A pré-história engloba a chamada Idade da Pedra,
quando os homens se utilizavam de objetos de pedra (machados, facas,
etc.). Talvez por volta de 5000 a.C. os homens fabricaram os primeiros
objetos de ouro e prata, materiais que na natureza já se encontram na
forma metálica. Por volta de 3000 a.C. na Mesopotâmia (hoje, Iraque),
obteve-se o bronze (liga metálica de cobre e estanho), iniciando-se
assim a chamada Idade do Bronze; com esse material se fabrica armas e
utensílios domésticos mais leves e resistentes. Foram provavelmente os
assírios, por volta de 1500 a.C. os primeiros a obter o ferro (Idade do
Ferro), e com ele novas armas e utensílios foram produzidos. Criavam-se
assim as técnicas metalúrgicas, isto é, o processos de se obterem e
transformarem os metais e ligas metálicas, que são também processos
químicos.
Por volta de 1400 a.C., os egípcios já haviam
atingido um alto grau de desenvolvimento, não só na Química metalúrgica
mas também no que poderíamos chamar de Química doméstica.
Trabalhavam com o ferro, o ouro, a prata e outros metais; fabricavam o
vidro; produziam o papiro para a escrita; sabiam curtir o couro e
extrair corantes, medicamentos e perfumes das plantas; fabricavam
bebidas fermentadas semelhantes à cerveja, etc. Não podemos esquecer
que, na conservação de suas múmias, os egípcios atingiram níveis de
perfeição que são admirados até hoje.
Muitos desses conhecimentos egípcios passaram para
outros povos do Oriente Médio (fenícios, hebreus, etc.) e,
posteriormente, para os gregos e os romanos. É interessante também
salientar que, na mesma época e muito longe dessas civilizações —
na China —, também eram desenvolvidas técnicas apuradas, como as de
produção do vidro e da porcelana.
No entanto é importante observar que, apesar de por
volta de 400 a.C. já se conhecerem muitos produtos químicos (óxidos
de ferro, de cobre e de zinco, sulfatos de ferro e de cobre, etc.) e
muitas técnicas de transformação química (fusão, dissolução,
filtração, etc., por aquecimento com fogo direto, em banho-maria,
etc.), não existiam explicações para esses fenômenos. Os povos
antigos se preocupavam mais com as práticas de produção das coisas do
que com a teoria ou com explicação dos porquês de as coisas
aconteceram.
Foram os filósofos gregos da Antigüidade os
primeiros que se preocuparam com a explicação dos fenômenos. Os povos
antigos se preocupavam mais com as práticas de produção das coisas do
que com a teoria ou com explicação dos porquês de as coisas
acontecerem.
Foram os filósofos gregos da Antigüidade os
primeiros que se preocuparam com a explicação dos fenômenos da
natureza. Assim, por exemplo, Demócrito (460-370 a.C.) afirmavam que
todas as coisas deste mundo (um grão de areia, uma gota de água, etc.)
poderiam ser divididas em partículas cada vez menores, até se chegar a
uma partícula mínima que não poderia mais ser dividida e que seria
denominada átomo (do grego: a, "não", e tomos,
"partes"); essa idéia, que não se firmou na época, só veio
a renascer na Química, muitos séculos depois.
Aristóteles (384-322 a.C.), um dos maiores filósofos
gregos da Antigüidade, acreditava, ao contrário de Demócrito, que a
matéria poderia ser dividida infinitamente e que tudo o que existia no
Universo era formado pela reunião, em quantidades variáveis, de quatro
elementos: terra, água, fogo e ar.
Considerando que, durante séculos, eram trabalhos
completamente distintos e separados o dos artesãos, que faziam as
coisas, e o dos pensadores, que tentavam explicar os fenômenos, é fácil
concluir por que a Ciência, e em particular a Química, levou tanto
tempo para progredir. De fato, as próprias idéias de Aristóteles
permaneceram praticamente inalteradas, orientando a Ciência, por quase
2000 anos!
Na Idade Média (aproximadamente entre os anos de 500
a 1500 da era cristã) se desenvolveu, entre árabes e europeus, a
ALQUIMIA, cujo sonho era descobrir o elixir da longa vida, que poderia
tornar o homem imortal, e a pedra filosofal, que teria o poder de
transformar metais baratos em ouro. Os alquimistas não conseguiram
chegar às metas sonhadas, mas ao longo de suas pesquisas acabaram
produzindo novos materiais, como o álcool, o ácido sulfúrico, o ácido
nítrico, etc., fabricando novos aparelhos, como o almofariz, o
alambique, etc., e aperfeiçoando novas técnicas, como a destilação,
a extração, etc. Apesar de ser uma "arte secreta", onde se
misturavam idéias de Magia, Ciência e novas práticas químicas, a
Alquimia contribuiu muito para o desenvolvimento da técnica, embora não
tenha contribuído para o desenvolvimento das explicações dos fenômenos
químicos.
No século XVI, na Europa, os pesquisadores
abandonaram o "sonho" da Alquimia e partiram para caminhos
mais realistas e úteis, principalmente a produção de medicamentos,
principal objetivo da IATROQUÍMICA, onde se distinguiu o médico
Paracelsius (1493-1541). Com isso, novas substâncias, aparelhagens e técnicas
foram surgindo. Um fato importante dessa época foi o aparecimento das
primeiras sociedades científicas, onde os cientistas se reuniam para
trocar informações sobre suas descobertas.
Em 1661, o filósofo inglês Robert Boyle (1627-1691)
publicou o livro O químico cético, onde criticava as idéias de Aristóteles
sobre a "teoria dos quatro elementos". Tentava-se então
buscar explicações mais lógicas para os fenômenos químicos.
No século XVIII, firmou-se realmente o caráter
científico da Química. Vários gases foram descobertos e estudados.
Lavoisier, com a introdução da balança em seus experimentos,
conseguiu pesar os materiais envolvidos antes e depois de uma transformação
química, notando então que a massa permanecia constante. Podemos dizer
que, nos séculos XVIII e XIX, com os trabalhos de muitos cientistas,
surgiu a QUÍMICA MODERNA, que já proporcionava uma explicação lógica
para a existência de muitos materiais diferentes e suas possíveis
transformações químicas.
É importante notar também que a partir dessa época
se juntou o trabalho experimental feito em laboratório (trabalho prático)
com a correspondente busca das explicações da natureza da matéria e
as razões de suas transformações químicas (trabalho teórico).
No século XIX ocorreu um desenvolvimento extraordinário
na Química, tanto em sua parte prática como na parte teórica. Na prática,
foram descobertos vários novos elementos químicos e produzidas muitas
novas substâncias químicas. Na teoria, consolidaram-se as idéias de
ÁTOMO, principalmente devido aos trabalhos de John Dalton (1766-1844) e
de MOLÉCULA, principalmente por Amedeo Avogadro (1776-1856); Dimitri
Ivanovitch Mendeleyev (1834-1907) conseguiu ordenar os elementos químicos,
de forma racional, em sua TABELA PERIÓDICA. É muito importante notar
também que, em decorrência desse "casamento" da prática com
a teoria, houve um grande desenvolvimento das técnicas de análise e síntese
químicas. A análise química procura responder à pergunta
"quais, quantos e como os elementos (átomos) estão reunidos nas
substâncias (moléculas)?"; a síntese química procura explicar
"como podemos transformar as substâncias de maneira a produzir
novas substâncias?".
Essa complementação da prática com a teoria e
vice-versa continuou e continua se aprofundando até hoje. Por isso
tivemos, no século XX, um progresso fabuloso da Química.
Com o uso de equipamentos modernos (eletrônicos,
computadores, raio laser, etc.), a Química teórica conseguiu
determinar as estruturas dos átomos e das moléculas, com precisão
cada vez maior. Também a Química experimental evoluiu
extraordinariamente; por exemplo, somente entre 1960 e 1969 conseguiu-se
sintetizar cerca de 1,2 milhão de novos compostos conhecidos ultrapassa
a casa dos 10 milhões. Tudo isso acabou sendo aplicado nas indústrias,
resultando numa vasta tecnologia química, com a fabricação de
milhares e milhares de novos produtos: plásticos, tecidos, borrachas
sintéticas, medicamentos, tintas, corantes, etc.