A
REPÚBLICA - De
1889 a 1930
A República dos Marechais
O
Governo Provisório de Deodoro da Fonseca revelou as divergências
entre o Exército e o P.R.P.; o Ministro da Fazenda Rui Barbosa adotou
uma política emissionista baseada em créditos livres aos
investimentos industriais, garantidos pelas emissões monetárias. Os
latifundiários defendiam prioridade para a agroexportação. A
especulação financeira desencadeada, a inflação e os boicotes
através de empresas-fantasmas e ações sem lastro desencadearam, em
1890, a Crise do Encilhamento.
A Constituição
de 1891 foi promulgada pela Constituinte que elegeu o Marechal
Deodoro Presidente. Seu governo, no entanto, não durou os quatro anos
previstos. Pressionado pela crise, por adversários e aliados, Deodoro
decretou estado de sítio e dissolveu o Congresso em 3 de novembro do
mesmo ano. Vinte dias depois, num contra-golpe, foi deposto pelos
militares.
Assumiu
o vice-presidente Floriano Peixoto; seu governo enfrentou, em 1893, a
Revolução Federalista no Rio Grande do Sul e a Revolta da Armada.
A primeira contrapôs “Pica-Paus” e “Maragatos” pelo governo
gaúcho; a segunda foi a última tenta-tiva sangrenta de restauração
da monarquia no Brasil. A repressão a ambas valeu a alcunha de
“Marechal de Ferro” ao presidente Floriano.
A República dos Coronéis
Prudente
de Morais, eleito pelo voto direto, foi o primeiro presidente civil.
Teve seu governo marcado pela guerra de Canudos, em 1896/97. Mas coube
aos sucessores Campos Sales e Rodrigues Alves a montagem do regime das
oligarquias. O primeiro renegociou a dívida externa através do Funding
Loan, em 1898, e o segundo estabeleceu a política de valorização
do café pelo Convênio de Taubaté (1906). Fixavam-se os
tempos da hegemonia dos cafeicultores. Com o “voto de cabresto” os
coronéis dominavam as clientelas rurais e manipulavam as eleições;
a política dos governadores consagrava a troca de apoio entre
o governo federal e as oligarquias estaduais e tudo isso viabilizava a
política do café com leite, ou seja, o domínio federal pelos
cafeicultores de São Paulo e de Minas Gerais.
As
difíceis condições de vida e a marginalização política impostas
à maioria dos brasileiros explicam genericamente as principais
revoltas que abalaram a I República. Assim, os movimentos messiânicos
de Canudos (1896-97) e do Contestado (1911-15), as revoltas da Vacina
(1904) e da Chibata (1910), na Capital, e a Greve Geral de 1917 eram
sintomas dos problemas sociais da época.
A Revolta dos Tenentes
Forte
de Copacabana
Somente
nos anos vinte amadureceram as contestações organizadas contra o café
com leite e sua política de socialização das perdas do café. Em
1922, a Semana de Arte Moderna pôs a contestação na ordem do dia: a
Reação Republicana lançou Nilo Peçanha contra Artur Bernardes,
candidato do regime; no dia 25 de março foi fundado o Partido
Comunista do Brasil (PCB). Após a I Guerra Mundial, o Clube
Militar voltou a ser o articulador político. O Tenentismo se
expôs, então, como principal ameaça à hegemonia coronelista. Era
um movimento essencialmente militar, elitista e reformista, além de
ideologicamente heterogêneo. Manifestou-se primeiro no episódio da
Revolta dos 18 do Forte Copacabana, em 1922. Depois fez de São Paulo
um campo de batalha na Revolução de 1924 e viveu seu apogeu na
marcha da Coluna Prestes pelo país, entre 1924 e 1927.
Eram
intelectuais, artistas, operários e até latifundiários e militares
se organizando. A vanguarda tenentista sabia bem o que não queria,
sonhava com reformas sociais, políticas e econômicas, mas não tinha
clareza de como executá-las. Foi, assim, útil braço armado na
Revolução de 1930.