O Auto do Frade de João Cabral de Melo Neto

O auto do frade de João Cabral de Melo Neto

 

O auto do frade de João Cabral de Melo Neto

1. Personagens – O auto do frade de João Cabral de Melo Neto
Frei caneca;
Provincial (= padre que dirige os conventos de uma província eclesiástica);
Carcereiro;
Meirinho (= funcionário da justiça);
Clero (= conjunto de padres);
Tropa (= conjunto de militares);
Justiça (= conjunto de profissionais da área judicial);
Oficiais (= militares graduados);
Vigário geral (=padre que auxilia diretamente o bispo e o representa);
Carrascos; soldado;
A gente (= as pessoas do povo, anônimas)

2. Enredo – O auto do frade de João Cabral de Melo Neto
O auto do frade de João Cabral de Melo Neto – Primeira parte:
Na cela – o provincial e o carcereiro, diante da cela na qual estava preso frei caneca, comentavam acerca do sono dele. Era hora de acordá-lo para ser morto. No entanto, nem parecia que iria despertar, dava a impressão de já estar falecido. O padre disse que deste sono ele sairia.

O auto do frade de João Cabral de Melo Neto – Segunda parte:
Na porta da cadeia – frei caneca surgiu para sua caminhada rumo à morte.o meirinho anunciou pela primeira vez – anúncio que seria repetido com frequência no trajeto – ser chegado o momento de executar a sentença de morte do réu pela forca.

Os representantes do clero ali presentes observaram que o ritual estava sendo bem cumprido, mas estranharam a ausência do juiz. Para o povo nas calçadas, o condenado tinha a aparência de defunto. Na tropa corria o boato de que o imperador suspenderia a sentença, porém não se via sinal de navio que traria mensageiro portador de tal ordem.

Os membros da justiça reclamavam do atraso do juiz, incomodados com o forte calor; alguns afirmaram que o magistrado se recusara a vir e que nem o ouvidor se dispusera a presidir aquela execução. Frei caneca sentia-se acordado como nunca estivera; no seu entendimento, “acordar é recordar-se ao que ao nosso redor gira”, não é o despertar puramente físico.

Confirmou-se a notícia: o juiz tinha viajado, não compareceria, fato que causou perplexidade, pois sua pontualidade era conhecida. Provocou também espanto no povo ali reunido a calma do réu. Será que, mesmo condenado, ainda continuava acreditando no mundo que ele quis consertar?

A tropa, sem instruções para se movimentar, não estava gostando de ficar parada como se fossem cavalos – estes, pelo menos, têm quatro patas!
A corda no pescoço do frade era desnecessária no sentido de prendê-lo, servia só para humilhá-lo.
Magoaram-se os padres acompanhantes de terem sido colocados no final da comitiva: “nosso lugar seria à frente!”

O auto do frade de João Cabral de Melo Neto – Terceira parte:
Da cadeia à igreja do terço – o cortejo que seguia frei caneca ao enforcamento mais parecia uma procissão: o governador, bandeiras, padres, ajudantes da igreja, escrivões, meirinhos, militares… O oficial no comando ordenava que o povo se afastasse do condenado, de quem resumia assim o crime: por ser republicano e separatista, que pretendeu “dar o norte à gente do norte”, desobedeceu às ordens de sua majestade.

Padre existe, acrescentava o militar, a fim de rezar.
Outros militares queixavam-se da lentidão da marcha, da qual o povo participava como que acompanhando um santo, de quem não conseguia aproximar-se. Tinha-se a impressão de ser o desfile de um bispo para celebrar missa solene.

Pessoas nas sacadas das casas assistiam curiosas a um verdadeiro espetáculo mais luxuoso do que respeitoso.
Frei caneca discordou de todo aquele aparato, pois não se tratava de uma procissão e sim de um enterro em que o morto caminhava. Olhando a multidão, viu que conhecia todas as pessoas. O oficial comandante proibiu-o de falar: “condenado à morte perde a língua”.

Temiam as autoridades que o cortejo virasse comício, de vez que o frade era perigoso mesmo quando discursava sobre a natureza. “passarei a falar em silêncio”, obedeceu ele. Defendendo-o, o provincial discordou do comandante e refutou as acusações deste de que frei caneca fazia sermão naquele momento e de que se achava bêbado por estar se expressando em versos na hora de morrer.

O auto do frade de João Cabral de Melo Neto: o padre superior alegou que o frade estava embriagado sim, não de álcool, mas da luz de recife e tão emocionado que esqueceu a morte.
O acompanhamento evoluía com dificuldade devido à multidão que acorrera. “parece que todo o recife veio…” Dizia-se. Assistir ao enforcamento do padre considerava-se como participar de uma cerimônia religiosa.

Frei caneca era tido na conta de santo pelo povo e mais admirado que os outros santos porque viveu no meio dele humildemente. Segundo uma crença popular, Nossa Senhora do Carmo havia feito o milagre de livrar um menino de queimadura do sol. Já que o frade condenado pertencia à ordem religiosa a ela dedicada, com certeza também era seu protegido.

Embora soubesse que saíra da cela escura diretamente para a morte, frei caneca sentiu em si a intensa vida proporcionada pelo recife e pelo nordeste. Jamais teria acreditado que conseguiria edificar ali, com sermões, um mundo tão claro quanto aquela claridade natural da região. Entendia que a aceitação do que pregava nunca seria fácil, “mas o sol me deu a ideia de um mundo claro algum dia”, refletiu enquanto caminhava.

O roteiro do percurso evitou passar diante do pátio do carmo, que seria o caminho mais curto. Temia-se que os colegas carmelitas do frade saíssem do prédio para sequestra-lo. No entanto, o prior (= superior do convento) tinha dado férias aos internos e ficara lá sozinho.

Os oficiais receavam uma rebelião e o disseram ao provincial. Ele ponderou que a intenção do povo que viera não era essa. Retardavam o passo por aguardar um milagre de nossa senhora ou o indulto do imperador. Os moradores das ruas por onde o cortejo passava sentiam-se decepcionados porque, cumprida a determinação de limpar as calçadas, criaram a expectativa de assistirem a alguma procissão e não ao que estavam presenciando, inconformados.

O auto do frade de João Cabral de Melo Neto – Quarta parte:
No adro do terço – no pátio da igreja do terço, houve uma interrupção. Formou a tropa um círculo, para afastar os populares. Assumiu a palavra o vigário geral, depois de lhe ser entregue a direção do cerimonial, momento de cumprir as normas pertinentes ditadas pelo direito canônico (= jurisprudência da igreja). Então, frei caneca foi revestido de todos os paramentos que usavam os padres ao celebrarem missa.

O povo julgou que houvera desistência da execução. Pelo contrário, com sua voz fanhosa, que ninguém queria ouvir, o vigário geral explicou que o sacerdote iria passar por um ritual de degradação (= perda de poderes, das funções próprias), porquanto se realizaria a sua excomunhão (= expulsão do sacerdócio e da igreja). Com uma faca rasparam as mãos do frade – gesto significativo de que elas perdiam naquele instante o dom de abençoar.

Ouvindo-se fórmulas pronunciadas em latim, língua oficial da igreja na época, os presentes viram o padre ser despido das vestes sagradas, as quais, depois de retiradas, recebiam incenso e água benta para serem descontaminadas. Colocaram no excomungado o manto próprio dos condenados. Então, o vigário geral devolveu ao comandante o frei caneca, não mais como padre mas como cidadão comum, para ser punido com a pena de morte decretada pela comissão militar.

O auto do frade de João Cabral de Melo Neto – Quinta parte:
Da igreja do teço ao forte – enquanto acompanhavam os passos do cumprimento da sentença, as pessoas faziam comentários a respeito do réu. Caneca era apelido do pai, um tanoeiro (= fabricante ou consertador de barris, pipas, canecas…). Desde menino, estudara no colégio dos padres carmelitas; mais tarde, amadurecido, resolveu ser um deles.

Já estivera preso antes por causa de sua postura revolucionária, mas escapara da cadeia juntamente com outros. Alguns fugitivos partiram para o exterior, os demais andavam soltos pelas ruas. Frei caneca preferira continuar na luta. Atuou na Paraíba e no ceará, estado no qual novamente o capturaram. Acusavam-no de ser inimigo do imperador e separatista.

Talvez dom Pedro nem soubesse o que significava isso e pensasse que o condenado fosse ladrão, bandido ou portador de algum vício, característica dos brasileiros. A comissão militar o condenou por ele ter feito oposição à nomeação do morgado (= herdeiro) do cabo, à constituição imposta pelo rei português e ao envio de uma esquadra ao recife por falsa ameaça de invasão.

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