
Nas corridas de Fórmula 1, assistindo pela TV, não
temos a real sensação da velocidade atingida por aqueles
veículos. Nem tampouco a das variações de velocidade
sofridas por eles.
Se comparássemos as acelerações desses veículos com a
aceleração da gravidade, que tem valor absoluto de
aproximadamente dez metros por segundo ao quadrado,
verificaríamos que, nos aumentos de velocidade, esses
veículos chegam a ter até 30 metros por segundo ao quadrado
de aceleração, ou seja, mais ou menos três vezes o valor da
aceleração de um corpo em queda livre.
O que nos preocupa é como um piloto deve agir durante as
acelerações e desacelerações. A agilidade conta muitos
pontos em favor da segurança. O tempo de reação do ser
humano é de aproximadamente quatro décimos de segundo.
Entenda-se por tempo de reação o tempo entre visualizar
determinada situação ou objeto e efetivamente tomar alguma
atitude a respeito do fato.
Tomemos, por exemplo, um carro de Fórmula 1 com velocidade
constante de 252 km/h, numa determinada reta da pista de
Interlagos em São Paulo. Se um outro carro logo à sua frente
necessita frear, o nosso veículo ainda percorre 28 metros
devido ao tempo de reação do piloto.
Isso nos leva a concluir que a distância mínima entre os
dois veículos deverá ser bem maior que 28 metros, para que o
piloto tenha uma mínima chance de manobrar o carro a tempo.
Em curva, temos um efeito ainda mais assustador. As
acelerações sofridas por nosso piloto são mais fortes.
Podem chegar até a marca de 60 metros por segundo ao
quadrado, portanto atingindo seis vezes o valor da
aceleração referente à queda livre. Como já sabemos, a
aceleração nesse caso (trajetória curvilínea) é do tipo
centrípeta (voltada para o centro da curva).
Se a finalidade da aceleração em questão é de mudar a
direção do movimento, ou o objetivo será alcançado, ou o
piloto irá atingir os muros da pista. Lembre-se de que, mesmo
antes de começar a frear, o veículo continua seu movimento
em razão do tempo de reação do piloto.