O
AUTOR E AS OBRAS
Português,
nascido em 1825. Órfão aos 10 anos, casou-se aos 16, mas logo abandonou a
mulher e filha. Isto já demonstra o espírito inquieto do artista que muito
aparece em sua obra ficcional ultra – romântica.
Em Coimbra. começou o curso de Medicina, mas não passou da metade do curso.
Instalando-se
na cidade do Porto, entregou-se à vida boêmia. Sofreu alguns meses de prisão
por ter raptado urna jovem órfã com quem morou durante certo tempo.
Sua
grande paixão amorosa chamou-se Ana Plácido. No entanto, ela preferiu
casar-se com outro, um brasileiro. Em vista disso, Camilo chegou a sufocar a
frustração ingressando em um seminário. Algo que notadamente não deu
certo, visto seu espírito rebelde jamais coadunar com o monastério.
Mais
tarde, Ana largou o marido para viver com o escritor (um absurdo para a época).
Processados por adultério, os amantes foram absolvidos.
O
casal teve vários filhos - dentre os quais um era doente mental. Para manter
a família, Camilo trabalhou demais nas atividades literárias, isto em um
tempo que publicava-se folhetins (que seriam muito semelhantes hoje aos capítulos
televisivos das novelas atuai)_ é visual na enormidade e variedade dos
trabalhos de Camilo, que demonstram muito bem o anterior dito.
Famoso
escritor em sua terra e tempo; em muitas de suas obras nota-se o erudito, porém
em outras o gosto popular e a trama folhetinesca recebem notório acento
(muitas delas feitas apressadamente sem qualquer outro interesse que não o
financeiro).
O
excesso de trabalho, as dificuldades financeiras, os problemas domésticos e a
doença (sífilis) que o tornou cego, levaram-no ao suicídio, com tiro de revólver
em 1890.
A
sua obra vasta divide-se em 03 fases distintas:
a
– os folhetins românticos, passionais e aventurescos;
b – fase realista; criticando caricaturalmente a sociedade e suas
hipocrisias;
c – romance rural, parece um ressuscitar do espírito clássico do carpe
diem.
Outra
curiosidade é que Camilo entrou em polêmica com os naturalistas, por isso,
ironicamente fez com que os apetites digestivos, sexuais e pecuniários
dominassem todos os principais personagens de algumas obras satíricas, como
é o caso do romance por ora analisado.