Um tópico muito quente de Biologia
Quando ocorreu a Eco Rio 92, um grande evento
mundial, houve uma maior incidência de questões ligadas à Ecologia, Botânica
e Zoologia nos vestibulares de 1993, 1994 e 1995. Isto demonstra como os
examinadores dos grandes vestibulares são inteligentes e permeáveis aos
acontecimentos do dia-a-dia.
Mas o paroxismo ecológico vem arrefecendo,
perdendo fôlego, para outros assuntos igualmente importantes. Nós, os
vestibulandos, precisamos ficar antenados nas últimas tendências e perceber
que os biólogos envolvidos na formulação das perguntas também lêem jornais
e são influenciáveis.
Um tópico muito ventilado ultimamente pela
imprensa é o da múltipla resistência bacteriana aos antibióticos, mesmo os
de mais amplo espectro. Quase toda semana, aparece uma nova cepa de bactéria
resistente que provoca o maior bafafá nos meios de comunicação.
O que acontece, em princípio, é a seleção
natural de microorganismos. Charles Darwin explica... Quando usamos um antibiótico,
para combater uma infecção urinária, por exemplo, matamos milhões de germes,
mas alguns mutantes podem sobreviver e originar uma descendência resistente
composta por milhões de indivíduos após apenas três ou quatro dias.
Uma outra maneira de selecionar bactérias
acontece quando criadores de animais – galinhas, bois, vacas e outros –
empregam antibióticos com a finalidade de acelerar o ganho de peso da
bicharada, prevenir infecções e combater a mastite (infecção mamária das
vacas). O problema acontece quando faltam escrúpulos e um criador de gado
bovino, por exemplo, ordenha sua vaca antes que ela elimine por completo o
antibiótico de seu organismo. A ganância pode falar mais alto e o leite vir
com penicilina.
Esta penicilina nada desejada mata os
lactobacilos responsáveis pela produção de coalho do leite e as donas de casa
não conseguem fazer a precipitação de caseína (proteína do leite) e, assim,
não conseguem produzir queijo em casa.
Outro problema sério acarretado pela
penicilina no leite é a seleção de bactérias resistentes na orofaringe, por
exemplo. A pobre mãe não entende porque dá tanto leite aos seus queridos
filhos para que eles cresçam fortes e saudáveis e, no entanto, as crianças
vivem com aquela dor de garganta crônica, pegam pneumonia três vezes por ano,
tomam um antibiótico comum prescrito pelo doutor e nada de melhorar...
Leite até pode ser um alimento saudável, mas
não quando o compramos com penicilina de brinde...
O problema da penicilina no leite tende a
piorar nos próximos anos, quando mais e mais criadores tenderão a usar um hormônio
produzido por engenharia genética (através de técnicas de DNA recombinante)
chamado somatomamotrofina que estimula as mamas das vacas a produzir mais leite,
mas que também aumenta a incidência de mastite (infecção mamária), o que,
por sua vez, implica um maior uso de penicilina (que poderá ser secretada no
leite das pobres vaquinhas, submetidas a um sem-número de substâncias químicas).
A biotecnologia tanto pode ser uma bênção
dos céus para melhorar a qualidade de vida das pessoas como também uma ameaça
ao bem-estar da humanidade. Precisamos aprender a discernir o lado bom dessa
nova onda e encorajá-lo cada vez mais. Mas cumpre também estarmos atentos para
proteger nossa própria saúde e a daqueles que tanto amamos.
Veja mais : características dos
seres vivos
Veja mais : Divisão
Celular (mitose e meiose)