Crise
Argentina - por que tanto nos atinge?
A crise Argentina nos afeta tremendamente por duas razões principais:
a) Porque a economia brasileira está vulnerável em matéria de balanço de
pagamentos externos.
b) Porque há grande interdependência entre as economias brasileira e Argentina.
A economia brasileira está vulnerável na área cambial, porque aumentamos
muito nosso chamado "passivo externo" ao longo de anos seguidos de
sobrevalorização cambial.
A balança comercial saiu de um grande superávit, acima de 10 bilhões de dólares/ano,
para déficits crescentes, que chegou a US$ 6,4 bilhões em 1998.
Em 1999, apesar da grande desvalorização cambial ainda ficamos com déficit na
balança comercial de US$ 1,2 bilhão.
Em 2000 e 2001, a retomada do crescimento contribuiu para o aumento das importações
e, apesar do bom desempenho das exportações, a balança comercial permanece
deficitária.
Se à balança comercial agregarmos os serviços (juros, dividendos, fretes,
seguros, viagens, etc.) vamos ter o chamado déficit em conta-corrente, que
subiu de US$ 24 bilhões em 1996 para US$ 34 bilhões em 1998.
Embora tenha recuado para US$ 25 bilhões em 2000, o déficit em conta-corrente
do Brasil ainda é muito elevado e poderá voltar a crescer este ano.
Como precisamos de grande volume de recursos externos para financiar esse déficit
em conta-corrente e como há grande probabilidade de queda no volume de
investimentos diretos este ano (após recorde de US$ 31 bilhões do ano
passado), o mercado percebe que estamos em situação relativamente desconfortável
em matéria de divisas. Daí a tensão e os movimentos especulativos na área
cambial, com forte desvalorização do real frente ao dólar. Porque a crise Argentina
afeta esse mercado?
A economia brasileira é afetada direta e indiretamente pela crise Argentina.
Diretamente, porque a Argentina é o segundo mercado mais importante para as
exportações brasileiras, logo após o norte-americano.
Indiretamente, porque a crise Argentina afeta o fluxo de recursos para os países
emergentes e em particular para os mais diretamente ligados àquele país, como
é o nosso caso.
Daí porque somente vamos ter maior tranqüilidade quando a Argentina conseguir
uma solução mais definitiva para o seu problema, que é a perda de
competitividade derivada da sobrevalorização do peso (atrelado ao dólar).
Uma possibilidade teórica de o Brasil "descolar" da crise Argentina seria uma eventual melhoria substancial na balança comercial e queda do déficit
em conta-corrente, que implicasse em redução drástica de nossa dependência
aos recursos externos.
Isso, infelizmente, não parece provável, a curto e médio prazos.
Estamos, portanto, de braços dados com a Argentina. Se ela naufragar vamos
sofrer conseqüências inevitáveis.
Mas a ninguém interessa o aprofundamento da crise Argentina. Daí podermos
esperar que uma solução mais consistente para a Argentina acabe sendo
encontrada, por decisões políticas internas e apoio externo.
A primeira hipótese, de um clássico
problema de solvência fiscal, não é claramente referendada pelos números.
Embora houvesse uma tendência à deterioração, a maior parte dos indicadores
de dívida pública e desequilíbrio fiscal não era pior para a Argentina antes
da crise do que para outros países. O peso da dívida pública como proporção
do PIB (cerca de 55%) era menor do que no Brasil e no Peru, não era muito
superior ao da Colômbia e ao do Chile e certamente era muito menor do que em um
país como a Turquia. A mesma coisa acontece com a relação entre os pagamentos
de juros e o PIB ou a receita tributária. E o déficit fiscal não tem sido
maior que o do Brasil ou da Colômbia. Qualquer simulação efetuada até poucos
meses atrás com hipóteses razoáveis sobre política fiscal (as metas
anteriores do programa do FMI), índice de crescimento futuro (3% anual) e taxa
de juros (600 pontos básicos sobre a Libor) indicava que a dívida poderia ser
paga sem problemas.
A segunda hipótese, a de um problema de competitividade, também tem pouco
respaldo na realidade. Embora seja verdade que os choques externos dos últimos
anos (desvalorização do euro e do real, queda do fluxo de intercâmbio
comercial, aumento do custo de financiamento e dificuldade de ter acesso a ele
depois da crise da Rússia, desaceleração mundial) levaram a economia a um
ajuste recessivo, os índices de crescimento da produtividade, das exportações
e da economia em geral de 1990 a 1998 ficaram entre os mais altos da região.
Todos sabíamos que uma economia dolarizada e com câmbio fixo é submetida a um
forte ajuste recessivo quando ocorrem tamanhos choques externos. Mas esse ajuste
deflacionário deprecia o câmbio real e, portanto, permite recuperar a
competitividade. É questão de tempo.
Então, o que aconteceu? Nem a estrutura política da Argentina nem os mercados
internacionais tiveram a paciência que exige um ajuste desta natureza. Durante
os últimos dois anos, a política Argentina deu vários sinais de não estar
disposta a aceitar o ajuste fiscal exigido. E os mercados internacionais
reagiram diante desses fatos e da estagnação temporária com grande impaciência:
os fluxos de capital se tornaram negativos - exigindo novos ajustes domésticos
- e a taxa de juros subiu para um nível que torna a dívida impagável.
Autoridades e mercado estão agora diante da dificuldade de conduzir uma
reestruturação voluntária da dívida pública, sem que tenham sido acertados
procedimentos claros no nível internacional para atingir esse objetivo, como os
que existem no plano nacional em todos os países (processos de concordata e de
falência).
Que efeitos a crise teve até agora nos outros países da região? Uma análise
estatística indica que houve "contágio" nos custos financeiros nos
casos do Brasil, da Venezuela, do Equador e da Jamaica. Porém, isso não
ocorreu no caso de países com grau de investimento - investment grade - (Chile,
México, Uruguai, El Salvador) ou próximo dele (Colômbia, Panamá). Mesmo
assim, alguns desses países têm grandes necessidades anuais de financiamento
externo e, conseqüentemente, uma alteração prolongada no acesso ao mercado
devido a um fracasso na reestruturação voluntária da dívida Argentina acabaria afetando-os também. Houve ainda "contágio" por meio de
pressões cambiais: vê-se uma associação estreita entre aumentos no spread
argentino e a desvalorização do real brasileiro (e inclusive dos pesos chileno
e mexicano). Essas desvalorizações, por sua vez, afetaram negativamente a
economia Argentina, indicando a necessidade de, diante das crises, sócios
comerciais próximos terem respostas coordenadas.
Esta crise deixa lições amargas e preocupantes. Em primeiro lugar, mostra que
os países devem ser ainda mais prudentes em matéria fiscal e de dívida pública
do que muitos considerávamos razoável até pouco tempo atrás.
Lamentavelmente, em vários países da região sopram ventos políticos na direção
contrária. Em segundo lugar, ensina que as economias devem ser muito flexíveis
para poder se ajustar a fortes choques externos. As economias não dolarizadas,
que podem aplicar uma política de câmbio flutuante ou flexível, têm uma
vantagem. Porém todas, e principalmente as dolarizadas, devem procurar uma
maior flexibilidade em seus mercados domésticos, e de maneira especial nos
mercados trabalhistas. A terceira lição é de que há um custo muito alto se
países vizinhos, com fortes laços comerciais entre si, mantêm regimes
cambiais diferentes e não têm políticas macroeconômicas coordenadas. A
quarta é a de que muito pouco se avançou na chamada Nova Arquitetura
Internacional. Até agora nenhum país foi admitido na Linha de Crédito
Contingente do FMI, projetada para protegê-los de efeitos potenciais de
"contágio". Não foi feito nenhum guia para renegociações voluntárias
da dívida externa pública em momentos de crise, embora há muito tempo os países
industrializados insistam que devem ser preparados (a única coisa clara é que
a época de resgate generalizado com grandes "pacotes" do FMI e apoio
bilateral não voltará). Diante dessa falta de avanços na nova arquitetura
global, os países ficam essencialmente dependentes de seus próprios meios em
um ambiente muito volátil e têm, portanto, que adotar precauções extremas.
A crise foi causada por dois fatores básicos:
A Argentina não fez as reformas necessárias em suas instituições,
principalmente na previdência, abrindo, assim, um rombo no caixa do governo. A
dolarização da economia foi outro fator. Afinal, quando se dolariza a economia
seus produtos são exportados EM DÓLAR, ficando muito caros no mercado
exterior, atrapalhando, assim, as exportações.As exportações diminuindo faz
com que a balança comercial fique em déficit, ou seja, exporta-se menos do que
se importa e o país perde dinheiro.
Chegou a hora que a dolarização teria que acabar para dar um jeito nesse
rombo. O governo Duhalde decidiu, então, transformar todos os depósitos em
Pesos. Ou seja, na verdade, se você depositou 100 Dólares, eles foram
convertidos em 100 pesos.
Só que a paridade acabou, quer dizer, o Peso não vale mais o mesmo que o Dólar.
O câmbio agora, flutua, varia de acordo com a cotação do dia.
Ora, isso significa que aqueles 100 Pesos lá de cima, já não valem mais 100 dólares.
Entendeu?
As pessoas depositaram dólares e estão sacando Pesos, com valores mais baixos
que o Dólar.
Para que o sistema bancário não quebrasse com todos retirando dinheiro das
contas, o governo proibiu os saques. Isso quebrou a cadeia de pagamentos, pois
faltou dinheiro no mercado.
A primeira conseqüência para o Brasil foi na economia, pois exportamos menos
para eles;
Outra conseqüência foi no turismo. Os argentinos sumiram daqui;
No campo político foi ótimo para o Brasil. Como nós não quebramos, pois
nossa economia está forte, passamos a ser vistos como líderes/porta-vozes da
América do Sul. Isso culminou com dois fatos interessantes: Geoge Bush pediu
conselhos ao Brasil sobre a Argentina e a própria Argentina, percebendo a nova
condição de líder continental, que eles já ocuparam antes, pediram ao
Brasil, humildemente, que ajude eles com o FMI.
Em matéria de negócios os empresários brasileiros estão aproveitando e
viajando para a Argentina comprar empresas que estão sendo vendidas por preços
bem abaixo do mercado.Aumentaram as oportunidades de negócios para os empresários
brasileiros. Mas explica isso direito na sua prova! Não vai dizer que as
oportunidades aumentaram e pronto. Explica o por que.
Por trás da crise Argentina estava o descontrole dos gastos, a explosão da dívida pública e a paridade
cambial. O país passa por uma recessão há quase quatro anos e os consecutivos
planos econômicos (ao todo onze) desde o governo De la Rúa não conseguiram
estimular o crescimento.
A Argentina também sofria um sério problema de falta de competitividade no
mercado. Isso porque seus preços eram atrelados ao dólar. Essa paridade fazia
com que as exportações Argentinas fossem muito prejudicadas, fazendo com que o
país perdesse competitividade no mercado internacional.
O aumento da dívida e a incapacidade de conseguir organizar as finanças públicas
fez com que o país deixasse de contar com a confiança dos investidores
internacionais. Atualmente, a Argentina tem dificuldades para conseguir dólares,
necessários para que cumpra seus compromissos.
Essa falta de dólares aumenta a desconfiança e, conseqüentemente, diminui o crédito,
já que os investidores têm sempre temor de um calote. Essa situação fez com
que o país precisasse pagar altas taxas de juros na troca de títulos realizada
em maio do ano passado e obrigou o ex-ministro da Economia, Domingo Cavallo, a
fixar um teto de 7% para os juros na tentativa de reestruturação da dívida,
hoje de US$ 147 bilhões.
Armadilha
A Argentina esteve presa até este 6 de janeiro de 2002 à armadilha da paridade
entre o peso e o dólar desde 1991, quando Domingo Cavallo, ministro da Economia
do ex-presidente Carlos Menem (1989 a 1999) criou o sistema de conversibilidade
cambial. O modelo foi eficaz para controlar a hiperinflação Argentina, que
ultrapassava a casa dos três dígitos no mês.
No entanto, a conversibilidade que trouxe equilíbrio e estabilidade ao país se
tornou a grande responsável pela crise. Ao contrário do que se imagina, o fim
da paridade peso-dólar e a desvalorização da moeda não é solução fácil
para a Argentina, apesar de ser a saída mais viável neste momento.
É verdade que a medida pode solucionar parte dos problemas argentinos, assim
como ocorreu no Brasil. A desvalorização do real, no início de 1999, aumentou
a competitividade de nossas exportações e possibilitou ao Banco Central a redução
da taxa de juros.
O problema argentino, no entanto, é mais complicado. Encorajados pela inclusão
da paridade peso-dólar na Constituição, o governo e as empresas Argentinas não
se importaram nesses últimos anos de se endividar em dólar.
Com isso, o fim da paridade tem um efeito multiplicador dos passivos.
Atualmente, cerca de 90% da dívida pública está atrelada ao dólar. No setor
privado, esse percentual chega aos 80%. Com a flutuação do peso adotada desde
este 6 de janeiro, a dívida Argentina será ampliada.
Confira a cronologia da crise
02/03/01: A beira de um golpe de mercado, e sem encontrar saída à recessão de
33 meses, renuncia o ministro da Economia José Luis Machinea. Confirma-se
oficialmente no dia seguinte.
04/03/01: O ministro da defesa, López Murphy, é designado novo ministro da
economia.
05/03/01: Assume López Murphy com apoio de empresários, investidores e dos
bancos internacionais. A Bolsa sobe 8,1% e cai o risco país. Domingo Cavallo é
tentado para substituir o questionado Pedro Pou à frente do Banco Central.
08/03/01: López Murphy designa em sua equipe os liberais ortodoxos economistas
da Fiel (Fundação de Pesquisas Econômicas Latino-americanas, que integra),
reconhecidos ‘fanáticos do equilíbrio fiscal‘. Tensões no seio da
governista Aliança, à espera de definição do novo gabinete de De la Rúa.
11/03/01: López Murphy adverte que Argentina ‘deve corrigir o desvio‘ na área
fiscal. Depois da alta da Bolsa do primeiro dia, os mercados iniciam um caminho
descendente e volta a crescer o risco país pela indefinição do programa econômico.
12/03/01: Cavallo pleiteia ligar o peso a uma cesta de moedas, embora para o
futuro. López Murphy anuncia novo esforço fiscal.
13/03/01: Chega missão do FMI à Argentina, encabeçada pelo chileno Tomás
Raichmann.
14/03/01: Raichmann adverte que a Argentina necessita de "um golpe de timão"
e que "o mundo espera que cumpra com a lei de responsabilidade
fiscal". Rumores de renúncia de López Murphy são desmentidos pelo próprio
De la Rúa.
16/03/01: CGT "dissidente" convoca "greve ativa" de 36 horas
contra o novo pacote previsto para 5 e 6 de abril em coincidência com reunião
de ministros da economia do continente para avançar na constituição da Alca.
16/03/01: à noite, López Murphy anuncia um ajuste draconiano de US$ 4,5 bilhões
em dois anos, que afeta o setor educacional e reduz subsídios a províncias
patagônicas (sul) e a produtores de tabaco (norte).
Renunciam os ministros do interior, Federico Storani, da educação, Hugo Juri,
ambos do radicalismo, partido do presidente, e os do Frepaso (centro-esquerda,
integrante da Aliança). O bloco parlamentar do Ação pela República (AR,
centro-direita), partido de Cavallo, manifesta apoio crítico a medidas econômicas.
O principal sindicato docente Ctera anuncia greve de 48 horas para esta terça-feira
e quarta seguintes. Estudantes começam mobilizações e tomadas de
universidades.
17/03/01: López Murphy reclama "apoio político" para que os mercados
reajam positivamente quando se reabrirem segunda-feira seguinte.
Setor "dissidente" da CGT anuncia "greve nacional ativa" com
bloqueios de estrada para quarta-feira. Adere a combativa Central de
Trabalhadores Argentinos (CTA).
18/03/01: López Murphy busca "apoio na opinião pública" e de la Rúa
tenta levar Cavallo ao governo. Cavallo regressa urgentemente à Argentina do
Chile onde participava da assembléia anual do Banco Interamericano de
Desenvolvimento (BID) e à noite admite que ingressará no governo. Se diz que
seria chefe de gabinete. De la Rúa apela para um "grande acordo de unidade
nacional" e pede "poderes especiais" ao Parlamento.
19/03/01: De la Rúa se apresenta ante o BID no Chile, ratifica a
conversibilidade e nega renúncia de López Murphy que o acompanha. Ex-
vice-presidente Carlos Alvarez, titular do Frepaso, condiciona apoio a ajuste
com menor custo social. Começam bloqueios de ruas e estradas na capital e na
grande Buenos Aires. Multiplicam-se tomadas de universidades e escolas públicas.
Partidos condicionam apoio ao governo de unidade nacional e ingresso de Cavallo.
20/03/01: Depois de várias horas de reuniões, às 01H30 locais De la Rúa
confirma renúncia de López Murphy e anuncia que Cavallo é o ‘novo condutor
da economia do país‘, embora sem precisar se será como ministro da economia
ou chefe de Gabinete. Horas depois se confirma que é o novo ministro da
economia.
21/03/01: Cavallo anuncia pacote que prevê um imposto sobre transações
financeiras semelhante à CPMF brasileira. O ministro sugere também a adoção,
futuramente, da paridade do peso argentino com uma cesta de moedas com o dólar
e o euro.
25/04/01: O presidente do Banco Central argentino, Pedro Pou, que vinha
discutindo com Cavallo, é destituído e substituído por Roque Maccarone, homem
de confiança do atual ministro.
24/05/01: O governo conclui a megatroca da dívida pública cuja oferta superou
a previsão do governo. A troca somou US$ 33,3 bilhões e incluiu quatro novos títulos
no mercado: os Globais 2008 cotado em peso e em dólar; 2018 cotado em dólar e
o 2031 em dólar. Também foi lançado o Bônus Pagaré com maturidade em 2006.
15/06/01: Cavallo lança pacote de estímulo ao comércio exterior onde cria um
câmbio duplo para o peso em relação ao dólar baseado na cotação do euro.
De acordo com o plano, as exportações ficaram cerca de 8% mais baratas,
enquanto os custos de importação sed elevaram na mesma proporção. A medida
também redução da TEC (Tarifa Externa Comum) para importação de bens de
consumo dos atuais 35% para 27%, medida que fere regras do Mercosul.
29/06/01: Rumores de renúncia de Cavallo elevam o risco-país da Argentina a
1.025 pontos-base, 16 pontos acima do fechamento do dia anterior.
02/07/01: Rumores de renúncia do presidente Fernando de la Rúa elevam
novamente o risco-país da Argentina, que desta vez atinge os 1.079 pontos-base.
04/07/01: Índice de imagem positiva de De la Rúa cai a 19,5%, nível mais
baixo desde a sua posse, em dezembro de 1999.
09/07/01: O ministro Cavallo retorna da Europa e anuncia mudanças na previdência
Argentina, notícia que provoca a renúncia do presidente de Anses (Administração
Nacional de Previdência Social), Rodolfo Campero.
01/08/01: Novos rumores de Cavallo poderia se afastar do cargo faz o risco-país
bater novo recorde. A taxa fechou o dia a 1.688 pontos básicos, um dos mais
elevados do mundo.
21/08/01: O FMI (Fundo Monetário Internacional) libera ajuda adicional de US$ 8
bilhões, dos quais US$ 5 bilhões serão destinados à recomposição das
reservas internacionais do país.
22/08/01: A taxa de risco-país recua mais de 200 pontos estimulada pela ajuda
adicional do FMI. O risco fechou em 1.450 pontos básicos, 201 pontos abaixo da
taxa do dia anterior.
28/08/01: O Bird (Banco Mundial) aprova crédito de US$ 400 milhões ao país.
29/08/01: O BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) libera empréstimo de
US$ 500 milhões destinado à implementação de "reformas fiscais"
nas Províncias.
17/09/01: O risco-país argentino volta a disparar, fechando em 1.652 pontos básicos.
A expectativa piora do desaquecimento mundial depois dos atentados terroristas
de 11 de setembro ampliam o temor sobre o mercado argentino.
05/10/01: A taxa do risco-país bate recorde pela primeira vez, atingindo os
1.924 pontos básicos e superando o da Nigéria.
14/10/01: Eleições legislativas. O resultado foi uma derrota para o governo. O
partido Justicialista (de oposição) ficou com 62 vagas da Câmara de
Deputados, contra 35 da Aliança governista (Frepaso e UCR). No Senado, os
justicialista conquistaram 40 cadeiras e a Aliança, 27.
29/10/01: O governo anuncia mudanças em seu Gabinete de ministros. Cria novos
setores e funde áreas com o objetivo de reduzir os gastos.
30/10/01: O risco-país argentino volta a registrar fortes altas e começa a
bater recordes consecutivos. Nesse dia, a taxa fechou em 2.003 pontos básicos,
depois de atingir a máxima de 2.013 pontos.
01/11/01: O governo argentino anuncia um novo pacote econômico, com pontos
que destacam a área social e reduzem os impostos. É apresentado também um
plano de reestruturação da dívida.
02/11/01: O pacote não é bem aceito pelo mercado, principalmente pelas condições
que o governo pretende renegociar a dívida. O risco-país volta a bater outro
recorde e atinge os 2.501 pontos básicos, o maior desde 1995, quando a Argentina
sofreu forte influência da crise mexicana.
05/11/01: Cavallo anuncia o início da troca do títulos da dívida interna. O
governo oferece empréstimos garantidos pela arrecadação tributária em troca
dos atuais títulos.
16/11/01: Cavallo diz que a economia Argentina já está dolarizada. "Já
temos uma dolarização, pois já existe um grande volume de dólares
circulando. A diferença é que, além disso, temos a opção de usar outras
moedas".
01/12/01: Cavallo lança mais um pacote econômico (o 9º do governo De la Rúa)
para conter a onda de saques em bancos que assola o país. As medidas são uma
dolarização parcial do sistema financeiro.
05/12/01: FMI nega a liberação da parcela de US$ 1,26 bilhão à Argentina;
apesar de promover os cortes nos gastos, o país não cumpriu a meta de déficit
zero devido à queda na arrecadação.
07/12/01: Cavallo vai a Washington tentar reverter a decisão do FMI de
suspender o pagamento da parcela de US$ 1,26 bilhão, prevista para chegar em
dezembro.
19/12/01: Argentina consegue pagar os vencimentos e evitar o calote; crise
social avança com saques e confrontos com a polícia na região de Buenos Aires
e quatro pessoas são mortas. O governo argentino decretou estado de sítio para
conter a onda de saques e a violência. Quatro pessoas morreram e dezenas
ficaram feridas. No Congresso, os deputados retiraram os superpoderes do
ministro da Economia, Domingo Cavallo. Agora, todas as medidas econômicas e
fiscal propostas pelo governo serão aprovadas pelo Congresso.
20/12/01: O superministro Domingo Cavallo e todo o gabinete ministerial pedem
demissão ao presidente Fernando de la Rúa.
20/12/01: Sem conseguir apoio da oposição, o presidente Fernando de la Rúa
entrega sua carta de demissão.
21/12/01: O Congresso convoca Assembléia conjunta (deputados e senadores) para
aceitar a demissão de De la Rúa. O pedido é aceito.
21/12/01: O presidente do Senado, Ramón Puerta, assume interinamente a Presidência
até que o Congresso decida o futuro do país. As opções são convocar eleições
diretas em 90 dias ou eleger indiretamente um substituto que terminaria o
mandato de De la Rúa, em 2003.
22/12/01: Os peronistas escolhem o governador de San Luis, Adolfo Rodríguez Saá,
novo presidente da Argentina e decidem convocar eleições diretas para 3 de março.
23/12/01: O novo presidente interino, Adolfo Rodríguez Saá, assume e declara
unilateralmente a moratória da dívida. Anuncia também a criação de uma nova
moeda para injetar liquidez na economia. Reduz o gabinete para apenas três
ministérios e coloca os demais, como Economia, com status de secretaria de
Estado.
30/12/01: Abalado pelos novos protestos da população e pela falta de apoio dos
colegas governadores peronistas, o presidente interino, Adolfo Rodríguez Saá,
renunciou ao cargo e devolveu o poder para o presidente provisório do Senado,
Ramón Puerta, que também desiste do cargo, passando-o para o presidente da Câmara,
deputado Eduardo Camaño.
01/01/02: Após uma série de entendimentos políticos liderados pelo Partido
Justicialista (peronista), mesmo diante de grandes divergências internas, o
senador Eduardo Duhalde é escolhido pela Assembléia Legislativa (sessão
conjunta do Senado e Câmara argentinos) como novo presidente do país. Ele deve
governar até dezembro de 2003.
06/01/02: A Câmara dos Deputados Argentina aprova na madrugada do domingo a
“Lei de Emergência Pública e de Reforma do Regime Cambial”, reunindo as
medidas do novo pacote econômico do governo Eduardo Duhalde, que acaba com o
regime cambial de conversibilidade entre peso e dólar. Logo após, na noite do
domingo, foi a vez do Senado aprovar o projeto. Assim, o governo já anunciou
que o dólar vale agora, pelo câmbio oficial, 1,40 peso.
11/01/02: O presidente Eduardo Duhalde enfrenta o primeiro panelaço de sua gestão.
14/01/02: O presidente Eduardo Duhalde vai à TV, junto com líderes da Igreja
Católica, e pede união nacional em torno das novas medidas econômicas.
15/01/02: O BC argentino faz sua primeira intervenção no sistema de câmbio
duplo.
17/01/02: O presidente do BC Roque Maccarone pede demissão. Em seu lugar,
assume o vice Mario Blejer, ex-funcionário do FMI. O Senado aprova um programa
de socorro aos bancos, nos moldes do Proer brasileiro.
01/02/02: A Corte Suprema considera inconstitucional o corralito;
03/02/02: O presidente Eduardo Duhalde baixa um decreto proibindo por seis meses
ações na Justiça contra o corralito; o ministro Jorge Remes Lenicov anuncia o
fim do câmbio duplo e a pesificação das dívidas (na proporção de US$ 1 por
peso) e dos depósitos (US$ 1 por 1,40 peso); acabou também com as restrições
para saques das contas-salário.
11/02/02: Após uma semana de feriado cambial, começa a vigorar o sistema de câmbio
livre na Argentina. O ministro Jorge Remes Lenicov vai aos Estados Unidos
negociar um novo programa de socorro do FMI
Reflexos no Brasil
Crise Argentina derruba turismo em Santa Catarina
A crise na Argentina está tendo pelo menos um efeito direto no Brasil – a
diminuição dos turistas que costumavam passar o verão nas praias do país. Em
Santa Catarina, o Estado que tradicionalmente recebe mais argentinos, a queda
registrada já está em torno de 50% ao verão passado.
E para piorar, os poucos argentinos que estão vindo estão gastando menos.
"Historicamente, o turista argentino gastava de US$ 28 a US$ 30 por
dia", afirma José Arcino Silva , diretor de marketing da Santur
(Secretaria Estadual de Turismo de Santa Catarina).
"Além disso, era um turista com perfil familiar, que vinha em grupos de
quatro pessoas. Com a recente crise, temos um perfil diferente - é um turista
mais jovem, sem acompanhante, e seu gasto gira em torno de US$ 20 a US$ 22 por
dia."
Baque
"No ano passado, recebemos 480 mil turistas argentinos. A previsão esse
ano é de 250 mil argentinos, entre janeiro e fevereiro", completa Arcino.
O baque é grande para o turismo nacional. De acordo com a ABAV, Associação
Brasileira das Agências de Viagens, os argentinos representam 40% dos
estrangeiros que visitam o Brasil.
"A grande queda no número de turistas argentinos nessa temporada de verão
acontece porque os operadores de turismo de lá não podem mandar dinheiro para
o pagamento dos hotéis, serviços, e companhias aéreas daqui", explica
Leonel Rossi, diretor de assuntos internacionais da ABAV.
"E os argentinos não podem sacar dólares para viajar para o Brasil."
A dimensão da crise pode ser medida por dados da Infraero, a Empresa Brasileira
de Infra-Estrutura Aeroportuária: já foram cancelados 232 vôos fretados para
Florianópolis, o que representa 31% dos 771 vôos programados para o período
entre o final de dezembro e março. Deste total de cancelamentos, 230 aviões
viriam da Argentina e 2 do Paraguai.
Esperança
Mesmo diante do quadro desanimador, a ABAV acredita que nem tudo ainda esteja
perdido. Leonel Rossi diz que o governo argentino deve fixar regras para que as
agências de turismo locais possam pagar as operadoras brasileiras. Se a remessa
de dinheiro for facilitada, os meses de fevereiro e março ainda podem ser
salvos.
O governo catarinense prefere se garantir por outro lado, tentando compensar a
ausência dos argentinos com turistas de outras partes.
"Não rejeitamos o mercado argentino, mas agora trabalhamos com um leque
maior de opções, como os mercados chileno, uruguaio, paraguaio e sudeste
brasileiro", disse Arcino Silva, da Santur.
A partir do dia 10, será veiculada uma campanha nos jornais de circulação
nacional para divulgar o turismo de Santa Catarina para o mercado interno.
Crise Argentina pode salvar Mercosul, diz Batlle
Batlle defende políticas econômicas mais afinadas
O presidente do Uruguai, Jorge Batlle, disse que a crise vivida atualmente pela Argentina
pode representar uma "solução" para o Mercosul.
Em entrevista exclusiva à BBC, Batlle afirmou que, se a Argentina de fato
deixar flutuar sua moeda, será mais fácil chegar a acordos macroeconômicos no
interior do bloco.
"A diferença de políticas econômicas é o que mais faz mal ao
Mercosul", afirmou Batlle. Para ele, a falta de harmonia na gestão das
economias dos países-membros sempre foi o grande problema enfrentado pelo
grupo.
Segundo o presidente uruguaio, enquanto esteve valendo o regime de paridade
cambial do peso com o dólar na Argentina, "o sistema brasileiro e o
argentino eram como duas grandes forças em sentidos opostos".
Equilíbrio
Batlle afirma que, uma vez que a Argentina liberar completamente seu regime
cambial, "poderá ser encontrado um ponto de equilíbrio com o
Brasil".
"Se o ministro Jorge Remes Lenicov puder impor seu pensamento econômico e
tiver sucesso em seus objetivos, creio que vamos estar em condições de olhar
o Mercosul com um pouco mais de otimismo", disse Battle.
Mas, se a Argentina não conseguir se recuperar, o presidente uruguaio diz não
ver uma saída para o Mercosul. "Se eu tivesse essa resposta, ganharia o Prêmio
Nobel da imaginação."
Batlle também pediu para que se espere um pouco antes que comecem as cobranças
sobre o novo governo argentino a respeito do Mercosul.
"Não podemos exigir que eles nos digam hoje o que vão fazer com o
Mercosul, se não sabem nem se vão estar vivos amanhã", observou o
presidente uruguaio.
Ele também fez pouco caso daqueles que aproveitam a atual crise para criticar
as políticas neoliberais adotadas pela Argentina nos últimos dez anos.
"Os políticos argentinos que criticam o atual modelo citam o Chile como
exemplo a ser seguido, e há uma contradição nisso."
'Contágio' pela crise Argentina pode ser evitado
O caos argentino amedrontou economistas
Os protestos e saques nas ruas de Buenos Aires despertaram nervosismo em
economistas de todo o mundo.
Se a Argentina, que já foi a mais rica e desenvolvida economia da América
Latina, pode cair em um estado próximo da anarquia em tão pouco tempo, quais são
as chances dessa situação se espalhar?
Quando o caos atinge uma economia emergente, ele costuma infectar os que estão
por perto. Como aconteceu entre 1997 e 1998, quando a desvalorização da moeda
russa foi seguida pelo colapso econômico asiático.
Desta vez, no entanto, o contágio total pode ser evitado.
Mercados fortalecidos
A maioria dos mercados emergentes mundiais está hoje fortalecida, após uma série
de contratempos sofridos na década de 90. Isso pode permitir que eles consigam
evitar crises mais graves.
Os grandes investidores globais costumam achar que os mercados emergentes, que
se estendem da Albânia ao Zimbabwe, constituem um grupo homogêneo. Quando um
país é afetado, presume-se que todos os demais também serão. Uma crise na Zâmbia
pode, por exemplo, provocar uma fuga de capital na Armênia.
Entre as décadas de 80 e 90, muitos mercados emergentes passaram a receber um
fluxo de elevados investimentos. Mas o retorno desse investimento se dava por
meio de especulação.
Investidores internacionais tendem a agir em bloco
Já na segunda metade dos anos 90, inúmeros países, em especial os da Ásia e
do Leste Europeu, descobriram que esse tipo de dinheiro some tão rápido quanto
chega.
O colapso da economia russa em 1998, fez com que o fluxo de capital para
mercados emergentes praticamente cessasse.
Os ricos também sofrem
Mas crises econômicas não dizem respeito apenas a países em desenvolvimento.
O rápido crescimento dos investimentos internacionais permite o surgimento de
cada vez mais empregos nos países ricos, mas estes empregos dependem dos
mercados emergentes.
Hoje, são poucas as empresas multinacionais que não possuem investimentos nos
mercados em expansão. Para algumas companhias, principalmente as do setor
financeiro e as de bens de consumo, países em desenvolvimento são os únicos
que lhes permitem obter crescimento considerável.
Rússia se fortaleceu após colapso econômico de 98
O colapso da Rússia em agosto de 98 teve o seu preço para as firmas que haviam
investido pesadamente no mercado do país.
Agora, alguns temem que uma crise na América Latina quebre empresas desde
Manhattan até Madri. Por sorte, o temor de que haja uma crise nos moldes da que
aconteceu em 98 são exagerados.
Isso foi posto à prova no início deste ano, quando diversos mercados
importantes como Brasil, Argentina e Turquia sofreram fortes abalos. A despeito
de várias previsões pessimistas, estes abalos não se converteram em crises.
Mesmo que sofram a ação de especuladores, atualmente, a maior parte das
economias em desenvolvimento depende menos de investimentos de curto prazo do
que na década de 90.
Mas a crise Argentina ainda pode fazer vítimas. Os que estão mais próximos da
linha de fogo são os vizinhos latino-americanos, que agora estão duplamente
ameaçados.
Ameaças ao Brasil
Uma das ameaças é que eles estão sujeitos é o mesmo tipo de punição a que
os investidores estão submetendo a Argentina.
O mercado financeiro do Brasil, que é maior que o argentino, costuma servir de
substituto para investidores durante períodos de crise na Argentina. Neste ano,
o mercado brasileiro de ações desvalorizou em quase 30%. Entre as nações
emergentes, apenas o Egito, a Turquia e própria Argentina tiveram um desempenho
pior do que esse.
Dada a importância da Argentina como parceira comercial dos países
latino-americanos qualquer ruptura econômica terá conseqüências para a região.
O Brasil vem realizando muitas exportações para a Argentina, mas a demanda no
país está caindo rapidamente.
A longo prazo, possivelmente o maior dano causado pela situação Argentina é
contra a reputação da economia latino-americana, que já está em situação
frágil desde a década passada.
Segundo a agência econômica das Nações Unidas, a América Latina e o Caribe
crescerão apenas 0,5% este ano e 1,1% em 2002.
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