Venha Ver o Pôr do Sol e outros contos II

Venha Ver o Pôr do Sol e outros contos de Lygia Fagundes Telles

 

Resumo Venha Ver o Pôr do Sol e outros contos de Lygia Fagundes Telles – parte II

Só que os ossinhos não se encontravam na mesma posição que ela deixara. Isso assombrou a estudante de Direito que, vendo os ossinhos formando um “ANÃO”, ela se desesperou para sair da pensão mesmo na madrugada já que havia tido um pesadelo com o anão dentro de seu quarto.

“- (…) E ficou olhando dentro do caixotinho. – Esquisito. Muito esquisito. – O quê? – Me lembro de que botei o crânio em cima da pilha, me lembro de que até calcei ele com as omoplatas para não rolar. E agora ele está ai no chão do caixote, com uma omoplata de cada lado. Por acaso você mexeu aqui? – Deus me livre, tenho nojo de osso. Ainda mais de anão.” (Venha Ver o Pôr do Sol e outros contos – p.38)

“Então fui ver o caixotinho, aconteceu o que eu esperava… – Que foi? Fala de pressa, o que foi? Ela firmou o olhar oblíquo no caixotinho debaixo da cama. – Estão mesmo montando ele. E rapidamente, entende? O esqueleto está inteiro, só falta o fêmur. E os ossinhos da mão esquerda, fazem isso num instante.

Vamos embora daqui.. -Você está falando sério? – Vamos embora, já arrumei as malas A mesa estava limpa e vazios os armários escancarados. – Mas sair assim, de madrugada? Podemos sair assim? – Imediatamente, melhor não esperar que a bruxa acorde.

Vamos, levanta. – E para onde a gente vai? – Não interessa, depois a gente vê. Vamos, vista isso, temos que sair antes que o anão fique pronto.
Olhei de longe a trilha: nunca elas pareceram tão rápidas. Calcei os sapatos, descolei a gravura da parede, enfiei o urso no bolso da japona e fomos arrastando as malas pelas escadas, mais intenso o cheiro vinha do quarto, deixamos a porta aberta.

Foi o gato que miou comprido ou foi um grito? No céu, as últimas estrelas já empalideciam. Quando encarei a casa, só a janela nos via, o outro olho era penumbra.” 1977 (p.41/42)

Venha Ver o Pôr do Sol e outros contos – Conto N.º 5: O jardim selvagem Tio Ed casara-se com Daniela sem avisar à família. Era um quarentão, medroso e inseguro. Muito envolvido com a família: Tia Pombinha e a sobrinha. Têm o tempo fofocando sobre a vida da família.

Tia Pombinha sonha com dente, que isso não é nada bom. Semanas depois ela recebe a notícia do suicídio do Tio ED. “- Ele parece feliz, sem divida, mas ao mesmo tempo me olhou de um jeito… Era como se quisesse me dizer qualquer coisa e não tivesse coragem, senti isso com tanta força, que meu coração até doeu, quis perguntas, o que foi, Ed! Pode me dizer, o que foi?

Mas ele só me olhava e não disse nada. Tive a impressão de que estava com medo. – Com medo de que? – Não sei, não sei, mas foi como se eu estivesse vendo Ed menino outra vez. Tinha pavor do escuro, só queria dormir de luz acesa.

Papai proibiu essa história de luz e não me deixou mais ir lá fazer companhia, achava que eu poderia estragá-lo com muito mimo. Mas uma noite não resisti escondida no quarto. Estava acordado, sentado na cama. Quer que eu fique aqui até dormir? Perguntei. Pode ir embora, disse, já não me importo mais de ficar no escuro.

Então dei-lhe um beijo, como fiz hoje. Ele me abraçou e me olhou do mesmo jeito que me olhou agora, querendo confessar que estava com medo. Mas se coragem de confessar.” (Venha Ver o Pôr do Sol e outros contos – p.44/45) “- Ai é que está… Quem é que pode saber? Ed sempre foi muito discreto, não é de se abrir com a gente, ele esconde.
Que moça será essa?!”- E não é bom? Isso de ser meio velha. Balançou a cabeça com ar de quem podia dizer ainda um montão de coisas sobre essa questão de idade.

Mas preferia não dizer. – Hoje de manhã, quando você estava na escola, a cozinheira deles passou por aqui, é amiga de Conceição. Contou que ela se veste nos melhores costureiros, só usa perfume francês, toca piano… Quando estiveram na chácara, nesse último fim de semana, ela tomou banho nua debaixo da cascata. – Nua? – Nuinha. Vão morar lá na chácara, ele mandou reformar tudo, diz que a casa ficou uma casa de cinema e é isso que me preocupa, Ducha.

Que fortuna não estarão gastando nessas loucuras? Cristo-Rei, que fortuna! Onde é que ele foi encontrar essa moça? – Mas ele não é rico? – Ai é que está… Ed não é tão rico quanto se pensa. Dei de ombros. Nunca tinha pensado antes no assunto.”

“- Diz que anda sempre com uma luva na mão direita, não tira nunca a luva dessa mão, nem dentro de casa. Sentei-me na cama. Esse pedaço me interessa. – Usa uma luva? – Na mão direita. Diz que tem dúzias de luva, cada qual de uma cor, combinando com o vestido. – E não tira nem dentro de casa? – Já amanhece com ela. Diz que teve um acidente com essa mão, deve ter ficado algum defeito…” (Venha Ver o Pôr do Sol e outros contos – p.45/46)

“Tia Pombinha tinha ido ao mercado, pudemos falar à vontade enquanto Conceição fazia o almoço. – Seu tio é muito bom, coitado. Gosto demais dele – começou ela enquanto beliscava um bolinho que Conceição tirara da frigideira. – Mas não combino com dona Daniela. Fazer aquilo com o pobre cachorro, não me conforma! – Que cachorro? – O Kleber, lá da chácara.

Uma cachorro tão engraçadinho, coitado.Só porque ficou doente e ela achou que ele estava sofrendo… Tem cabimento fazer isso com um cachorro?

Venha Ver o Pôr do Sol e outros contos – Conto N.º 7: Antes do Baile Verde Lulu precisa ir ao baile, fantasiada e escolhe um modelo com muitos bordados em lantejoulas. Foi em busca dos favores de uma preta que já estava pronta para o desfile, aguardando seu amor Raimundo chegar. Enquanto isso o pai de Lu estava muito doente entre a vida e a morte.

Tatisa (a preta) não conversava outra coisa senão sobre o estado de saúde do pai de Lu. Esta ficava irritada, porque não queria perder o baile. “- Tenho que ir, Tatisa! – Espera, já disse que estou pronta – repetiu, baixando a voz. – Só vou pegar a bolsa… – Você vai deixar a luz acessa? – Melhor, não? A casa fica mais alegre assim.

No topo da escada ficaram mais juntas. Olharam na mesma direção: a porta estava fechada. Imíveis como se tivessem sido petrificadas na fuga, as duas mulheres ficaram fechadas. Imóveis como se tivessem sido petrificadas na fuga, as duas mulheres ficaram fechada.

Imóveis como se tivessem sido petrificadas na fuga, as duas mulheres ficaram ouvindo o relógio da sala. Foi a preta quem se moveu. A voz era um sopro: – Quer ir dar um espiada, Tatisa? – Vá você, Lu… Trocaram um rápido olhar. Bagas de suor escorriam pelas têmperas verdes da jovem, um suor turvo como sumo de uma casca de limão.

O som prolongado de uma buzina foi-se fragmentando lá fora. Subiu poderoso o som do relógio. Brandamente e empregada desprendeu-se da mão da jovem. Foi descendo a escada na ponta dos pés. Abriu a porta da desprendeu-se da mão da jovem. Foi descendo a escada na ponta dos pés. Abriu a porta da rua. – Lu! Lu! – a jovem chamou num sobre salto.

Continha-se para não gritar. – Espera ai, já vou indo! E apoiando-se ao corrimão, colada a ele, desceu precipitadamente. Quando bateu a porta atrás de si, rolaram pela escada algumas lantejoulas verdes na mesma direção, como se quisessem alcançá-la.” (Venha Ver o Pôr do Sol e outros contos – p.68/68)

Venha Ver o Pôr do Sol e outros contos – Conto N.º 8: Menino Um menino conversador, saiu para acompanhar a mãe no cinema. Não se acomodou bem no lugar escolhido pela mãe e tratou de mudar de posição sempre que não estivesse vendo a tela.

Impaciente, ele ainda se depara com um homem que se senta ao lado de sua mãe. Ele procura atrapalhar as explicações da mãe porque não estava se sentindo bem. Ao retornar a casa, teve vontade de contar tudo ao pai. Mas, eles não se relacionavam muito bem. O pai demonstra-lhe muita confiança na mulher e ele concluiu que seus pais são felizes mesmo que houvesse traição.

“- E então, meu amor, lendo o seu jornalzinho? – perguntou ela, beijando o homem na face. – Mas a luz está muito fraca? – A lâmpada maior queimou, liguei essa por enquanto – disse ele, tomando a mão da mulher. Beijou-a demoradamente. – Tudo bem? – Tudo bem.

O menino mordeu o lábio até sentir gosto de sangue na boca. Como nas outras noites, igual. – Então, meu filho? Gostou da fita? – perguntou o pai, dobrando jornal. Estendeu a mão ao menino e com a outra começou a acariciar o braço da mulher. – Pela sua cara, desconfio que não. – Gostei, sim. – Ah, confessa, filhote, você detestou, não foi? – contestou ela. – Nem eu entendi direito, uma complicação dos diabos, espionagem, guerra, magia… Você não podia ter entendido. – Entendi. Entendi tudo – eles quis gritar e voz saiu um sopro tão débil que só ele ouviu. – E ainda com dor de dente! – acrescentou ela, desprendendo-se do homem e subindo a escada. – Ah, já ia esquecendo a aspirina! O menino voltou para a escada os olhos cheios de lágrimas. – Que é isso? – estranhou o pai. – Parece até que você viu assombração. Que foi?

O menino encarou-o demoradamente. Aquele era o pai. O pai. Os cabelos grisalhos. Os óculos pesados. O rosto feio e bom. – Pai… – murmurou, aproximando-se. E repetiu num fio de voz: – Pai… – Mas meu filho, que aconteceu? Vamos, diga! – Nada, nada. Fechou os olhos para prender as lágrimas. Envolveu o pai num apertado abraço.” (Venha Ver o Pôr do Sol e outros contos – p.78)

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