Revolução
na virologia
Os vírus
são definidos como agentes infecciosos, constituídos por uma cápsula
protéica que envolve o genoma. Este é formado por um ácido nucléico,
que pode ser o DNA ou o RNA, mas nunca os dois. A presença de DNA ou de
RNA é um critério usado na classificação dos vírus. Assim o HIV, vírus
da Aids, é um vírus de RNA. Já o vírus da gripe apresenta DNA.
O HCMV
(citomegalovírus humano) pertence ao grupo dos herpevírus, agentes etiológicos
do herpes e da mononucleose, e apresenta genoma com DNA. Pesquisadores da
Universidade de Princeton (USA) descobriram que o HCMV contém, além do
genoma com DNA, mais quatro tipos de RNA. Quando o HCMV infecta uma célula,
o DNA viral atinge o núcleo da mesma, passando a comandar o metabolismo
com a finalidade de se reproduzir. A presença do RNA viral permite ao vírus
um ataque mais rápido. Assim, antes que o DNA atinja o núcleo, o RNA
começa a produzir proteínas virais, acelerando a reprodução do vírus
e a destruição da célula
O Brasil na era da proteômica
Sabemos
que os genes atuam codificando as proteínas, que são, por sua vez, as
moléculas responsáveis pela organização e funcionamento dos seres
vivos. Proteômica é a ciência que estuda o proteoma, conjunto de proteínas
existentes numa célula. A análise do proteoma envolve três etapas: o
isolamento, a identificação e a função das proteínas produzidas pelos
genes.
Pesquisadores da Unicamp completaram o seqüenciamento do genoma da
bactéria Xyllella fastidiosa, bactéria causadora da praga do amarelinho
em plantas. Atualmente os mesmos pesquisadores estão trabalhando no
proteoma da Xyllela, com dois objetivos principais: o primeiro é conhecer
as proteínas da bactéria responsáveis pela infecção das plantas; o
segundo é produzir um banco de dados sobre a identificação e
caracterização das proteínas da bactéria.
Seqüenciamento
do genoma da bactéria do cólera
Vibrio
cholera é a bactéria causadora do cólera, uma perigosa infecção
intestinal. Alojada no intestino, a bactéria produz uma toxina que
provoca diarréia abundante, dores abdominais e cãibras, podendo ocorrer
a morte por desidratação.
Normalmente encontram-se um cromossomo e um plasmídeo.
O cromossomo é
uma longa e enovelada molécula de DNA. O plasmídeo é um DNA circular
relacionado com a transmissão hereditária. A bactéria Vibrio cholera
apresenta dois cromossomos, além do plasmídeo, que foram totalmente seqüenciados.
O cromossomo 1 apresenta 2.961.146 bases e o 2, 1.072.314. O próximo
passo será a localização do gene causador da toxina, que poderá ser
inativado.
Arroz
transgênico supre a falta da vitamina A
O
betacaroteno é a provitamina A, um precursor da vitamina A que, no
organismo humano, atua na formação de pigmentos visuais e na manutenção
da estrutura epitelial normal. A carência dessa vitamina provoca a
cegueira noturna e a xeroftalmia (ressecamento da córnea), além da pele
seca e escamosa. No arroz normal o betacaroteno aparece na casca, que é retirada quando o
arroz é beneficiado. Populações da Ásia que se nutrem de uma dieta
rica em arroz apresentam baixos níveis de vitamina A.
A
engenharia genética obteve um arroz transgênico que recebeu genes da
planta narciso, permitindo a produção do betacaroteno no endosperma
(parte central do grão). Desse modo, mesmo beneficiado, o arroz transgênico,
chamado de dourado, fornece a provitamina A ao homem.
Planta transgênica produz hirudina
A
sanguessuga é um verme que produz a hirudina, substância que impede a
coagulação do sangue. Por causa dessa propriedade, as sanguessugas são
usadas pela medicina, desde o Império Romano, para provocar sangrias. O
gene produtor da hirudina foi isolado e introduzido no genoma de Carthamus
Tinctorius, uma planta oleaginosa. A planta transgênica obtida passou a
produzir a hirudina. A heparina é um anticoagulante usado no tratamento
das tromboses (formação de coágulos sangüíneos). O fato é que essa
substância provoca alergia em muitos pacientes. A vantagem da hirudina
consiste em não causar alergia às pessoas.
A ressurreição de uma bactéria
Em
condições ambientais desfavoráveis, as bactérias dos gêneros Bacillus,
Clostridium e Sporosarcina formam os esporos, estruturas de resistência.
Formados internamente (endósporos), contêm, no interior de uma espessa
membrana, o DNA e enzimas. Altamente resistentes à dessecação, os
esporos germinam em condições favoráveis. De um cristal de sal do Período
Permiano (286 a 245 milhões de anos), foi isolado um esporo de uma bactéria
batizada de Bacillus permians. Colocado em meio de cultura favorável, o
esporo despertou e o micróbio ressuscitou.
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