INCÊNDIOS E QUEIMADAS FLORESTAIS
Incêndios florestais, fogos de origem
natural ou provocados que são o grande inimigo das florestas.
Pela ação do fogo grandes extensões de selva podem ser
devastadas em pouco tempo, provocando a fuga ou mesmo a morte
da fauna local e prejuízos consideráveis às atividades econômicas
humanas.
O resultado desses incêndios é a destruição
da paisagem, a perda de grande parte das reservas florestais,
o comprometimento do equilíbrio ecológico e uma grande
desolação para a população que vive nas áreas afetadas.
Os incêndios têm relação com o efeito estufa, pois também
são fontes expressivas de gás carbônico.
Os incêndios em florestas têm sua maior
ocorrência no Brasil nos meses de baixo índice pluviométrico,
entre junho e setembro. Nesse período, a vegetação seca
facilita a propagação do fogo. Entre os agentes causadores
dos incêndios, estão a prática de soltar balões, fazer
fogueiras, jogar cigarros acesos. O uso de queimadas nas
atividades agrícolas tradicionais, muitas vezes permitidas
pelos órgãos competentes, é o grande responsável pelos incêndios
florestais no Brasil.
Nos últimos anos, a ocorrência de incêndios
florestais chamou a atenção da imprensa nacional e
internacional. Verificou-se um grande número de ocorrências
no território nacional, com grandes áreas devastadas e
dificuldade para o controle do fogo. O caso mais grave ocorreu
no começo de 1998 no estado de Roraima, quando as queimadas
provocadas por fazendeiros e pequenos agricultores se somaram
à seca agravada pelos efeitos do fenômeno El Niño. Segundo
o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), foram
destruídos 31 mil km2 de campos abertos, 4.200 km2 de
floresta e 1.800 km2 de selva virgem, uma superfície maior do
que a da Holanda.
A origem do sinistro pode ser atribuída a
várias causas, começando pela política governamental de
distribuir pequenos lotes de terra ao longo das rodovias que
cruzam a selva para atrair mais migrantes de outros estados.
Em conseqüência, o número de queimadas nas épocas prévias
ao plantio se multiplicou. Em condições normais, a chuva e a
umidade da floresta se encarregavam de limitar a destruição
mas, em novembro de 1997, o volume de chuvas começou a cair
abruptamente, criando as condições para que, em março do
ano seguinte, o fogo escapasse definitivamente a qualquer
possibilidade de controle humano.
A gravidade desse fato levou à elaboração
de um programa que inclui monitoramento via satélite, prevenção
e combate aos incêndios nas áreas de florestas tropicais.
Esse programa prevê ainda o estabelecimento de restrições
ao uso do fogo nas atividades agropecuárias. O Instituto
Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) realiza o monitoramento
da Floresta Amazônica e detectou, em 1995, uma grande extensão
desmatada, sendo os incêndios uma das causas. Para o período
de 1994/1995, essa superfície era de 29.059 km2, quando nos
primeiros anos da década a média anual oscilava em torno de
12 mil quilômetros. A área de maior incidência de incêndios,
chamada arco de desmatamento ou cinturão de fogo, abrange o
nordeste e sul do Pará, sudoeste do Maranhão, norte de Mato
Grosso, centro de Rondônia e sul do Acre.
Apesar da preocupação do governo, em
agosto do mesmo ano, um novo incêndio pôs em perigo a ilha
do Bananal, no estado de Tocantins, que abriga uma reserva indígena
e o parque nacional do Araguaia, causando a destruição de
100 mil hectares de floresta.
Naturalmente, os incêndios florestais não
são um privilégio do Brasil. Os países europeus da costa do
Mediterrâneo registraram 460 mil incêndios desse tipo entre
1985 e 1995, que afetaram uma superfície total de 60.000 quilômetros
quadrados. A diferença com o caso brasileiro consiste na
existência de equipes especializadas no combate aos incêndios,
o que permite limitar a área destruída rapidamente.
Na América do Norte, no entanto, a larga
experiência e os mais modernos meios tecnológicos não
conseguem impedir o agravamento do fenômeno. No primeiro
semestre de 1997, nos Estados Unidos se registraram 24.817
focos de incêndio em florestas; no mesmo período do ano
seguinte, foram 28.455 focos, afetando uma área de 2.412 quilômetros
quadrados.
No sudeste asiático, as ilhas de Bornéo,
Java Ocidental e Sumatra, na Indonésia, foram cenário, em
1997, de incêndios que se prolongaram durante meses, afetando
uma superfície de 17 mil km2, dos quais mil eram de floresta
virgem. A fumaça produzida afetou seriamente a navegação
marítima e aérea na região, o que foi apontado como causa
de um grave acidente aéreo sobre a península de Málaca.
QUEIMADAS
Queimadas, fogos provocados pelo homem que queimam a
vegetação de uma floresta. Apesar dos enormes riscos que
envolve, a prática não só se mantém como cresce em número
de ocorrências, tanto no sudeste asiático como no Brasil. A
utilização do fogo para criar clareiras na selva, com a
finalidade de cultivar alimentos nessa área, é comum a
muitos povos que atingiram o estágio de agricultores
itinerantes.
No Brasil, quase todos os povos indígenas
que habitavam a Amazônia o faziam, para que as cinzas
fertilizassem as terras, freqüentemente pobres, e chamavam
essa prática de "coivara"'. Em condições normais,
a umidade natural da floresta e as freqüentes chuvas
limitavam a superfície destruída. Depois de feita a
colheita, era necessário abandonar a roça, porque a terra não
suportava uma nova plantação, o que permitia que a vegetação
natural se recuperasse.
Era uma rotina adotada pelos aborígenes,
conforme salientou "Euclydes da Cunha", em "Os
Sertões"; foi um triste legado transmitido aos primeiros
ocupantes estrangeiros. A prática de atear fogo à mata e aos
restos culturais persistiu nestes 500 anos de ocupação do
território e provavelmente assim continuará a ser, por
muitos anos.
Os efeitos das queimadas são mais
agravantes porque, além dos agricultores e pecuaristas, também
os madeireiros, lenhadores e carvoeiros usam o fogo como
auxiliar, não respeitando nem mesmo as matas nativas,
destruindo um bem incalculável e insubstituível - a
biodiversidade. Há muitas décadas, especialmente no período
de agosto e novembro, os aeroportos das regiões Norte e
Centro-Oeste não podem operar seqüentemente devido ao
excesso de fumaça, que predomina na atmosfera.
Uma ocorrência catastrófica registrada em
fins dos anos oitenta, ficou conhecida como "Os grandes
incêndios da Amazônia" ateados pelas equipes
contratadas por empresas, para implantar explorações pecuárias
e, o que foi estarrecedor, estas companhias receberam
incentivos fiscais, pela dedução no Imposto de Renda, em um
Programa Especial de Aplicações da SUDAM. As proporções do
incêndio foram de tal magnitude, que os satélites dos EUA.
detectaram o sinistro e os técnicos americanos alertaram as
autoridades brasileiras para a amplitude das queimadas.
Um grande incêndio ocorreu em julho-1988,
no Parque Nacional das Emas,GO. destruindo cerca de 500 quilômetros
quadrados de reservas florestais.Em janeiro de 1998 ocorreu um
mega-incêndio no Estado de Roraima. Devido à falta de
equipamentos e pessoal habilitado, a queimada somente foi
debelada com a ocorrência de chuvas.
A prática, aparentemente mais econômica,
da queima da vegetação ocasiona danos aos recursos naturais,
que se tornarão muito onerosos no futuro. A acumulação dos
elementos que resultam da queima da vegetação, associada à
dos combustíveis fósseis utilizados nos veículos e na indústria,
têm contribuído para a ocorrência do efeito estufa, cujas
conseqüências diretas e indiretas sobre a saúde humana e
dos animais ainda não foram devidamente avaliadas; seus
efeitos sobre as condições climáticas estão sendo
analisados, mas as primeiras conclusões são desalentadoras
para as produções agrícolas e pecuárias.