
• Ainda é pouca a melhora nas
condições de vida da população • Aumento na indústria, investimentos e
agricultura
A recuperação da economia cubana
mantém-se desde 1995, mas o crescimento não pode ainda compensar a redução súbita
que sofreu a Ilha, após a desintegração do campo socialista da Europa
Oriental.
Uniram-se ao recrudescimento do
bloqueio, outras questões complexas no âmbito econômico da nação cubana
durante este ano, quando os preços do petróleo aumentaram a índices gritantes
e os do açúcar, um dos principais produtos exportáveis, despencaram, se
juntando a isso que o turismo não satisfez as expectativas nas rendas.
O crescimento de 5,6% no Produto
Interno Bruto no ano 2000, evidencia que as transformações iniciadas nesta década,
no setor econômico, tornaram possível a sustentada recuperação do País.
Na última reunião plenária do
Comitê Central do Partido Comunista de Cuba, examinaram-se os fatores
principais que conduzem a esse comportamento, que são, em primeiro lugar, as
mudanças estruturais realizadas na busca de rendas do Exterior.
Outro dos aspectos que influem no
crescimento sustentável da economia é maior espaço aos serviços — como o
turismo —, mais dinâmico a nível internacional, menos gasto energético e
melhor uso da força de trabalho qualificada.
Em segundo lugar, maior eficiência
energética na produção. Na agricultura, por exemplo, em 1989, colher uma
tonelada de tubérculos e hortaliças, exigia de um gasto de 95 quilos de diesel
e 19 de gasolina. Agora, gastam-se 37 e 3, respectivamente.
Na extração niquelífera
constata-se um racionamento similar no uso do combustível. A usina Ernesto Che
Guevara, situada na região de Moa, ao leste do País, emprega metade do combustível
que antes gastava na fabricação de uma tonelada do minério, em comparação
com 1989.
Outras produções também
registram menor consumo de combustível, o qual foi possível graças não só a
mudanças tecnológicas, mas também a uma melhor organização dos processos
industriais e agrícolas.
Em terceiro lugar, o crescimento
na extração de petróleo e seu maior uso na geração elétrica, na produção
de cimento e de níquel.
A indústria global da Ilha —
incluindo a leve — cresceu 5% durante o 2000 e melhorou seus resultados em 17
dos 22 ramos que a integram.
O incremento de 9,3% nas construções
reflete que apostamos pela consolidação de uma infra-estrutura propiciadora de
bens e serviços.
É bom salientar o aumento de
11,4% nos investimentos. Por volta de 3 bilhões de pesos foram destinados à
construção e modernização de termelétricas, extração e transporte de petróleo
e gás, níquel, maiores capacidades hoteleiras e obras ligadas ao setor das
telecomunicações.
A sólida recuperação baseia-se,
aliás, na manutenção do equilíbrio financeiro interno, na sua tendência
crescente de forma positiva e na redução do déficit da conta corrente.
Mais de 370 empresas, com presença
de capital estrangeiro, funcionam no País, tendo ótimos resultados. Foi
promovido para contribuir com tecnologia e mercados.
Nestes anos, os empresários
estrangeiros investiram, aproximadamente, US$ 4,3 bilhões, valores
materializados na sua maioria e a outra parte, em execução.
Os lucros dos empresários
estrangeiros são remetidos ao Exterior sem nenhuma restrição ou trâmite.
O Aperfeiçoamento Empresarial,
processo que se iniciou nos últimos anos, é considerado como a transformação
mais radical no aparelho econômico nacional, ao mudarem de concepção os
executivos, ao exigirem uma correta contabilidade e serem eliminadas práticas
paternalistas e de tutelagem.
As empresas enroladas no Aperfeiçoamento
Empresarial possuem maiores lucros e redução das despesas, em relação com o
ano anterior. O processo de incorporação é muito seletivo. Em 1999, foi
suspenso o processo de Aperfeiçoamento Empresarial em 295 empresas, por não possuírem a contabilidade adequada.
Se bem que a macroeconomia seja
favorável, as condições de vida da população não se aproximam ainda das
existentes no País antes do Período Especial, quanto ao fornecimento de
alimentos, confecções têxteis e eletrodomésticos, com preços mais acessíveis
a ela, em conformidade com seus rendimentos.
O transporte continua sendo um
problema para curtas e longas distâncias. Além disso, há poucos recursos para
a reparação de casas, bem como a distribuição de novos prédios de
apartamentos.
OURO NEGRO EM ASCENSÃO
A produção de 2,8 milhões de
toneladas de petróleo no País e a possibilidade de atingir cinco milhões para
2005, foi uma das notícias mais comentadas pela população neste fim-de-ano,
pelos problemas que a falta de combustível provocou e provoca no nível de vida
das pessoas.
Os 500 metros cúbicos de gás
natural, empregues na geração elétrica, também possibilitam não só
vantagens econômicas, mas também melhoras nas condições de vida da família
cubana.
O crescimento da produção petrolífera
— em 1989 apenas se atingiu por volta de meio milhão de toneladas — e o
aproveitamento do gás acompanhante permitiu poupar US$ 400 milhões à economia
do País. Os 70% da eletricidade são gerados com petróleo proveniente das próprias
jazidas da Ilha e usa-se, aliás, na produção de cimento e está sendo
introduzida na de níquel.
Novas tecnologias nos processos de
perfuração e extração, mudanças na organização empresarial e a presença
de companhias estrangeiras, cujo investimento ultrapassa US$ 600 milhões,
incidiram no aumento acelerado da produção de petróleo no País.
Um milhão de habitantes da
capital, quase metade da população de Havana, cozinha com gás natural, ao ser
substituído o canalizado, devido a que a extração de petróleo na faixa norte
(Cojímar—Varadero) cresceu seis vezes em relação com 1989.
A produção niquelífera atingiu
72 mil toneladas durante o ano, uma cifra ainda superior à conseguida antes do
Período Especial: 46 591.
MODERNIZAÇÃO DO SISTEMA
FINANCEIRO
O sistema financeiro bancário foi
submetido a um programa de reordenamento, modernização e proteção de negociações
ilícitas, face à volatilidade e incerteza predominantes no sistema financeiro
mundial.
Manteve-se a estabilidade da moeda
cubana, conseguindo sua revalorização sete vezes, desde 1994 até à data. Por
sua vez, diminuiu o desemprego e ficou sob controle a inflação, de acordo com
uma análise do ministro presidente do Banco Central de Cuba, Francisco Soberón.
Foi autorizado que cidadãos e
empresas operem contas diretamente em divisas nos bancos cubanos. No caso das
entidades, devem possuir licença, concedida somente àquelas pessoas que
realizam operações comerciais ou financeiras com o Exterior.
Os cidadãos cubanos podem operar
com moedas estrangeiras dentro do território nacional e possuir contas em
divisas, além de efetuarem trocas de moeda nacional em divisas e vice-versa nas
Casas de Câmbio (Cadeca), embora existam rigorosos controles quanto à saída
de divisas ao Exterior.
Agora, estão em funcionamento
oito bancos comerciais e 16 entidades financeiras não-bancárias, algumas
delas, com participação de capital estrangeiro.
No entanto, disse Soberón, os
oito bancos autorizados para realizarem todo o tipo de operações no território
nacional são cubanos e ficam sob controle estatal.
O uso das técnicas bancárias
mais modernas possibilita que aproximadamente 1 200 empresas efetuem transações
eletronicamente.
Foram introduzidos 350 mil cartões
com faixas magnéticas para o pagamento de salários, pensões e operação de
contas de poupança. Além disso, foram instaladas 78 caixas automáticas.
O montante dos créditos
concedidos em divisas pelo sistema bancário a empresas cubanas durante o ano
2000, foi de aproximadamente US$ 2 bilhões. Em moeda nacional, os empréstimos
ultrapassaram US$ 5,5 bilhões.
Os 40% da população cubana
possuem contas nos bancos, tanto em moeda nacional quanto em dólares, o qual
aponta para a confiança no sistema financeiro do País.
A seriedade e honestidade para
cumprir os compromissos com instituições credoras estrangeiras foi reiterada
pelo ministro presidente do Banco Central de Cuba, quando anunciou que uma parte
considerável da dívida foi reestruturada, o qual possibilitou reabrir o acesso
ao crédito com respaldo oficial.
Mantêm-se contatos com o Clube de
Paris sobre a possibilidade de uma reestruturação multilateral da dívida a médio
e longo prazos.
CINCO VEZES MAIS TURISTAS QUE HÁ
11 ANOS
Durante 2000, visitaram o País
cinco vezes mais turistas que há onze anos. O turismo na Ilha, com uma natureza
e praias paradisíacas, concluiu o ano com crescimento de 10%, registrando 1,8
milhão turistas provenientes do Canadá, Alemanha, Itália, Espanha, França,
Reino Unido, México e Argentina, países onde se concentra 70% dos turistas que
preferem a Ilha.
No mercado emissor a Cuba também
ocupam lugar de destaque países como Portugal, Suíça, Países Baixos e Áustria.
Outras nações latino-americanas
onde se trabalha para atrair turistas são a Venezuela e o Brasil; na Europa, são
incentivados os países escandinavos e a Rússia; e na Ásia existem
potencialidades no Japão e na China.
Este setor, obrigado pela
competitividade a um processo contínuo de enriquecimento e assimilação de práticas
novas e tornado a locomotiva da economia cubana, deve diversificar suas
alternativas para os viajantes.
Sem encaixarmo-nos na promoção
de sol e de mar, será promovido o interesse pelos valores históricos,
naturais, esportes náuticos, pelo chamado turismo de eventos e congressos,
muito de moda no mundo atual pela necessidade do intercâmbio científico-técnico.
Dos 12 900 apartamentos disponíveis
em 1990, chega-se ao novo século com 35 mil, mantendo-se uma taxa de
crescimento de 11% durante esta década.
A indústria do lazer emprega mais
de 90 mil trabalhadores e, de maneira indireta, vincula-se mais 300 mil. Nos
resultados econômicos é ainda alto o custo (0,78 centavos de dólar) em cada dólar
de renda adicional, resultado que para o ministro do Turismo, Ibrahim Ferradaz,
está ligado não só a deficiências internas, mas também à desvalorização
do euro e ao aumento dos preços do petróleo.
A idiossincrasia do cubano, o
sossego das ruas, o nível profissional de serviços, e a salubridade, são
fatores que influem no fato de os turistas ficarem satisfeitos com sua estada na
Ilha, algo essencial para que se repita a visita.
MAIS AÇÚCAR E MAIOR
QUALIDADE
Durante 114 dias, o País produziu
4,05 milhões de toneladas de açúcar na safra 1999-2000, com crescimento de
7,3% em relação à anterior.
Uma questão que deve se salientar
da última colheita é que o açúcar teve a maior qualidade dos últimos
tempos, de acordo com uma análise recente realizada por especialistas desse
setor.
Foram paralisadas 44 usinas açucareiras,
tendo em consideração que não era fatível seu funcionamento por causa do péssimo
estado dos seus canaviais. Continuaram em funcionamento 111 usinas, cifra que se
prevê seja similar na safra 2000-2001, recém-iniciada.
Melhorou o índice de açúcar
extraído à cana, durante o processo industrial, indicador que registrou o
resultado mais favorável dos últimos 15 anos.
O rápido embarque do açúcar
produzido registrou lucros de mais de US$ 2,2 milhões, segundo fontes do Ministério
do Açúcar.
O custo da tonelada de açúcar
foi de 352 pesos e 36 centavos, inferior onze pesos ao da safra anterior e às
previsões.
Entre as deficiências da passada
safra, está o péssimo acabamento das reparações industriais, o qual provocou
que 36 usinas tivessem um número elevado de tempo perdido por avarias, durante
o primeiro mês da safra.
Além disso, são altas as perdas
de cana na colheita mecanizada, não só pela má operação das colheitadeiras,
mas também por os campos não estarem bem preparados para aplicar essa técnica
de corte. Aliás, é alto o índice de cana atrasada que é moída nos usinas, o
qual incide na eficiência.
Para a safra 2000-2001, prevê-se
uma produção de açúcar inferior, pois a longa seca que afetou virtualmente
todas as plantações de cana, diminuiu o rendimento agrícola e a
disponibilidade geral de matéria-prima. Esta situação obriga a adotar medidas
técnicas e organizativas extremas na colheita para reduzir as perdas e
condicionar maior eficiência no processo da cana-de-açúcar.
MELHORAS NO RAMO VEGETAL,
PORÉM NÃO NO ANIMAL
Enquanto a agricultura marca
pontos a favor com o resultado das suas produções vegetais, no setor animal as
condições são ainda mais complexas para a recuperação.
Os índices atingidos na produção
de ovos, de leite, carne de ave, bovina e de porco flutuam entre 40 e 45% da
prevista antes do Período Especial.
A produção de alimentos
provenientes de animais precisa de alta garantia financeira para respaldar a
importação de rações e outros insumos.
Embora se transformem os métodos
de alimentação ao gado, com base na sustentabilidade com recursos locais, os
pastos tropicais são de baixo conteúdo protéico, razão pela qual necessita
ser complementada com concentrados de grãos que, nas condições desta Ilha,
registram baixos rendimentos. De 900 milhões de litros de leite, agora apenas
se obtêm 400 milhões.
A produção de ovos e de carne de
ave defronta-se com situação similar, pois os componentes das rações são
caros e adquirem-se em mercados distantes. Em 2000, apenas se atingiu 45% da
produção de ovos do início da passada década, enquanto a carne de ave
diminuiu de 117 mil toneladas para 30 mil.
Quanto à carne de porco, nos últimos
três anos, houve uma recuperação mais rápida. De 100 mil toneladas obtidas,
antes do Período Especial, já atingimos 60 mil. Tudo isso é devido a um
sistema de contratos com os produtores, aos quais se facilita 50% dos alimentos
em troca de um volume combinado de carne com melhor preço.
A agricultura propicia emprego a
um milhão de pessoas entre operários e camponeses. Dispõe de 500 empresas e 7
mil organizações produtivas em cinco fórmulas diferentes.
Um dos mais sérios problemas de
anos anteriores, a flutuação trabalhista e a falta de mão-de-obra, é
resolvida com o vínculo dos resultados à produção.
Para incentivar as culturas de
fumo, café, frutas e produções de autoabastecimento familiar, o Estado cubano
entregou 100 mil hectares de terra em usufruto gratuito a 76 mil pessoas, nos últimos
seis anos.
São consideráveis as reduções
de combustível, fertilizantes e pesticidas na produção agropecuária. De 500
mil toneladas de diesel consumidas em 1989, agora gastam-se 250 mil. Em dito período,
a aplicação de fertilizantes químicos diminuiu de 961 mil toneladas de
fertilizantes para 200 mil. Quanto aos pesticidas, a redução também é
considerável, ao se proteger com produtos biológicos um milhão de hectares.