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A Crise Argentina

 

Crise Argentina - por que tanto nos atinge?
A crise Argentina nos afeta tremendamente por duas razões principais:

a) Porque a economia brasileira está vulnerável em matéria de balanço de pagamentos externos.

b) Porque há grande interdependência entre as economias brasileira e Argentina.

A economia brasileira está vulnerável na área cambial, porque aumentamos muito nosso chamado "passivo externo" ao longo de anos seguidos de sobrevalorização cambial.

A balança comercial saiu de um grande superávit, acima de 10 bilhões de dólares/ano, para déficits crescentes, que chegou a US$ 6,4 bilhões em 1998.

Em 1999, apesar da grande desvalorização cambial ainda ficamos com déficit na balança comercial de US$ 1,2 bilhão.

Em 2000 e 2001, a retomada do crescimento contribuiu para o aumento das importações e, apesar do bom desempenho das exportações, a balança comercial permanece deficitária.

Se à balança comercial agregarmos os serviços (juros, dividendos, fretes, seguros, viagens, etc.) vamos ter o chamado déficit em conta-corrente, que subiu de US$ 24 bilhões em 1996 para US$ 34 bilhões em 1998.

Embora tenha recuado para US$ 25 bilhões em 2000, o déficit em conta-corrente do Brasil ainda é muito elevado e poderá voltar a crescer este ano.

Como precisamos de grande volume de recursos externos para financiar esse déficit em conta-corrente e como há grande probabilidade de queda no volume de investimentos diretos este ano (após recorde de US$ 31 bilhões do ano passado), o mercado percebe que estamos em situação relativamente desconfortável em matéria de divisas. Daí a tensão e os movimentos especulativos na área cambial, com forte desvalorização do real frente ao dólar. Porque a crise Argentina afeta esse mercado?

A economia brasileira é afetada direta e indiretamente pela crise Argentina.

Diretamente, porque a Argentina é o segundo mercado mais importante para as exportações brasileiras, logo após o norte-americano.

Indiretamente, porque a crise Argentina afeta o fluxo de recursos para os países emergentes e em particular para os mais diretamente ligados àquele país, como é o nosso caso.

Daí porque somente vamos ter maior tranqüilidade quando a Argentina conseguir uma solução mais definitiva para o seu problema, que é a perda de competitividade derivada da sobrevalorização do peso (atrelado ao dólar).

Uma possibilidade teórica de o Brasil "descolar" da crise Argentina seria uma eventual melhoria substancial na balança comercial e queda do déficit em conta-corrente, que implicasse em redução drástica de nossa dependência aos recursos externos.

Isso, infelizmente, não parece provável, a curto e médio prazos.

Estamos, portanto, de braços dados com a Argentina. Se ela naufragar vamos sofrer conseqüências inevitáveis.

Mas a ninguém interessa o aprofundamento da crise Argentina. Daí podermos esperar que uma solução mais consistente para a Argentina acabe sendo encontrada, por decisões políticas internas e apoio externo.

A primeira hipótese, de um clássico problema de solvência fiscal, não é claramente referendada pelos números. Embora houvesse uma tendência à deterioração, a maior parte dos indicadores de dívida pública e desequilíbrio fiscal não era pior para a Argentina antes da crise do que para outros países. O peso da dívida pública como proporção do PIB (cerca de 55%) era menor do que no Brasil e no Peru, não era muito superior ao da Colômbia e ao do Chile e certamente era muito menor do que em um país como a Turquia. A mesma coisa acontece com a relação entre os pagamentos de juros e o PIB ou a receita tributária. E o déficit fiscal não tem sido maior que o do Brasil ou da Colômbia. Qualquer simulação efetuada até poucos meses atrás com hipóteses razoáveis sobre política fiscal (as metas anteriores do programa do FMI), índice de crescimento futuro (3% anual) e taxa de juros (600 pontos básicos sobre a Libor) indicava que a dívida poderia ser paga sem problemas.


A segunda hipótese, a de um problema de competitividade, também tem pouco respaldo na realidade. Embora seja verdade que os choques externos dos últimos anos (desvalorização do euro e do real, queda do fluxo de intercâmbio comercial, aumento do custo de financiamento e dificuldade de ter acesso a ele depois da crise da Rússia, desaceleração mundial) levaram a economia a um ajuste recessivo, os índices de crescimento da produtividade, das exportações e da economia em geral de 1990 a 1998 ficaram entre os mais altos da região. Todos sabíamos que uma economia dolarizada e com câmbio fixo é submetida a um forte ajuste recessivo quando ocorrem tamanhos choques externos. Mas esse ajuste deflacionário deprecia o câmbio real e, portanto, permite recuperar a competitividade. É questão de tempo.


Então, o que aconteceu? Nem a estrutura política da Argentina nem os mercados internacionais tiveram a paciência que exige um ajuste desta natureza. Durante os últimos dois anos, a política Argentina deu vários sinais de não estar disposta a aceitar o ajuste fiscal exigido. E os mercados internacionais reagiram diante desses fatos e da estagnação temporária com grande impaciência: os fluxos de capital se tornaram negativos - exigindo novos ajustes domésticos - e a taxa de juros subiu para um nível que torna a dívida impagável. Autoridades e mercado estão agora diante da dificuldade de conduzir uma reestruturação voluntária da dívida pública, sem que tenham sido acertados procedimentos claros no nível internacional para atingir esse objetivo, como os que existem no plano nacional em todos os países (processos de concordata e de falência).


Que efeitos a crise teve até agora nos outros países da região? Uma análise estatística indica que houve "contágio" nos custos financeiros nos casos do Brasil, da Venezuela, do Equador e da Jamaica. Porém, isso não ocorreu no caso de países com grau de investimento - investment grade - (Chile, México, Uruguai, El Salvador) ou próximo dele (Colômbia, Panamá). Mesmo assim, alguns desses países têm grandes necessidades anuais de financiamento externo e, conseqüentemente, uma alteração prolongada no acesso ao mercado devido a um fracasso na reestruturação voluntária da dívida Argentina acabaria afetando-os também. Houve ainda "contágio" por meio de pressões cambiais: vê-se uma associação estreita entre aumentos no spread argentino e a desvalorização do real brasileiro (e inclusive dos pesos chileno e mexicano). Essas desvalorizações, por sua vez, afetaram negativamente a economia Argentina, indicando a necessidade de, diante das crises, sócios comerciais próximos terem respostas coordenadas.


Esta crise deixa lições amargas e preocupantes. Em primeiro lugar, mostra que os países devem ser ainda mais prudentes em matéria fiscal e de dívida pública do que muitos considerávamos razoável até pouco tempo atrás. Lamentavelmente, em vários países da região sopram ventos políticos na direção contrária. Em segundo lugar, ensina que as economias devem ser muito flexíveis para poder se ajustar a fortes choques externos. As economias não dolarizadas, que podem aplicar uma política de câmbio flutuante ou flexível, têm uma vantagem. Porém todas, e principalmente as dolarizadas, devem procurar uma maior flexibilidade em seus mercados domésticos, e de maneira especial nos mercados trabalhistas. A terceira lição é de que há um custo muito alto se países vizinhos, com fortes laços comerciais entre si, mantêm regimes cambiais diferentes e não têm políticas macroeconômicas coordenadas. A quarta é a de que muito pouco se avançou na chamada Nova Arquitetura Internacional. Até agora nenhum país foi admitido na Linha de Crédito Contingente do FMI, projetada para protegê-los de efeitos potenciais de "contágio". Não foi feito nenhum guia para renegociações voluntárias da dívida externa pública em momentos de crise, embora há muito tempo os países industrializados insistam que devem ser preparados (a única coisa clara é que a época de resgate generalizado com grandes "pacotes" do FMI e apoio bilateral não voltará). Diante dessa falta de avanços na nova arquitetura global, os países ficam essencialmente dependentes de seus próprios meios em um ambiente muito volátil e têm, portanto, que adotar precauções extremas.

A crise foi causada por dois fatores básicos: A Argentina não fez as reformas necessárias em suas instituições, principalmente na previdência, abrindo, assim, um rombo no caixa do governo. A dolarização da economia foi outro fator. Afinal, quando se dolariza a economia seus produtos são exportados EM DÓLAR, ficando muito caros no mercado exterior, atrapalhando, assim, as exportações.As exportações diminuindo faz com que a balança comercial fique em déficit, ou seja, exporta-se menos do que se importa e o país perde dinheiro.
Chegou a hora que a dolarização teria que acabar para dar um jeito nesse rombo. O governo Duhalde decidiu, então, transformar todos os depósitos em Pesos. Ou seja, na verdade, se você depositou 100 Dólares, eles foram convertidos em 100 pesos.
Só que a paridade acabou, quer dizer, o Peso não vale mais o mesmo que o Dólar. O câmbio agora, flutua, varia de acordo com a cotação do dia.
Ora, isso significa que aqueles 100 Pesos lá de cima, já não valem mais 100 dólares. Entendeu?
As pessoas depositaram dólares e estão sacando Pesos, com valores mais baixos que o Dólar.
Para que o sistema bancário não quebrasse com todos retirando dinheiro das contas, o governo proibiu os saques. Isso quebrou a cadeia de pagamentos, pois faltou dinheiro no mercado.

A primeira conseqüência para o Brasil foi na economia, pois exportamos menos para eles;
Outra conseqüência foi no turismo. Os argentinos sumiram daqui;
No campo político foi ótimo para o Brasil. Como nós não quebramos, pois nossa economia está forte, passamos a ser vistos como líderes/porta-vozes da América do Sul. Isso culminou com dois fatos interessantes: Geoge Bush pediu conselhos ao Brasil sobre a Argentina e a própria Argentina, percebendo a nova condição de líder continental, que eles já ocuparam antes, pediram ao Brasil, humildemente, que ajude eles com o FMI.
Em matéria de negócios os empresários brasileiros estão aproveitando e viajando para a Argentina comprar empresas que estão sendo vendidas por preços bem abaixo do mercado.Aumentaram as oportunidades de negócios para os empresários brasileiros. Mas explica isso direito na sua prova! Não vai dizer que as oportunidades aumentaram e pronto. Explica o por que.

Por trás da crise Argentina estava o descontrole dos gastos, a explosão da dívida pública e a paridade cambial. O país passa por uma recessão há quase quatro anos e os consecutivos planos econômicos (ao todo onze) desde o governo De la Rúa não conseguiram estimular o crescimento.

A Argentina também sofria um sério problema de falta de competitividade no mercado. Isso porque seus preços eram atrelados ao dólar. Essa paridade fazia com que as exportações Argentinas fossem muito prejudicadas, fazendo com que o país perdesse competitividade no mercado internacional.

O aumento da dívida e a incapacidade de conseguir organizar as finanças públicas fez com que o país deixasse de contar com a confiança dos investidores internacionais. Atualmente, a Argentina tem dificuldades para conseguir dólares, necessários para que cumpra seus compromissos.

Essa falta de dólares aumenta a desconfiança e, conseqüentemente, diminui o crédito, já que os investidores têm sempre temor de um calote. Essa situação fez com que o país precisasse pagar altas taxas de juros na troca de títulos realizada em maio do ano passado e obrigou o ex-ministro da Economia, Domingo Cavallo, a fixar um teto de 7% para os juros na tentativa de reestruturação da dívida, hoje de US$ 147 bilhões.

Armadilha

A Argentina esteve presa até este 6 de janeiro de 2002 à armadilha da paridade entre o peso e o dólar desde 1991, quando Domingo Cavallo, ministro da Economia do ex-presidente Carlos Menem (1989 a 1999) criou o sistema de conversibilidade cambial. O modelo foi eficaz para controlar a hiperinflação Argentina, que ultrapassava a casa dos três dígitos no mês.

No entanto, a conversibilidade que trouxe equilíbrio e estabilidade ao país se tornou a grande responsável pela crise. Ao contrário do que se imagina, o fim da paridade peso-dólar e a desvalorização da moeda não é solução fácil para a Argentina, apesar de ser a saída mais viável neste momento.

É verdade que a medida pode solucionar parte dos problemas argentinos, assim como ocorreu no Brasil. A desvalorização do real, no início de 1999, aumentou a competitividade de nossas exportações e possibilitou ao Banco Central a redução da taxa de juros.

O problema argentino, no entanto, é mais complicado. Encorajados pela inclusão da paridade peso-dólar na Constituição, o governo e as empresas Argentinas não se importaram nesses últimos anos de se endividar em dólar.

Com isso, o fim da paridade tem um efeito multiplicador dos passivos. Atualmente, cerca de 90% da dívida pública está atrelada ao dólar. No setor privado, esse percentual chega aos 80%. Com a flutuação do peso adotada desde este 6 de janeiro, a dívida Argentina será ampliada.


Confira a cronologia da crise


02/03/01: A beira de um golpe de mercado, e sem encontrar saída à recessão de 33 meses, renuncia o ministro da Economia José Luis Machinea. Confirma-se oficialmente no dia seguinte.

04/03/01: O ministro da defesa, López Murphy, é designado novo ministro da economia.

05/03/01: Assume López Murphy com apoio de empresários, investidores e dos bancos internacionais. A Bolsa sobe 8,1% e cai o risco país. Domingo Cavallo é tentado para substituir o questionado Pedro Pou à frente do Banco Central.

08/03/01: López Murphy designa em sua equipe os liberais ortodoxos economistas da Fiel (Fundação de Pesquisas Econômicas Latino-americanas, que integra), reconhecidos ‘fanáticos do equilíbrio fiscal‘. Tensões no seio da governista Aliança, à espera de definição do novo gabinete de De la Rúa.

11/03/01: López Murphy adverte que Argentina ‘deve corrigir o desvio‘ na área fiscal. Depois da alta da Bolsa do primeiro dia, os mercados iniciam um caminho descendente e volta a crescer o risco país pela indefinição do programa econômico.

12/03/01: Cavallo pleiteia ligar o peso a uma cesta de moedas, embora para o futuro. López Murphy anuncia novo esforço fiscal.

13/03/01: Chega missão do FMI à Argentina, encabeçada pelo chileno Tomás Raichmann.

14/03/01: Raichmann adverte que a Argentina necessita de "um golpe de timão" e que "o mundo espera que cumpra com a lei de responsabilidade fiscal". Rumores de renúncia de López Murphy são desmentidos pelo próprio De la Rúa.

16/03/01: CGT "dissidente" convoca "greve ativa" de 36 horas contra o novo pacote previsto para 5 e 6 de abril em coincidência com reunião de ministros da economia do continente para avançar na constituição da Alca.

16/03/01: à noite, López Murphy anuncia um ajuste draconiano de US$ 4,5 bilhões em dois anos, que afeta o setor educacional e reduz subsídios a províncias patagônicas (sul) e a produtores de tabaco (norte).
Renunciam os ministros do interior, Federico Storani, da educação, Hugo Juri, ambos do radicalismo, partido do presidente, e os do Frepaso (centro-esquerda, integrante da Aliança). O bloco parlamentar do Ação pela República (AR, centro-direita), partido de Cavallo, manifesta apoio crítico a medidas econômicas.
O principal sindicato docente Ctera anuncia greve de 48 horas para esta terça-feira e quarta seguintes. Estudantes começam mobilizações e tomadas de universidades.

17/03/01: López Murphy reclama "apoio político" para que os mercados reajam positivamente quando se reabrirem segunda-feira seguinte.
Setor "dissidente" da CGT anuncia "greve nacional ativa" com bloqueios de estrada para quarta-feira. Adere a combativa Central de Trabalhadores Argentinos (CTA).

18/03/01: López Murphy busca "apoio na opinião pública" e de la Rúa tenta levar Cavallo ao governo. Cavallo regressa urgentemente à Argentina do Chile onde participava da assembléia anual do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e à noite admite que ingressará no governo. Se diz que seria chefe de gabinete. De la Rúa apela para um "grande acordo de unidade nacional" e pede "poderes especiais" ao Parlamento.

19/03/01: De la Rúa se apresenta ante o BID no Chile, ratifica a conversibilidade e nega renúncia de López Murphy que o acompanha. Ex- vice-presidente Carlos Alvarez, titular do Frepaso, condiciona apoio a ajuste com menor custo social. Começam bloqueios de ruas e estradas na capital e na grande Buenos Aires. Multiplicam-se tomadas de universidades e escolas públicas. Partidos condicionam apoio ao governo de unidade nacional e ingresso de Cavallo.

20/03/01: Depois de várias horas de reuniões, às 01H30 locais De la Rúa confirma renúncia de López Murphy e anuncia que Cavallo é o ‘novo condutor da economia do país‘, embora sem precisar se será como ministro da economia ou chefe de Gabinete. Horas depois se confirma que é o novo ministro da economia.

21/03/01: Cavallo anuncia pacote que prevê um imposto sobre transações financeiras semelhante à CPMF brasileira. O ministro sugere também a adoção, futuramente, da paridade do peso argentino com uma cesta de moedas com o dólar e o euro.

25/04/01: O presidente do Banco Central argentino, Pedro Pou, que vinha discutindo com Cavallo, é destituído e substituído por Roque Maccarone, homem de confiança do atual ministro.

24/05/01: O governo conclui a megatroca da dívida pública cuja oferta superou a previsão do governo. A troca somou US$ 33,3 bilhões e incluiu quatro novos títulos no mercado: os Globais 2008 cotado em peso e em dólar; 2018 cotado em dólar e o 2031 em dólar. Também foi lançado o Bônus Pagaré com maturidade em 2006.

15/06/01: Cavallo lança pacote de estímulo ao comércio exterior onde cria um câmbio duplo para o peso em relação ao dólar baseado na cotação do euro. De acordo com o plano, as exportações ficaram cerca de 8% mais baratas, enquanto os custos de importação sed elevaram na mesma proporção. A medida também redução da TEC (Tarifa Externa Comum) para importação de bens de consumo dos atuais 35% para 27%, medida que fere regras do Mercosul.

29/06/01: Rumores de renúncia de Cavallo elevam o risco-país da Argentina a 1.025 pontos-base, 16 pontos acima do fechamento do dia anterior.

02/07/01: Rumores de renúncia do presidente Fernando de la Rúa elevam novamente o risco-país da Argentina, que desta vez atinge os 1.079 pontos-base.

04/07/01: Índice de imagem positiva de De la Rúa cai a 19,5%, nível mais baixo desde a sua posse, em dezembro de 1999.

09/07/01: O ministro Cavallo retorna da Europa e anuncia mudanças na previdência Argentina, notícia que provoca a renúncia do presidente de Anses (Administração Nacional de Previdência Social), Rodolfo Campero.

01/08/01: Novos rumores de Cavallo poderia se afastar do cargo faz o risco-país bater novo recorde. A taxa fechou o dia a 1.688 pontos básicos, um dos mais elevados do mundo.

21/08/01: O FMI (Fundo Monetário Internacional) libera ajuda adicional de US$ 8 bilhões, dos quais US$ 5 bilhões serão destinados à recomposição das reservas internacionais do país.

22/08/01: A taxa de risco-país recua mais de 200 pontos estimulada pela ajuda adicional do FMI. O risco fechou em 1.450 pontos básicos, 201 pontos abaixo da taxa do dia anterior.

28/08/01: O Bird (Banco Mundial) aprova crédito de US$ 400 milhões ao país.

29/08/01: O BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) libera empréstimo de US$ 500 milhões destinado à implementação de "reformas fiscais" nas Províncias.

17/09/01: O risco-país argentino volta a disparar, fechando em 1.652 pontos básicos. A expectativa piora do desaquecimento mundial depois dos atentados terroristas de 11 de setembro ampliam o temor sobre o mercado argentino.

05/10/01: A taxa do risco-país bate recorde pela primeira vez, atingindo os 1.924 pontos básicos e superando o da Nigéria.

14/10/01: Eleições legislativas. O resultado foi uma derrota para o governo. O partido Justicialista (de oposição) ficou com 62 vagas da Câmara de Deputados, contra 35 da Aliança governista (Frepaso e UCR). No Senado, os justicialista conquistaram 40 cadeiras e a Aliança, 27.

29/10/01: O governo anuncia mudanças em seu Gabinete de ministros. Cria novos setores e funde áreas com o objetivo de reduzir os gastos.

30/10/01: O risco-país argentino volta a registrar fortes altas e começa a bater recordes consecutivos. Nesse dia, a taxa fechou em 2.003 pontos básicos, depois de atingir a máxima de 2.013 pontos.

01/11/01: O governo argentino anuncia um novo pacote econômico, com pontos que destacam a área social e reduzem os impostos. É apresentado também um plano de reestruturação da dívida.

02/11/01: O pacote não é bem aceito pelo mercado, principalmente pelas condições que o governo pretende renegociar a dívida. O risco-país volta a bater outro recorde e atinge os 2.501 pontos básicos, o maior desde 1995, quando a Argentina sofreu forte influência da crise mexicana.

05/11/01: Cavallo anuncia o início da troca do títulos da dívida interna. O governo oferece empréstimos garantidos pela arrecadação tributária em troca dos atuais títulos.

16/11/01: Cavallo diz que a economia Argentina já está dolarizada. "Já temos uma dolarização, pois já existe um grande volume de dólares circulando. A diferença é que, além disso, temos a opção de usar outras moedas".

01/12/01: Cavallo lança mais um pacote econômico (o 9º do governo De la Rúa) para conter a onda de saques em bancos que assola o país. As medidas são uma dolarização parcial do sistema financeiro.

05/12/01: FMI nega a liberação da parcela de US$ 1,26 bilhão à Argentina; apesar de promover os cortes nos gastos, o país não cumpriu a meta de déficit zero devido à queda na arrecadação.

07/12/01: Cavallo vai a Washington tentar reverter a decisão do FMI de suspender o pagamento da parcela de US$ 1,26 bilhão, prevista para chegar em dezembro.

19/12/01: Argentina consegue pagar os vencimentos e evitar o calote; crise social avança com saques e confrontos com a polícia na região de Buenos Aires e quatro pessoas são mortas. O governo argentino decretou estado de sítio para conter a onda de saques e a violência. Quatro pessoas morreram e dezenas ficaram feridas. No Congresso, os deputados retiraram os superpoderes do ministro da Economia, Domingo Cavallo. Agora, todas as medidas econômicas e fiscal propostas pelo governo serão aprovadas pelo Congresso.

20/12/01: O superministro Domingo Cavallo e todo o gabinete ministerial pedem demissão ao presidente Fernando de la Rúa.

20/12/01: Sem conseguir apoio da oposição, o presidente Fernando de la Rúa entrega sua carta de demissão.

21/12/01: O Congresso convoca Assembléia conjunta (deputados e senadores) para aceitar a demissão de De la Rúa. O pedido é aceito.

21/12/01: O presidente do Senado, Ramón Puerta, assume interinamente a Presidência até que o Congresso decida o futuro do país. As opções são convocar eleições diretas em 90 dias ou eleger indiretamente um substituto que terminaria o mandato de De la Rúa, em 2003.

22/12/01: Os peronistas escolhem o governador de San Luis, Adolfo Rodríguez Saá, novo presidente da Argentina e decidem convocar eleições diretas para 3 de março.

23/12/01: O novo presidente interino, Adolfo Rodríguez Saá, assume e declara unilateralmente a moratória da dívida. Anuncia também a criação de uma nova moeda para injetar liquidez na economia. Reduz o gabinete para apenas três ministérios e coloca os demais, como Economia, com status de secretaria de Estado.

30/12/01: Abalado pelos novos protestos da população e pela falta de apoio dos colegas governadores peronistas, o presidente interino, Adolfo Rodríguez Saá, renunciou ao cargo e devolveu o poder para o presidente provisório do Senado, Ramón Puerta, que também desiste do cargo, passando-o para o presidente da Câmara, deputado Eduardo Camaño.

01/01/02: Após uma série de entendimentos políticos liderados pelo Partido Justicialista (peronista), mesmo diante de grandes divergências internas, o senador Eduardo Duhalde é escolhido pela Assembléia Legislativa (sessão conjunta do Senado e Câmara argentinos) como novo presidente do país. Ele deve governar até dezembro de 2003.

06/01/02: A Câmara dos Deputados Argentina aprova na madrugada do domingo a “Lei de Emergência Pública e de Reforma do Regime Cambial”, reunindo as medidas do novo pacote econômico do governo Eduardo Duhalde, que acaba com o regime cambial de conversibilidade entre peso e dólar. Logo após, na noite do domingo, foi a vez do Senado aprovar o projeto. Assim, o governo já anunciou que o dólar vale agora, pelo câmbio oficial, 1,40 peso.

11/01/02: O presidente Eduardo Duhalde enfrenta o primeiro panelaço de sua gestão.

14/01/02: O presidente Eduardo Duhalde vai à TV, junto com líderes da Igreja Católica, e pede união nacional em torno das novas medidas econômicas.

15/01/02: O BC argentino faz sua primeira intervenção no sistema de câmbio duplo.

17/01/02: O presidente do BC Roque Maccarone pede demissão. Em seu lugar, assume o vice Mario Blejer, ex-funcionário do FMI. O Senado aprova um programa de socorro aos bancos, nos moldes do Proer brasileiro.

01/02/02: A Corte Suprema considera inconstitucional o corralito;

03/02/02: O presidente Eduardo Duhalde baixa um decreto proibindo por seis meses ações na Justiça contra o corralito; o ministro Jorge Remes Lenicov anuncia o fim do câmbio duplo e a pesificação das dívidas (na proporção de US$ 1 por peso) e dos depósitos (US$ 1 por 1,40 peso); acabou também com as restrições para saques das contas-salário.

11/02/02: Após uma semana de feriado cambial, começa a vigorar o sistema de câmbio livre na Argentina. O ministro Jorge Remes Lenicov vai aos Estados Unidos negociar um novo programa de socorro do FMI



Reflexos no Brasil


Crise Argentina derruba turismo em Santa Catarina

A crise na Argentina está tendo pelo menos um efeito direto no Brasil – a diminuição dos turistas que costumavam passar o verão nas praias do país. Em Santa Catarina, o Estado que tradicionalmente recebe mais argentinos, a queda registrada já está em torno de 50% ao verão passado.

E para piorar, os poucos argentinos que estão vindo estão gastando menos.

"Historicamente, o turista argentino gastava de US$ 28 a US$ 30 por dia", afirma José Arcino Silva , diretor de marketing da Santur (Secretaria Estadual de Turismo de Santa Catarina).

"Além disso, era um turista com perfil familiar, que vinha em grupos de quatro pessoas. Com a recente crise, temos um perfil diferente - é um turista mais jovem, sem acompanhante, e seu gasto gira em torno de US$ 20 a US$ 22 por dia."

Baque

"No ano passado, recebemos 480 mil turistas argentinos. A previsão esse ano é de 250 mil argentinos, entre janeiro e fevereiro", completa Arcino.

O baque é grande para o turismo nacional. De acordo com a ABAV, Associação Brasileira das Agências de Viagens, os argentinos representam 40% dos estrangeiros que visitam o Brasil.

"A grande queda no número de turistas argentinos nessa temporada de verão acontece porque os operadores de turismo de lá não podem mandar dinheiro para o pagamento dos hotéis, serviços, e companhias aéreas daqui", explica Leonel Rossi, diretor de assuntos internacionais da ABAV.

"E os argentinos não podem sacar dólares para viajar para o Brasil."

A dimensão da crise pode ser medida por dados da Infraero, a Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária: já foram cancelados 232 vôos fretados para Florianópolis, o que representa 31% dos 771 vôos programados para o período entre o final de dezembro e março. Deste total de cancelamentos, 230 aviões viriam da Argentina e 2 do Paraguai.

Esperança

Mesmo diante do quadro desanimador, a ABAV acredita que nem tudo ainda esteja perdido. Leonel Rossi diz que o governo argentino deve fixar regras para que as agências de turismo locais possam pagar as operadoras brasileiras. Se a remessa de dinheiro for facilitada, os meses de fevereiro e março ainda podem ser salvos.

O governo catarinense prefere se garantir por outro lado, tentando compensar a ausência dos argentinos com turistas de outras partes.

"Não rejeitamos o mercado argentino, mas agora trabalhamos com um leque maior de opções, como os mercados chileno, uruguaio, paraguaio e sudeste brasileiro", disse Arcino Silva, da Santur.

A partir do dia 10, será veiculada uma campanha nos jornais de circulação nacional para divulgar o turismo de Santa Catarina para o mercado interno.

Crise Argentina pode salvar Mercosul, diz Batlle

Batlle defende políticas econômicas mais afinadas


O presidente do Uruguai, Jorge Batlle, disse que a crise vivida atualmente pela Argentina pode representar uma "solução" para o Mercosul.

Em entrevista exclusiva à BBC, Batlle afirmou que, se a Argentina de fato deixar flutuar sua moeda, será mais fácil chegar a acordos macroeconômicos no interior do bloco.

"A diferença de políticas econômicas é o que mais faz mal ao Mercosul", afirmou Batlle. Para ele, a falta de harmonia na gestão das economias dos países-membros sempre foi o grande problema enfrentado pelo grupo.

Segundo o presidente uruguaio, enquanto esteve valendo o regime de paridade cambial do peso com o dólar na Argentina, "o sistema brasileiro e o argentino eram como duas grandes forças em sentidos opostos".

Equilíbrio

Batlle afirma que, uma vez que a Argentina liberar completamente seu regime cambial, "poderá ser encontrado um ponto de equilíbrio com o Brasil".

"Se o ministro Jorge Remes Lenicov puder impor seu pensamento econômico e tiver sucesso em seus objetivos, creio que vamos estar em condições de olhar o Mercosul com um pouco mais de otimismo", disse Battle.

Mas, se a Argentina não conseguir se recuperar, o presidente uruguaio diz não ver uma saída para o Mercosul. "Se eu tivesse essa resposta, ganharia o Prêmio Nobel da imaginação."

Batlle também pediu para que se espere um pouco antes que comecem as cobranças sobre o novo governo argentino a respeito do Mercosul.

"Não podemos exigir que eles nos digam hoje o que vão fazer com o Mercosul, se não sabem nem se vão estar vivos amanhã", observou o presidente uruguaio.

Ele também fez pouco caso daqueles que aproveitam a atual crise para criticar as políticas neoliberais adotadas pela Argentina nos últimos dez anos.

"Os políticos argentinos que criticam o atual modelo citam o Chile como exemplo a ser seguido, e há uma contradição nisso."


'Contágio' pela crise Argentina pode ser evitado
O caos argentino amedrontou economistas

Os protestos e saques nas ruas de Buenos Aires despertaram nervosismo em economistas de todo o mundo.

Se a Argentina, que já foi a mais rica e desenvolvida economia da América Latina, pode cair em um estado próximo da anarquia em tão pouco tempo, quais são as chances dessa situação se espalhar?

Quando o caos atinge uma economia emergente, ele costuma infectar os que estão por perto. Como aconteceu entre 1997 e 1998, quando a desvalorização da moeda russa foi seguida pelo colapso econômico asiático.

Desta vez, no entanto, o contágio total pode ser evitado.

Mercados fortalecidos

A maioria dos mercados emergentes mundiais está hoje fortalecida, após uma série de contratempos sofridos na década de 90. Isso pode permitir que eles consigam evitar crises mais graves.

Os grandes investidores globais costumam achar que os mercados emergentes, que se estendem da Albânia ao Zimbabwe, constituem um grupo homogêneo. Quando um país é afetado, presume-se que todos os demais também serão. Uma crise na Zâmbia pode, por exemplo, provocar uma fuga de capital na Armênia.

Entre as décadas de 80 e 90, muitos mercados emergentes passaram a receber um fluxo de elevados investimentos. Mas o retorno desse investimento se dava por meio de especulação.


Investidores internacionais tendem a agir em bloco

Já na segunda metade dos anos 90, inúmeros países, em especial os da Ásia e do Leste Europeu, descobriram que esse tipo de dinheiro some tão rápido quanto chega.

O colapso da economia russa em 1998, fez com que o fluxo de capital para mercados emergentes praticamente cessasse.

Os ricos também sofrem

Mas crises econômicas não dizem respeito apenas a países em desenvolvimento.

O rápido crescimento dos investimentos internacionais permite o surgimento de cada vez mais empregos nos países ricos, mas estes empregos dependem dos mercados emergentes.

Hoje, são poucas as empresas multinacionais que não possuem investimentos nos mercados em expansão. Para algumas companhias, principalmente as do setor financeiro e as de bens de consumo, países em desenvolvimento são os únicos que lhes permitem obter crescimento considerável.


Rússia se fortaleceu após colapso econômico de 98


O colapso da Rússia em agosto de 98 teve o seu preço para as firmas que haviam investido pesadamente no mercado do país.

Agora, alguns temem que uma crise na América Latina quebre empresas desde Manhattan até Madri. Por sorte, o temor de que haja uma crise nos moldes da que aconteceu em 98 são exagerados.

Isso foi posto à prova no início deste ano, quando diversos mercados importantes como Brasil, Argentina e Turquia sofreram fortes abalos. A despeito de várias previsões pessimistas, estes abalos não se converteram em crises.

Mesmo que sofram a ação de especuladores, atualmente, a maior parte das economias em desenvolvimento depende menos de investimentos de curto prazo do que na década de 90.

Mas a crise Argentina ainda pode fazer vítimas. Os que estão mais próximos da linha de fogo são os vizinhos latino-americanos, que agora estão duplamente ameaçados.

Ameaças ao Brasil

Uma das ameaças é que eles estão sujeitos é o mesmo tipo de punição a que os investidores estão submetendo a Argentina.

O mercado financeiro do Brasil, que é maior que o argentino, costuma servir de substituto para investidores durante períodos de crise na Argentina. Neste ano, o mercado brasileiro de ações desvalorizou em quase 30%. Entre as nações emergentes, apenas o Egito, a Turquia e própria Argentina tiveram um desempenho pior do que esse.

Dada a importância da Argentina como parceira comercial dos países latino-americanos qualquer ruptura econômica terá conseqüências para a região. O Brasil vem realizando muitas exportações para a Argentina, mas a demanda no país está caindo rapidamente.

A longo prazo, possivelmente o maior dano causado pela situação Argentina é contra a reputação da economia latino-americana, que já está em situação frágil desde a década passada.

Segundo a agência econômica das Nações Unidas, a América Latina e o Caribe crescerão apenas 0,5% este ano e 1,1% em 2002.

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