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I - Juca Pirama -
Gonçalves Dias
I – JUCA PIRAMA típico herói romantizado, perfeito, sem mácula que desperta
bons sentimentos no homem burguês leitor
II - O VELHO TUPI simboliza a tradição
secular dos índios tupis. É o pai de I – Juca Pirama
III - OS TIMBIRAS índios ferozes
e canibais
IV - O VELHO TIMBIRA narrador e personagem ocular da estória Neste momento
faço a citação de uma síntese muito bem - elaborada pelo prof. Deneval S.
Azevedo Filho: Um "eu narrador " conta as lembranças de um velho índio Timbira
que, também com status de narrador, num clima trágico e lírico, narra a história
do último guerreiro tupi l-Juca-Pirama_ remanescente de sua tribo em conjunto ao
pai, um velho chefe guerreiro cego e doente.
O herói tupi é feito prisioneiro
pelos Timbiras, guerreiros ferozes e canibais. Antes de ser morto, do guerreiro
tupi é exigido que entoe o seu canto de morte, cantando seus leitos, sua bravura
e suas aventuras, pois a sua coragem de guerreiro e a sua honra - acreditavam os
Timbiras - passariam para todos que, depois do rito de morte, comessem as partes
do seu corpo.
I - Juca-Pirama conta sua história, fala de sua bravura, das tribos
inimigas, das suas andanças, de lutas contra Aimorés, mas, pensando no pai cego
e doente, velho e faminto, sem guia, pede que o deixem viver. ("Deixai-me viver!
- canto IV). Seu ato é interpretado como covardia e o chefe dos Timbiras ordene
que o soltem (Soltai-o – canto V ) e depois de ouvir o guerreiro, ordena-lhe:
"És livre; parte.". O guerreiro tupi promete-lhe que voltará depois da morte do
pai.
No canto VI, de volta ao pai, o herói, que foi preparado para o ritual,
conversa com o pai cego que sente o cheiro forte das tintas que haviam sido
passadas no corpo do prisioneiro, tintas próprias dos rituais de sacrifício.
Destarte pergunta ao filho: — "Tu prisioneiro, tu?". E ao ficar sabendo pelo
próprio filho o que acontecera, desconhecendo o verdadeiro motivo de sua volta
(zelar pelo pai doente), o velho leva-o de volta aos Timbiras e o maldiz,
rogando-lhe pragas e desejando-lhe que nem a morte o receba. O filho reage e
resolve mostrar que não é covarde. Grita "Alarma! alarma" o seu grito de guerra.
O velho escuta, tomado de súbito pela reação do filho que luta bravamente,
golpeando inimigos e destruindo a tribo timbira até que o chefe lhe ordena
"Basta!". A honra do herói é então recuperada. Chorou pelo pai o moço guerreiro.
E ao ser mal interpretado lutou como um bravo "valente e brioso". Realmente é
uma bela estória, não é mesmo? Certamente você já deve ter visto filmes
hollywoodianos com um enredo bem menos criativo. No Brasil acredita-se que a
alta cultura não é acessível ao popular e desta forma surge uma discriminação às
avessas de baixo para cima. O leitor no Brasil recebe alcunha de alienado e
pasmem ignorante de sua própria realidade! Observe como a estória descrita acima
é de um enredo extremamente popular, para não dizer até apelativo. Como é claro
compreender que o aluno é um agente de mudanças, carecemos que você leia a obra
para que possa vivenciar o quão grandiosa é a arte brasileira. Bem, continuemos
a tratar do resumo: ·
TEMA O índio adequado a um forte sentimento de honra,
simboliza a própria força natural do ameríndio, sua alta cultura acerca de seu
povo representado no modo como este acata o rígido código de ética de seu povo.
O índio brasileiro é um clone do cavaleiro medieval das novelas européias
românticas como as de Walter Scott.
ENREDO E CANTOS O poema nos é apresentado
em dez cantos, organizados em forma de composição épico – dramática. Todos
sempre pautam pela apresentação de um índio cujo caráter e heroísmo são
salientados a cada instante. Há muita musicalidade haja visto o título acima (Cantos) por isto o vestibulando deve sempre estar atento para as medidas
poéticas (decassílabos e alexandrinos) isto poderá ser tema de questão no
vestibular. Veja abaixo uma tabela auto - explicativa de cada canto: Enredo
Apresentação e descrição da tribo dos Timbiras Apresentação do guerreiro tupi –
I – Juca Pirama I- Juca Pirama aprisionado pelos Timbiras declama o seu canto de
morte e pede ao Timbiras que deixem-no ir para cuidar do pai alquebrado e cego.
Ao escutarem o canto de morte do guerreiro tupi, os Timbiras entendem ser aquilo
um ato de covardia e desse modo desqualificam-no para o sacrifício.
O filho
volta ao pai que ao pressentir o cheiro de tinta dos Timbiras que é específica
para o sacrifício desconfia do filho e ambos partem novamente para a tribo dos
Timbiras para sanarem ato tão vergonhoso para o povo tupi Foco narrativo em
terceira pessoa.
CRÍTICA Como a obra é indianista e é muito fácil caracterizar
isto pelo léxico utilizado, o aluno não terá o que temer para identificar o
estilo na hora da prova vale ressaltar a musicalidade dos versos que é uma
característica típica de Gonçalves Dias. O poema I – Juca Pirama nos dá uma visão
mais próxima do índio, ligado aos seus costumes, convenhamos dizer que ainda é
muito idealizado e moldado ao gosto romântico. O índio integrado no ambiente
natural, e principalmente adequado a um sentimento de honra, reflete o
pensamento ocidental de honra tão típico das novelas de cavalaria medievais é o
caso do texto Rei Arthur e a Távola Redonda. Para melhor explicitar o exposto
acima, citamos na íntegra fragmento do comentário feito em Literatura Comentada
- Gonçalves Dias, da Abril, p. 1011 Se os europeus podiam encontrar na Idade
Média as origens da nacionalidade, o mesmo não aconteceu com os brasileiros.
Provavelmente por essa razão, a volta ao passado, mesclada ao culto do bom
selvagem, encontra na figura do indígena o símbolo exato e adequada para a
realização da pesquisa lírica e heróica do passado. O índio é então
redescoberto. Embora sua recriação poética dê idéia da redescoberta de uma raça
que estava adormecida pela tradição e que foi revivida pelo poeta. O idealismo,
a etnografia fantasiada , as situações desenvolvidas como episódios da grande
gesta heróica e trágica da civilização indígena brasileira, a qual sofre a
degradação do branco conquistador e colonizador, têm na sua forma e na sua
composição reflexos da epopéia. da tragédia clássica e dos romances de gesta da
Idade Média.
Assim o índio que conhecemos nos versos bem elaborados de Gonçalves
Dias é uma figura poética, um símbolo. Gonçalves Dias centra I – Juca Pirama num
estado de coisas que ganham uma enorme importância pela inevitável transgressão
cometida pelo herói, transgressão de cunho romanesco (o choro diante da morte)
que quando transposta a literatura gera uma incrível idealização dos estados de
alma. Como exemplo, podem-se citar as reações causadas pelo "suposto medo da
morte".
Com isso, o autor transforma a alma indígena em correlativos dos seus
próprios movimentos, sublinhando a afetividade e o choque entre os afetos: há
uma interpenetração de afetos (amor. ódio, vingança etc.) que estabelece uma
harmonia romântica entre o ser que esta sendo julgado e a sua natureza a
natureza indígena, com a conseqüente preferência pelas cenas e momentos que
correspondem ao teor das emoções. Daí as avalanches de bravura e de louvor à
honra e ao caráter.