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Os
egípcios sabiam trabalhar muito bem com razões, ou seja, divisões.
Descobriram logo que a razão entre o comprimento de uma circunferência e o seu
diâmetro é a mesma para qualquer circunferência, e o seu valor é um número
"um pouquinho maior que 3".
É
essa divisão (ou razão) que hoje chamamos pi
(p).
Considerando
c
o comprimento de uma circunferência e d
o diâmetro, temos:
O
cálculo do valor exato de pi ocupou os matemáticos por muitos séculos.
Para
chegar ao valor de p
expresso por 3 1/6 (3 inteiros e 1 sexto), que é aproximadamente 3,16, os
egípcios há 3 500 anos partiram de um quadrado inscrito em uma
circunferência, cujo lado media 9 unidades. Dobraram os lados do quadrado para
obter um polígono de 8 lados e calcularam a razão entre os perímetros dos
octógonos inscrito e circunscrito e o diâmetro da circunferência.
Os
egípcios conseguiram uma aproximação melhor que a dos babilônios, para os
quais "o comprimento de qualquer circunferência era o triplo de seu
diâmetro", o que indicava o valor 3 para p.
Por
volta do século III a.C., Arquimedes - o mais famoso matemático da
Antiguidade, que viveu e morreu em Siracusa, na Grécia - também procurou
calcular a razão entre o comprimento de uma circunferência e o seu diâmetro.
Começando
com um hexágono regular, Arquimedes calculou os perímetros dos polígonos
obtidos dobrando sucessivamente o número de lados até chegar a um polígono de
96 lados.
Calculando
o perímetro desse polígono de 96 lados, conseguiu para p
um valor entre 3 10/71 e 3 10/70. Ou seja, para Arquimedes
p
era um número entre 3,1408 e 3,1428.
Com
um polígono de 720 lados inscrito numa circunferência de 60 unidades de raio,
Ptolomeu, que viveu em Alexandria, no Egito, por volta do século III d.C.,
conseguiu calcular o valor de p
como sendo 377/120, que é aproximadamente igual a 3,1416, uma aproximação
ainda melhor que a de Arquimedes.
O
fascínio pelo cálculo do valor exato de p
também tomou conta dos chineses. No século III d.C., Liu Hui, um copiador de
livros, conseguiu obter o valor 3,14159 com um polígono de 3 072 lados.
Mas
no fim do século V, o matemático Tsu Chung-Chih foi mais longe ainda:
encontrou como valor de pi um número entre 3,1415926 e 3,1415927.
Nesta
época, o grande matemático hindu Aryabhata deixou registrada esta afirmação
num pequeno livro escrito em versos:
"Some-se
4 a 100, multiplique-se por 8 e some-se 62 000. O resultado é aproximadamente
uma circunferência de diâmetro 20 000".
Se
você recordar que o comprimento de uma circunferência é dado por c = p.d,
fica fácil entender que a solução da equação de Aryabhata:
(4
+ 100) . 8 + 62 000 = p
. 20 000
104
. 8 + 62 000 = p
. 20 000
832
+ 62 000 = p
. 20 000
62
832 = p
. 20 000
62
832/20 000 = p
indica
como 3,1416 o valor de p.
62
832/ 20 000 = 3,1416
Quanto
maior o número de casas decimais, melhor é a aproximação que se obtém para p.
Até
o século XV, o melhor valor para p
havia sido encontrado pelo matemático árabe Al-Kashi: 3,1415926534897932.
Mas
o cálculo mais impressionante foi efetuado pelo matemático holandês Ludolph
van Ceulen (1540-1610) no final do século XVI.
Começando
com um polígono de 15 lados e dobrando o número de lados 37 vezes, Ceulen
obteve um valor para p
com 20 casas decimais.
Logo
em seguida, usando um número de lados ainda maior, ele conseguiu uma
aproximação com 35 casas decimais!
Tamanha
deve ter sido a emoção de Van Ceulen que, na sua morte, sua esposa mandou
gravar no túmulo o valor de p
com as 35 casas decimais.
Imagine
como ele se sentiria se viesse a saber que no século XX computadores
calculariam, em segundos, o valor de pi com 100, 1000, 10 000, milhões de casas
decimais!
p
= 3,14159265358979323846264 33832795028841971693993751058
20974944592307816406286208998 62803482534211706798214808651
32823066470938446095505822317 253594081128481117450284102701
93852110555964462294895493038 19644288109756659334461284756
48233786783165271201909145648 5669234603486104543266482...
Muito
dos símbolos matemáticos que usamos atualmente devemos ao matemático suíço
Leonhard Euller (1707-1783).
Foi
Euller quem, em 1737, tornou conhecido o símbolo para o número p.
Foi
também nesta época que os matemáticos conseguiram demonstrar que é um
número irracional.
Em
tempos mais atuais, cinco trilhões de casas é o recorde quebrado por um
adolescente americano de 17 anos para o valor de p.
Colin Percival, usando microcomputadores,
completou a última etapa dos cálculos em setembro de 1998. Vinte e cinco
microcomputadores, colocados à disposição de Percival por colaboradores em
várias partes do mundo, auxiliaram-no a realizar os cálculos. Comunicando-se
com cada máquina por e-mail, ele desenvolveu a tarefa distribuindo trabalho
pela Internet. Cinco meses foram necessários para a conclusão da façanha.
O
projeto PiHex, por meio do qual Percival conquistou o seu recorde, parte agora
para um novo desafio - calcular 40 trilhões de casas do pi. Estima-se que
serão necessários 10 anos para completar a tarefa. Bem, isto depende muito da
velocidade dos processadores, pois a cada dia que passa estão mais velozes. Se
quiser participar, entre no site www.cecm.sfu.ca/projects/pihex
e copie o programa PiHex, que utiliza menos de 100k.
Cabe salientar, que a conquista de Percival é um trabalho de “presidiário”,
ou seja, de paciência e que não apresenta, praticamente, nenhuma utilidade
prática (que redundância). Talvez testar o poder de cálculo dos computadores.
Ou alguma importância científica. Como o número pi é irracional, os
algarismos ocorrem aleatoriamente, sem lei. Calculando-se as casas e
observando-se o que ocorre entre elas pode-se, quem sabe, chegar a descoberta de
alguma repetição, de alguma lei de probabilidade.
Como nós matemáticos utilizamos o pi em até, no máximo,
4 casas decimais (áreas como Física e a Química exigem softwares
precisos, com linguagens de programação adequadas a 8 casas), acho o trabalho
de Percival um pouco tedioso e desvantajoso. Bem, ciência também tem disto .
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