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Ai de Ti, Copacabana - Rubem Braga

                               

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Ai de ti, Copacabana - Rubem Braga

Dentre os vários cronistas de século XX, Rubem Braga guarda um lugar de destaque na literatura brasileira. Maestro da palavra, Rubem Braga se notabilizou com algumas coletâneas e crônicas publicadas em jornais como o Correio da Manhã, Diário de Notícias, A Manhã, O Globo e Correio da Manhã; que foram reunidas em obras-primas do gênero como O conde e o passarinho (sua primeira analogia), Com a FEB na Itália, A borboleta amarela e Ai de ti, Copacabana.

Ai de ti, Copacabana foi lançado em 1962 e traz 60 crônicas escritas entre abril de 1955 a fevereiro de 1960, período em que o escritor peregrinou, como ele mesmo afirma na nota introdutória da obra, “do Correio da Manhã foi para o Diário de Notícias e deste para a Globo.” 

Rubem Braga é um escritor que se diferencia de seus contemporâneos pelo fato de explorar o lirismo em suas crônicas. 

Diferentemente de um texto qualquer, aqui, e, Rubem Braga, a palavra recebe um tratamento poético digno de um Carlos Drummond de Andrade ou de um Vinícius de Moraes. 

Mestre no descobrir o lado significativo dos acontecimentos triviais, comunica suas descobertas ao leitor numa prosa de admirável simplicidade e precisão, cujo teor poético advém de uma visão essencialmente líricas das coisas.

Como tema predominante em sua obra, cabe ressaltar o memorialismo, apresentado sob uma perspectiva emotiva, assumindo o indispensável travo de melancolia. 

Rubem Braga cria uma crônica poética, na qual alia um estilo próprio e um intenso lirismo, provocados pelos acontecimentos cotidianos, pelas paisagens, pelos estados de alma, pelas pessoas, pela natureza.

A obra abre com a crônica “A corretora do mar”, em que o poeta Rubem Braga relembra o dia em que ele rejeitou, inicialmente, uma proposta de compras de terras por ter “uma pena imensa de cortar árvores.” 

Para sua surpresa, ou como estratégia de venda, a vendedora compartilha desta opinião: “Também tinha (pena). 

E então baixou a voz, sombreou os olhos de poesia e me disse que ela mesma, corretora, também comprava duas parcelas naquele terreno. 

E tinha certeza que também não teria coragem de mandar cortar seus pinheiros.” 

Extasiado, não necessariamente pela oferta, mas pelos olhos azuis da vendedora, “confesso que paguei a primeira prestação: ela passou o recibo, sorriu, me disse “muchas gracias” e “hasta lueguito” e partiu com os olhos azuis, me deixando meio tonto, com a vaga impressão de ter comprado um pedaço do Oceano Pacífico.”

Lirismo igualmente intenso veremos também na crônica “A minha glória literária”, em que ele relembra uma composição de seu tempo de colégio sobre a lágrima: “Quando a alma vibra, atormentada, às pulsações de um coração amargurado pelo peso da desgraça, este, numa explosão irremediável, num desabafo sincero de infortúnios, angústias e mágoas indefiníveis, externa-se, oprimido, por uma gota de água ardente como o desejo e consoladora como a esperança; e esta pérola de amargura arrebata pela dor ao oceano tumultuoso da alma dilacerada é a própria essência do sofrimento: é a lágrima.” 

A genialidade também flora ao inventar, “Entrevista com Machado de Assis”, um programa em que Machado de Assis, 50 anos após sua morte, é entrevistado, respondendo apenas com frases de suas crônicas, contos e romances. 

Sobre o trabalho, responderia Machado: “O trabalho é honesto, mas há outras ocupações pouco menos honestas e muito mais lucrativas.”; sobre as brigas de galo: “A briga de galos é o Jockey Club dos pobres”; “- O amor dura muito?” – resposta: “Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis; nada menos”. 

Cúmulo de humildade, o entrevistador ainda pede desculpas: “De qualquer modo, desculpa por havê-lo incomodado. Mas é que neste programa sempre entrevistamos alguém que já morreu...” – resposta: “Há tanta coisa gaiata por esse mundo que não vale ir ao outro arrancar de lá os que dormem.”

Quando o Rio não era Rio” apresenta também um belíssimo retrato de um Rio de Janeiro, então, para o autor, somente imaginário: “As pessoas grandes que chegavam do Rio traziam malas fabulosas, cheias de presentes para todos. (...) As coisas do Rio de Janeiro eram assim, cheias de milagres e astúcias. 

E à noite, quando vinham visitas, os viajantes contavam as últimas anedotas do Rio de janeiro, pois naquele tempo não havia rádio. 

Lembro-me que, apesar de sentir esse fascínio do Rio de Janeiro, eu não pensava nunca em vir aqui. Isso simplesmente não me passava pela cabeça; o Rio de Janeiro era um lugar maravilhoso, onde vinham pessoas grandes e até eu pensava vagamente que no Rio de Janeiro só devia haver pessoas grandes.”

Uma sutil ironia, sem deixar de lado o lirismo, pode ser identificado na belíssima crônica “A mulher esperando o homem”, em que o autor aborda o drama feminino quando na espera por seu amado, apesar de ser um tema recorrente, “sei que é velho, já serviu para sonetos, contos, páginas de romances, talvez quadros de pintura, talvez músicas”, Rubem Braga apresenta possibilidades de se diminuir o sofrimento pela espera do amado: “devia haver funcionários especiais, capazes de abastecer de quinze em quinze minutos, jurar que todas as providências já foram tomadas, ‘estamos seguros de que dentro de poucos minutos teremos alguma coisa a dizer à senhora”’. 

Um fato importante é o de que para o autor, independente da mulher, o sofrimento é significativo: “não importa que seja a esposa vulgar de um homem vulgar; e que no fim a história do atraso dele seja também vulgar, neste momento ela é a mulher esperando o homem”; e que se o homem soubesse o que se passa na cabeça de uma mulher enquanto ela o espera, “é possível que ele ficasse pálido, muito pálido.”

A crônica-título da obra é igualmente passível de ser comentada, visto a sua temática: a destruição da pecaminosa Copacabana.

Rubem Braga, em “Ai de ti, Copacabana”, apresenta uma intimidação irônica ao tradicional bairro boêmio do Rio de Janeiro na forma de 22 itens que exploram o cotidiano e os vícios da praia: “2. Ai de ti, Copacabana, porque a ti chamaram Princesa do Mar, e cingiram tua fronte com uma coroa de mentiras (...) 3. (...) estás perdida e cega no meio de tuas iniqüidades e de tua malícia. (...) 5. Grandes são os teus edifícios de cimento, e eles se postam diante do mar qual alta muralha desafinado o mar; mas eles se abaterão. (...) 8. 

Então quem especulará sobre o metro quadrado de teu terreno? Pois na verdade não haverá terreno algum. (...) 10. Ai daqueles que passam em seus cadilaques buzinando alto, pois não terão tanta pressa quando virem pela frente à hora da aprovação.” Mesmo as mulheres e os homens sofrerão as agruras: “11. Tuas donzelas se estendem na areia e passam no corpo óleo odoríferos para tostar a tez mancebos fazem das lambretas instrumentos de concupiscência.” E tais pecados não serão automaticamente perdoados: “16. (...) a água salgada levará milênios para lavar os teus pecados de um só verão. (...) 19. 

Pois grande foi a tua vaidade , Copacabana, e fundas as tuas mazelas.” Por fim, a derradeira ameaça: “22. Pinta-te qual mulher pública e coloca todas as tuas jóias, e aviva o verniz de tuas unhas e canta a tua última canção pecaminosa. (...) Canta a tua última canção, Copacabana!”


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