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Resumo de Sintaxe - Parte I

 

 

Resumo de Sintaxe

SINTAXE

Frase, Oração e Período

 

Frase

É todo e qualquer enunciado, do mais simples ao mais complexo, com sentido completo. A frase pode ser:

  1. nominal - a que não possui verbo:

    Socorro!

    Que linda noite de verão!

  2. verbal - a que possui verbo:

Ajudem-no!

A noite está linda!

 

Oração

É o enunciado organizado em torno de um verbo. A principal característica da oração não é o sentido completo (ainda que possa ter), mas sim o verbo:

Ele estuda muito.(Uma oração)

Ele quer que sejamos felizes.(Duas orações)

 

Período

É todo e qualquer enunciado de sentido completo, terminado por pausa gráfica forte e possuindo pelo menos uma oração. O período pode ser:

1. simples - o que só possui uma oração:

Sentíamos o perfume das flores.

  1. composto - o que possui mais de uma oração:

Alguns cantavam e outros dançavam.

Quando ela chegou, não nos disse se tivera êxito.

O período pode ser composto:

  1. por coordenação - quando as orações são independentes:

O diretor chegou, deu algumas ordens, saiu em seguida.

Choveu, porém continua quente.

b) por subordinação - quando as orações estão subordinadas a uma principal:

Chame aquele menino que está brincando.

Não sabemos se ele virá.

 

TERMOS DA ORAÇÃO

 

Sujeito

É o ser (pessoa, animal ou coisa) sobre o qual se faz uma declaração:

Ele está escrevendo cartas.

Núcleo do Sujeito

O núcleo do sujeito é a palavra à qual está ligada a declaração contida no predicado:

Aquela casa branca foi vendida.

 

Classificação do Sujeito

1. SIMPLES - o que possui apenas um núcleo:

Minha irmã foi ao mercado.

Vocês conhecem meu pai?

  1. DESINENCIAL, OCULTO ou ELÍPTICO - o que é determinado pela desinência verbal:

    És um bom amigo. (= Tu).

    Iremos à praia. ( = Nós).

  2. COMPOSTO - o que possui mais de um núcleo:

Pedro e Paulo chegaram agora.

O livro, o caderno, a caneta e a régua estão naquela gaveta.

4. INDETERMINADO - o que não de pode ou não se quer determinar. O verbo pode estar:

a) na 3ª pessoa do plural - equivalente a eles, sem informação a respeito da pessoa:

Quebraram a vidraça.

Observação - na frase "Ela e o irmão saíram cedo; só voltarão à noite", embora o verbo da segunda oração esteja na 3ª pessoa do plural e o sujeito não esteja expresso, sabemos qual é o sujeito, pois o pronome eles nos remete a Ela e o irmão, sujeito da 1ª oração; trata-se apenas de um sujeito desinencial.

  1. na 3ª pessoa do singular (intransitivo, transitivo indireto ou de ligação) com o pronome SE , que será índice de indeterminação do sujeito:

Vive-se bem aqui.

Precisa-se de operários..

Observação - se o verbo for transitivo direto é voz passiva, tem sujeito (simples ou composto) e é preciso fazer concordância:

.

5. ORAÇÃO SEM SUJEITO ou INEXISTENTE - quando a oração é uma simples anunciação de um fenômeno, é a informação da ocorrência ou existência de algo ou apenas a indicação de tempo, quantidade ou distância.

Nesse caso, a estruturação expressiva centra-se em verbo considerado impessoal.

Desta forma, nas situações abaixo os verbos são considerados impessoais e, por conseguinte, a oração não tem sujeito:

a) verbos que indicam fenômenos da natureza:

Anoiteceu..

Observação: caso o verbo indicador de fenômeno meteorológico seja empregado conotativamente, a oração passará a ter sujeito normalmente.

A cidade anoitecia aos poucos (sujeito: a cidade).

  1. verbo haver quando sinônimo de existir ou acontecer, ou ainda indicando
    tempo:

    Havia pessoas no jardim..

    Ele partiu dois anos.

    Observação - o verbo existir não é impessoal:

    Existe um lustre na sala. / Existem lustres na sala.

  2. ser indicando hora, data, quantidade ou distância (único caso de oração sem sujeito em que o verbo pode ficar na 3ª pessoa do plural): 

    É uma hora. / São duas horas.

    É primeiro de outubro. / São vinte de dezembro.

     

    Daqui até lá é um quilômetro. / São muitos quilômetros.

  3. ser, estar, ficar, continuar, fazer, ir, passar, etc. indicando fenômeno da natureza ou tempo decorrido:

    É primavera.

    Estava tão quente!.

    Fez frio. / Fez dois anos que ele partiu.

    Vai para cinco anos que nos conhecemos.

    passa de um ano que trabalho lá.

  4. verbos chegar e bastar seguidos da preposição de indicando ordem ou comando:

Chega de tanta conversa..

Basta de reclamações.

Observação - na locução verbal o auxiliar assume a flexão do verbo principal; sendo impessoal, a locução será impessoal, pois a pessoalidade ou impessoalidade é determinada por ele:

Existem tantas pessoas bondosas! / Devem existir tantas pessoas bondosas! (Verbo pessoal)

muitos meninos na praça. / Deve haver muitos meninos na praça. (Verbo impessoal)

 

PREDICADO

É a declaração que se faz sobre o ser:

Alguns garotos gostam de nadar.

Observação - nas orações com sujeito desinencial, indeterminado ou inexistente (oração sem sujeito), a oração é formada apenas pelo predicado:

Estou cansado.

Gritaram lá fora.

Havia fila diante do cinema.

Predicação Verbal

 

Quanto à predicação o verbo pode ser: intransitivo, transitivo ou de ligação.

1. INTRANSITIVO

É intransitivo o verbo que tem sentido completo, não precisando, portanto, de complemento verbal (objeto). São intransitivos:

chorar

dormir

entrar

voar, etc.

Ex.: O bebê dormiu.

 

2. TRANSITIVO

É transitivo o verbo que não tem sentido completo e por isso precisa de um complemento verbal (objeto). O verbo transitivo divide-se em direto, indireto e direto e indireto:

  1. direto - é o verbo que se liga a seu complemento (objeto direto) sem o auxílio de preposição. São transitivos diretos:

abrir

amar

comprar

ver, etc.

Ex.: O menino contava as balas.

b)indireto - é o verbo que se liga a seu complemento (objeto indireto) com o auxílio de preposição. São transitivos indiretos:

acreditar

concordar

confiar

crer

precisar, etc.

Ex.: Cremos em Deus.

c) direto e indireto - é o verbo que precisa de dois complementos, um sem preposição (objeto direto) e o outro com preposição (objeto indireto). São transitivos diretos e indiretos:

atear

contar (= narrar)

dar

preferir, etc.

Ex.: Conte uma história às crianças.

 

3. DE LIGAÇÃO

É o verbo cuja função é apenas ligar o sujeito a um estado, qualidade ou atributo. É claro que haverá sempre, na oração um nome que representará o estado, a qualidade, ou o atributo. Esse termo chama-se predicativo. Exs.:

Ela é feliz.

Ela é generosa.

Ela é minha irmã.

São verbos de ligação:

andar

continuar

estar

ficar

parecer

permanecer

ser

tornar-se

Lembre-se de que o verbo só é de ligação se estiver acompanhado de predicativo (estado, qualidade ou atributo), caso contrário não terá a função de ligar o sujeito ao predicativo. Será

então classificado como intransitivo:

Ela continua contente (de ligação).

Ela continua na escola (intransitivo).

 

 

Classificação do Predicado

O predicado pode ser verbal, nominal ou verbo-nominal:

  1. verbal - é aquele que tem como núcleo um verbo (intransitivo ou transitivo):

    Maria brincava no parque no parque. (Intransitivo)

    Vocês comeram o bolo? (Transitivo direto)

    Acredito em você. (Transitivo indireto)

    Entregue o embrulho a teu tio. (Transitivo direto e indireto)

  2. nominal - é aquele que tem verbo de ligação e cujo núcleo é um nome, que se chama predicativo:

Elas são enfermeiras.

3. verbo-nominal - é aquele que tem dois núcleos: um verbo (intransitivo ou transitivo) e um nome (predicativo):

Ele chegou febril.

Compramos a casa felizes.

Preciso de você otimista.

Os pais emprestaram o carro a Pedro preocupados o carro a Pedro preocupados.

 

PREDICATIVO

Predicativo é o termo que indica estado, qualidade ou atributo:

 

Ele viajou resfriado.

Ele tornou-se culto.

Ele é vendedor.

 

 

Classificação do Predicativo

  1. predicativo do sujeito - é o que se refere ao sujeito:

    Minha prima está satisfeita.(Minha prima é sujeito).

  2. predicativo do objeto - é o que se refere ao objeto (direto ou indireto):

Encontrei minha prima satisfeita. (Minha prima é objeto direto).

Gosto de minha prima satisfeita. (Minha prima é objeto indireto).

 

 

COMPLEMENTOS DO VERBO

Os complementos do verbo são dois: objeto direto e objeto indireto.

  1. OBJETO DIRETO - é o complemento de verbo transitivo direto e um dos complementos do verbo transitivo direto e indireto; normalmente está ligado ao verbo sem preposição.

Ele quer uma xícara de chá. (Transitivo direto)

Entreguei o presente a João. (Transitivo direto e indireto)

O objeto direto pode ser: pleonástico, cognato ou preposicionado.

1. OBJETO DIRETO PLEONÁSTICO

Por motivos puramente estilísticos, como, por exemplo, para chamar a atenção sobre o próprio objeto direto, pode esse termo aparecer repetido na oração.

Não é exigência verbal, é apenas uma forma enfática que pode ser retirada da oração sem qualquer ônus para o entendimento.

A esse pleonasmo é dado o nome de objeto direto pleonástico, justamente por ser a repetição do objeto direto normal.

Nesse caso, uma das formas é sempre um pronome átono.

Estas belas flores, comprei-as ontem.

Os livros, leio-os saboreando como fruta madura.

 

2. OBJETO DIRETO COGNATO (ou INTERNO)

Pode o verbo intransitivo ser usado transitivamente (sempre transitivo direto, jamais indireto). A mudança de predicação só é possível se usarmos como objeto direto complemento representado por substantivo do mesmo radical do verbo (termo cognato) ou substantivo que pertença ao mesmo grupo de idéias do verbo e é comum que tal complemento venha acompanhado de expressão qualificadora.

"E rir meu riso e derramar meu pranto."

As crianças dormiam um sono tranqüilo.

 

3. OBJETO DIRETO PREPOSICIONADO

Não é raro encontrar o objeto direto precedido de preposição. Nesses casos, a preposição não é exigência do verbo, mas necessidade estrutural do próprio termo núcleo do objeto direto.

Há casos em que o emprego do objeto direto preposicionado é facultativo e outros em que é obrigatório.

Casos em que é facultativo:

a) com pronomes de tratamento:

Estimo a Vossa Senhoria.

  1. quando o objeto direto precede o verbo:

Aos meninos não convidou.

c) quando o objeto direto é nome próprio de pessoa:

Censuraram a Paulo.

  1. quando o objeto direto é composto, sendo o primeiro núcleo um pronome átono:

    Respeita-me e a meus amigos.

  2. quando há idéia de comparação:

    Olhou-te como a um inimigo.

  3. quando há idéia de partitivo:

    Beba do leite.

  4. quando se quer enfatizar o objeto direto:

    Ele sacou da arma.

  5. com pronomes indefinidos:

Elogiamos a todos.

i) com o pronome QUEM se ele não possuir antecedente:

A quem encontraremos na festa?

  1. com numerais:

Sempre trataste aos dois com o mesmo carinho.

 

Casos em que é obrigatório:

a) com o nome Deus com o nome Deus:

Louvamos a Deus.

b) quando houver ambigüidade de sentido quando houver ambigüidade de sentido:

"A mãe ao próprio filho não conheça." (Camões)

c) quando os pronomes pessoais mim, ti, si, nós, vós, ele(s), ela(s) exercem função de objeto direto:

Ele chamou a ti.

 

II. OBJETO INDIRETO - é o complemento de verbo transitivo indireto ou um dos complementos do verbo transitivo direto e indireto; representa o ser ou coisa a que se destina a ação, ou em cujo proveito ou prejuízo a ação se realiza.

Quando não representado por pronome átono, virá obrigatoriamente regido de preposição exigida pelo verbo.

Confie neles.

Entregue este bilhete a Maria.

O objeto indireto pode ser pleonástico.

OBJETO INDIRETO PLEONÁSTICO

Por uma questão de estilo ou quando se quiser realçar o objeto indireto, costuma-se repetir esse termo. Nesse caso, uma das formas é necessariamente um pronome pessoal átono. Ao termo que repete o objeto indireto dá-se o nome de objeto indireto pleonástico.

A ele, dei-lhe todo o meu amor.

Ofereci-lhes, a José e João, nossa ajuda.

Termos da Oração

 

COMPLEMENTO NOMINAL

É o termo que completa o sentido de um nome incompleto do mesmo modo como o objeto completa o verbo. Vem sempre acompanhado de preposição.

O nome completado pelo complemento nominal é um adjetivo, advérbio ou substantivo e é sempre abstrato.

1. completando substantivos:

As crianças têm necessidade de proteção.

Foi realizada a venda da casa?

2. completando adjetivos:

Isso é benéfico ao país.

Estão todos preocupados com você.

3. completando advérbios:

Ele mora perto de Pedro.

Sempre pensamos favoravelmente aos jovens.

 

AGENTE DA PASSIVA

É o termo que, na voz passiva analítica (com auxiliar), designa o ser que realiza a ação verbal da qual o sujeito é o paciente. O agente da passiva vem sempre precedido de preposição:

 

Este quadro foi pintado por Renoir.

Ela é estimada de todos.

O motor é movido a gás.

 

Observações:

  1. Nem sempre o agente da passiva está expresso:

    A janela foi consertada ontem.

  2. O agente da voz passiva sintética jamais está expresso:

Vende-se um barco.

 

Termos da Oração

ADJUNTO ADNOMINAL

É o termo de valor adjetivo que gira em torno de um núcleo substantivo ou substantivado de um outro termo da oração. O adjunto adnominal pode pertencer:

  1. ao sujeito:

    Aquele livro é meu.

  2. ao predicativo:

    Ela é tua amiga?

  3. ao objeto direto:

    Traga o jornal.

  4. ao objeto indireto:

Gosto de sorvete de morango.

5. ao complemento nominal:

Ele tem adoração por esta moça.

6. ao agente da passiva:

A revista será lida por vários alunos.

7. ao aposto:

Aquele é Pedrinho, filho de Maria.

8. ao vocativo:

Meu Deus, ajuda-nos.

 

Observações:

a) Muitas vezes há mais de um adjunto adnominal em torno do mesmo núcleo:

A menina morena é Marta.

Vendi meu carro branco.

b) Os pronomes átonos, quando exercem função de adjunto adnominal, têm valor de possessivos:

Corrigiu-nos os defeitos ( = Corrigiu nossos defeitos).

Tocou-te o rosto ( = Tocou teu rosto).

  1. O adjunto adnominal confunde-se freqüentemente com o complemento nominal, porém devemos nos lembrar de que este último completa nomes abstratos:

Tenho uma caixa de jóias. (Adjunto adnominal)

Tenho pavor de fantasmas.

veja :Classes Gramaticais

 

 

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