Nota Informativa
À semelhança de Crisálidas, também esta é a segunda redação pública de um
texto de poesias de Machado de Assis.
Falenas, segundo livro do poeta Machado de Assis, foi publicado em 1870 e
teve alguns de seus poemas republicados nas Poesias completas, no início
do século, com muitas alterações.
Longe de contrariar a vontade autoral, a presente redação de Falenas, em versão
integral, inclui notas e as erratas redigidas pelo autor.
Também corrigiram-se
alguns deslizes de revisão, bem como esclareceram-se algumas passagens que, para
o leitor atual, pareceriam fora de contexto. Assim, esta segunda redação pública
procurou aproximar-se, o mais possível, de um texto razoavelmente fixado e, com
isso, garantir a fidedignidade com a edição dita princeps.
O presente texto de Machado de Assis, que inaugura a década de 1870, de
significativa importância no percurso literário do autor, é, sobretudo, o marco
inicial de uma tarefa a que o poeta se atribuíra: buscar os limites do
dispositivo romântico, isto é, levar até as últimas conseqüências a linguagem
dos românticos, impor seus limites, superar suas insuficiências, já bastante
evidentes por essa época.
Desse modo, uma leitura cuidadosa de Falenas mostra um escritor às voltas
com uma linguagem que, longe de mapear os limites do mundo, era, cada vez mais,
os limites da própria linguagem, no caso a dos românticos.
É nesses poemas que se pode surpreender um poeta cada vez mais prosador, não
necessariamente prosaico, mas, sobretudo, um poeta irônico em cuja fisionomia já
se podia notar aquele meio sorriso irônico, de Mona Lisa nos trópicos, pronta
para dar o salto mortal para o realismo mitigado.
É também aqui que se pode ser surpreendido por uma sensualidade quase explícita,
mesmo ousada, que só uma distração confessional poderia explicar. Ou quem sabe a
recente vida de casado do escritor?
O texto de Falenas aqui publicado foi acrescido de algumas notas que
esclarecem aspectos relevantes para a compreensão do texto.
A modernização e a fixação de certas passagens nos poemas obedeceram às mesmas
normas que pautaram a edição de Crisálidas.