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Hilda Furacão -
Roberto Drummond
Como já dito anteriormente o romance é muito desfragmentado, pois possui constantes
mudanças de enfoques.
Para facilitar o nosso trabalho proporemos que se faça
duas leituras:
1. uma primeira que almeja desvendar o mistério da garota do maiô
dourado (a Hilda que desfilava sua beleza pelo Minas Tênis e depois tornou-se
prostituta);
2. uma segunda que mistura ficção e realidade histórica brasileira
(ditadura militar e censura); o mais brilhante é que tudo começa e termina no
dia 1° de abril que simboliza o dia da mentira eis então a grande proposta
ficcional do autor.
Roberto começa narrando em 1° pessoa a sua própria condição
jovem de comunista e idealista. pretendo ser um grande jornalista e irritadiço
por compararem seu sobrenome com o grande poeta Carlos Drummond de Andrade.
Pelo
que o narrador fala de si e da cidade observamos que o tempo precede os anos de
64 (época do golpe militar). Nesse ínterim, o narrador trava correspondência com
as tias de Santana dos Ferros - Tia Ciana e Çãozinha, que são as interlocutoras
do relato.
A grande trama da obra verifica-se no encontro entre o santo Frei
Malthus e a bela Hilda no qual aquele, ao tentar expurgar o mal da zona boêmia
acaba enredado pela paixão que estabelece-se entre ele e Hilda.
Roberto é o
jornalista que relatará ao leitor como estão acontecendo os fatos na zona boêmia
(lembre-se que Malthus, Aramel e Roberto são os três mosqueteiros - amigos de
infância e desta forma Roberto terá maior possibilidade de levantar dados para o
leitor).
Após o desaparecimento do seu sapato, Hilda lança um concurso para que
o devolvam - então inicia-se um conto de cinderela às avessas pois Malthus
acabará por reconhecer o seu amor pela bela.
Contudo o final é triste pois ambos
desencontram-se quando da fuga para viverem um grande amor - Malthus será preso
no primeiro dia de vigência do golpe militar de 64.
Outras estórias entrecortam
a narrativa - a cidade de Santana dos Ferros e seus caso hilários demonstram a
habilidade deste escritor - o episódio do Adão nu pintado pela artista Yara
Tupinambá no painel da Igreja que foi fiel aos moldes do modelo escandaliza a
cidade entre elas está a tia Ciana, que passa a entrar na igreja de costas.
Ou
quando do milagre do choro da santa que tia Ciana descobriu e que depois
configurou um erro pois era urina do sobrinho do padre.
A história do Brasil ficcionada, apaixonada e brilhantemente pinçada pelas habilidosas tintas do
escritor Roberto Drummond fazem desta obra um marco da literatura contemporânea
nacional.