Um lugar ao Sol de Érico Veríssimo - Vestibular1

Um lugar ao Sol de Érico Veríssimo

Um Lugar ao Sol de Érico Veríssimo

 

Resumo Um Lugar ao Sol de Érico Veríssimo – parte I

Passado em Jacarecanga, interior do RS, e em Porto Alegre, o romance Um Lugar ao Sol de Érico Veríssimo, inicia com o velório de João de Deus Albuquerque. Presentes, entre muitos amigos e familiares, um velho calvo e um capitão, além do primo terceiro do falecido.

Os três homens discorrem sobre o bárbaro crime. O velho calvo diz ao capitão ter presenciado quando Zé Cabeludo, capanga do prefeito da cidade, atirara em João de Deus naquela mesma tarde, no pátio da Prefeitura. Havia duas testemunhas.

João de Deus era um homem rude. Filho de Olivério Albuquerque, fazendeiro que no passado tivera muito dinheiro e prestígio, quando o pai faleceu assumiu a fazenda.
Gostava de domar potros, lidar com os animais e com a terra. Mas fracassou como fazendeiro. Endividou-se. Com a crise da pecuária, João Deus teve enormes prejuízos.
Todos os bens da família estavam sendo hipotecados. Entrou na política como uma válvula de escape. Tinha inimizade como o prefeito, então aliou-se ao partido de oposição. Tiveram rixas, ele e o prefeito, até acontecer o trágico crime.

Quando jovem, João de Deus amara Zuzu, sua prima, mas fora recusado por ela, Zuzu veio casar-se com Álvaro, um italiano.
Olivério era um bom homem e acolheu o estrangeiro, que aparecera doente na fazenda. Doutor Penaforte, o médico da família, tratou-o. O moço recuperou-se e acabou ficando no casarão. Viera para o Brasil com uma opereta. Era artista, boêmio e aventureiro.

Cantava, contava suas aventuras, pintava telas a óleo. Viajara o mundo. Zuzu apaixonou-se por Álvaro. Decidiram-se casar-se. A família foi contra. João de Deus indignou-se, sentiu-se humilhado. Zuzu voltou para a fazenda e pouco depois suicidou-se com cianureto.
João de Deus odiava Vasco. O menino lembrava os pais e João de Deus não conseguia controlar sua aversão, mesmo sabendo que o garoto não tinha culpa de nada.

Quando pequeno chamavam-no, a Vasco, de Gato-do-Mato, porque era orgulhoso, selvagem e solitário. Vasco amava a liberdade e odiava as coisas convencionais.
Odiava ter de voltar para casa, para a cerimônia do velório. Fora criado por João de Deus, que o maltratara muito. Dizia-lhe que quando crescesse seria bêbado como o pai e que a mãe não tinha juízo. João de Deus dava-lhe surras quando criança. Dona Clemência, esposa do falecido, era seca, e embora lhe desse doces às escondidas, nunca lhe fazia carinho.

Vasco, então, deitava-se no campo, sozinho, olhava o céu, ouvia o vento…Aprendeu a amar a solidão. Várias vezes tentou fugir. Passava dias sumido. Aos treze anos, tomado de profunda tristeza, tentou suicidar-se. Tomou bicarbonato pensando ser cianureto.

Vasco sempre sentira desejo de fugir de Jacarecanga; parecia-lhe que ali se afogava na lama. Desejo de fugir para terras que não conhecia: Xangai, Honolulu, Nápoles…
Agora, caminhava de volta ao casarão. Vasco não sentia rancor por João de Deus.

Recordava a tragédia: haviam ido jantar em casa de Cleonice, recém-casada, irmã de Dona Clemência. João de Deus, desempregado, endividado e com rixas políticas, Dona Clemência se matando em cima da máquina de costura para sustentar a casa, e Clarisse, com seu salário de professora, também ajudava nas despesas. Jovino, irmão de João de Deus, chegando sempre bêbado.

Em Um Lugar ao Sol de Érico Veríssimo, após o jantar, Vasco fora caminhar e, refletindo sobre a situação, perguntava-se se não havia uma saída ao menos para ele e Clarissa, que eram os mais moços. De repente ouviu um tiro. Correu até o local do crime. Encontrou João de Deus já morto.
A partir daí não atinava em mais nada. Depois veio o velório e a angústia dilacerante.

Vasco deseja morar em Porto Alegre com a tia e Clarissa. Sonha com um futuro melhor, em sair de Jacarecanga, tão primitiva e monótona. É publicada uma matéria na Gazeta (órgão oficial do partido da situação). Na entrevista, o prefeito conta ao repórter que João de Deus tinha uma rixa com Zé Cabeludo por causa de uma mulher de vida fácil, estava bêbado e provocara a briga. Vasco, ao ler a notícia mentirosa, quer vingar-se. Vai ao encontro do prefeito para dar-lhe um soco no olho.

Ao avistá-lo, golpeia-o, movido por uma raiva cega. Em seguida Vasco é atingido na cabeça com a coronha do revólver do ordenança. Xexé, amigo de Vasco, que estava escondido, vendo-o ferido, dispara contra o prefeito, atingindo-o no braço. A ordenança atira em Xexé, que cai morto.

Certo dia D. Clemência recebe uma carta de Vittorio Gamba, comunicando que o prazo para o pagamento da hipoteca da casa havia vencido e teria de entregá-la.
Decidem partir para Porto Alegre. Partiram Vasco, D. Clemência e Clarissa, que levava uma carta de recomendação do Dr. Penaforte ao Secretário de Educação. Justino não foi.

Em Porto Alegre hospedaram-se na pensão de Dona Zina, irmã de Dona Clemência. Clarissa havia morado lá quando fizera o curso normal.
Amaro, hóspede há cinco anos na pensão, quando soube que Clarissa estava para chegar, relembrou a época em que a menina morava na pensão da tia. Apaixonara-se pela garota naquela época. Contemplava-a de longe. Acabara de completar quarenta anos e sentia-se ainda perturbado com o fato de reencontrá-la. Amaro era um homem demasiadamente tímido.

Sonhara ser um grande compositor. Era um amante da música. Mas acabava tornando-se bancário. Estava desempregado. Quando criança, o pai deixava-o com uma tia solteirona e religiosa que odiava sexo e também o mundo. A tia via pecado, sujeira e imoralidade em tudo. Tentou libertar-se da influência da tia mas não conseguiu. Quase não tinha mulheres. Quando saía com uma prostituta, sentia-se culpado.

Em Um Lugar ao Sol de Érico Veríssimo, Amaro estava com quarenta anos e Clarissa tinha só dezessete. Aos trinta e sete anos corava e gaguejava na presença da menina. Reencontraram-se. Amaro perturbou-se igualmente. Não demorou a sentir ciúmes de Vasco.
Vasco torna-se amigo de Oskar, conde austríaco, hóspede da pensão.
O conde levara uma vida aristocrática, até suas finanças chegarem ao fim. Começou então a dar aulas de línguas.

Não se hospedava mais em bons hotéis. Morava agora na modesta pensão de D. Zina. Vasco admira a distinção do amigo e a forma de colocar-se filosoficamente e com certo cinismo nas longas conversas que têm.
Através do conde, Vasco conhece uma linda alemãzinha de olhos azuis e que não fala o português: Anneliese, com a qual mantém um romance. Vasco vai à casa de Anneliese e sente-se inferiorizado diante de tanto luxo; sente-se um brutamontes.

Mas os momentos que passam juntos são de intensa felicidade para o rapaz. Está apaixonado. Vasco divide o quarto com Veiga, estudante de medicina e com ideias revolucionárias.
Certo dia, na hora do almoço, Vasco irrita-se com um dos rapazes, hóspedes na pensão. O rapaz dirigia uma pergunta galante a Clarissa. Inicia-se uma briga. Veiga toma partido de Vasco.
Clarissa e D. Clemência levam a carta de recomendação do Dr. Penaforte à Secretaria de Educação.

Conhecem Fernanda, também professora e que está grávida. Fernanda cativa-as de imediato.
Fernanda casara-se com Noel, rapaz de família rica. Ao casar-se, Noel mudou drasticamente de vida, pois com seu salário de jornalista e o dela de professora, viviam uma vida apertada. Além do que, era obrigado a aturar a sogra: D. Eudóxia, com suas eternas lamúrias, e Pedrinho, o cunhado, garoto pernóstico e ignorante. Morava todos juntos.

Em Um Lugar ao Sol de Érico Veríssimo, Veiga é procurado pela polícia por incitar uma greve. Surge inesperadamente após um período de ausência. Está em apuros. A polícia procura-o , pegaram-no distribuindo boletins. A greve falhou, está marcado. No quarto, pega um revólver e grita com Vasco: “- que é está fazendo que não me ajuda? Tem medo de se comprometer?” Os dois brigam, agridem-se fisicamente.
Vasco larga Veiga, que sai do quarto.

À noite, ao retornar à pensão, Veiga é assassinado por dois investigadores. Vasco se sente angustiado pela morte do infeliz amigo.
Vasco vai ao baile do Cassino encontrar-se com Anneliese. Junta-se a ela, ao conde e sua amiga Inge Merkel. Reencontra um amigo de infância: Olívio, que fora para Porto
Alegre estudar e acabara entregando-se ao jogo e à bebida.

Chegara o mês de abril, Anneliese voltara para a Europa. Vasco sentia-se terrivelmente vazio com sua partida. Agora estava novamente diante da dura realidade. Precisava arranjar um emprego, mas a tendência a vaguear pelas ruas, na tentativa de aplacar o autodesprezo, persistia. E ele saía em busca de alívio, de esquecimento.
Clarissa consegue sua transferência para Canoas.

Vasco, D. Clemência e Clarissa mudaram-se para o andar superior de casa de Fernanda. Vasco estava decidido a encontrar trabalho. Não era justo ser sustentado pelas mulheres.
Fernanda, apesar de também ter seus problemas, enchia de otimismo a vida de Clarissa, que a adorava, e de D. Clemência. Noel achava a esposa admirável por sua força, sua coragem, compreensão e bondade. Amava-a muito.

Era filho único de pais ricos, mas Fernanda não consentia que os pais dele ajudassem nas despesas, impedindo-o de crescer. Homem sensível em demasia, acostumado a viver num mundo de fantasias que os bons livros e a boa música sempre lhe proporcionaram, não era capaz de adaptar-se à dura realidade em que vivia. Em Fernanda encontrava todo o apoio de que necessitava.

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