AMÉRICA, superfície: 42 milhões de
km2população: 731 milhões de habitantes
Geografia, Clima e População
É possível encontrar, entre as costas
este e oeste do continente americano, três grandes tipos de
paisagens: a faixa mais próxima do Pacífico é dominada
pelas cordilheiras (as Rochosas, no norte, e os Andes no sul);
a faixa atlântica, embora com algumas planícies no litoral,
é dominada por montanhas e por planaltos; a faixa central é
ocupada por regiões sedimentares baixas, como a pradaria
americana ou a floresta amazônica.Longe da influência dos
oceanos, os Invernos são normalmente rigorosos nas zonas
altas e nas regiões do interior. A precipitação abunda no
oeste montanhoso, tornando-se mais rara à medida que se avança
para este. A vegetação varia com a diversidade do clima,
dominando a tundra no norte e, à medida que se caminha para
centro e sul, a floresta, a savana e a estepe. Dominando ainda
a Amazônia equatorial, a floresta tem vindo a dar lugar a
plantações comerciais nas latitudes tropicais.A baixa
densidade populacional (menos de 20 habitantes/ km2) não tem
grande significado se tivermos em conta a grande dimensão e
diversidade do espaço. Regiões fortemente povoadas como o
Nordeste norte-americano, a zona dos Grandes Lagos ou o
Sudeste brasileiro coexistem com grandes espaços desabitados,
como o Norte canadiano ou a Amazônia. As migrações fazem-se
sentir na direção do litoral, onde se localizam as grandes
metrópoles, como São Francisco, Los Angeles, a megalópole
de Boston a Washington, Buenos Aires, Montevidéu, Rio de
Janeiro, São Paulo, etc.Em termos humanos e econômicos, a América
do Norte e a do Sul são bastante diferentes; a oposição
deve-se a vários fatores, desde a história (influência
predominantemente portuguesa e espanhola a sul, e britânica a
norte) às características físicas.Pré-HistóriaO
povoamento do continente americano dá-se no decorrer do período
glacial. Nesta época, o atual estreito de Bering constituía
um istmo que servia de passagem a populações asiáticas (por
exemplo, siberianos) em busca de caça grossa, como provam
restos de mamutes e outros animais de grande porte. No Norte,
os caçadores que se aventuram nas regiões subárcticas
ocupam a Groelândia a partir do ano 2000 a. C. No Alasca, a
cultura Denbigh desenvolve-se entre 4000 e 3000 a. C. A sua
influência fez-se sentir em tradições como a do Okvik (no
princípio da nossa era), segundo a qual os caçadores
perseguiam os mamíferos marinhos em Kayaks (caiaques) -
embarcações feitas de peles estendidas sobre uma armação
de madeira. Figuras em marfim são esculpidas num estilo
vigoroso, simbolizando freqüentemente a fecundidade. Em 500
a. C., estas populações vivem em grandes cidades ao longo da
costa.No Ártico Central e Oriental desenvolve-se uma outra
tradição, que vai dar origem (cerca do ano 1000 d. C.) à
cultura de Dorset. No Verão, os caçadores de Dorset vivem em
acampamentos e, no Inverno, em grandes cidades, em casas
semienterradas. O seu sentido artístico e a sua cultura xamânica
são testemunhadas por pequenas estátuas, máscaras e
desenhos nas pedras. As populações deslocam-se
progressivamente para o Norte, acompanhando o recuo dos gelos.
A produção de milho desenvolve-se nesta região, e também
no Centro.Vários indícios provam a antiguidade do
estabelecimento do Homem no Sul do continente americano (por
exemplo, ferramentas e pinturas rupestres do Piauí ou de
Minas Gerais). Nos Andes Centrais, o lama é domesticado desde
5400 a. C. A utilização do algodão é um fato em 3000 a. C.
e as redes de pesca são utilizadas em 3500 a. C. No Peru, o
milho é cultivado desde 2500 a. C. e na Colômbia a cerâmica
é fabricada desde 3500 a. C.Entre 2000 a. C. e 300 d. C.
aparecem na América Central os traços característicos das
civilizações pré-históricas: uma elite dirigente,
sociedades fortemente hierarquizadas, urbanização,
arquitetura monumental, etc. Teotihuacán é o primeiro grande
centro urbano. Embora a tecnologia continue neolítica, a
agricultura é já uma atividade perfeitamente dominada. O período
pós-clássico (950-1500 d. C.) é caracterizado pelo
militarismo e pela laicização, sobretudo com a hegemonia dos
Toltecas. Tula, a sua metrópole, é organizada de acordo com
as aspirações guerreiras da população, com fortificações
e templos de grandes dimensões. Tula acaba por cair nas mãos
de invasores do Norte, entre os quais os Astecas.Na América
do Sul, o período de desenvolvimento é marcado pelas construções
em tijolo (templos e pirâmides) e por uma certa individualização
cultural das diferentes regiões.História - Pouco se sabe das
populações primitivas que povoaram o Norte do continente
americano. Os numerosos túmulos encontrados na bacia do
Mississipi apenas permitem supor que esta região foi habitada
por tribos vindas da Ásia, das quais descenderiam os
pele-vermelhas. Os Vikings, estabelecidos na Islândia, foram
certamente, com Erik, o Vermelho , os primeiros europeus a
descobrir a América do Norte. De fato, desde o séc. x , eles
chegaram às costas do Labrador, mas não se estabeleceram
definitivamente e foi só a partir do séc. xv que a Europa
teve a revelação do Novo Mundo, com a chegada de Cristóvão
Colombo em 1492. Depois das viagens de Cabot (América do
Norte, 1497), Pedro Álvares Cabral (Brasil, 1500) e Fernão
de Magalhães (1520), o traçado da costa oriental daquele
continente ficou conhecido nas suas grandes linhas. A sua
forma precisa fica definitivamente estabelecida depois da
viagem de Balboa ao Panamá (1513) e das expedições de Cortés
(México, 1519), Cartier (Canadá, 1534) e Soto (Florida e
Mississipi, 1541).Os Espanhóis, depois da conquista do México
por Cortés, exploraram parte da América do Norte. Procuraram
em vão metais preciosos e depois desinteressaram-se. Walter
Raleigh estabeleceu na Virgínia, em 1585, a primeira colônia
inglesa, sem sucesso duradouro. De fato, a verdadeira colonização
do país só começa no séc. xvii com a instalação dos
Ingleses ao longo das costas atlânticas, enquanto os
Franceses, descendo do Canadá e subindo o golfo do México,
exploram a bacia do Mississipi, da qual se apoderaram em nome
do rei Luís XIV (o cavaleiro De La Salle dá o nome de
Luisiana a este vasto território). As colônias inglesas
tiveram uma expansão e povoamento rápidos (já contavam 1
200 000 habitantes no séc. xviii). Em contrapartida, as colônias
francesas, apesar dos esforços de Law (fundação de Nova
Orleãns, em 1718), serão negligenciadas por muito tempo. Os
colonos gozavam de grande autonomia - devido, em parte, ao
afastamento da metrópole - e, para ajudar a desenvolver o país,
mandam vir escravos africanos tradicionalmente agricultores,
sobretudo para os territórios do Sul. As guerras européias
tiveram repercussões na América, onde se defrontaram os
Franceses e os Ingleses: estes últimos, em número superior e
melhor apetrechados, acabaram por vencer, pelo que a França
teve de ceder a maior parte das suas possessões pelo Tratado
de Paris de 1763.Os colonos ingleses, entretanto senhores, a
partir dessa data, de um imenso país que eles valorizavam e
onde levavam uma vida muito rude, suportavam dificilmente a
tutela metropolitana. Quando Londres decidiu, sem os
consultar, atribuir-lhes pesadas taxas (imposto sobre os selos
e sobre o chá), rebentou o conflito. Em Boston, no ano de
1773, os colonos mais exaltados lançaram ao mar a carga de 3
navios carregados de chá (Boston Tea Party). O Governo inglês
responde com medidas de repressão enquanto os colonos
organizam uma milícia de «cidadãos». O primeiro recontro
militar deu-se em Lexington, em 19.4.1775. A 10 de Maio do
mesmo ano, um «Congresso Continental», reunido em Filadélfia,
agrupou todas as milícias sob o comando de George Washington.
Em 4.7.1776, para responder ao bloqueio das colônias
organizado pelos Ingleses, os rebeldes publicam a Declaração
de Independência dos Estados Unidos, redigida por Thomas
Jefferson. Depois do brilhante triunfo de Saratoga (1777), os
Americanos são apoiados pela França que envia sucessivamente
dois corpos de voluntários (La Fayette e Rochambeau),
secundados pela Espanha e Países Baixos. Em 1781, a capitulação
do general Cornwallis, em Yorktown, põe praticamente fim às
hostilidades e, pelo Tratado de Versalhes em 1783, a
Inglaterra reconhece, oficialmente, a independência dos
Estados Unidos da América, formados por 13 antigas colônias.A
história da América Latina confunde-se com a das civilizações
pré-hispânicas (com os Toltecas, Astecas, Maias e Incas). A
conquista européia começa em 1519 quando Cortés desembarca
no México. No Sul, Pizarro torna-se senhor do Império Inca
(1530-32). Em menos de 30 anos, os espanhóis estão
instalados no continente. Em 1530, as instituições
portuguesas funcionam também plenamente no Brasil.Em meados
do século xvi, a sociedade colonial está totalmente
implantada no Novo Mundo (espanhol e português). No domínio
espanhol, as melhores terras são confiscadas aos índios para
a construção de grandes propriedades nas quais os
conquistadores utilizam mão-de-obra local com a autorização
da Coroa, e com a obrigação de a evangelizar. Desenvolve-se
por todo o continente uma economia de plantação ao mesmo
tempo que as minas de ouro e prata são exploradas. Além das
conseqüências econômicas e culturais, há que salientar as
conseqüências biológicas desta colonização: as epidemias
levam ao desmoronamento da população índia; escravos negros
são trazidos de África.O período entre 1808 e 1825 é
caracterizado pela emancipação das colônias americanas,
tanto espanholas como portuguesas. Em muitos casos, os
generais que chefiavam as lutas pela independência sobem ao
poder nos novos países que, em muitos casos, se transformam
em ditaduras. A instabilidade política, causada por
guerrilhas internas e por guerras externas, não ajuda o frágil
desenvolvimento econômico, baseado quase exclusivamente na
produção de matérias-primas.A democratização política
sentida a partir das últimas décadas não impede a continuação
das guerrilhas e de outros problemas, como o tráfico de
droga.