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Cemitério de Elefantes - Dalton Trevisan

                               

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Cemitério de Elefantes - Dalton Trevisan

                Narrativa em terceira pessoa. Fala de bêbados de Curitiba, que vivem ao sabor do que a cidade lhes oferece. “Curitiba os considera animais sagrados, provê as suas necessidades de cachaça e pirão”.  p;p;

                Vivem  à margem do rio Belém, nos fundos de um mercado de peixes onde existe um velho ingazeiro.

                Aí eles  são felizes. Contentam-se com as sobras, mas quando aperta a fome vão até o mangue para assar caranguejo e também se fartar dos frutos do ingazeiro.

Os personagens são comparados a elefantes, o que dá um ar grotesco às suas formas e maneiras. “Elefantes Malferidos, coçam as perebas sem nenhuma queixa”.

                Pedro, João, o Cai N’água, Jonas, Chico Papa-Isca; todos bêbados moribundos à procura de simplesmente sobreviver aos restos do mangue; cada qual com seu lugarzinho reservado. 

                São todos uns dorminhocos e quando acordam ninguém se pergunta onde é que foi o amigo que está ausente. “E se indagassem para levar-lhe Margaridas do banhado, quem saberia responder ?”

                Vivem entregues ao curso das horas e às, intempéries do local precário onde se instalam. “...escarrapachados sobre as raízes que servem de cama e cadeira”. “A viração da tarde assanha as varejeiras grudadas nos seus pés disformes.”

                Quando cai um fruto de ingazeiro se despertam rolando no pó e o ganhador se farta de olhos plenos de satisfação. As disputas não geram brigas, quando muito, discussões à distância. Neste “cemitério” não existe violência.

Assim os bêbados elefantes, vão vivendo, suportando suas doenças e suas dificuldades. Não existe ninguém em especial, nenhum destaque de algum personagem.

                No final a metáfora deixa para o leitor a conclusão da saga dos bêbados elefantes.

                “Cospe na água o caroço preto do ingá, os outros não o interrogam: presas de marfim que apontam o caminho são as garrafas vazias. 

                Chico perde-se no cemitério sagrado as carcaças de pés grotescos surgindo ao luar.”


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