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Farewell -
Carlos Drummond de Andrade
Carlos Drummond de Andrade (1901-1987) é um dos
poetas máximos da Língua Portuguesa. Sua poesia consegue ser, ao mesmo tempo,
absolutamente brasileira (às vezes, mineiríssima) e ser universal.
Seu estilo
conjuga a limpidez clássica às impertinências irônicas de um prosaísmo bem
colocado, o que torna Drummond um modernista além do seu tempo.
Despedida do
poeta? Recomeço? Farewell (1996), a obra póstuma de Carlos Drummond de Andrade,
guarda, no bem humorado adeus à moda inglesa, um sorriso maroto como aquele da
crônica Ciao (1984), na qual o poeta se despedia dos leitores de sua página
semanal no JB.
Um misto de gratidão ("aos leitores a minha gratidão -essa
palavra tudo") e de alívio de quem se vê afinal desobrigado da vida "O pássaro é
livre /na prisão do ar./ O espírito é livre/ na prisão do corpo./Mas livre, bem
livre/é mesmo estar morto".
Nesse breve livro de poemas, estão presentes os
temas caros ao poeta mineiro: a meditação serena/ convulsa sobre a passagem do
tempo, sobre o amor, sobre os amores tardios (os amores fora de hora), que
acendem o desejo na carne envelhecida; o tema da permanência na mudança (as sete
faces do anjo torto), fazendo aparecer o "feixe de contrastes" de que se compõe
o ser humano; o tema da memória que pode converter em presença o que está
ausente e pode transformar em doçura o horror do sofrimento.
A leitura sensível
de obras de outros artistas ("A Cadeira (Van Gogh): ninguém está sentado/ mas
adivinha-se o homem angustiado"). Por conseguir reunir em tão densa obra poemas
modelares, Farewell é um livro-síntese, e também um convite a recomeçar a
leitura dos outros livros do poeta mineiro, esse "tigre disfarçado", animal
poético de sonsa ternura e doce crueza que nos ensina a "sempre, e até de olhos
vidrados, amar".