SOCIALISMO UTÓPICO
Também
chamado de socialismo romântico, surge no início do século XIX e concebe a
organização de uma sociedade ideal sem conflitos ou desigualdades. Os
pensadores buscam no Iluminismo e nos ideais da Revolução Francesa os
fundamentos de sua crítica à sociedade capitalista. O inglês Thomas Morus é
o precursor, com o livro Utopia (1516), no qual afirma que a propriedade
particular é a fonte de toda injustiça social. Os principais representantes são
o inglês Robert Owen, que defende a sociedade autogerida, e os franceses
Charles Fourrier, que pretende uma organização em que todos vivam
harmonicamente, e Saint-Simon, que idealiza o domínio da ciência sobre uma
sociedade sem classes.
Robert
Owen (1771-1858), rico industrial inglês que se transforma em um dos mais
importantes socialistas utópicos. Sua contribuição nasce da própria experiência.
Instala em New Lanark (Escócia) uma comunidade inspirada nos ideais utópicos.
Monta uma fiação no centro de uma comunidade operária e promove a organização
de serviços comunitários de educação, saúde e assistência social. A
comunidade passa a se autogerir e todos os integrantes pertencem à mesma
classe. No lugar de dinheiro circulam vales correspondentes ao número de horas
trabalhadas.
Charles
Fourrier (1772-1837) nasce em Besançon, França, filho de um comerciante de
tecidos. Trabalha como comerciante mas acaba falindo e decide servir o Exército.
Afastado da ativa por problemas de saúde, volta a trabalhar com o comércio e
começa a escrever sobre questões sociais e econômicas. Em 1822 lança o
jornal O Falanstério (depois mudado para A Falange), defendendo
sua idéias, influenciadas pelo idealismo de Rousseau. Propõem que a sociedade
se organize em comunidades chamadas falanstérios, espécie de edifícios-cidades
onde as pessoas trabalham apenas no que querem. Fourrier defende assim o fim da
dicotomia entre trabalho e prazer. Nos falanstérios os bens são distribuídos
conforme a necessidade. A educação deve se adaptar às inclinações de cada
criança e não existem restrições morais à prática de sexo.
Saint-Simon
(1760-1825) é como fica conhecido o pensador francês Claude Henri de Rouvroy,
conde de Saint-Simon, um dos principais socialistas utópicos. Nasce em Paris e
entra para o Exército com 17 anos. Luta na guerra de Independência dos Estados
Unidos e, de volta à França, abandona seu título de nobreza e adere à Revolução
Francesa. Retoma os estudos aos 40 anos, depois de ter sido preso durante o Período
de Terror. Cursa medicina e a Escola Politécnica. Começa a se projetar como teórico
do socialismo em 1802, com o livro Cartas de um habitante de Genebra a seus
contemporâneos, no qual defende uma nova religião baseada na ciência e
dedicada ao culto de Newton. Suas idéias são retomadas pelo tecnocratas no século
XX.
SOCIALISMO
CIENTÍFICO
Teoria
política elaborada por Karl Marx e Friedrich Engels entre 1848 e 1867. Essa
corrente deriva da dialética (resultado da luta de forças opostas) hegeliana e
é influenciada pelo socialismo utópico e pela economia inglesa. A partir do
materialismo histórico, prevê o triunfo final dos trabalhadores sobre a
burguesia. Marx chama de comunismo essa sociedade e de socialismo o processo de
transição do capitalismo ao comunismo.
Materialismo
histórico – Segundo
Marx, o homem e suas atividades são reflexos das condições materiais que o
cercam. Estas são determinadas pela História, que é resultado do confronto de
classes sociais antagônicas que lutam pela hegemonia. A luta de classes é o
motor da história e só desaparece com a instalação de uma sociedade
comunista, sem divisão de classes ou exploração do trabalho, e baseada na
solidariedade. O Estado é o instrumento pelo qual a classe dominante exerce
essa hegemonia sobre as demais.
Karl
Heinrich Marx (1818-1883), filósofo, economista e militante revolucionário
alemão de origem judaica. Estuda filosofia nas universidades de Berlim e Iena.
Em 1842 assume em Colônia a chefia da redação do Rheinische Zeitung. Seus
artigos pró-democracia irritam as autoridades e o levam a exilar-se em Paris
dois anos depois. Ali conhece Friedrich Engels, com quem manteria colaboração
até o fim da vida. Em 1848 o início de revoluções na França e na Alemanha
coincide com a publicação do Manifesto comunista, em que Marx e Engels
afirmam que a solidariedade internacional dos trabalhadores em busca de sua
emancipação supera o poder dos Estados nacionais. Junto com Engels prega uma
revolução internacional que derrube a burguesia e implante o comunismo, nova
sociedade sem classes. Publica em 1867 o primeiro volume de sua obra mais
importante, O capital. Os volumes seguintes dessa obra, para a qual
reuniu vasta documentação, seriam publicados somente depois de sua morte. Para
Marx, o capitalismo é a última forma de organização social baseada na
exploração do homem pelo homem. Marx é sustentado por Engels durante a maior
parte de sua vida e morre no exílio em Londres.
Friedrich
Engels (1820-1895), filho de um rico industrial de Barmen (Alemanha), é o
principal colaborador de Karl Marx na elaboração das teorias do materialismo
histórico. Na juventude, fica impressionado com a miséria em que vivem os
trabalhadores das fábricas de sua família. Quando estudante, adere a idéias
de esquerda, o que o leva a aproximar-se de Marx. Assume por alguns anos a direção
de uma das fábricas do pai em Manchester e suas observações nesse período
formam a base de uma de suas obras principais, A situação das classes
trabalhadoras na Inglaterra, publicada em 1845. Muitos de seus trabalhos
posteriores são produzidos em colaboração com Marx, o que lhe valeria a fama
injusta de ser apenas um ajudante. Escreve sozinho, porém, algumas das obras
mais importantes para o desenvolvimento do que viria a ser chamado de marxismo,
como Ludwig Feuerbach e o fim da filosofia alemã, A evolução do socialismo
de utopia a ciência e A origem da família, da propriedade privada e do Estado.
ANARQUISMO
Movimento
que surge no século XIX, propondo uma organização da sociedade onde não haja
nenhuma forma de autoridade imposta. Para os anarquistas, uma revolução não
deve levar à criação de um novo Estado porque este seria sempre uma nova
forma de poder coercitivo. O anarquismo tem duas correntes importantes. Uma, pacífica,
que tem como principal representante o francês Pierre-Joseph Proudhon. Para ele
qualquer mudança social deve ser feita com base na fraternidade e na cooperação
entre os homens. A outra corrente afirma que a modificação da sociedade só
pode ser feita depois de destruída toda a estrutura social existente. Para isso
é válida a utilização da violência e do terrorismo. O russo Mikhail
Bakunin, considerado um dos principais teóricos e militantes do anarquismo,
chega a participar de atentados, influenciado por Serguei Netchaiev, um dos
defensores dessa corrente.
Pierre-Joseph
Proudhon (1809-1865), principal teórico do movimento anarquista, nasce em Besançon,
França. Como sua família não tem condições de mantê-lo na escola, torna-se
autodidata. Aos 18 começa a trabalhar como tipógrafo. Em 1840 publica O que é
a propriedade?, onde defende a idéia de que toda propriedade é uma forma de
roubo. Sua crítica à sociedade passa a sensibilizar um grande número de
trabalhadores e em 1848 ele é eleito para a Assembléia Nacional. Participa
pouco das atividades parlamentares mas suas idéias, divulgadas também em seu
trabalho como jornalista, contribuem para a transformação do anarquismo em
movimento de massas. Para ele a sociedade deve organizar sua produção e
consumo em pequenas associações baseadas no auxílio mútuo entre as pessoas.
Seus livros mais importantes são Sobre o princípio federativo, de 1863, e
Sobre a capacidade política das classes trabalhadoras, de 1865. Morre de cólera
em Paris.
Mikhail
Aleksandrovitch Bakunin (1814-1876), anarquista russo, nasce em Premukhino,
filho de um grande latifundiário. Em 1840 começa a estudar na Universidade de
Berlim e no ano seguinte começa a se dedicar a atividades políticas. Entre
1843 e 1848 viaja por toda a Europa. Participa de movimentos revolucionários na
Alemanha e acaba condenado à morte. Foge para a Rússia, onde é preso e
deportado para a Sibéria, de onde foge para o Japão. Volta para a Europa e se
envolve em movimentos revolucionários na Polônia e na Itália. Adere à
Primeira Internacional. Em 1868 funda a Aliança Internacional Democrática
Social, entidade de destaque na introdução do anarquismo na Espanha. A partir
de 1869 promove atentados junto com o russo Netchaiev. A intensa militância não
impede que Bakunin deixe uma obra teórica. Propõe a revolução universal
baseada no campesinato e defende o uso de violência. Entre seus livros mais
importantes estão Deus e o Estado, de 1871, Federalismo, socialismo e
antiteologismo, de 1872, e O Estado e a anarquia (1873). Morre em
Berna, Suíça.
Comuna de Paris – Estado revolucionário
formado em 1871 pelos operários de Paris. Dirigidos pelos socialistas
blanquistas (partidários de Louis Blanc), e diante da situação criada pela
guerra franco-alemã (tropas alemãs ocupam a capital), os operários realizam
uma insurreição e assumem o poder. São derrotados pelas tropas estrangeiras.
Cerca de 20 mil operários são executados. Seu fracasso contribui decisivamente
para o declínio da I Internacional, que é extinta em 1876.