
Com o fim do milênio, o mundo assistiu
o fim da Guerra Fria, o conflito entre o Leste-Oeste foi substituído
pelo conflito Norte-Sul. Substituímos, nos anos 90, as
tensões ideológicas pelas tensões econômicas do
capitalismo, consideradas passageiras e brevemente superadas.
Esse seria sem dúvida um bom início de síntese da ultima
década do século 20. Seria, se não fossem alguns outros
aspectos que temos que considerar:
A República Popular da China não parece disposta a colocar
cegamente seu pescoço na guilhotina da economia de mercado,
pois entende que as regras do mercado, ditadas pela OMC
(Organização Mundial de Comércio) favorecem apenas os que
criaram as regras do comércio global, no caso o grupo G-7.
A explosão de nacionalismos pelo mundo inteiro sugere o
nascimento de uma era de picuinhas. As tensões tradicionais (
curdos, Tibet, bascos, irlandeses-(veja
mais), palestinos-israelenses-(veja
mais), Angola), somam-se outras, que, antes sufocadas
pela paz da Guerra Fria, afloraram e ganharam corpo neste
mundo sem xerifes, em especial, dentro do antigo espaço
soviético e da África: Tchetchênia, na Federação Russa;
Ossétia do Sul e Abkházia, na Geórgia; Iuguslávia dividida
em cinco países; Taliban x Fiusa, no Afeganistão; Caxemira
disputada pela Índia e pelo Paquistão; Timor Leste; guerras
civis na África.
O aumento da pobreza e da miséria em todos os países do
mundo ( alguns ricos ficaram muito mais ricos e muitos pobres
ficaram muito mais pobres, doentes e famintos) explica, em
parte a expansão do fundamentalismo religioso da África, na Índia
e no Oriente Médio, o aumento do crime em todos os seus
matizes e em todos os quadrantes do planeta e a disseminação
de movimentos populares, como o MST, no Brasil, as guerrilhas
no México (zapatista) e na Colômbia (Farc).
Os aparentemente monolíticos blocos econômicos da Nova Ordem
possuem profundas trincas interna: a União Europeia não
consegue salvar Maastricht e implantar o euro; a
ultra-sonografia da Alca, com parto previsto para 2005, mostra
que o feto possui algumas doenças congênitas como a
síndrome de Maradona-Pelé, na qual uma parte da célula
procura anular a outra, a megalomania estadunidense, o mal do
Chile, a febre cubanas e a gripe espanhola ( Santander e
Telefônica, para não falar outras). O parto será prematuro.
O Pacífico é misterioso: a China olha para Taiwan e lambe os
beiços com apetite; a economia japonesa afunda lânguida e
inexoravelmente, sacudida por alguns tremores e erupções
como a placa do Pacífico que mergulha sob a placa Asiática:
a Austrália não sabe se é Apec ou é Commonwelth; as
Coréias estão flertando uma com a outra; a República Soviética
do Vietnã recebeu mr. Bill Clinton, ex-presidente dos EUA, de
braços abertos e cofres escancarados.
Estamos assim em uma fase pós-mudança, não há uma Nova
Ordem, mas é nosso fardo no século 21, o de arrumar o mundo
como queremos e merecemos.