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PARÁFRASE
Paráfrase é a reprodução explicativa de um texto ou de unidade
de um texto, por meio de uma linguagem mais longa. Na paráfrase sempre se
conservam
basicamente as idéias do texto original. O
que se inclui são comentários, idéias e impressões de quem faz a paráfrase.
Na escola, quando o professor, ao comentar um texto, inclui outras idéias,
alongando-se em função do propósito de ser mais didático, faz uma paráfrase.
Parafrasear consiste em
transcrever, com novas palavras, as idéias centrais de um texto. O leitor
deverá fazer uma leitura cuidadosa e atenta e, a partir daí, reafirmar
e/ou esclarecer o tema central do texto apresentado, acrescentando aspectos
relevantes de uma opinião pessoal ou acercando-se de críticas bem
fundamentadas. Portanto, a paráfrase repousa sobre o texto-base,
condensando-o de maneira direta e imperativa. Consiste em um excelente exercício
de redação, uma vez que desenvolve o poder de síntese, clareza e precisão
vocabular. Acrescenta-se o fato de possibilitar um diálogo intertextual,
recurso muito utilizado para efeito estético na literatura moderna.
Como ler um texto
Recomendam-se duas leituras. A primeira chamaremos de leitura vertical e a
segunda, de leitura horizontal.
Leitura horizontal é a leitura rápida que tem como finalidade o
contato inicial com o assunto do texto. De posse desta visão geral, podemos
passar para o próximo passo.
Leitura vertical consiste em uma leitura mais atenta; é o
levantamento dos referenciais do texto-base para a perfeita compreensão. É
importante grifar, em cada parágrafo lido, as idéias principais. Após
escrever à parte as idéias recolhidas nos grifos, procurando dar uma redação
própria, independente das palavras utilizadas pelo autor do texto. A esta
etapa, chamaremos de levantamento textual dos referenciais. A redação
final é a união destes referenciais, tendo o redator o cuidado especial de
unir idéias afins, de acordo com a identidade e evolução do texto-base.
Exemplo de paráfrase
Profecias de uma Revolução na Medicina
Há séculos, os professores de segundo grau da Sardenha vêm testemunhando
um fenômenos curioso. Com a chegada da primavera, em fevereiro, alguns de
seus alunos tornam-se apáticos. Nos três meses subseqüentes, sofrem uma
baixa em seu rendimento escolar, sentem-se tontos e nauseados, e adormecem
na sala de aula. Depois, repentinamente, suas energias retornam. E ficam
ativos e saudáveis até o próximo mês de fevereiro.
Os professores sardenhos sabem que os adultos também apresentam sintomas
semelhantes e que, na realidade, alguns chegam a morrer após urinarem uma
grande quantidade de sangue. Por vezes, aproximadamente 35% dos habitantes
da ilha chegam a ser acometidos por este mal.
O Dr. Marcelo Siniscalco, do Centro de Cancerologia Sloan-Kedttering, em
Nova Iorque, e o Dr. Arno G. Motulsky, da Universidade de Washington,
depararam pela primeira vez com a doença em 1959, enquanto desenvolviam um
estudo sobre padrões de hereditariedade e determinaram que os sardenhos
eram vítimas de anemia hemolítica, uma doença hereditária que faz com
que os glóbulos vermelhos do sangue se desintegrem no interior dos veios
sangüíneos. Os pacientes urinavam sangue porque os rins filtram e expelem
a hemoglobina não aproveitada. Se o volume de destruição for mínimo, o
resultado será a letargia; se for aguda, a doença poderá acarretar a
morte do paciente.
A anemia hemolítica pode ter diversas origens. Mas na Sardenha, as experiências
indicam que praticamente todas as pessoas acometidas por este mal têm
deficiência de uma única enzima, chamada deidrogenase fosfo-glucosada-6
(ou G-6-PD), que forma um elo de suma importância na corrente de produção
de energia para as células vermelhas do sangue.
Mas os sardenhos ficam doentes apenas durante a primavera, o que indica que
a falta de G-6-PD da vítima não aciona por si só a doença - que há algo
no meio ambiente que tira proveito da deficiência. A deficiência genética
pode ser a arma, mas um fator ambiental é quem a dispara.
Entre as plantas que desabrocham durante a primavera na Sardenha encontra-se
a fava ou feijão italiano - observou o Dr. Siniscalco. Esta planta não tem
uma boa reputação desde ao ano 500 a.C. , quando o filósofo grego e
reformador político Pitágoras proibiu que seus seguidores a comessem, ou
mesmo andassem por entre os campos onde floresciam. Agora, o motivo de tal
proibição tornou-se claro; apenas aquelas pessoas que carregam o gene
defeituoso e comiam favas cruas ou parcialmente cozidas (ou inspiravam o pólen
de uma planta em flor) apresentavam problemas. todos os demais eram imunes.
Em dois anos, o Dr. Motusky desenvolveu um teste de sangue simples para
medir a presença ou ausência de G-6-PD. Atualmente, os cientistas têm um
modo de determinar com exatidão quem está predisposto à doença e quem não
está; a enzima hemolítica, os geneticistas começaram a fazer a triagem da
população da ilha. Localizaram aqueles em perigo e advertiram-lhes para
evitar favas de feijão durante a estação de floração. Como resultado, a
incidência de anemia hemolítica e de estudantes apáticos começou a
declinar. O uso de marcadores genéticos como instrumento de previsão da
reação dos sardenhos à fava de feijão há 20 anos foi uma das primeiras
vezes em que os marcadores genéticos eram empregados deste modo; foi um
avanço que poderá mudar o aspecto da medicina moderna. Os marcadores genéticos
podem prever agora a possível eclosão de outras doenças e, tal como a
anemia hemolítica, podem auxiliar os médicos a prevenirem totalmente os
ataques em diversos casos. (Zsolt Harsanyi e Richard Hutton, publicado no
jornal O Globo).
Perífrase
Observe:
O povo lusitano foi bastante satirizado por
Gil Vicente.
Utilizou-se a expressão
"povo lusitano" para substituir "os portugueses". Esse
rodeio de palavras que substituiu um nome comum ou próprio chama-se perífrase.
Perífrase é a substituição de um nome
comum ou próprio por um expressão que a caracterize. Nada mais é do que
um circunlóquio, isto é, um rodeio de palavras.
Outros exemplos:
astro rei (Sol) | última flor do Lácio (língua
portuguesa) | Cidade-Luz (Paris)
Rainha da Borborema (Campina Grande) | Cidade Maravilhosa (Rio de Janeiro)
Observação: existe também um tipo
especial de perífrase que se refere somente a pessoas. Tal figura de estilo
é chamada de antonomásia e baseia-se nas qualidades ou ações notórias
do indivíduo ou da entidade a que a expressão se refere.
Exemplos:
A rainha do mar (Iemanjá)
O poeta dos escravos (Castro Alves)
O criador do teatro português (Gil Vicente)
SÍNTESE
A síntese de texto é um
tipo especial de composição que consiste em reproduzir, em poucas
palavras, o que o autor expressou amplamente. Desse modo, só devem ser
aproveitadas as idéias essenciais, dispensando-se tudo o que for secundário.
Procedimentos:
1.
Leia atentamente o texto, a fim de conhecer o assunto e assimilar as idéias
principais;
2. Leia novamente o texto, sublinhando
as partes mais importantes, ou anotando à parte os pontos que devem ser
conservados;
3. Resuma cada parágrafo
separadamente, mantendo a seqüência de idéias do texto original;
4. Agora, faça seu próprio resumo,
unindo os parágrafos, ou fazendo quaisquer adaptações conforme desejar;
5. Evite copiar partes do texto
original. Procure exercitar seu vocabulário. Mantenha, porém, o nível
de linguagem do autor;
6. Não se envolva nem participe do
texto. Limite-se a sintetizá-lo.
UFPB/89. Sem copiar frases, RESUMIR, o
texto abaixo:
O QUINZE
Debaixo de
um juazeiro grande, todo um bando de retirantes se arranchara: uma velha,
dois homens, uma mulher nova, algumas crianças.
O sol, no céu, marcava onze horas. Quando
Chico Bento, com seu grupo, apontou na estrada, os homens esfolavam uma rês
e as mulheres faziam ferver uma lata de querosene cheia de água, abanando
o fogo com um chapéu de palha muito sujo e remendado.
Em toda a extensão da vista, nenhuma outra
árvore surgia. Só aquele juazeiro, devastado e espinhento, verdejava a
copa hospitaleira na desolação cor de cinza da paisagem.
Cordulina ofegava de cansaço. A
Limpa-Trilho gania e parava, lambendo os pés queimados.
Os meninos choramingavam, pedindo de comer.
E Chico Bento pensava:
– Por que, em menino, a inquietação, o
calor, o cansaço, sempre aparecem com o nome de fome?
– Mãe, eu queria comer... me dá um
taquinho de rapadura!
– Ai, pedra do diabo! Topada desgraçada!
Papai, vamos comer mais aquele povo, debaixo desse pé de pau?
O juazeiro era um só. O vaqueiro também se
achou no direito de tomar seu quinhão de abrigo e de frescura.
E depois de arriar as trouxas e aliviar a
burra, reparou nos vizinhos. A rês estava quase esfolada. A cabeça
inchada não tinha chifres. Só dois ocos podres, mal cheirosos, donde
escorria uma água purulenta.
Encostando-se ao tronco, Chico Bento se
dirigiu aos esfoladores:
– De que morreu essa novilha, se não é
da minha conta?
Um dos homens levantou-se, com a faca
escorrendo sangue, as mãos tintas de vermelho, um fartum sangrento
envolvendo-o todo:
– De mal-dos-chifres. Nós já achamos ela
doente. E vamos aproveitar, mode não dar para os urubus.
Chico Bento cuspiu longe, enojado:
– E vosmecês têm coragem de comer isso?
Me ripuna só de olhar...
O outro explicou calmamente:
– Faz dois dias que a gente não bota um
de-comer de panela na boca...
Chico Bento alargou os braços, num grande
gesto de fraternidade:
– Por isso não! Aí nas cargas eu tenho
um resto de criação salgada que dá para nós. Rebolem essa porqueira
pros urubus, que já é deles! Eu vou lá
deixar um cristão comer bicho podre de mal, tenho um bocado no meu surrão!
Realmente a vaca já fedia, por causa da
doença.
Toda descarnada, formando um grande bloco
sangrento, era uma festa para os urubus vê-la, lá de cima, lá da frieza
mesquinha das nuvens. E para comemorar o achado executavam no ar grandes
rondas festivas, negrejando as asas pretas em espirais descendentes.
Rachel de Queiroz
MODELO
Arranchados sob um juazeiro, em meio àquela
desolação, um bando de retirantes tentava aproveitar uma vaca já em
estado de putrefação, para combater-lhe a fome de dois dias. Quando
Chico Bento, com o seu bando, aproxima-se também em busca de abrigo e,
compadecendo-se daquela situação, divide com os miseráveis o resto de
alimento que trazia, deixando o animal para os urubus.
COMO RESUMIR UM TEXTO
Ler não é apenas passar os olhos no texto. É preciso saber tirar
dele o que é mais importante, facilitando o trabalho da memória. Saber
resumir as idéias expressas em um texto não é difícil. Resumir um texto
é reproduzir com poucas palavras aquilo que o autor disse.
Para se realizar um bom resumo, são necessárias algumas recomendações:
1. Ler todo o texto para descobrir do que se trata.
2. Reler uma ou mais vezes, sublinhando frases ou palavras importantes. Isto
ajuda a identificar.
3. Distinguir os exemplos ou detalhes das idéias principais.
4. Observar as palavras que fazem a ligação entre as diferentes idéias do
texto, também chamadas de conectivos: "por causa de", "assim
sendo", "além do mais", "pois", "em decorrência
de", "por outro lado", "da mesma forma".
5. Fazer o resumo de cada parágrafo, porque cada um encerra uma idéia
diferente.
6. Ler os parágrafos resumidos e observar se há uma estrutura coerente,
isto é, se todas as partes estão bem encadeadas e se formam um todo.
7. Num resumo, não se devem comentar as idéias do autor. Deve-se registrar
apenas o que ele escreveu, sem usar expressões como "segundo o
autor", "o autor afirmou que".
8. O tamanho do resumo pode variar conforme o tipo de assunto abordado. É
recomendável que nunca ultrapasse vinte por cento da extensão do texto
original.
9. Nos resumos de livros, não devem aparecer diálogos, descrições
detalhadas, cenas ou personagens secundárias. Somente as personagens, os
ambientes e as ações mais importantes devem ser registrados.
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Veja : Humanismo
e Quinhentismo
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