárias
e, para outros tantos, se cobravam aos compradores externos impostos
diferenciados, ou seja, não se aplicava a tarifa externa comum (tec) prevista no
acordo. O mercado potencial em 109 milhões de consumidores e o produto interno
bruto (pib) total era da ordem de meio trilhão de dólares.
ENERGIA DO BRASIL
A produção de energia primária renovável - que compreende
energia hidráulica, lenha, derivados de cana- de- açúcar, entre outros - é
predominante no Brasil. Em 1996 é de 124.760. 000 tep (toneladas equivalente de
petróleo), o que corresponde a 71,3% do total. A produção de energia primária
não renovável - petróleo, gás natural, carvão, urânio - é de50. 180.000
tep, e
representa 28,7% do total. Processada em hidrelétricas e refinarias, a energia
primária torna-se secundária na forma de eletricidade, óleo diesel, gasolina
etc.
ELÉTRICA-
Cerca de 97% de energia elétrica produzida no
Brasil é gerada em hidrelétricas e há ainda um grande potencial não explorado. A
capacidade instalada de produção de energia elétrica no Brasil é de cerca de
55.000 MW (megawatts), que, somados aos 5.000 MW que o país compra da parte
paraguaia de Itaipu, totalizam 60.000 MW em 1996. Essa capacidade é inferior à
demanda e resulta em um déficit de 3.000 MW. Entre 1997 e 1998 está prevista a
produção de mais 4.670 MW que, mesmo suprido o déficit, é insuficiente para
estabelecer uma boa margem de segurança. Aproximadamente 59,3% do consumo abe à
região Sudeste; 15,5% à Nordeste; 14,4% à Sul; 5,9% à Norte; e 4,9% à Centro -
Oeste. Considerando classes ou segmentos sociais, a indústria consome 48,5% do
total; as residências, 24,7%; o comércio, 12,7% e 14,1% cabem a outros. Nos anos
90, estabilização da economia levou a um crescimento acelerado do consumo de
energia, e o país opera com todo potencial instalado, próximo do limite da
capacidade e fornecimento de energia elétrica. Em 1996, esse consumo cresce 6%
enquanto o PIB aumenta 2,9%. E não há investimento suficiente para garantir que
a capacidade cresça o necessário. Nos horários de pico, entre 18 e 19 horas,
sobretudo nas regiões Sul e Sudeste, o sistema trabalha abaixo da margem de
segurança, com risco de provocar colapso no fornecimento. Em razão do quadro
deficitário, o governo estipula tarifas mais caras para o consumo de energia
elétrica em horários de pico; ativa projetos de usinas termoelétricas a gás
natural que, ao contrário das hidrelétricas, podem ser construídas em pouco
tempo (18 meses, em média); e importa energia elétrica da Argentina, do Uruguai
e da Venezuela.
Privatização-
desde a promulgação da Lei 9.074, de 1995,
que estabeleceu a privatização do setor, começam a ser feitas parcerias entre as
empresas públicas e privadas em obras de geração de energia. É o caso, por
exemplo, da hidrelétrica de Machadinho, na divisa do Rio Grande do Sul com Santa
Catarina, que será concluída em 2001 e deve gerar 1.040 MW. O governo também
espera um reforço de investimento com privatização das empresas de geração de
energia elétrica até o final de 1998. O patrimônio estimado pelo Ministério das
Minas e Energia é de US$ 70 bilhões. Em novembro de 1997 é privatizada a
Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL). O consórcio vencedor, formado por
Votorantin, Bradesco, Camargo Correia e Previ, paga R$ 3 bilhões pela empresa.
Os serviços de transmissão de energia permanecem com o governo.
Nuclear-
As usinas nucleares também vão continuar sob
monopólio do Estado. A construção desse tipo de usina foi um opção do governo
federal, que pretendia ter acesso à tecnologia nuclear. Em 1975, o Brasil
assinou acordo de cooperação nuclear com a então Alemanha Ocidental. Nesse mesmo
ano foram desapropriadas terras na praia de Itaorna, em Angra dos Reis, para que
a construção das primeiras usinas tivesse início. Angra I foi inaugurada em 1985
e é a única em funcionamento até hoje. Ainda assim, tem freqüentes interrupções
de fornecimento de energia por causa das falhas em seus equipamentos, fornecidos
pela empresa norte-americana Westinghouse. Para 1999 está previsto o início das
operações de Angra II, com capacidade estimada em 1.300 MW.
PETRÓLEO-
A lei que regulamenta a entrada da iniciativa
privada no setor de petróleo é sancionada pelo presidente da República em agosto
de 1997. Com isso, tanto empresas estrangeiras como nacionais poderão realizar
pesquisa, produção, refino, importação e exportação e transporte de petróleo. A
Petrobrás, que permanece sob o controle acionário da União, terá prioridade na
escolha das áreas em que irá atuar. É criada também a Agência Nacional de
Petróleo, para ser órgão regulador do setor. Em 1996, as importações de petróleo
e derivados - principalmente da Argentina e da Venezuela - chegam a 813 mil
barris por dia, e as exportações, a 81 mil barris por dia. No mesmo ano, a
produção média foi de 786 mil barris por dia (809 mil, se incluídos o LNG -
líquido de gás natural). O déficit foi de 46% em 1996. Ao final de 1996, a
Petrobrás havia descoberto 13 novos campos de petróleo no mar, de onde é
extraída a maior parte da produção, e seis em terra. As descobertas contribuem
para elevar as reservas no Brasil a 14,1 bilhões de barris. Em dezembro de 1997
o país bate o recorde histórico de produção, com 1 milhão de barris por dia. Por
sua vez, o consumo de petróleo e seus derivados cresce 6,5% em relação ao ano
anterior, em razão dos baixos índices de inflação, da queda do preço de carros
populares e da estabilidade do preço do combustível.
GÁS NATURAL-
A produção de gás natural passa de 1,9 bilhão
de m3 em 1979 para 2,9 bilhões de m3 em 1996. Essa fonte
de energia tem grande diversidade de aplicação e é menos prejudicial ao meio
ambiente. Pode ser utilizada em indústrias, residências e gerar energia elétrica
em termoelétricas. A participação do gás natural no consumo total de energia no
país ainda é pouco significativa.
Gasoduto Brasil- Bolívia - cuja construção foi acertada por
acordo assinado entre os dois países em 1993. Com extensão total prevista para
3.060 Km, dos quais 556 Km localizados em território boliviano e 2.504 Km no
brasileiro, o gasoduto começa a ser construído em 1997. Segundo previsões da
Petrobrás, o primeiro trecho - de Corumbá a Campinas - no final de 1998, e o
segundo trecho - de Campinas a Canoas - no final de 1999. Embora as tubulações
permitam o transporte de até 30 milhões de m3 de gás por dia em parte
do trajeto, o contrato inicial prevê 8 milhões de m3 por dia. Há um
plano graual de importação que pretende alcançar, no oitavo ano de operação, 16
milhões de m3 por dia, o equivalente a 100 mil barris de petróleo por
dia. Esse volume permanecerá estável até o 200, quando expira o
contrato. O gasoduto Brasil- Bolívia é considerado um dos maiores projetos de
infra estrutura do mundo, orçado em US$ 1,88 bilhão. Tem participação acionária
de companhias brasileiras, bolivianas e de empresas internacionais.
ÁLCOOL-
Em 1996 são produzidos 14.134.000 m3 de
álcool etílico no Brasil. A taxa de consumo fica em 14.965.000 m 3.
Para suprir o déficit são importados 1.621.000m3 (incluído metanol).
Segundo o Ministério das Minas e Energia, o álcool responde por combustível
consumido no território nacional, vindo logo em seguida ao óleo diesel (46,7%) e
à gasolina automotiva (29,1%). Abastece cerca de 25% dos automóveis existentes
no país. A produção de novos carros movidos a álcool, no entanto, tem
decrescido. Em 1997, até setembro, foram fabricados apenas 1.044 carros a álcool
de um total de 1.597.872 produzidos em todo o território.
SUBSÍDIOS-
O álcool ganha importância como combustível a
partir de 1975, quando tem início o Proálcool (Programa da Álcool) como resposta
à crise do petróleo de 1973. À medida que o preço da gasolina se estabiliza,
começam a ser necessários subsídios para compensar o aumento dos custos da
produção do álcool. Em 1997 ainda vigora o subsídio cruzado em que cada litro de
gasolina custa R$ 0,09 mais caro para financiar o álcool. Para tentar
revitalizar o álcool como combustível, o governo cria, em agosto de 1997, a
Comissão Interministerial do Álcool. Entre as medidas em estudo estão o aumento
do porcentual de álcool misturado à gasolina (que em 1997 é de 22%) e sua adição
ao diesel.