Resumão

Revisando seus conhecimentos


História
 

A Cultura Chinesa

 

 

Algumas espécies humanas primitivas viveram na China antes do início da civilização chinesa. Aí viveu o homem de Pequim, há cerca de 375 mil anos. Muitos cientistas acreditam que o homem de Pequim tenha sido o ancestral de alguns povos asiáticos, inclusive do povo chinês.

            Os historiadores consideram a China um dos quatro berços da civilização. Outras civilizações antigas desenvolveram-se no Oriente Médio, no Egito e no vale do Indo, no sul da Ásia, onde se localiza atualmente o Paquistão.

            As primeiras civilizações chinesas surgiram há quatro mil anos aproximadamente. Os grandes desertos e montanhas da Ásia isolaram essas culturas e, provavelmente, dificultaram o contato com outras civilizações antigas.

            As Primeiras Dinastias. Os registros mais antigos da história chinesa são as escritas primitivas feitas em ossos. Essa escrita se utilizava de desenhos simples para representar palavras. Tornou-se a base da língua chinesa escrita.

            Com a realização de escavações arqueológicas, os cientistas encontraram ossos e outros vestígios de uma cultura chinesa antiga no vale do Huang-Ho. Essa cultura foi chamada de dinastia Chang, pois esse era o nome da família dos governantes. A dinastia Chang surgiu aproximadamente em 1500 a.C. Os antigos escritores chineses falavam de um outro reino, a dinastia Hsia, mas talvez não passe de uma lenda.

            Quando a dinastia Chang atingiu seu apogeu, surgiu uma outra dinastia. Essa nova dinastia, de nome Tcheu, floresceu nos vales do Huang-Ho e do rio Wei, no oeste. Mais ou menos no ano 1027 a.C., a dinastia Chang já fora subjugada por guerreiros tcheus.

            A dinastia Tcheu governou a China de 1027 a.C. até 250 a.C., aproximadamente. Confúcio (551-479 a.C.), o grande filósofo chinês, viveu nesse período. Durante a dinastia Tcheu, formaram-se diversos governos locais poderosos que lutaram entre si até enfraquecer o império. Finalmente, a dinastia Tcheu foi substituída pela Tsin.

            A dinastia Tsin reinou apenas de 221 a.C. até 206 a.C., mas realizou grandes mudanças na China. Seu imperador, Che Huang-Ti (259-210 a.C.), foi o primeiro grande ditador chinês. Eliminou os vários Estados da China e substituiu os governos locais pelo primeiro governo central forte do país. Para afastar os invasores vindos do resto da Ásia, construiu a Grande Muralha da China, ligando os trechos menores já feitos pelos governantes anteriores. A dinastia Tsin acabou em 206 a.C., logo depois da morte do primeiro imperador.

            O Início do Império Chinês. A dinastia Han, que começou em 202 a.C., substituiu a dinastia Tsin. Os han governaram nos 400 anos seguintes, com algumas interrupções. No primeiro período da dinastia, os guerreiros han lutaram contra as tribos nômades que viviam pouco além das fronteiras norte e oeste da China. Mais ou menos no ano 100 a.C., os exércitos han já haviam derrotado essas tribos e ocupado seus territórios. O Império Chinês, então, se igualou ao Império Romano em extensão e em poder. O comércio entre essas duas grandes potências tornou-se bastante ativo. Tapetes persas ornamentavam o palácio do imperador han e as mulheres dos nobres romanos vestiam seda chinesa.

            De 8 d.C. a 23 d.C., um oficial rebelde han controlou a dinastia, que ele rebatizou com o nome de Hsin. Mas cerca de 25 d.C., a dinastia Han reconquistou o poder. As artes, a educação e as ciências se desenvolveram muito nesse segundo período han. Inventou-se o papel. Os sábios chineses viajaram por quase todo o mundo de então e introduziram na China o budismo, trazido da Índia. Os escritores chineses escreveram muitas histórias e dicionários, e colecionavam clássicos da literatura de períodos mais antigos ainda. Mas as disputas entre os generais chineses e os funcionários do governo enfraqueceram o poderio han. Por volta de 220 d.C., a dinastia Han já havia acabado.

            Durante quase 400 anos, a China voltou a constituir um imenso aglomerado de Estados autônomos. Entre 589 e 618, a dinastia Sui controlou a China como um reino unido.

            Os exércitos sui tentaram conquistar a Coréia e a Manchúria a fim de expandir o império chinês. Mas os chineses sofreram uma grande derrota. Conseqüentemente, o povo chinês ficou profundamente insatisfeito e uma revolta pôs fim à dinastia Sui.

            A dinastia Tang chegou ao poder em 618. Muitos historiadores consideram o período tang como a era de ouro da civilização chinesa. A capital, a cidade de Tchang-Ngan (atual Si-Ngan), tornou-se um dos centros culturais do mundo. Poetas, artistas, músicos, sábios e cientistas de toda a China e de muitos outros países aí se reuniam. Durante o período tang, os poderosos exércitos ampliaram o império chinês. Porém, as guerras constantes com os povos vizinhos enfraqueceram os exércitos tang. Por volta de 907, a dinastia Tang havia acabado.

            A dinastia Sung assumiu o controle da China aproximadamente em 960. As artes, a literatura e as ciências experimentaram um novo ciclo de intenso desenvolvimento na China, durante essa dinastia. As invenções chinesas desse período compreendem a bússola magnética, a pólvora e o tipo móvel para a imprensa. Apesar da dinastia Sung não contar com uma poderosa máquina de guerra, governou a China até 1279.

 

A Invasão Mongol

            Durante o século XIII, guerreiros mongóis, provenientes do norte, invadiram a China. Os chineses não podiam competir com os mongóis, e a China, como a maior parte da Ásia, foi submetida à dominação mongol. Kubilai Khan (1216-1294) criou a dinastia Yuan como um ramo do império mongol.

            A China intensificou o comércio com outros países durante essa dinastia. Muitos comerciantes europeus empreenderam a longa viagem até o Extremo Oriente. Marco Polo, filho de um comerciante de Veneza que fizera essa viagem, percorreu grande parte da China entre 1275 e 1292. Voltou à sua terra contando histórias fabulosas sobre o país rico e muito desenvolvido que ele chamou de Catai e que hoje é chamado de China. Os chineses se revoltaram contra os mongóis durante o século XIV e expulsaram-nos da China. Em 1368, a dinastia Ming conquistou o poder. No período Ming, que durou quase 300 anos, a arte e a literatura da China voltaram a experimentar outro período de grande desenvolvimento.

 

A Dinastia Manchu

            Os manchus invadiram o norte da China em 1644 e derrotaram a dinastia Ming. Estabeleceram a dinastia Manchu e governaram até 1912.

            Durante a maior parte dos 150 primeiros anos de governo da dinastia Manchu, a China permaneceu isolada do mundo ocidental. Os manchus obrigaram os comerciantes e missionários europeus a sair do país. Até por volta de 1800, o período de governo da dinastia Manchu havia sido um período estável, mas sem o mesmo desenvolvimento da arte e da literatura.

            No início do século XIX, as potências imperialistas da Europa já haviam construído imensos impérios coloniais. Grã-Bretanha, França, Países Baixos, Portugal e Espanha governavam quase 1/3 da Ásia. Estas potências imperialistas controlavam o comércio entre a Ásia e o Ocidente. Mas a dinastia Manchu havia fechado a China, com exceção do porto de Cantão, a toda espécie de comércio com as potências colonialistas.

            Cantão tornou-se um importante centro de comércio entre a China e o Ocidente. Um dos principais produtos levados para a China por comerciantes ocidentais foi o ópio, uma droga que passou a ser muito consumida no país. Depois que a dinastia Manchu proibiu a importação de ópio, o contrabando da droga tornou-se um negócio lucrativo para os comerciantes ocidentais, principalmente os britânicos.

            Os "Tratados Desiguais". O contrabando de ópio foi um dos muitos assuntos que levou à deflagração da guerra entre a Grã-Bretanha e a China em 1839. Naquele ano, oficiais chineses tentaram acabar com o comércio de ópio. Apreenderam uma quantidade ilegal da droga equivalente a milhões de dólares, pertencente a comerciantes ingleses, em Cantão. A Grã-Bretanha declarou guerra à China. A causa fundamental da Guerra do Ópio foi o desejo dos comerciantes britânicos de reconquistar o mercado de ópio perdido. Os britânicos também desejavam obter da China outros direitos, visando a um comércio lucrativo.

            A Grã-Bretanha ganhou a chamada Guerra do Ópio, que terminou em 1842 com a assinatura do Tratado de Nanquim. Esse tratado foi o primeiro dos que os chineses chamaram de Tratados Desiguais. O Tratado de Nanquim dava à Inglaterra direitos de comerciar nos portos de Amoy, Cantão, Fu-Tcheu, Ning-Po e Xangai. A Grã-Bretanha também obteve Hong Kong como colônia. A China teve que pagar à Grã-Bretanha as despesas da guerra e o valor do ópio apreendido aos comerciantes britânicos.

            A França, a Rússia e as outras potências imperialistas alegavam que o Tratado de Nanquim dava à Grã-Bretanha o controle total do comércio entre a China e o Ocidente. Os E.U.A. pressionaram os chineses a acabar com o monopólio comercial da Grã-Bretanha e a dar direitos de comércio as outras potências imperialistas. Por volta de 1844, diversos países mantinham comércio com a China. Em 1858 e 1860, novas guerras resultaram em novos tratados que abriram ainda mais os portos chineses ao comércio mundial, contribuindo para aumentar ainda mais a submissão da China às potências imperialistas. Esses tratados também legalizaram o comércio de ópio. Os britânicos acrescentaram Kieu-Long a Hong Kong e a Rússia recebeu todo o território controlado pelos chineses ao norte do rio Amur e a leste do rio Ussuri.

 

Rebeliões na China

            Houve diversas rebeliões entre o povo chinês. Uma das mais importantes, a Rebelião de Tai-Ping, durou de 1850 a 1864. Inicialmente motivada por questões religiosas, ela acabou adquirindo uma conotação nacionalista contra a submissão da China às potências imperialistas, quase derrubando a dinastia Manchu. Milhões de chineses morreram antes que os manchus controlassem a revolta. Vários mercenários ocidentais auxiliaram a dinastia Manchu a reprimir esta rebelião, entre esses mercenários, encontravam-se Charles "Chinês" Gordon, um oficial inglês, e Frederick Townsend Ward, um norte-americano.

            Na década de 1890, a oposição à situação de submissão da China às potências imperialistas cresceu bastante por conta dos Tratados Desiguais. Os chineses que se opunham a essa situação formaram organizações secretas cujo objetivo era acabar com a submissão. Essas sociedades receberam imenso apoio do povo chinês.

 

A Guerra dos Boxers

            Em 1900, as sociedades secretas começaram uma campanha de terror contra os ocidentais e cristãos chineses. Os rebeldes tinham ajuda de unidades de milícia e a aprovação não-declarada da dinastia Manchu. A insurreição tornou-se conhecida como a Guerra dos Boxers. O nome originou-se de Boxers, uma das principais sociedades secretas. Os membros da sociedade dos Boxers praticavam exercícios de antigos cerimoniais chineses que se assemelhavam a uma luta de boxe com um oponente imaginário. O objetivo dos Boxers era libertar a China da dominação imperialista.

            Durante a revolta dos Boxers, nenhum ocidental tinha segurança no norte da China, onde a revolta foi mais violenta. Bandos de rebeldes matavam ou torturavam alguns comerciantes, missionários e diplomatas europeus. Em represália, uma força expedicionária internacional composta por britânicos, franceses, alemães, russos e japoneses invadiu a China, submetendo o país e impondo o reconhecimento de todas as concessões já feitas às potências imperialistas.

 

A Queda da Dinastia Manchu

            As insurreições enfraqueceram muito o poderio da dinastia Manchu na China. Em 1894-1895, a China perdeu Taiwan numa guerra com o Japão e foi forçada a reconhecer a independência da Coréia. A Alemanha, a França, a Inglaterra e a Rússia obrigaram então os manchus a concederem maiores direitos de comércio e a doarem mais territórios.

            Os EUA temiam que as potências européias monopolizassem o comércio com a China. Em 1899 e 1900, o secretário de Estado norte-americano John Hay exigiu que todas as potências imperialistas com direitos na China garantissem a independência do país. Seu objetivo era manter o mercado consumidor da China aberto aos produtos industrializados norte-americanos. Em troca dessas garantias, Hay pediu à China para manter seus portos abertos ao comércio com o Ocidente. A China e as potências imperialistas da Europa concordaram e assinaram tratados que punham essa política em prática. Essa política tornou-se conhecida pelo nome de Política de Portas Abertas, e contribuiu para a manutenção da submissão da China às potências imperialistas.

 

A República da China

            Diversos grupos rebeldes tentaram depor a dinastia Manchu, mas o governo conseguiu derrotá-los. No início do século XX, surgiu um movimento nacionalista hostil à dinastia Manchu e à dominação das potências imperialistas, sob a direção de Sun Yat-Sen. Depois, em 10 de outubro de 1911, um exército revolucionário estacionado próximo de Han-Keu insurgiu-se contra o governo. Mais ou menos no final do ano, os rebeldes controlavam a maior parte da metade sul da China. No mês de dezembro daquele ano, os líderes da revolta se reuniram em Nanquim e estabeleceram a República da China. Sun Yat-Sen, o principal líder do movimento, foi nomeado presidente da República.

            O novo governo republicano começou a controlar oficialmente o sul da China em 1912. Tentou assumir o controle do norte do país através de um acordo secreto com funcionários dissidentes da dinastia Manchu. Obedecendo ao acordo, Sun Yat-Sen passou o cargo de presidente para Yuan Che Kai, um líder militar chinês do exército manchu. Em troca, Yuan tinha que depor o imperador manchu Pu-Yi, que tinha seis anos e foi o último imperador da China. Yuan Che Kai cumpriu o acordo, mas implantou uma ditadura no norte da China. Sun Yat-Sen e os outros nacionalistas, que haviam formado o Kuomintang (Partido Nacionalista), novamente se insurgiram. A insurreição fracassou, e os líderes nacionalistas fugiram para o Japão em 1913.

 

A Primeira Guerra Mundial (1914-1918)

            A China não teve uma participação ativa na Primeira Guerra Mundial, embora tenha ficado ao lado da Tríplice Entente em 1917. A Alemanha tinha direitos ferroviários e de mineração na China, e os navios alemães usavam os portos chineses. O Japão fez acordos secretos com a França e com outros Aliados, e apossou-se das propriedades alemãs e de partes da província de Chan-Tung. Ao final da guerra, o Tratado de Versalhes permitiu que os japoneses conservassem os direitos que anteriormente pertenciam aos alemães em Chan-Tung. Conseqüentemente, a China se recusou a assinar esse tratado de paz.

 

A Guerra Civil

            Yuan Che Kai tentou se estabelecer como imperador, mas não o conseguiu. Morreu em 1916, deixando a China sem um chefe de Estado efetivo. Os líderes militares locais governavam a China e lutavam entre si pelo poder. Sun Yat-Sen continuou a trabalhar para obter uma unidade. Em 1922, foi fundado o Partido Comunista Chinês (PCC). Em 1923, a U.R.S.S. apoiou o Kuomintang de Sun Yat-Sen enviando dinheiro, armas e conselheiros militares. A U.R.S.S. procurou estabelecer uma aliança entre o Kuomintang e o Partido Comunista Chinês. Quando Sun Yat-Sen morreu, Chang Kai-Chek assumiu o comando dos exércitos conjuntos de rebeldes nacionalistas e comunistas. Em março de 1927, os rebeldes conquistaram Xangai e a parte inferior do vale do Yang-Tse. Em abril desse mesmo ano, Chang Kai-Chek voltou-se contra os comunistas e assassinou muitos de seus líderes. O PCC, sob a liderança de Mao Tsé-Tung e Chu Teh, retirou-se para o campo a fim de reorganizar suas bases de apoio. Em junho de 1928, os nacionalistas conquistaram Pequim, unindo o norte e o sul da China sob um único governo.

 

Guerra com o Japão

            Em 1931, o Japão ocupou a Manchúria (atual nordeste da China) e transformou-a num Estado fantoche, chamado Manchukuo (País dos Manchus), cujo governante era Pu-Yi, o último imperador da China, que ficara aprisionado na cidade proibida desde a proclamação da República, em 1911. Pu-Yi era uma figura decorativa, pois quem detinha o poder de fato eram os japoneses. O objetivo dos japoneses era conquistar uma das regiões mais ricas em minérios e combustíveis fósseis de toda a China. Por volta de 1933, os japoneses já haviam conquistado a província de Jehol, anexando-a a Manchukuo. O Japão exigia que a China desse independência às cinco províncias que formam a planície do norte da China.

            Nessa ocasião, a luta entre nacionalistas e comunistas havia ficado mais intensa. Chang Kai-Chek cedeu à pressão japonesa, a fim de ganhar tempo em sua luta contra os comunistas. Em 1934, os nacionalistas deram início a uma campanha militar para esmagar os comunistas. As tropas do Exército de Libertação Popular de Mao Tsé-Tung, totalizando mais de cem mil homens, percorreram 9.700 km a pé fugindo das tropas do Kuomintang, restando ao fim de um ano apenas nove mil soldados. Esta fuga ficou conhecida como a Longa Marcha.

            Em 1937, o Japão declarou guerra total à China, realizando ataques maciços contra o país. Os líderes do exército nacionalista não chegavam a um acordo quanto a lutar contra os japoneses ou contra o exército do PCC. Em dezembro, generais pró-comunistas aprisionaram Chang Kai-Chek e o mantiveram preso até que ele concordasse em dar uma trégua aos comunistas.

            As tropas japonesas marcharam para a China, encontrando forte resistência. Mas, por volta de 1939, o Japão já havia conquistado a maior parte do leste da China e havia obrigado Chang Kai-Chek a transferir a capital de Nanquim para Tchong-King.

 

A Segunda Guerra Mundial (1939-1945)

            Depois de conquistar as regiões mais ricas da China, o Japão deu continuidade à sua expansão. Em 7 de dezembro de 1941, o Japão atacou a base da frota naval do pacífico em Pearl Harbor, no Havaí. No dia seguinte, a China declarou guerra à Alemanha e à Itália e reuniu-se aos Aliados na Segunda Guerra Mundial.

            Os Aliados enviaram auxílio aos chineses. Entretanto, os japoneses logo interromperam as rotas marítimas que levavam à China. Operários chineses trabalharam para construir uma estrada para o envio de suprimentos através da Birmânia até a "porta dos fundos" da China. Essa rodovia tornou-se a famosa estrada da Birmânia. Os exércitos chineses receberam suprimentos essenciais do Ocidente através dessa estrada até que os japoneses conquistaram esse país. Então, aviões de carga dos aliados passaram a levar suprimentos para a China partindo de bases na Índia. Forças chinesas, inglesas e algumas norte-americanas lutaram em conjunto na Birmânia e em outros locais do sudeste asiático.

            Em 1943, os EUA e a Grã-Bretanha assinaram novos tratados com a China. Esses tratados punham fim aos Tratados Desiguais da década de 1840 e consideravam a China como uma grande potência mundial. Em novembro de 1943, Chang Kai-Chek encontrou-se com o presidente Franklin D. Roosevelt, dos E.U.A., e com o primeiro-ministro Winston Churchill, da Grã-Bretanha, no Cairo, Egito. Os três líderes concordaram que, ao final da guerra, o Japão deveria ser obrigado a devolver todos os territórios chineses ocupados.

 

A Vitória do PCC

            Ao término da Segunda Guerra Mundial, em 1945, o Exército de Libertação Popular havia ganho apoio popular e assumido o controle de diversas regiões da China, enquanto tropas do Exército Vermelho da U.R.S.S. ocuparam a Manchúria. Quando saíram, os soviéticos deram aos chineses grandes quantidades de armas e suprimentos capturados dos japoneses. Bastou que o Japão assinasse a sua rendição para que a guerra civil na China se agravasse seriamente, caminhando para um desfecho definitivo.

            O Exército de Libertação Popular vencia batalha após batalha. Em abril de 1949, conquistaram Nanquim, que havia novamente se tornado a capital dos nacionalistas. Os nacionalistas retiraram-se para Cantão e depois para a ilha próxima de Taiwan. Aí, sob o comando de Chang Kai-Chek, fundaram a República da China Nacionalista, também conhecida como Taiwan.

 

A República Popular da China

            Depois de 22 anos de guerra civil, com breves interrupções, o Exército de Libertação Popular, liderado por Mao Tsé-Tung, finalmente saiu vitorioso. Em 1° de outubro de 1949, foi proclamada a República Popular da China. À frente do governo, como presidente, estava Mao Tsé-Tung. Liu Chao-Chi tornou-se vice-presidente. Chu En-Lai foi nomeado primeiro-ministro e assumiu o controle de todos os departamentos e ministérios do governo. Liu substituiu Mao na Presidência em 1959, mas Mao permaneceu como chefe do PCC.

            A República Popular da China estabeleceu uma aliança formal com a U.R.S.S. em 1950. Em pouco tempo, a China havia estabelecido relações diplomáticas com todos os países do bloco soviético, bem como com a Birmânia, a Grã-Bretanha, a Índia e a Indonésia. Mas muitos outros países, inclusive o Brasil, continuavam a reconhecer os nacionalistas de Taiwan como o governo legal da China.

            Em 1953, o PCC passou a implementar o programa econômico de tipo soviético, isto é, planejamento centralizado da atividade econômica, propriedade estatal dos meios de produção e a adoção de planos qüinqüenais, com ênfase na industrialização do país e no aumento da produção agrícola.

            O governo assumiu o controle de todas as indústrias, ferrovias e jornais da China. Também desapropriou muitas propriedades de fazendeiros ricos, distribuindo as terras entre os agricultores. Mas estes tinham que transformar suas terras em cooperativas agrícolas e praticar a agricultura coletiva. Como resultado da coletivização das terras, implantaram-se gradativamente as comunas populares, que seguiam, em linhas gerais, o modelo dos Kolkhozes soviéticos.

            Ao final do primeiro plano qüinqüenal, em 1957, o Estado controlava toda a agricultura e todas as indústrias. O plano melhorou bastante a situação econômica da China. A indústria cresceu em mais de 10% ao ano, entre 1953 e 1957. A produção de aço aumentou em mais de 300% no mesmo período. Avanços pequenos, mas significativos, ocorreram na produção agrícola.

 

O "Grande Salto à Frente" (1957-1961)

            Em 1957, os chineses começaram o segundo plano qüinqüenal, conhecido como o Grande Salto à Frente. Esse plano incitava os chineses a duplicar a produção industrial, especialmente das indústrias de base, como as siderúrgicas.

            O objetivo maior do Grande Salto à Frente era, como o próprio nome sugere, saltar, queimar etapas do processo de consolidação do modo de produção socialista na China, através da instalação de um parque industrial amplo e diversificado, segundo a alegação dos burocratas. Em outras palavras, com o Grande Salto à Frente pretendia-se que a China deixasse de ser um país basicamente agrícola e se tornasse um país industrializado num curto espaço de tempo. Para viabilizar este objetivo, o Estado passou a dar prioridade aos investimentos no setor de base da atividade econômica (extração mineral, siderurgia e petroquímica), na indústria de armamentos e em obras de infra-estrutura que dessem sustentação ao processo de industrialização. Muito contribuiu para esta crença a experiência da U.R.S.S. Os trabalhadores chineses construíram milhares de pequenas fornalhas para produzir ferro-gusa, muitas delas em quintais de residências. O ferro produzido nessas fornalhas era de qualidade tão ruim que grande parte não foi utilizada.

            Em 1958, o governo começou a fundir as fazendas coletivas, transformando-as em enormes comunas. No entanto, depois de um ano de excelentes colheitas, as safras fracassaram nos três anos seguintes. Em 1962, o Estado finalmente admitiu que o Grande Salto à Frente havia falhado.

 

Ação Militar

            Em outubro de 1950, tropas do Exército de Libertação Popular invadiram e ocuparam o Tibet, que tornou-se uma região autônoma da China em 1965. Em outubro, as tropas do Exército de Libertação Popular aliaram-se aos norte-coreanos que lutavam contra as forças da Organização das Nações Unidas, na Coréia. A China também ajudou os comunistas da Indochina a lutar contra os franceses.

            Logo depois do final da Guerra da Indochina, em 1954, os comunistas chineses começaram a bombardear as ilhas ocupadas pelos nacionalistas. As forças nacionalistas retiraram-se das ilhas de Tachen e Nanchi, em 1955. Em 1958, a artilharia chinesa atacou Quemoy e Matsu, duas outras ilhas ocupadas pelos nacionalistas. A República Popular da China ameaçou, repetidas vezes, invadir Taiwan, o principal reduto nacionalista.

            Mais ou menos na década de 1960, a China já era novamente uma importante potência mundial. Em 1962, como resultado de uma séria disputa de fronteira, os exércitos chineses penetraram bastante na Índia. A Índia resistiu e pediu ajuda a outras nações. As forças chinesas retiraram-se finalmente.

            Durante a década de 1960, a China deu início a um programa de larga escala de auxílio econômico e militar a muitos países asiáticos, africanos e latino-americanos. Conselheiros chineses ajudaram a treinar os exércitos de Cuba, do Vietnã do Norte e da Indonésia. A China fornecia armas e equipamentos aos rebeldes comunistas em algumas localidades da África e da Ásia.

 

Cisão com a U.R.S.S.

            Em 1956, o secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética (PCUS), Nikita S. Kruschev, anunciou uma política de "coexistência pacífica" com o bloco capitalista. A U.R.S.S. recusou-se a apoiar a invasão chinesa à Índia. Os líderes chineses acusaram Kruschev de estar abandonando os objetivos comunistas. O presidente Mao Tsé-Tung declarou que a guerra com o bloco capitalista era inevitável e acusou a U.R.S.S. de estar com medo do "tigre de papel" (o bloco capitalista). A China e a U.R.S.S. entraram em desacordo com relação às fronteiras chinesas com a Mongólia e com a própria U.R.S.S. Discordaram também sobre a política adotada em relação a outros países socialistas, como a Albânia, a Polônia e Cuba. Em 1964, Chu En-Lai afirmou que a China estabeleceria seu próprio bloco de países socialistas. Em 1969, a China e a U.R.S.S. mantiveram diversos conflitos de fronteiras.

            Na verdade, o que estava em jogo era que Nikita S. Kruschev havia tentado enquadrar a República Popular da China nas diretrizes de Moscou e isso provocou o rompimento entre a China e a U.R.S.S. Afinal, desde a década de 1930, o PCC havia estabelecido uma verdadeira autonomia em relação à U.R.S.S. A Guerra no Vietnã começou a se agravar no início de 1965, quando as forças norte-americanas uniram-se às sul-vietnamitas para bombardear as bases vietcongues. A China apoiou os vietcongues com armas e consultores militares.

            Os chineses explodiram sua primeira bomba atômica em 1964, e a primeira bomba de hidrogênio em 1967. Em 1970, a China realizou com sucesso o teste do seu primeiro míssil intercontinental com ogiva nuclear e lançou o seu primeiro satélite espacial.

 

A Revolução Cultural (1966-1976)

            Diante do fracasso do Grande Salto à Frente, Mao Tsé-Tung buscou consolidar sua posição, dando início em 1966 à Revolução Cultural, um movimento que ocasionou a expulsão de seus opositores do PCC e do Estado. Mas a Revolução Cultural acabou por agravar a crise econômica provocada pelo Grande Salto à Frente. Esse movimento foi um esforço de transformação ideológica contra o revisionismo soviético, uma implacável perseguição dos contra-revolucionários e uma forma de isolamento econômico em relação ao exterior.

            O PCC realizou seu IX Congresso em 1969, no qual o ministro da Defesa e chefe do Exército de Libertação Popular, Lin Piao, foi nomeado sucessor de Mao na presidência do partido. Mas Mao Tsé-Tung acabou entrando em conflito com Lin Piao, e este foi destituído do comando militar. Em 1972, a China anunciou que Lin morrera num acidente aéreo, no ano anterior. O desastre ocorreu, segundo a versão oficial, quando Lin estava fugindo da China para a U.R.S.S. após uma tentativa de assassinar Mao e de derrubar o governo.

 

A Aproximação com os E.U.A.

            Aproveitando-se da cisão entre a China e a U.R.S.S., os E.U.A. procuraram se aproximar da China. O primeiro passo neste sentido foi dado em 1971, quando os E.U.A. reviram a sua posição de reconhecer apenas o governo de Taiwan, e declararam-se favoráveis à inclusão da República Popular da China como membro da ONU. Neste mesmo ano, a ONU decidiu pela exclusão da China Nacionalista e pela admissão da República Popular da China, que se tornou membro permanente do Conselho de Segurança da ONU. O segundo passo foi a visita do presidente dos E.U.A., Richard Nixon, à China em 1972. O objetivo dos E.U.A., com esta aproximação, era aproveitar as fissuras no bloco soviético para enfraquecê-lo. Seguindo a sinalização dada pelos E.U.A., em 1974, o Brasil e a China estabeleceram relações diplomáticas. Em 1975, as embaixadas da China no Brasil e do Brasil na China entraram em funcionamento efetivo, com a presença das primeiras delegações em ambos os países.

 

A Morte de Mao Tsé-Tung

            Em janeiro de 1976, o primeiro-ministro Chou En-Lai faleceu. Com isso, a China perdeu o seu mais habilidoso diplomata e o PCC, o seu arguto conciliador das várias facções internas. Em setembro, foi a vez de Mao Tsé-Tung falecer aos 83 anos. A morte de Mao Tsé-Tung deu início a uma nova fase na disputa pelo poder dentro do PCC. Hua Kuo-Feng tornou-se primeiro-ministro e presidente do partido, adotando uma linha política moderada, que se distanciava tanto do grupo de extrema esquerda, liderado pela viúva de Mao Tsé-Tung, Chiang Ching, como do grupo mais à direita no espectro partidário, liderado por Deng Xiao Ping.

            Em 1977, ocorreu a reabilitação de Deng Xiao Ping e este começou a sua ascensão dentro do PCC, colocando o grupo liderado por Chiang Ching à margem do processo decisório dentro do partido.

A "Economia Socialista de Mercado"

            A ascensão de Deng Xiao Ping marcou o início do processo de "desmaoização" da China, com o afastamento dos maoístas do centro de poder decisório do país. Lentamente, a figura de Mao Tsé-Tung foi perdendo a força e a aura adquirida após a Revolução Chinesa. Paralelamente, adotou-se como prioridade a chamada Política das Quatro Modernizações, que consistia em modernizar a agricultura, a indústria, a defesa e a ciência e tecnologia.

            Em 1978, cerca de 70% da população da China vivia e trabalhava no meio rural. Logo, a implementação das Quatro Reformas começou pelo campo, com a abolição das comunas populares, a adoção da propriedade privada e de práticas e relações sociais de produção capitalistas. Posteriormente, em 1982, foi a vez das reformas atingirem o setor industrial, com as indústrias estatais tendo de se enquadrar dentro das novas diretrizes de aumento de qualidade dos produtos e redução de preços. Também foi autorizada a abertura de pequenas empresas, a criação de empresas mistas (joint ventures) e foram criadas as Zonas Econômicas Especiais (ZEEs), com o objetivo de atrair o capital estrangeiro.

Essa mescla de mecanismos típicos de uma economia de mercado (propriedade privada, trabalho assalariado, abertura ao capital estrangeiro) com o regime político de inspiração soviética foi denominada pelos dirigentes do PCC como a Economia Socialista de Mercado. Essa foi a maneira encontrada pela cúpula dirigente do PCC para justificar ideologicamente a introdução desses mecanismos na economia da China.

 

O Massacre da Praça da Paz Celestial (1989)

            Ao longo da década de 1980, as reformas econômicas e a abertura ao exterior começaram a surtir efeito - alguns indesejáveis para o PCC. A economia da China cresceu a uma taxa média de 9% ao ano ao longo da década de 1980. A província de Guangdong foi a campeã desse crescimento. Localizada próximo a Hong Kong, ela foi a mais dinâmica do país, ostentando uma taxa de crescimento real de 12,5% ao ano desde 1979. Isso se explica pelo fato dessa província ter avançado mais na internacionalização e na abertura ao exterior, propiciadas pela proximidade de Hong Kong, um dos Tigres Asiáticos. Tanto que o governo chinês assinou um acordo com a Grã-Bretanha para a devolução de Hong Kong à China em 1º de julho de 1997.

            No entanto, as reformas econômicas e a abertura ao exterior não foram acompanhadas por reformas políticas e abertura interna, o que criou o seguinte paradoxo: externamente, a China estava cada vez mais aberta e, internamente, cada vez mais fechada. E, a partir de 1985, com o programa de abertura política (a glasnost) iniciado na U.R.S.S. pelo secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética (PCUS), Mikhail Gorbachev, esse paradoxo se acentuou. Isso fez com que as reivindicações por reforma e abertura política adquirissem força. Em 1986, ocorreram protestos de estudantes que foram duramente reprimidos pelo governo. Mas o ápice dessas reivindicações ainda estava por vir.

            Em maio de 1989, os estudantes começaram uma maratona quase diária de manifestações pela abertura política, tendo como foco a Praça da Paz Celestial (Tiananmen), onde estavam sediados os principais órgãos do governo. Numa clara demonstração de que não se pretendia realizar uma abertura política, as tropas do Exército de Libertação Popular reprimiram os manifestantes implacavelmente. A isto seguiu-se uma onda de repressão contra todo e qualquer sinal de contestação do PCC.

 

"Made in China"

            Depois que passou o mal-estar provocado pela repressão aos estudantes, os negócios retomaram o seu curso normal na China. Isso ficou bastante claro no fluxo de investimentos que passou a ter o país como destino, além do grande número de empresas transnacionais que passaram a se instalar nas ZEEs em busca da liberdade de ação, do enorme mercado consumidor da China e, principalmente, da abundante, disciplinada e barata mão-de-obra disponível. Ao final da década de 1990, o salário mínimo na China era de 25 dólares por uma jornada de trabalho de 12 horas diárias. É verdade que, dependendo do nível de desenvolvimento econômico de cada ZEE, o valor dos salários podia variar bastante, havendo ZEEs onde os salários eram muito mais elevados. Mas, ainda assim, estavam muito abaixo dos salários pagos nos países da União Européia, no Japão ou nos EUA.

            Ao longo da década de 1990, a China experimentou um espantoso crescimento econômico, principalmente se levarmos em conta que, após a crise de 1973, o capitalismo passou por um período de modestas taxas de crescimento econômico. Nesse cenário de crise, reestruturação e recomposição global do capitalismo, as taxas de crescimento da China eram uma exceção que destoava. Estes números podem dar uma idéia mais exata do que isto representava: no ano de 1993, a China cresceu 13% e recebeu 11 bilhões de dólares de investimentos estrangeiros; em 1994, a China recebeu 26 bilhões de dólares de investimentos; no final da década de 1990, as exportações estavam na casa dos 150 bilhões de dólares. Esse crescimento vertiginoso e o baixo custo dos produtos, devido à mão-de-obra extremamente barata, explicam o porquê de os produtos made in China terem invadido o mercado global.

            Mas esse crescimento econômico também gerou o aumento das desigualdades sociais e regionais, cuja principal conseqüência foi o deslocamento crescente de pessoas para as ZEEs em busca de melhores condições de trabalho e vida. Isto fez com que o governo passasse a restringir o número de pessoas que poderiam entrar nas ZEEs, como forma de evitar um crescimento desordenado. Outra conseqüência foi o aumento da inflação.

            Ao mesmo tempo em que a economia do país crescia de forma impressionante, o governo chinês obtinha importantes ganhos internacionais. O mais importante foi, sem dúvida, a devolução de Hong Kong ao controle da China em 1º de julho de 1997, fazendo com que a força econômica deste Tigre Asiático fosse incorporada à economia chinesa. Também foi acertada com o governo de Portugal a devolução da colônia portuguesa de Macau em 1999, o que de fato ocorreu no dia 20 de dezembro desse ano.

            Em 19 de fevereiro de 1997, Deng Xiao Ping morreu, e o presidente da China, Jiang Zemin, tornou-se o dirigente máximo do país. Numa prova de que estava disposto a continuar o caminho das reformas econômicas e da abertura ao exterior, iniciado pelo seu mentor Deng Xiao Ping, Jiang apresentou um plano ambicioso.

            Do ponto de vista econômico, o balanço da década de 1990 para a China havia sido positivo: em 1995, o país cresceu 10,5%; em 1996, 9,6%; e em 1997, 8,5%. Mas, devido à crise do Sudeste Asiático, iniciada em julho de 1997 na Tailândia, e que atingiu o seu auge em outubro de 1997 em Hong Kong, as previsões de crescimento do país em 1998 caíram para 6%. Apesar de não comprometer o retrospecto da década de 1990, esta previsão mais modesta lançava dúvidas sobre o futuro da experiência da China e, de uma maneira mais geral, sobre o futuro das economias do Sudeste Asiático para o século XXI.

            Todo esse crescimento econômico da China, no entanto, trouxe para o país conseqüências ecológicas gravíssimas. O ar é poluído pelo carvão, o país não tem esgotos e coleta de lixo suficientes para atender à população urbana, parte da população só dispõe de água poluída para beber, e praticamente todos os grandes rios estão contaminados por produtos tóxicos.

            Em junho de 2001, nas comemorações do 80º aniversário do PC Chinês, Jiang Zemin anunciou que os empresários estariam, a partir de então, autorizados a entrar no partido. O fato demonstrou a tentativa do governante chinês em manter o sistema comunista em meio às grandes mudanças econômicas e sociais por que passa o país. Novas classes sociais foram criadas nos últimos anos. Jiang observou que essas classes precisam ser incorporadas ao partido, para que não causem o seu enfraquecimento. Segundo ele, os empresários são importantes para "construir o socialismo com características chinesas".

 

As Relações com os EUA

            Alguns dias depois de Taiwan anunciar o abandono da política de "uma só China", em 1999, o governo chinês anunciou que possui a tecnologia para a fabricação da bomba de nêutron, a qual tem um poder explosivo relativamente baixo, mas mata com uma radiação intensa. O anúncio fez com que Taiwan reforçasse a segurança, temendo uma invasão chinesa. Os EUA, embora reconheçam o governo de Pequim como legítimo, declararam que qualquer tentativa de resolver a questão com Taiwan por meios não pacíficos seria tomada como uma ameaça à paz e à segurança da região do Pacífico ocidental.

            Em novembro de 1999, os governos dos EUA e da China assinaram um acordo histórico sobre o acesso deste país à Organização Mundial de Comércio (OMC). Assim, as negociações com a China passariam a ser feitas segundo as regras do comércio internacional. A China teve de se adaptar à globalização para tentar ser aceita na OMC. O país reduziu suas tarifas de importação e as restrições ao capital estrangeiro. Essa medida beneficiou os países estrangeiros, mas prejudicou os agricultores chineses devido ao aumento das importações de produtos agrícolas, o que deverá provocar um crescente desemprego no campo.

            A data para a entrada formal da China na OMC permanecia indefinida quando um incidente em 2001 afetou a relação entre esse país e os Estados Unidos. No dia 1º de abril, um avião espião norte-americano, o EP-3, chocou-se com um caça chinês sobre o Mar do Sul da China, provocando a morte do piloto chinês. Depois do acidente, o EP-3 fez um pouso de emergência, sem autorização, na ilha de Hainan. Os 24 tripulantes norte-americanos foram presos pelo governo chinês.

            Os Estados Unidos recusaram-se a assumir a culpa pelo incidente, e a China, esperando um pedido formal de desculpas, manteve em seu poder o avião e os tripulantes. Depois de 11 dias de crise entre os dois países, a pior desde o massacre da Praça da Paz Celestial, em 1989, o governo norte-americano enviou uma carta dizendo estar muito sentido com o acidente, o que foi interpretado pelos chineses como um pedido de desculpas. Os 24 norte-americanos foram libertados, mas o avião continuou detido para investigações.

            Representantes da direita norte-americana, que não ficaram satisfeitos com a atitude do governo, chegaram a pedir que o presidente fosse mais enérgico nas relações com a China, principalmente no que diz respeito à sua admissão na OMC.

            Para piorar ainda mais a relação entre os dois países, no final de abril de 2001, os Estados Unidos anunciaram a venda de armas para Taiwan, considerada uma província rebelde pelo governo chinês. A China julgou a decisão norte-americana uma ofensa à sua autoridade e soberania.

 

O Ingresso na OMC

            Superada a crise com os Estados Unidos, no dia 11 de dezembro de 2001, a China tornou-se o 143º país a integrar a OMC. Com a obrigação de abrir o mercado para produtos e serviços estrangeiros, já em seu primeiro dia como membro da organização, o governo chinês anunciou o acesso de bancos de investimentos de outros países aos seus mercados de capitais e a entrega de licenças para atividades de seguradoras estrangeiras no país.

            Como membro da OMC, uma das maiores preocupações da China é resolver o impasse com o Japão, que em abril de 2001 havia imposto obstáculos para a importação de produtos agrícolas, especialmente os chineses, como o junco e o cogumelo shitake.

 

 

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