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Algumas espécies
humanas primitivas viveram na China antes do início da civilização
chinesa. Aí viveu o homem de Pequim, há cerca de 375 mil anos.
Muitos cientistas acreditam que o homem de Pequim tenha sido o
ancestral de alguns povos asiáticos, inclusive do povo chinês.
Os historiadores consideram a China um dos quatro berços da
civilização. Outras civilizações antigas desenvolveram-se no
Oriente Médio, no Egito e no vale do Indo, no sul da Ásia, onde
se localiza atualmente o Paquistão.
As primeiras civilizações chinesas surgiram há quatro mil anos
aproximadamente. Os grandes desertos e montanhas da Ásia isolaram
essas culturas e, provavelmente, dificultaram o contato com outras
civilizações antigas.
As Primeiras Dinastias. Os registros mais antigos da história
chinesa são as escritas primitivas feitas em ossos. Essa escrita
se utilizava de desenhos simples para representar palavras.
Tornou-se a base da língua chinesa escrita.
Com a realização de escavações arqueológicas, os cientistas
encontraram ossos e outros vestígios de uma cultura chinesa
antiga no vale do Huang-Ho. Essa cultura foi chamada de dinastia
Chang, pois esse era o nome da família dos governantes. A
dinastia Chang surgiu aproximadamente em 1500 a.C. Os antigos
escritores chineses falavam de um outro reino, a dinastia Hsia,
mas talvez não passe de uma lenda.
Quando a dinastia Chang atingiu seu apogeu, surgiu uma outra
dinastia. Essa nova dinastia, de nome Tcheu, floresceu nos
vales do Huang-Ho e do rio Wei, no oeste. Mais ou menos no ano
1027 a.C., a dinastia Chang já fora subjugada por guerreiros
tcheus.
A dinastia Tcheu governou a China de 1027 a.C. até 250 a.C.,
aproximadamente. Confúcio (551-479 a.C.), o grande filósofo chinês,
viveu nesse período. Durante a dinastia Tcheu, formaram-se
diversos governos locais poderosos que lutaram entre si até
enfraquecer o império. Finalmente, a dinastia Tcheu foi substituída
pela Tsin.
A dinastia Tsin reinou apenas de 221 a.C. até 206 a.C., mas
realizou grandes mudanças na China. Seu imperador, Che Huang-Ti
(259-210 a.C.), foi o primeiro grande ditador chinês. Eliminou os
vários Estados da China e substituiu os governos locais pelo
primeiro governo central forte do país. Para afastar os invasores
vindos do resto da Ásia, construiu a Grande Muralha da China,
ligando os trechos menores já feitos pelos governantes
anteriores. A dinastia Tsin acabou em 206 a.C., logo depois da
morte do primeiro imperador.
O Início do Império Chinês. A dinastia Han, que começou em 202
a.C., substituiu a dinastia Tsin. Os han governaram nos 400 anos
seguintes, com algumas interrupções. No primeiro período da
dinastia, os guerreiros han lutaram contra as tribos nômades que
viviam pouco além das fronteiras norte e oeste da China. Mais ou
menos no ano 100 a.C., os exércitos han já haviam derrotado
essas tribos e ocupado seus territórios. O Império Chinês, então,
se igualou ao Império Romano em extensão e em poder. O comércio
entre essas duas grandes potências tornou-se bastante ativo.
Tapetes persas ornamentavam o palácio do imperador han e as
mulheres dos nobres romanos vestiam seda chinesa.
De 8 d.C. a 23 d.C., um oficial rebelde han controlou a dinastia,
que ele rebatizou com o nome de Hsin. Mas cerca de 25 d.C.,
a dinastia Han reconquistou o poder. As artes, a educação e as
ciências se desenvolveram muito nesse segundo período han.
Inventou-se o papel. Os sábios chineses viajaram por quase todo o
mundo de então e introduziram na China o budismo, trazido da Índia.
Os escritores chineses escreveram muitas histórias e dicionários,
e colecionavam clássicos da literatura de períodos mais antigos
ainda. Mas as disputas entre os generais chineses e os funcionários
do governo enfraqueceram o poderio han. Por volta de 220 d.C., a
dinastia Han já havia acabado.
Durante quase 400 anos, a China voltou a constituir um imenso
aglomerado de Estados autônomos. Entre 589 e 618, a dinastia Sui
controlou a China como um reino unido.
Os exércitos sui tentaram conquistar a Coréia e a Manchúria a
fim de expandir o império chinês. Mas os chineses sofreram uma
grande derrota. Conseqüentemente, o povo chinês ficou
profundamente insatisfeito e uma revolta pôs fim à dinastia Sui.
A dinastia Tang chegou ao poder em 618. Muitos historiadores
consideram o período tang como a era de ouro da civilização
chinesa. A capital, a cidade de Tchang-Ngan (atual Si-Ngan),
tornou-se um dos centros culturais do mundo. Poetas, artistas, músicos,
sábios e cientistas de toda a China e de muitos outros países aí
se reuniam. Durante o período tang, os poderosos exércitos
ampliaram o império chinês. Porém, as guerras constantes com os
povos vizinhos enfraqueceram os exércitos tang. Por volta de 907,
a dinastia Tang havia acabado.
A dinastia Sung assumiu o controle da China aproximadamente em
960. As artes, a literatura e as ciências experimentaram um novo
ciclo de intenso desenvolvimento na China, durante essa dinastia.
As invenções chinesas desse período compreendem a bússola magnética,
a pólvora e o tipo móvel para a imprensa. Apesar da dinastia
Sung não contar com uma poderosa máquina de guerra, governou a
China até 1279.
A
Invasão Mongol
Durante o século XIII, guerreiros mongóis, provenientes do
norte, invadiram a China. Os chineses não podiam competir com os
mongóis, e a China, como a maior parte da Ásia, foi submetida à
dominação mongol. Kubilai Khan (1216-1294) criou a dinastia Yuan
como um ramo do império mongol.
A China intensificou o comércio com outros países durante essa
dinastia. Muitos comerciantes europeus empreenderam a longa viagem
até o Extremo Oriente. Marco Polo, filho de um comerciante de
Veneza que fizera essa viagem, percorreu grande parte da China
entre 1275 e 1292. Voltou à sua terra contando histórias
fabulosas sobre o país rico e muito desenvolvido que ele chamou
de Catai e que hoje é chamado de China. Os chineses
se revoltaram contra os mongóis durante o século XIV e
expulsaram-nos da China. Em 1368, a dinastia Ming conquistou o
poder. No período Ming, que durou quase 300 anos, a arte e a
literatura da China voltaram a experimentar outro período de
grande desenvolvimento.
A
Dinastia Manchu
Os manchus invadiram o norte da China em 1644 e derrotaram a
dinastia Ming. Estabeleceram a dinastia Manchu e governaram até
1912.
Durante a maior parte dos 150 primeiros anos de governo da
dinastia Manchu, a China permaneceu isolada do mundo ocidental. Os
manchus obrigaram os comerciantes e missionários europeus a sair
do país. Até por volta de 1800, o período de governo da
dinastia Manchu havia sido um período estável, mas sem o mesmo
desenvolvimento da arte e da literatura.
No início do século XIX, as potências imperialistas da Europa já
haviam construído imensos impérios coloniais. Grã-Bretanha,
França, Países Baixos, Portugal e Espanha governavam quase 1/3
da Ásia. Estas potências imperialistas controlavam o comércio
entre a Ásia e o Ocidente. Mas a dinastia Manchu havia fechado a
China, com exceção do porto de Cantão, a toda espécie de comércio
com as potências colonialistas.
Cantão tornou-se um importante centro de comércio entre a China
e o Ocidente. Um dos principais produtos levados para a China por
comerciantes ocidentais foi o ópio, uma droga que passou a ser
muito consumida no país. Depois que a dinastia Manchu proibiu a
importação de ópio, o contrabando da droga tornou-se um negócio
lucrativo para os comerciantes ocidentais, principalmente os britânicos.
Os "Tratados Desiguais". O contrabando de ópio foi um
dos muitos assuntos que levou à deflagração da guerra entre a
Grã-Bretanha e a China em 1839. Naquele ano, oficiais chineses
tentaram acabar com o comércio de ópio. Apreenderam uma
quantidade ilegal da droga equivalente a milhões de dólares,
pertencente a comerciantes ingleses, em Cantão. A Grã-Bretanha
declarou guerra à China. A causa fundamental da Guerra do Ópio
foi o desejo dos comerciantes britânicos de reconquistar o
mercado de ópio perdido. Os britânicos também desejavam obter
da China outros direitos, visando a um comércio lucrativo.
A Grã-Bretanha ganhou a chamada Guerra do Ópio, que
terminou em 1842 com a assinatura do Tratado de Nanquim. Esse
tratado foi o primeiro dos que os chineses chamaram de Tratados
Desiguais. O Tratado de Nanquim dava à Inglaterra direitos de
comerciar nos portos de Amoy, Cantão, Fu-Tcheu, Ning-Po e Xangai.
A Grã-Bretanha também obteve Hong Kong como colônia. A China
teve que pagar à Grã-Bretanha as despesas da guerra e o valor do
ópio apreendido aos comerciantes britânicos.
A França, a Rússia e as outras potências imperialistas alegavam
que o Tratado de Nanquim dava à Grã-Bretanha o controle total do
comércio entre a China e o Ocidente. Os E.U.A. pressionaram os
chineses a acabar com o monopólio comercial da Grã-Bretanha e a
dar direitos de comércio as outras potências imperialistas. Por
volta de 1844, diversos países mantinham comércio com a China.
Em 1858 e 1860, novas guerras resultaram em novos tratados que
abriram ainda mais os portos chineses ao comércio mundial,
contribuindo para aumentar ainda mais a submissão da China às
potências imperialistas. Esses tratados também legalizaram o comércio
de ópio. Os britânicos acrescentaram Kieu-Long a Hong Kong e a Rússia
recebeu todo o território controlado pelos chineses ao norte do
rio Amur e a leste do rio Ussuri.
Rebeliões
na China
Houve diversas rebeliões entre o povo chinês. Uma das mais
importantes, a Rebelião de Tai-Ping, durou de 1850 a 1864.
Inicialmente motivada por questões religiosas, ela acabou
adquirindo uma conotação nacionalista contra a submissão da
China às potências imperialistas, quase derrubando a dinastia
Manchu. Milhões de chineses morreram antes que os manchus
controlassem a revolta. Vários mercenários ocidentais auxiliaram
a dinastia Manchu a reprimir esta rebelião, entre esses mercenários,
encontravam-se Charles "Chinês" Gordon, um oficial inglês,
e Frederick Townsend Ward, um norte-americano.
Na década de 1890, a oposição à situação de submissão da
China às potências imperialistas cresceu bastante por conta dos
Tratados Desiguais. Os chineses que se opunham a essa situação
formaram organizações secretas cujo objetivo era acabar com a
submissão. Essas sociedades receberam imenso apoio do povo chinês.
A
Guerra dos Boxers
Em 1900, as sociedades
secretas começaram uma campanha de terror contra os ocidentais e
cristãos chineses. Os rebeldes tinham ajuda de unidades de milícia
e a aprovação não-declarada da dinastia Manchu. A insurreição
tornou-se conhecida como a Guerra dos Boxers. O nome
originou-se de Boxers, uma das principais sociedades
secretas. Os membros da sociedade dos Boxers praticavam exercícios
de antigos cerimoniais chineses que se assemelhavam a uma luta de
boxe com um oponente imaginário. O objetivo dos Boxers era
libertar a China da dominação imperialista.
Durante a revolta dos Boxers, nenhum ocidental tinha segurança no
norte da China, onde a revolta foi mais violenta. Bandos de
rebeldes matavam ou torturavam alguns comerciantes, missionários
e diplomatas europeus. Em represália, uma força expedicionária
internacional composta por britânicos, franceses, alemães,
russos e japoneses invadiu a China, submetendo o país e impondo o
reconhecimento de todas as concessões já feitas às potências
imperialistas.
A
Queda da Dinastia Manchu
As insurreições
enfraqueceram muito o poderio da dinastia Manchu na China. Em
1894-1895, a China perdeu Taiwan numa guerra com o Japão e foi
forçada a reconhecer a independência da Coréia. A Alemanha, a
França, a Inglaterra e a Rússia obrigaram então os manchus a
concederem maiores direitos de comércio e a doarem mais territórios.
Os EUA temiam que as potências européias monopolizassem o comércio
com a China. Em 1899 e 1900, o secretário de Estado
norte-americano John Hay exigiu que todas as potências
imperialistas com direitos na China garantissem a independência
do país. Seu objetivo era manter o mercado consumidor da China
aberto aos produtos industrializados norte-americanos. Em troca
dessas garantias, Hay pediu à China para manter seus portos
abertos ao comércio com o Ocidente. A China e as potências
imperialistas da Europa concordaram e assinaram tratados que
punham essa política em prática. Essa política tornou-se
conhecida pelo nome de Política de Portas Abertas, e
contribuiu para a manutenção da submissão da China às potências
imperialistas.
A
República da China
Diversos grupos rebeldes
tentaram depor a dinastia Manchu, mas o governo conseguiu derrotá-los.
No início do século XX, surgiu um movimento nacionalista hostil
à dinastia Manchu e à dominação das potências imperialistas,
sob a direção de Sun Yat-Sen. Depois, em 10 de outubro de 1911,
um exército revolucionário estacionado próximo de Han-Keu
insurgiu-se contra o governo. Mais ou menos no final do ano, os
rebeldes controlavam a maior parte da metade sul da China. No mês
de dezembro daquele ano, os líderes da revolta se reuniram em
Nanquim e estabeleceram a República da China. Sun Yat-Sen, o
principal líder do movimento, foi nomeado presidente da República.
O novo governo republicano começou a controlar oficialmente o sul
da China em 1912. Tentou assumir o controle do norte do país
através de um acordo secreto com funcionários dissidentes da
dinastia Manchu. Obedecendo ao acordo, Sun Yat-Sen passou o cargo
de presidente para Yuan Che Kai, um líder militar chinês do exército
manchu. Em troca, Yuan tinha que depor o imperador manchu Pu-Yi,
que tinha seis anos e foi o último imperador da China. Yuan Che
Kai cumpriu o acordo, mas implantou uma ditadura no norte da
China. Sun Yat-Sen e os outros nacionalistas, que haviam formado o
Kuomintang (Partido Nacionalista), novamente se insurgiram. A
insurreição fracassou, e os líderes nacionalistas fugiram para
o Japão em 1913.
A
Primeira Guerra Mundial (1914-1918)
A China não teve uma
participação ativa na Primeira Guerra Mundial, embora tenha
ficado ao lado da Tríplice Entente em 1917. A Alemanha tinha
direitos ferroviários e de mineração na China, e os navios alemães
usavam os portos chineses. O Japão fez acordos secretos com a
França e com outros Aliados, e apossou-se das propriedades alemãs
e de partes da província de Chan-Tung. Ao final da guerra, o
Tratado de Versalhes permitiu que os japoneses conservassem os
direitos que anteriormente pertenciam aos alemães em Chan-Tung.
Conseqüentemente, a China se recusou a assinar esse tratado de
paz.
A
Guerra Civil
Yuan Che Kai tentou se
estabelecer como imperador, mas não o conseguiu. Morreu em 1916,
deixando a China sem um chefe de Estado efetivo. Os líderes
militares locais governavam a China e lutavam entre si pelo poder.
Sun Yat-Sen continuou a trabalhar para obter uma unidade. Em 1922,
foi fundado o Partido Comunista Chinês (PCC). Em 1923, a U.R.S.S.
apoiou o Kuomintang de Sun Yat-Sen enviando dinheiro, armas e
conselheiros militares. A U.R.S.S. procurou estabelecer uma aliança
entre o Kuomintang e o Partido Comunista Chinês. Quando Sun
Yat-Sen morreu, Chang Kai-Chek assumiu o comando dos exércitos
conjuntos de rebeldes nacionalistas e comunistas. Em março de
1927, os rebeldes conquistaram Xangai e a parte inferior do vale
do Yang-Tse. Em abril desse mesmo ano, Chang Kai-Chek voltou-se
contra os comunistas e assassinou muitos de seus líderes. O PCC,
sob a liderança de Mao Tsé-Tung e Chu Teh, retirou-se para o
campo a fim de reorganizar suas bases de apoio. Em junho de 1928,
os nacionalistas conquistaram Pequim, unindo o norte e o sul da
China sob um único governo.
Guerra
com o Japão
Em 1931, o Japão ocupou
a Manchúria (atual nordeste da China) e transformou-a num Estado
fantoche, chamado Manchukuo (País dos Manchus), cujo
governante era Pu-Yi, o último imperador da China, que ficara
aprisionado na cidade proibida desde a proclamação da República,
em 1911. Pu-Yi era uma figura decorativa, pois quem detinha o
poder de fato eram os japoneses. O objetivo dos japoneses era
conquistar uma das regiões mais ricas em minérios e combustíveis
fósseis de toda a China. Por volta de 1933, os japoneses já
haviam conquistado a província de Jehol, anexando-a a Manchukuo.
O Japão exigia que a China desse independência às cinco províncias
que formam a planície do norte da China.
Nessa ocasião, a luta entre nacionalistas e comunistas havia
ficado mais intensa. Chang Kai-Chek cedeu à pressão japonesa, a
fim de ganhar tempo em sua luta contra os comunistas. Em 1934, os
nacionalistas deram início a uma campanha militar para esmagar os
comunistas. As tropas do Exército de Libertação Popular de Mao
Tsé-Tung, totalizando mais de cem mil homens, percorreram 9.700
km a pé fugindo das tropas do Kuomintang, restando ao fim de um
ano apenas nove mil soldados. Esta fuga ficou conhecida como a Longa
Marcha.
Em 1937, o Japão declarou guerra total à China, realizando
ataques maciços contra o país. Os líderes do exército
nacionalista não chegavam a um acordo quanto a lutar contra os
japoneses ou contra o exército do PCC. Em dezembro, generais pró-comunistas
aprisionaram Chang Kai-Chek e o mantiveram preso até que ele
concordasse em dar uma trégua aos comunistas.
As tropas japonesas marcharam para a China, encontrando forte
resistência. Mas, por volta de 1939, o Japão já havia
conquistado a maior parte do leste da China e havia obrigado Chang
Kai-Chek a transferir a capital de Nanquim para Tchong-King.
A
Segunda Guerra Mundial (1939-1945)
Depois de conquistar as
regiões mais ricas da China, o Japão deu continuidade à sua
expansão. Em 7 de dezembro de 1941, o Japão atacou a base da
frota naval do pacífico em Pearl Harbor, no Havaí. No dia
seguinte, a China declarou guerra à Alemanha e à Itália e
reuniu-se aos Aliados na Segunda Guerra Mundial.
Os Aliados enviaram auxílio aos chineses. Entretanto, os
japoneses logo interromperam as rotas marítimas que levavam à
China. Operários chineses trabalharam para construir uma estrada
para o envio de suprimentos através da Birmânia até a
"porta dos fundos" da China. Essa rodovia tornou-se a
famosa estrada da Birmânia. Os exércitos chineses
receberam suprimentos essenciais do Ocidente através dessa
estrada até que os japoneses conquistaram esse país. Então, aviões
de carga dos aliados passaram a levar suprimentos para a China
partindo de bases na Índia. Forças chinesas, inglesas e algumas
norte-americanas lutaram em conjunto na Birmânia e em outros
locais do sudeste asiático.
Em 1943, os EUA e a Grã-Bretanha assinaram novos tratados com a
China. Esses tratados punham fim aos Tratados Desiguais da
década de 1840 e consideravam a China como uma grande potência
mundial. Em novembro de 1943, Chang Kai-Chek encontrou-se com o
presidente Franklin D. Roosevelt, dos E.U.A., e com o
primeiro-ministro Winston Churchill, da Grã-Bretanha, no Cairo,
Egito. Os três líderes concordaram que, ao final da guerra, o
Japão deveria ser obrigado a devolver todos os territórios
chineses ocupados.
A
Vitória do PCC
Ao término da Segunda
Guerra Mundial, em 1945, o Exército de Libertação Popular havia
ganho apoio popular e assumido o controle de diversas regiões da
China, enquanto tropas do Exército Vermelho da U.R.S.S. ocuparam
a Manchúria. Quando saíram, os soviéticos deram aos chineses
grandes quantidades de armas e suprimentos capturados dos
japoneses. Bastou que o Japão assinasse a sua rendição para que
a guerra civil na China se agravasse seriamente, caminhando para
um desfecho definitivo.
O Exército de Libertação Popular vencia batalha após batalha.
Em abril de 1949, conquistaram Nanquim, que havia novamente se
tornado a capital dos nacionalistas. Os nacionalistas retiraram-se
para Cantão e depois para a ilha próxima de Taiwan. Aí, sob o
comando de Chang Kai-Chek, fundaram a República da China
Nacionalista, também conhecida como Taiwan.
A
República Popular da China
Depois de 22 anos de
guerra civil, com breves interrupções, o Exército de Libertação
Popular, liderado por Mao Tsé-Tung, finalmente saiu vitorioso. Em
1° de outubro de 1949, foi proclamada a República Popular da
China. À frente do governo, como presidente, estava Mao Tsé-Tung.
Liu Chao-Chi tornou-se vice-presidente. Chu En-Lai foi nomeado
primeiro-ministro e assumiu o controle de todos os departamentos e
ministérios do governo. Liu substituiu Mao na Presidência em
1959, mas Mao permaneceu como chefe do PCC.
A República Popular da China estabeleceu uma aliança formal com
a U.R.S.S. em 1950. Em pouco tempo, a China havia estabelecido
relações diplomáticas com todos os países do bloco soviético,
bem como com a Birmânia, a Grã-Bretanha, a Índia e a Indonésia.
Mas muitos outros países, inclusive o Brasil, continuavam a
reconhecer os nacionalistas de Taiwan como o governo legal da
China.
Em 1953, o PCC passou a implementar o programa econômico de tipo
soviético, isto é, planejamento centralizado da atividade econômica,
propriedade estatal dos meios de produção e a adoção de planos
qüinqüenais, com ênfase na industrialização do país e no
aumento da produção agrícola.
O governo assumiu o controle de todas as indústrias, ferrovias e
jornais da China. Também desapropriou muitas propriedades de
fazendeiros ricos, distribuindo as terras entre os agricultores.
Mas estes tinham que transformar suas terras em cooperativas agrícolas
e praticar a agricultura coletiva. Como resultado da coletivização
das terras, implantaram-se gradativamente as comunas populares,
que seguiam, em linhas gerais, o modelo dos Kolkhozes soviéticos.
Ao final do primeiro plano qüinqüenal, em 1957, o Estado
controlava toda a agricultura e todas as indústrias. O plano
melhorou bastante a situação econômica da China. A indústria
cresceu em mais de 10% ao ano, entre 1953 e 1957. A produção de
aço aumentou em mais de 300% no mesmo período. Avanços
pequenos, mas significativos, ocorreram na produção agrícola.
O
"Grande Salto à Frente" (1957-1961)
Em 1957, os chineses começaram
o segundo plano qüinqüenal, conhecido como o Grande Salto à
Frente. Esse plano incitava os chineses a duplicar a produção
industrial, especialmente das indústrias de base, como as siderúrgicas.
O objetivo maior do Grande Salto à Frente era, como o próprio
nome sugere, saltar, queimar etapas do processo de consolidação
do modo de produção socialista na China, através da instalação
de um parque industrial amplo e diversificado, segundo a alegação
dos burocratas. Em outras palavras, com o Grande Salto à
Frente pretendia-se que a China deixasse de ser um país
basicamente agrícola e se tornasse um país industrializado num
curto espaço de tempo. Para viabilizar este objetivo, o Estado
passou a dar prioridade aos investimentos no setor de base da
atividade econômica (extração mineral, siderurgia e petroquímica),
na indústria de armamentos e em obras de infra-estrutura que
dessem sustentação ao processo de industrialização. Muito
contribuiu para esta crença a experiência da U.R.S.S. Os
trabalhadores chineses construíram milhares de pequenas fornalhas
para produzir ferro-gusa, muitas delas em quintais de residências.
O ferro produzido nessas fornalhas era de qualidade tão ruim que
grande parte não foi utilizada.
Em 1958, o governo começou a fundir as fazendas coletivas,
transformando-as em enormes comunas. No entanto, depois de um ano
de excelentes colheitas, as safras fracassaram nos três anos
seguintes. Em 1962, o Estado finalmente admitiu que o Grande
Salto à Frente havia falhado.
Ação
Militar
Em outubro de 1950,
tropas do Exército de Libertação Popular invadiram e ocuparam o
Tibet, que tornou-se uma região autônoma da China em 1965. Em
outubro, as tropas do Exército de Libertação Popular aliaram-se
aos norte-coreanos que lutavam contra as forças da Organização
das Nações Unidas, na Coréia. A China também ajudou os
comunistas da Indochina a lutar contra os franceses.
Logo depois do final da Guerra da Indochina, em 1954, os
comunistas chineses começaram a bombardear as ilhas ocupadas
pelos nacionalistas. As forças nacionalistas retiraram-se das
ilhas de Tachen e Nanchi, em 1955. Em 1958, a artilharia chinesa
atacou Quemoy e Matsu, duas outras ilhas ocupadas pelos
nacionalistas. A República Popular da China ameaçou, repetidas
vezes, invadir Taiwan, o principal reduto nacionalista.
Mais ou menos na década de 1960, a China já era novamente uma
importante potência mundial. Em 1962, como resultado de uma séria
disputa de fronteira, os exércitos chineses penetraram bastante
na Índia. A Índia resistiu e pediu ajuda a outras nações. As
forças chinesas retiraram-se finalmente.
Durante a década de 1960, a China deu início a um programa de
larga escala de auxílio econômico e militar a muitos países asiáticos,
africanos e latino-americanos. Conselheiros chineses ajudaram a
treinar os exércitos de Cuba, do Vietnã do Norte e da Indonésia.
A China fornecia armas e equipamentos aos rebeldes comunistas em
algumas localidades da África e da Ásia.
Cisão
com a U.R.S.S.
Em 1956, o secretário-geral
do Partido Comunista da União Soviética (PCUS), Nikita S.
Kruschev, anunciou uma política de "coexistência pacífica"
com o bloco capitalista. A U.R.S.S. recusou-se a apoiar a invasão
chinesa à Índia. Os líderes chineses acusaram Kruschev de estar
abandonando os objetivos comunistas. O presidente Mao Tsé-Tung
declarou que a guerra com o bloco capitalista era inevitável e
acusou a U.R.S.S. de estar com medo do "tigre de papel"
(o bloco capitalista). A China e a U.R.S.S. entraram em desacordo
com relação às fronteiras chinesas com a Mongólia e com a própria
U.R.S.S. Discordaram também sobre a política adotada em relação
a outros países socialistas, como a Albânia, a Polônia e Cuba.
Em 1964, Chu En-Lai afirmou que a China estabeleceria seu próprio
bloco de países socialistas. Em 1969, a China e a U.R.S.S.
mantiveram diversos conflitos de fronteiras.
Na verdade, o que estava em jogo era que Nikita S. Kruschev havia
tentado enquadrar a República Popular da China nas diretrizes de
Moscou e isso provocou o rompimento entre a China e a U.R.S.S.
Afinal, desde a década de 1930, o PCC havia estabelecido uma
verdadeira autonomia em relação à U.R.S.S. A Guerra no Vietnã
começou a se agravar no início de 1965, quando as forças
norte-americanas uniram-se às sul-vietnamitas para bombardear as
bases vietcongues. A China apoiou os vietcongues com armas e
consultores militares.
Os chineses explodiram sua primeira bomba atômica em 1964, e a
primeira bomba de hidrogênio em 1967. Em 1970, a China realizou
com sucesso o teste do seu primeiro míssil intercontinental com
ogiva nuclear e lançou o seu primeiro satélite espacial.
A
Revolução Cultural (1966-1976)
Diante do fracasso do Grande
Salto à Frente, Mao Tsé-Tung buscou consolidar sua posição,
dando início em 1966 à Revolução Cultural, um movimento que
ocasionou a expulsão de seus opositores do PCC e do Estado. Mas a
Revolução Cultural acabou por agravar a crise econômica
provocada pelo Grande Salto à Frente. Esse movimento foi
um esforço de transformação ideológica contra o revisionismo
soviético, uma implacável perseguição dos contra-revolucionários
e uma forma de isolamento econômico em relação ao exterior.
O PCC realizou seu IX Congresso em 1969, no qual o ministro da
Defesa e chefe do Exército de Libertação Popular, Lin Piao, foi
nomeado sucessor de Mao na presidência do partido. Mas Mao Tsé-Tung
acabou entrando em conflito com Lin Piao, e este foi destituído
do comando militar. Em 1972, a China anunciou que Lin morrera num
acidente aéreo, no ano anterior. O desastre ocorreu, segundo a
versão oficial, quando Lin estava fugindo da China para a
U.R.S.S. após uma tentativa de assassinar Mao e de derrubar o
governo.
A
Aproximação com os E.U.A.
Aproveitando-se da cisão entre a China e a U.R.S.S., os E.U.A.
procuraram se aproximar da China. O primeiro passo neste sentido
foi dado em 1971, quando os E.U.A. reviram a sua posição de
reconhecer apenas o governo de Taiwan, e declararam-se favoráveis
à inclusão da República Popular da China como membro da ONU.
Neste mesmo ano, a ONU decidiu pela exclusão da China
Nacionalista e pela admissão da República Popular da China, que
se tornou membro permanente do Conselho de Segurança da ONU. O
segundo passo foi a visita do presidente dos E.U.A., Richard
Nixon, à China em 1972. O objetivo dos E.U.A., com esta aproximação,
era aproveitar as fissuras no bloco soviético para enfraquecê-lo.
Seguindo a sinalização dada pelos E.U.A., em 1974, o Brasil e a
China estabeleceram relações diplomáticas. Em 1975, as
embaixadas da China no Brasil e do Brasil na China entraram em
funcionamento efetivo, com a presença das primeiras delegações
em ambos os países.
A
Morte de Mao Tsé-Tung
Em janeiro de 1976, o
primeiro-ministro Chou En-Lai faleceu. Com isso, a China perdeu o
seu mais habilidoso diplomata e o PCC, o seu arguto conciliador
das várias facções internas. Em setembro, foi a vez de Mao Tsé-Tung
falecer aos 83 anos. A morte de Mao Tsé-Tung deu início a uma
nova fase na disputa pelo poder dentro do PCC. Hua Kuo-Feng
tornou-se primeiro-ministro e presidente do partido, adotando uma
linha política moderada, que se distanciava tanto do grupo de
extrema esquerda, liderado pela viúva de Mao Tsé-Tung, Chiang
Ching, como do grupo mais à direita no espectro partidário,
liderado por Deng Xiao Ping.
Em 1977, ocorreu a reabilitação de Deng Xiao Ping e este começou
a sua ascensão dentro do PCC, colocando o grupo liderado por
Chiang Ching à margem do processo decisório dentro do partido.
A
"Economia Socialista de Mercado"
A ascensão de Deng Xiao
Ping marcou o início do processo de "desmaoização" da
China, com o afastamento dos maoístas do centro de poder decisório
do país. Lentamente, a figura de Mao Tsé-Tung foi perdendo a força
e a aura adquirida após a Revolução Chinesa. Paralelamente,
adotou-se como prioridade a chamada Política das Quatro
Modernizações, que consistia em modernizar a agricultura, a
indústria, a defesa e a ciência e tecnologia.
Em 1978, cerca de 70% da população da China vivia e trabalhava
no meio rural. Logo, a implementação das Quatro Reformas
começou pelo campo, com a abolição das comunas populares, a adoção
da propriedade privada e de práticas e relações sociais de
produção capitalistas. Posteriormente, em 1982, foi a vez das
reformas atingirem o setor industrial, com as indústrias estatais
tendo de se enquadrar dentro das novas diretrizes de aumento de
qualidade dos produtos e redução de preços. Também foi
autorizada a abertura de pequenas empresas, a criação de
empresas mistas (joint ventures) e foram criadas as Zonas
Econômicas Especiais (ZEEs), com o objetivo de atrair o capital
estrangeiro.
Essa
mescla de mecanismos típicos de uma economia de mercado
(propriedade privada, trabalho assalariado, abertura ao capital
estrangeiro) com o regime político de inspiração soviética foi
denominada pelos dirigentes do PCC como a Economia Socialista
de Mercado. Essa foi a maneira encontrada pela cúpula
dirigente do PCC para justificar ideologicamente a introdução
desses mecanismos na economia da China.
O
Massacre da Praça da Paz Celestial (1989)
Ao longo da década de
1980, as reformas econômicas e a abertura ao exterior começaram
a surtir efeito - alguns indesejáveis para o PCC. A economia da
China cresceu a uma taxa média de 9% ao ano ao longo da década
de 1980. A província de Guangdong foi a campeã desse
crescimento. Localizada próximo a Hong Kong, ela foi a mais dinâmica
do país, ostentando uma taxa de crescimento real de 12,5% ao ano
desde 1979. Isso se explica pelo fato dessa província ter avançado
mais na internacionalização e na abertura ao exterior,
propiciadas pela proximidade de Hong Kong, um dos Tigres Asiáticos.
Tanto que o governo chinês assinou um acordo com a Grã-Bretanha
para a devolução de Hong Kong à China em 1º de julho de 1997.
No entanto, as reformas econômicas e a abertura ao exterior não
foram acompanhadas por reformas políticas e abertura interna, o
que criou o seguinte paradoxo: externamente, a China estava cada
vez mais aberta e, internamente, cada vez mais fechada. E, a
partir de 1985, com o programa de abertura política (a glasnost)
iniciado na U.R.S.S. pelo secretário-geral do Partido Comunista
da União Soviética (PCUS), Mikhail Gorbachev, esse paradoxo se
acentuou. Isso fez com que as reivindicações por reforma e
abertura política adquirissem força. Em 1986, ocorreram
protestos de estudantes que foram duramente reprimidos pelo
governo. Mas o ápice dessas reivindicações ainda estava por
vir.
Em maio de 1989, os estudantes começaram uma maratona quase diária
de manifestações pela abertura política, tendo como foco a Praça
da Paz Celestial (Tiananmen), onde estavam sediados os
principais órgãos do governo. Numa clara demonstração de que não
se pretendia realizar uma abertura política, as tropas do Exército
de Libertação Popular reprimiram os manifestantes
implacavelmente. A isto seguiu-se uma onda de repressão contra
todo e qualquer sinal de contestação do PCC.
"Made
in China"
Depois que passou o
mal-estar provocado pela repressão aos estudantes, os negócios
retomaram o seu curso normal na China. Isso ficou bastante claro
no fluxo de investimentos que passou a ter o país como destino,
além do grande número de empresas transnacionais que passaram a
se instalar nas ZEEs em busca da liberdade de ação, do enorme
mercado consumidor da China e, principalmente, da abundante,
disciplinada e barata mão-de-obra disponível. Ao final da década
de 1990, o salário mínimo na China era de 25 dólares por uma
jornada de trabalho de 12 horas diárias. É verdade que,
dependendo do nível de desenvolvimento econômico de cada ZEE, o
valor dos salários podia variar bastante, havendo ZEEs onde os
salários eram muito mais elevados. Mas, ainda assim, estavam
muito abaixo dos salários pagos nos países da União Européia,
no Japão ou nos EUA.
Ao longo da década de 1990, a China experimentou um espantoso
crescimento econômico, principalmente se levarmos em conta que,
após a crise de 1973, o capitalismo passou por um período de
modestas taxas de crescimento econômico. Nesse cenário de crise,
reestruturação e recomposição global do capitalismo, as taxas
de crescimento da China eram uma exceção que destoava. Estes números
podem dar uma idéia mais exata do que isto representava: no ano
de 1993, a China cresceu 13% e recebeu 11 bilhões de dólares de
investimentos estrangeiros; em 1994, a China recebeu 26 bilhões
de dólares de investimentos; no final da década de 1990, as
exportações estavam na casa dos 150 bilhões de dólares. Esse
crescimento vertiginoso e o baixo custo dos produtos, devido à mão-de-obra
extremamente barata, explicam o porquê de os produtos made in
China terem invadido o mercado global.
Mas esse crescimento econômico também gerou o aumento das
desigualdades sociais e regionais, cuja principal conseqüência
foi o deslocamento crescente de pessoas para as ZEEs em busca de
melhores condições de trabalho e vida. Isto fez com que o
governo passasse a restringir o número de pessoas que poderiam
entrar nas ZEEs, como forma de evitar um crescimento desordenado.
Outra conseqüência foi o aumento da inflação.
Ao mesmo tempo em que a economia do país crescia de forma
impressionante, o governo chinês obtinha importantes ganhos
internacionais. O mais importante foi, sem dúvida, a devolução
de Hong Kong ao controle da China em 1º de julho de 1997, fazendo
com que a força econômica deste Tigre Asiático fosse
incorporada à economia chinesa. Também foi acertada com o
governo de Portugal a devolução da colônia portuguesa de Macau
em 1999, o que de fato ocorreu no dia 20 de dezembro desse ano.
Em 19 de fevereiro de 1997, Deng Xiao Ping morreu, e o presidente
da China, Jiang Zemin, tornou-se o dirigente máximo do país.
Numa prova de que estava disposto a continuar o caminho das
reformas econômicas e da abertura ao exterior, iniciado pelo seu
mentor Deng Xiao Ping, Jiang apresentou um plano ambicioso.
Do ponto de vista econômico, o balanço da década de 1990 para a
China havia sido positivo: em 1995, o país cresceu 10,5%; em
1996, 9,6%; e em 1997, 8,5%. Mas, devido à crise do Sudeste Asiático,
iniciada em julho de 1997 na Tailândia, e que atingiu o seu auge
em outubro de 1997 em Hong Kong, as previsões de crescimento do
país em 1998 caíram para 6%. Apesar de não comprometer o
retrospecto da década de 1990, esta previsão mais modesta lançava
dúvidas sobre o futuro da experiência da China e, de uma maneira
mais geral, sobre o futuro das economias do Sudeste Asiático para
o século XXI.
Todo esse crescimento econômico da China, no entanto, trouxe para
o país conseqüências ecológicas gravíssimas. O ar é poluído
pelo carvão, o país não tem esgotos e coleta de lixo
suficientes para atender à população urbana, parte da população
só dispõe de água poluída para beber, e praticamente todos os
grandes rios estão contaminados por produtos tóxicos.
Em junho de 2001, nas comemorações do 80º aniversário do PC
Chinês, Jiang Zemin anunciou que os empresários estariam, a
partir de então, autorizados a entrar no partido. O fato
demonstrou a tentativa do governante chinês em manter o sistema
comunista em meio às grandes mudanças econômicas e sociais por
que passa o país. Novas classes sociais foram criadas nos últimos
anos. Jiang observou que essas classes precisam ser incorporadas
ao partido, para que não causem o seu enfraquecimento. Segundo
ele, os empresários são importantes para "construir o
socialismo com características chinesas".
As
Relações com os EUA
Alguns dias depois de Taiwan anunciar o abandono da política de
"uma só China", em 1999, o governo chinês anunciou que
possui a tecnologia para a fabricação da bomba de nêutron, a
qual tem um poder explosivo relativamente baixo, mas mata com uma
radiação intensa. O anúncio fez com que Taiwan reforçasse a
segurança, temendo uma invasão chinesa. Os EUA, embora reconheçam
o governo de Pequim como legítimo, declararam que qualquer
tentativa de resolver a questão com Taiwan por meios não pacíficos
seria tomada como uma ameaça à paz e à segurança da região do
Pacífico ocidental.
Em novembro de 1999, os governos dos EUA e da China assinaram um
acordo histórico sobre o acesso deste país à Organização
Mundial de Comércio (OMC). Assim, as negociações com a China
passariam a ser feitas segundo as regras do comércio
internacional. A China teve de se adaptar à globalização para
tentar ser aceita na OMC. O país reduziu suas tarifas de importação
e as restrições ao capital estrangeiro. Essa medida beneficiou
os países estrangeiros, mas prejudicou os agricultores chineses
devido ao aumento das importações de produtos agrícolas, o que
deverá provocar um crescente desemprego no campo.
A data para a entrada formal da China na OMC permanecia indefinida
quando um incidente em 2001 afetou a relação entre esse país e
os Estados Unidos. No dia 1º de abril, um avião espião
norte-americano, o EP-3, chocou-se com um caça chinês sobre o
Mar do Sul da China, provocando a morte do piloto chinês. Depois
do acidente, o EP-3 fez um pouso de emergência, sem autorização,
na ilha de Hainan. Os 24 tripulantes norte-americanos foram presos
pelo governo chinês.
Os Estados Unidos recusaram-se a assumir a culpa pelo incidente, e
a China, esperando um pedido formal de desculpas, manteve em seu
poder o avião e os tripulantes. Depois de 11 dias de crise entre
os dois países, a pior desde o massacre da Praça da Paz
Celestial, em 1989, o governo norte-americano enviou uma carta
dizendo estar muito sentido com o acidente, o que foi interpretado
pelos chineses como um pedido de desculpas. Os 24 norte-americanos
foram libertados, mas o avião continuou detido para investigações.
Representantes da direita norte-americana, que não ficaram
satisfeitos com a atitude do governo, chegaram a pedir que o
presidente fosse mais enérgico nas relações com a China,
principalmente no que diz respeito à sua admissão na OMC.
Para piorar ainda mais a relação entre os dois países, no final
de abril de 2001, os Estados Unidos anunciaram a venda de armas
para Taiwan, considerada uma província rebelde pelo governo chinês.
A China julgou a decisão norte-americana uma ofensa à sua
autoridade e soberania.
O
Ingresso na OMC
Superada a crise com os Estados Unidos, no dia 11 de dezembro de
2001, a China tornou-se o 143º país a integrar a OMC. Com a
obrigação de abrir o mercado para produtos e serviços
estrangeiros, já em seu primeiro dia como membro da organização,
o governo chinês anunciou o acesso de bancos de investimentos de
outros países aos seus mercados de capitais e a entrega de licenças
para atividades de seguradoras estrangeiras no país.
Como membro da OMC, uma das maiores preocupações da China é
resolver o impasse com o Japão, que em abril de 2001 havia
imposto obstáculos para a importação de produtos agrícolas,
especialmente os chineses, como o junco e o cogumelo shitake.
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