Terras do Sem Fim de Jorge Amado

Terras do Sem Fim de Jorge Amado

 

Resumo Terras do Sem Fim de Jorge Amado – parte I

Terras do Sem Fim de Jorge Amado (1943), como “Cacau”, é um romance irrevogável legado as plantações de cacau da Bahia e aos que lutam pelo seu domínio. Diversamente de “Cacau”, porém ou por sinal, de qualquer outro romance incluído neste ciclo, é ao mesmo tempo apolítico e nas palavras de Márcio Tati: “um western tropical” que se desenrola no Brasil de antes da Primeira Guerra Mundial e em que poderosos coronéis tanto dependem dos seus capangas quanto dos transitórios governos estaduais.

Érico Veríssimo sintetiza melhor que ninguém como um desfile de heróis e bandidos potentados e indigentes, prostitutas e santos, gente comum e almas do outro mundo. Cada personagem pertence ao grupo de um ou outro dos coronéis rivais, e todos por sua vez se subordinam à versão local de um ou outro dos coronéis.

Entre cerca de uma dúzia de personagens centrais e secundários dignas de nota, os heróis masculinos como de hábito predominam. Em Terras do Sem Fim de Jorge Amado, os métodos de caracterização são os mesmos empregados nas obras anteriores do autor, mas concertas modificações desta vez, por exemplo, o narrador onisciente não se vale apenas de ABC`s, mas também de citações bíblicas (presentes em várias duplicações anteriores) e de irmãs prostitutas, este último processo de definição de caracteres deixa de ser prosa, em todos os aspectos que não o da apresentação gráfica.

É interessante notar que entre as figuras principais parece haver uma deliberada intenção por parte do narrador de equilibrar umas contra as outras assegurando desta forma a devida expectativa quanto à facção que há de finalmente conquistar o Sequeiro Grande.

Por exemplo, ambos os coronéis, igualmente corajosos, procuram e obtém auxilio externo, nas pessoas de Virgilio e João Magalhães, ambos tem a presença de uma mulher. Ester ou Don’Ana que presta apoio moral, além de apaixonar-se pelo mencionado auxilio externo, têm dedicados advogados pessoais; perdem pessoas queridas no final da batalha, e cada qual controla um jornal e uma administração municipal. E o que é mais importante, cada qual controla um jornal e uma administração municipal.

E o que é mais importante, cada qual só detém um temporário fundo político, deixando assim em dúvida apenas o momento da queda súbita do aparente vencedor. Indiretamente ligado a esse equilíbrio de forças, existem ainda outras relações contrabalançadas entre João Magalhães e Don’Ana de um lado a Antônio Vítor e Raimunda do outro, sendo todos, simultaneamente (embora inconscientemente), complementam-se um ao outro e aos seus iguais de sexo. Por sinal, essas relações têm prosseguimento em “São Jorge dos Ilhéus”, onde todas reaparecem.

Os dois principais coronéis (que são também os que mais se aproximam de coprotagonistas) são Horácio Silveira e Sinhô Badaró, os quais, segundo tanto Elison como Millet, estão entre os mais penetrantes estudos psicológicos no romance Terras do Sem Fim de Jorge Amado. Ainda assim, o segundo é menos caracterizado que Horácio, isto se deve ao fato de que Sinhô Badaró delega alguns dos seus poderes de decisão a Juca seu irmão mais novo e mais afoito cuja personalidade vem a ser quase tão bem desenvolvida quanto a sua.

Não obstante, por consumada que seja a apresentação dos três, eles são momentaneamente eclipsados por Damião, uma personagem imprecisa que faz por firmar-se na memória do leitor. E ele o robusto pistoleiro negro de Sinhô cuja perícia com uma arma é excedida pela sua ignorância. No mais extenso monopólio interior indireto de “Terras do Sem Fim”, ele transforma uma emboscada rotineira em seu próprio caso fisíco-psicológico ao torna-se de súbita e racional compaixão pela família da vitima visada. Assim, conflitos íntimos são postos também em grande evidência.

A exploração do cacau trouxe para a região de Ilhéus, no sul da Bahia, o desenvolvimento e com este os mais diversos tipos humanos que ali aportavam, atraídos pelas histórias de terras férteis e dinheiro em abundância. Para todos, que chegavam, Ilhéus era a primeira ou a última esperança.

Dentre as pessoas vindas de longe, iludidas por essa febre, encontravam-se, no mesmo navio, o lavrador Antônio Vítor que sonhava com uma roça de cacau só sua, o aventureiro João Magalhães, jogador de cartas trapaceiro e falso engenheiro militar, que se via ganhando muito dinheiro no carteado, graças ao “azar” dos velhos coronéis milionários, e a prostituta Margot que deixara Salvador para encontrar o amante, o advogado Dr. Virgílio que, na esperança de riqueza fácil, já se encontrava em Ilhéus, esperando colocar seu conhecimento de leis a serviço da ambição dos coronéis.

Após o desembarque, encontraram em Ilhéus e vilarejos adjacentes: Ferradas e Taboca, sociedades em formação, conturbadas pela ganância dos poderosos, onde a lei era a dos mais fortes e corajosos, tornando-se por isso selvagens e violentas.
Depararam-se com o conflito entre dois grandes latifundiários: o Coronel Horácio e a família Badaró que, em busca de expansão do patrimônio e força política, lutavam pela posse das matas do Sequeiro Grande, que ficavam entre as duas propriedades.

Em Terras do Sem Fim de Jorge Amado, Coronel Horácio, ex-tropeiro e empregado de uma roça no Rio-do-Braço, enriquecera plantando cacau. Como próspero fazendeiro, ajudara a construir a capela de Ferrada e a igreja de Taboca, mantendo assim sua força política no local. Viúvo, casara-se novamente com a bela e jovem Ester, que lhe deu um filho, seu orgulho.

Tudo o que fazia era em nome de um futuro brilhante para esse menino. Seu grande amor era a esposa, mulher fina, inteligente e culta; falava o francês e adorava música. Era feliz pelo que ela representava. Ester, no entanto, não o amava. Para ela, a vida na fazenda era um tédio, um martírio; vivia apavorada com medo de insetos e cobras. Isso se refletia no frio relacionamento sexual com o marido, que tudo relevava, em nome da paixão.

Os advogados eram bem vindos em Ilhéus, onde faziam fortunas. Os grandes latifundiários, quando queriam se apossar de um roçado vizinho, para, gananciosamente, aumentar seu patrimônio, solicitavam de um advogado um “caxixe”, documento falso de propriedade, que expulsava, o pequeno lavrador de seu roçado. Assim, de um dia para outro, este se via forçado a deixar sua lavoura, conquistada, na maioria das vezes, com muito sacrifício. Se, no entanto, punha resistência, era morto pelos jagunços do coronel que, em “tocaia”, esperavam-no passar por uma das estradas solitárias do sertão.

Virgílio e Margot viviam em casas separadas para evitar comentários do preconceituoso povoado de Tabocas. Apesar disso, ele passava a maior parte do dia em companhia da amante. Pareciam felizes. Ao contratar os serviços de Virgílio para regularizar a medição e os documentos de posse das terras de Sequeiro Grande, o coronel Horácio convida-o para um jantar em sua casa.

Durante esse evento, Virgílio conhece Maneca Dantas, compadre e amigo de Horácio, e Ester que, ao final, aceitara tocar piano para eles. Fica fascinado por ela que, por sua vez, encantara-se com a voz, a cabeleira loira, o olhar lânguido e as maneiras finas do jovem doutor. Nessa noite, Horácio se surpreendeu com a mudança da mulher na cama; mais calorosa e receptiva, entregava-se com paixão; achou que ela ainda o amava.

Na madrugada dessa mesma noite, quando todos já dormiam, Firmo chegou à fazenda. Após ter acordado todos, contou-lhes sobre o atentado que havia sofrido. O negro Damião, o melhor matador dos Badaró, esperava-o em uma tocaia, mas felizmente errara o tiro. O pequeno sítio de Firmo localizava-se entre a mata e a propriedade dos Badaró, que já haviam proposto a sua compra. Ofereceram até mais do que a roça valia, mas Firmo, aconselhado por Horácio, não a vendeu.

Em Terras do Sem Fim de Jorge Amado, para Horácio, aquela tentativa de assassinato comprovava que eles estavam decididos entrar na mata de qualquer jeito e que a luta pela posse de Sequeiro Grande iria começar. Pede a Damião e Maneca Dantas para percorrerem todos os pequenos sítios que ficavam entre as duas propriedades e explicitarem sua proposta: todos que o ajudassem, não só manteriam suas terras como também teriam uma porção de Sequeiro Grande.

As terras na outra margem do rio, que cortava a mata, seriam divididas entre os que o ajudassem. Além disso, como a fazenda não seria uma lugar seguro, aconselha Ester a passar com o filho uns tempos no palacete de Ilhéus.
No caminho para Ilhéus, esperando Horácio resolver uns negócios, Ester passou quatro dias em Tabocas, onde conversou muito com Virgílio. Cada vez mais apaixonada, via no jovem advogado uma maneira de sair daquele lugar horrível, e este, por sua vez, não via a hora de poder se encontrar com ela a sós.

Os Badaró eram uma das famílias mais ricas e poderosas da região. Don’Ana, filha de Sinhô Badaró, era conhecida em Ilhéus como moça séria e enraizada à terra; raramente deixava a fazenda e pouco ligava para as festas da igreja e conversas de comadres. Enquanto Sinhô Badaró era pela paz, matando somente em caso de extrema necessidade, Juca Badaró, seu irmão, resolvia tudo a tiro e morte. Juca era casado, sem filhos.

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