DESMATAMENTO
Desmatamento, destruição em grande escala
das matas; concretamente se refere à provocada pela ação
humana, para explorar a madeira ou destinar a superfície
florestal a fins como cultivos agrícolas, pecuária, plantações
de árvores, explorações minerais ou urbanização de regiões,
entre outros.
O desmatamento mundial avança a um ritmo
de 170.000 km2 ao ano (superfície que supera a da Inglaterra,
País de Gales e Irlanda do Norte juntas). Entre 1980 e 1990,
as taxas anuais de desmatamento foram de 1,2% na Ásia e no
Pacífico, 0,8% na América Latina e 0,7% na África. A superfície
florestal está, em geral, estabilizada na Europa e na América
do Norte, onde o processo de desmatamento começou muito mais
cedo e, por isso mesmo, seus efeitos negativos foram
percebidos antes.
Segundo dados do World Resources Institute,
as Américas do Norte e Central mantêm atualmente 74,6% de
suas florestas originais; a América do Sul conserva 70,1% das
suas, a Oceania 64,3%, Europa (incluída a Rússia asiática)
58,5%, a África 33,8 e a Ásia apenas 28,5%. Esses números
significam que, de uma cobertura vegetal original de 62 milhões
de km2, só sobrevivem 33,4 milhões. Como todas as estatísticas,
esses dados precisam ser analisados com cuidado: se a enorme
região asiática pertencente à Rússia, com suas grandes
florestas da taiga, fosse incluída na Ásia em lugar de em
Europa, a situação dos dois continentes mudaria bastante na
estatística.
O Brasil conserva 67,1% de suas florestas
originais, com situações muito diferentes: a mata de araucárias
da região sul foi quase totalmente destruída, e o que resta
dela é produto de reflorestamento; da Mata Atlântica, só 8%
da superfície original sobrevive, basicamente na região da
serra do Mar. Quanto à Floresta Amazônica, há divergências
nas estimativas. Enquanto o órgão oficial, Ibama, diz que
desde o início do desmatamento na década de 1960, 13% da
Amazônia foi devastada, um relatório do centro de pesquisas
Woods Hole, de Massachusetts, publicado em abril de 1999,
estimou a área destruída em 16% do total.
Tratando-se de uma área de quase 4 milhões
de km2, essa "pequena" diferença de 3% significa em
torno de 120.000 km2, uma superfície pouco menor que a soma
dos estados de Rio de Janeiro e Santa Catarina. Para proteger
a cobertura vegetal, um elemento importante são os parques
nacionais e outras unidades de preservação, que no Brasil
totalizam quase 100 mil quilômetros quadrados. Essa área é
equivalente a pouco mais de 1% do território nacional, mas o
objetivo declarado do governo brasileiro é colocar sob proteção
uma superfície dez vezes maior.
O desmatamento pode ocasionar erosão do
solo e desestabilização dos lençóis freáticos, produzindo
inundações ou secas. Também reduz a biodiversidade
(diversidade de hábitats, espécies e tipos genéticos),
sendo bastante significativo nas matas tropicais, que albergam
boa parte da biodiversidade do mundo. Pode contribuir para
desequilíbrios climáticos regionais e globais. Além disso,
as matas desempenham um papel chave na absorção do carbono;
se há desmatamento, o excesso de dióxido de carbono na
atmosfera pode levar a um aquecimento global, com vários
efeitos secundários problemáticos.
No caso brasileiro, uma circunstância
agravante é que o desmatamento é realizado, na maioria dos
casos, por meio de queimadas. Este método expõe totalmente a
fragilidade do solo, deixando-o a mercê dos processos
erosivos que podem levar à desertificação.
ARCO DE DESMATAMENTO
Arco de desmatamento, expressão que designa uma ampla
faixa do território brasileiro que corre paralela às
fronteiras das macrorregiões norte e centro-oeste, onde se
situa a transição entre o cerrado e a Floresta Amazônica.
É também conhecida como a área das frentes pioneiras de
ocupação agropecuária, processo que gerou a destruição de
milhares de km2 de vegetação para dar lugar aos pastos para
o gado e às áreas de cultura comerciais, como soja, arroz e
milho. O arco inicia-se no sul do estado do Pará, percorre
todo o norte dos estados de Tocantins, Mato Grosso, penetra em
Rondônia e termina no Acre.
É a área onde mais se detectam queimadas
no Brasil e onde, em certos meses, ocorre até mesmo a interdição
dos aeroportos regionais em virtude da fumaça na atmosfera. A
combinação entre a abertura de estradas de integração
entre a Amazônia e as outras regiões brasileiras e as políticas
de incentivos fiscais para a ocupação agropecuária criou as
condições que geraram um tipo de ocupação predatória,
onde a vegetação nativa é considerada um entrave a ser
destruído, tanto pelo pequeno e médio, quanto pelo grande
produtor rural.
Em condições normais, a floresta tem suas
próprias defesas contra o fogo, uma vez que à pluviosidade
da região se acrescenta o colchão de folhas que conservam a
umidade e dificultam a combustão. Mas em temporadas de seca,
em particular naquelas devidas ao fenômeno El Niño, o risco
de que o fogo fuja ao controle humano e cause enormes danos
imprevistos se multiplica.