Os Papéis do Coronel de Harry Laus

Os Papéis do Coronel de Harry Laus

 

Resumo Os Papéis do Coronel de Harry Laus

Um coronel aposentado isola-se em Porto Belo para escrever um livro. Seu nome? Todos o conheciam por Coronel. Como em Os Papéis do Coronel de Harry Laus; é um livro dentro de outro, o autor alterna capítulos que mostram o cotidiano do Coronel em Porto Belo, seu universo interior, seu processo literário e capítulos escritos pelo próprio Coronel.
Pois bem: No livro escrito pelo Coronel, ele conta sua vida desde o começo da carreira militar, o casamento com Elza Alves, o nascimento do filho, Alírio, as promoções, as sucessivas transferências para Juiz de Fora, Natal, Corumbá e Rio de Janeiro até a maturidade de Alírio, que se tornou pintor.

Tudo leva a crer, até o final da obra Os Papéis do Coronel de Harry Laus, que o livro do Coronel seja uma autobiografia realista, apesar de narrado na 3a pessoa: Ele não escreve “Eu fui promovido a Major” e sim “Vitório de Lima e Silva foi promovido a Major”. Na verdade, o Coronel mistura ficção e realidade. Mas só na penúltima página é que se vai descobrir que Elza e Alírio nunca existiram – são apenas personagens fictícios que povoavam a imaginação do Coronel. Só a imaginação? Não. A solidão também. Mesmo no cotidiano em Porto Belo, o Coronel pensa em Elza e Alírio como se realmente eles existissem.

Chega mesmo a desejá-los junto a si, sabendo que é impossível. Veja este trecho. Voltou à varanda e sentou-se satisfeito para admirar a tarefa que havia concluído (horta). “Ao homem cabe apenas semear”, pensou “a terra cabe germinar”. O Coronel nunca sentiu tanta falta de Elza e Alírio como naquele momento de sorrateira tristeza… estaria se referindo à mulher e ao filho que ele não teve?

Analogamente, semear corresponde a fecundar e mulher, a terra que germina. A obra de Harry Laus termina assim: O Coronel revelando seu projeto de assistir à virada do século em Nova York ou em Paris nos Champs Elisées. Vitório de Lima e Silva, habitante da Terra desde 1902, não veria despontar o novo século; o Coronel, com vinte anos a menos…

Percebeu? Vitório de Lima e Silva não é o verdadeiro nome do Coronel, como também as idades são diferentes. Por este cálculo seria de 1922, e teria, portanto, a mesma idade de Harry Laus. Ou seja: Vitório é tão Coronel quanto o Coronel é Harry Laus.

Não seriam então, o Coronel e Vitório, os papéis despachados por Harry Laus? Pois na introdução desta obra há um poema de Paulo Leminsky que diz: O outro que há em mim é você. Você E você… Mas, voltando ao texto interrompido… o Coronel, com vinte anos a menos, poderia manter essa esperança, mesmo sem as figuras fictícias de mulher e filho que lhe povoavam a imaginação.

Ainda que sozinho, pensou… Quem sabe – imaginou – entre a resplandecência dos fogos de artifício… quem sabe se nesse momento de nervosa exaltação não poderia ver Alírio surgir no meio do povaréu, procurando-o aflito. Chegaria ofegante e diria sorrindo: – Vamos, pai. Pensei que não o encontrasse mais. (Você pode pensar: então o Coronel era maluco? Pois se Alírio não existia!)

Maluco não. Apenas um escritor. E extremamente solitário. Através do Coronel, Harry Laus retrata o sofrido, solitário e envolvente processo de escrever e, neste caso, também de viver.

Os Papéis do Coronel de Harry Laus – O resumo A obra de Harry Laus alterna:
Capítulos do Coronel em Porto Belo/Seu universo interior.
O livro do Coronel

Em Os Papéis do Coronel de Harry Laus, às vezes as histórias se fundem, como no diálogo entre Vitório e a namorada de Alírio (Ponciana): – Então o senhor é General? – Por favor, me chame de Coronel. – O senhor esteve na guerra? – Não. – Tomou parte em alguma batalha? – Não. – O diálogo com Ponciana deixou o Coronel exasperado. Largou a caneta e levantou-se da mesa. Andou às escuras, acendeu luzes… voltou ao quarto e sentiu profundo desgosto por tudo o que tinha escrito. Agora vamos por partes. O cotidiano do Coronel em Porto Belo tem pouca, ou quase nenhuma ação, e muito sentimento ( a vida em Porto Belo era de uma pasmaceira enervante).

O Coronel vai revelando suas mais profundas angústias, questionamentos e solidão. Por exemplo: A frustração com a carreira militar, profissão que não lhe rendeu nenhuma glória (há profissões que terminam antes que a vidas se encerre, outros prolongam-se até a morte e, as mais nobres, permanecem depois dela). Quando a escrever, o Coronel se esmerava e sofria na busca da perfeição (arte é resumo, é sumo, é essência).

Lera uma vez em Tchekhov que se aparecer uma espingarda num conto, ela tem que atirar. Nada deve ser gratuito, nenhuma palavra vã… A lembrança da ponte pênsil, em Florianópolis, deixou o Coronel perplexo. Milhares de parafusos cuja existência nem se consegue perceber e tudo absolutamente necessário: uma verdadeira obra de arte, como deve ser a criação literária.

O Coronel, desde os tempos do Exército, adorava fazer hortas. Trouxe de Florianópolis três pacotinhos coloridos, citados no começo da obra, que eram sementes de rabanete, beterraba e alface. Gostava de participar de alguma forma no processo de germinação daquelas coisas vivas, as hortaliças. Outra fonte de angústia: o envelhecimento. (O choque maior recebeu num ônibus onde viajava de pé: uma bela estudante ofereceu-lhe o lugar que ele recusou, risonho, mas ofendido). No fim, concluiu que a idade só conta para quem nos vê de fora.

Parou de ler o obituário do jornal, convencido de que ainda não estava tão velho para pensar na morte. Seus impulsos homossexuais, dissimulados a vida inteira, também são revelados. Nas noites de Sábado, recebia a visita dos rapazes de Porto Belo. Tinham entre 17 e 20 anos, a maioria filhos de pescadores – só Lalo, Macaco e Lazinho eram filhos de comerciantes. Na casa do Coronel, comiam e bebiam de graça, pois seu dinheiro era curto. Depois iam bolinar as meninas… Às vezes um deles bebia demais (ou fingia estar bêbado) e acabava dormindo lá mesmo (ou fingia que dormia)…

O Coronel nem sempre resistia à beleza incandescente e disponível do corpo adormecido no sofá ou no quarto de hóspedes. A estes, o Coronel costumava repensar com dinheiro, fora o que dele furtavam. Mas a satisfação do impulso tinha no fundo um gosto amargo. Certa vez recebeu a visita de Bernardo, colega dos tempos da Escola Militar.

Os rapazes chegaram. Bernardo, chocado com aquela intimidade – os rapazes chamando o Coronel de “tu”, contando sacanagens – foi embora sem se despedir e deixou um bilhete: tenho nojo de você. Personagens Os rapazes de Porto Belo (Lalo morreu num acidente de moto) Lila, a empregada do Coronel Elizeth, a cachorrinha.

Os Papéis do Coronel de Harry Laus – O livro do Coronel: Começa em Joinville, num baile de carnaval, quando Vitório de Lima e Silva era um simples aspirante a Oficial. Neste baile, conheceu Elza Alves, com quem se casou e teve um filho, Alírio. Em plena lua de mel, rebentou a Revolução de 30.

Que importância teve a Revolução de 30 na vida de Vitório? Nenhuma. Fora um simples secretário de batalhão, longe de qualquer perigo. Vitório ressentia-se pela absoluta falta de glória em sua militar. Além do mais, achava a rotina do Exército monótona e irritante, mas com dinheiro certo no final do mês. E assim foi transferido para Passo Fundo.

Os Papéis do Coronel de Harry Laus – Depois para Juiz de Fora: em Juiz de Fora, aconteceu o seguinte: – Quem estiver com Getúlio, um passo à frente. Vitório nunca soube por que deu aquele passo. Logo ele, nem aí com a Política. Acabou sendo transferido para Natal quando Getúlio foi deposto.

Em Natal, o Coronel Boca de Bagre pediu a ele que fizesse um discurso em homenagem às vítimas da Intentona Comunista (em 1935). Vitório copiou a Ordem do Dia publicada pelo Boletim do Exército, só alterando algumas frases. Por causa disto, foi repreendido por Boca de Bagre considerado comunista e transferido para Corumbá, no Mato Grosso. vitrines. Vitório foi transferido para o Rio de Janeiro.

Depois de dois anos usando borracha e lápis para alterar fichários, cada vez mais desgostoso e humilhado com um trabalho banal que poderia ter sido feito por qualquer cabo ou sargento, Vitório pediu transferência para a Reserva (pendurou os coturnos).

Como tinha direito a mais uma promoção, aposentou-se como general para incorporar o salário. No entanto, preferiu ser chamado de Coronel e não General de pijamas – como dizia o pessoal da ativa. Vitório encerrou definitivamente a sua carreira militar, tão sem brilho, levando na memória as barbaridades que testemunhou pelos quartéis do Brasil – a miséria, a pobreza, a precariedade.

Alírio fez a primeira exposição individual no Rio de Janeiro. Vitório continuou encarando com certo desgosto a profissão do filho. Começou a pensar em escrever um livro, quem sabe aproveitar a experiência dos anos no Exército e assim tornar o resto dos seus dias menos penosos e inúteis.

Além do mais, sempre fora apaixonado pela leitura. Tinha como referência grandes mestres! Então Vitória resolve ir para Porto Belo, onde poderia escrever o livro e fazer uma horta. Elza Alves negou-se a acompanhá-lo. Preferiu ficar perto do filho no Rio de Janeiro.
Obs.: Em certo ponto, ao escrever sobre as profissões de pai e filho, o Coronel chega a sentir inveja de Alírio. Como pintor, Alírio poderia alcançar a glória que ele, como militar, nunca tinha alcançado.

No entanto, como já sabemos, Alírio é um personagem fictício. Por isto o Coronel se questionava: “Como admitir que um ser criado por ele o suplantasse? E por que não sonhar com a glória para quem nasceu dele, se o criador não conseguia alcançá-la?”

Os Papéis do Coronel de Harry Laus – Personagens:
Vitório de Lima e Silva (que representava o próprio Coronel)
Elza Alves, a esposa.
Alírio, o filho.
Ponciana, a namorada do filho.
Tenente Correntino, um amigo da família Natal.
Coronel Boca de Bagre, responsável pela transferência de Vitório para Corumbá.
O cão Almofadinha.

Obs.: Harry Laus foi crítico de arte. As cores estão presentes, de maneira muito marcante, nas descrições dos cenários e na profissão de Alírio, pintor.

 

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