A
REPÚBLICA - De 1930 a 1945 - Era Vargas
A Revolução de 1930
“Problema
de salário é caso de polícia”: esta frase do Presidente
Washington Luiz ilustra bem a visão das oligarquias agrárias sobre
as questões sociais. “Façamos a revolução antes que o povo a faça”,
clamor do governador mineiro Antônio Carlos prenunciando o fim da 1ª
República. Era 1930. As oligarquias dissidentes do regime uniram-se
na Aliança Liberal e lançaram Getúlio Vargas à presidência
contra o candidato do PRP, Júlio Prestes. A derrota de Getúlio
aproximou-as dos tenentistas e o assassinato de João Pessoa, vice na
chapa da Aliança Liberal, desencadeou a prepara-ção do golpe final.
Em 3 de outubro, começou a revolta e no dia 24, Washington Luís foi
deposto. Iniciava-se a Era Vargas.
A República de Vargas
A
ditadura de Vargas criou o Ministério do Trabalho, os sindicatos
urbanos e sua imagem de “pai dos pobres”. A política econômica
da nova era caminhou sobre duas pernas: a queima do café e a
industrialização. Assim, nasceu o populismo de Getúlio: um
regime baseado no Estado paternalista, nos sindicatos atrelados, numa
políticia trabalhista e em projetos nacionalistas.
Mas
em São Paulo, o Movimento Constitucionalista de 1932 exigiu a
Assembléia Constituinte. A 23 de maio, a morte de quatro jovens
(Martins, Miragaia, Dráusio, Camargo), numa manifestação, gerou o M.M.D.C.
e a mobilização para a guerra. Entre 9 de julho e 1º de outubro,
travou-se o confronto militar. E a vitória federal gerou a
Constituinte de 1933.
Na
promulgação da Constituição de 1934, Vargas foi eleito
indiretamente presidente da República Nova. A época era de
radicalização. Surgiram a Ação Integralista Brasileira e a Aliança
Nacional Libertadora, representando respectivamente a vertente
nacional do fascismo e uma frente anti-fascista. A cassação da
A.N.L. gerou a Intentona Comunista de 1935 e a repressão. Em
1937, uma falsa conspiração comunista, o Plano Cohen, gerou o
pretexto para o golpe de 10 de novembro: as eleições foram
canceladas e o Congresso fechado.
O Estado Novo
O
Brasil declara guerra à
Alemanha e Itália
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AGORA
NÓS !
Juca Pato - Como é para
o bem de todos e felicidade geral da Nação, diga ao povo
que eu vou !
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A
Constituição “Polaca” de 1937 foi outorgada e instituiu um
regime nacionalista autoritário, baseado no corporativismo
“pelego”. Os sindicatos atrelados, a burguesia industrial e as forças
armadas sustentavam a ditadura. O Departamento de Imprensa e
Propaganda (DIP) e a Polícia Especial garantiam o controle
social.
A industrialização priorizou o setor de base, através de em-presas
estatais montadas com financiamentos norte-americanos. O apoio do
Brasil aos Aliados na II Guerra Mundial permitiu a industrialização
pesada, mas custou o poder a Getúlio. Afinal, os mesmos militares que
sustentavam a ditadura aqui foram mobilizados na luta contra o
fascismo lá. O envio da Força Expedicionária Brasileira (FEB) à Itália
gerou a redemocratização, que derrubou um dos pilares do tripé de
apoio do Estado Novo. Em 1945, Getúlio concedeu a anistia política,
viu surgirem novos partidos e convocou a Constituinte. Organizou o
Movimento Queremista para apoiá-lo. Mas a conjuntura mundial desfavorável
aos regimes ditatoriais e as pressões internas, civis e militares
(contra o ultra-nacionalismo getulista) o levaram à renúncia no dia
29 de outubro. Morreu o Estado Novo, mas não o populismo getulista.