
Os bandeirantes eram caçadores de gente
numa sociedade escravista, contratados para atacar tribos
hostis e destruir quilombos. Eram responsáveis pela ordem
social na colônia.
Desde o início da conquista colonial, os rústicos paulistas,
em geral mamelucos, dedicaram-se à escravização de índios.
Empregaram-nos em suas roças e nos engenhos de açúcar.
Ao final do século 17, os paulistas descobriram ouro e pedras
preciosas nas Minas Gerais. Pouco tempo depois, a mineração
passou a ser controlada pelas autoridades metropolitanas. Aos
paulistas restou, então, o abastecimento da região através
de caminhos abertos a partir da capitania.
A rede de comércio interno ganhou um enorme impulso com a
chegada da Corte portuguesa ao Rio de Janeiro em 1808. Com o
avanço das tropas francesas sobre Portugal, a monarquia
decidiu deslocar a sede do império para sua colônia mais
rica. Isso significou 15 mil novos moradores. A solução para
o abastecimento da cidade foi a construção de estradas que
permitiram o transporte de alimentos produzidos,
principalmente, em São Paulo.
Pela primeira vez, estabelecia-se um pólo econômico capaz de
integrar de forma duradoura as diversas regiões. Até então
não havia Brasil, mas colônias dispersas, cuja produção se
voltava para o mercado externo e que estabeleciam entre si um
comércio mais ou menos circunstancial.
Ao mesmo tempo, realizavam-se casamentos entre membros da
Corte e das principais famílias paulistas. Em pouco tempo,
devido às afinidades econômicas e sociais, começava a
surgir uma elite dirigente composta por comerciantes,
proprietários rurais, membros da administração imperial e
traficantes de escravos.
Articulada em torno da Corte do Rio por laços sociais e
econômicos, a elite paulista tinha interesse na preservação
da unidade do Brasil, na manutenção da escravidão e no
afastamento do risco da participação popular no processo
político brasileiro.
À margem do circuito exportador que organizava a
colonização, os paulistas haviam se dedicado ao mercado
interno. Em 1822, configuravam-se como uma força política
indispensável na articulação _ entre um príncipe
absolutista e uma elite escravista e liberal _, que culminou
na emancipação do Brasil. Pacto com tempero tropical
proclamado às margens do Ipiranga.